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terça-feira, 16 de abril de 2019

Aprender sobre colaboração através do jogo do dilema do prisioneiro

A área de teoria de jogos, que tem muito mais que ver com matemática do que com a dimensão lúdica ou social dos jogos, tem sido nas últimas décadas uma área de estudos e investigação bastante ativa. Um dos casos de estudo recorrentes prende-se com o jogo do dilema do prisioneiro (JDP), especialmente na sua vertente interativa ou repetida, que prevê múltiplas jogadas seguidas. Através destes exemplos de estudos têm sido retiradas várias conclusões sobre o comportamento humano perante a tomada de decisão e os processos de colaboração. 

Prisoners Exercising - Van Gogh
Fonte:  https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vincent_Willem_van_Gogh_037.jpg

No fundo o JDP consiste, de um modo simplificado, num jogo de escolhas, em que dois prisioneiros são submetidos a escolhas de denuncia ou de colaboração com os demais prisioneiros para garantir que ninguém denuncia outrem. Pois se ninguém denunciar todos cumprem uma pena mais pequena. Mas se alguém denunciar isoladamente outro esse prisoneiro ganha o máximo benefício. Por outro lado, se todos denunciarem todos maximizam perdas, pois todos sofrem a pena máxima. Na forma interativa ou repetida podem ser estabelecidos padrões, havendo uma tendência de melhorar os benefícios da cooperação entre prisioneiros no longo prazo e em jogadas repetidas (Axelrod, 1980). No entanto, nada de isto invalida os conhecidos equilíbrios de Nash, que de uma forma simplificada se pode resumir como aquelas situações em que os jogadores deixam de querer alterar as suas estratégias por ficarem satisfeitos com os resultados obtidos (Vives, 1990).

Estas investigações continuam a ser desenvolvidas. A título de exemplo aqui ficam algumas constatações retiradas de diversos artigos científicos recentes:
• Dal Bo (2005) considera que a cooperação aumenta na medida em que a probabilidade de continuação do jogo aumenta, e que a cooperação é maior em jogos de duração indefinida que nos jogos de duração finita;
• Duffy & Ochs (2009) comprovaram que a cooperação no JDP é maior quando os pares se conhecem e passaram por vários jogos.
• Dal Bó & Fréchette (2011) geraram evidências de que a experiência no jogo desempenha um papel importante no surgimento de cooperação em jogos de DP. Descobriram que com experiência, o efeito da perda total tem um papel importante no fomentar da cooperação, da confiança.
• Lugovskyy et al. (2017) encontraram evidência de menor cooperação na última ronda do jogo. 

Estes são apenas alguns exemplos, entre muitos artigos recentes produzidos, sobre as leituras dos comportamentos dos jogadores em casos e variantes do dilema do prisioneiro (DP). São exemplos de como os jogos, embora aqui estejamos perante um problema matemático e não sobre um jogo lúdico, podem ser utilizados para fins sérios que extravasam os jogos e com os quais podemos estabelecer múltiplos paralelismos. Podemos aprender muito com isso.

Conseguimos identificar aqui algumas condições que podem contribuir para o estímulo dos processos de colaboração. A proximidade, conhecimento e interação entre as pessoas, o convívio em atividades mútuas, ajudam a gerar confiança que leva à cooperação. Salienta-se também a importância da demonstração e consciência dos efeitos de perdas globais da não cooperação ao longo do tempo. A continuidade dos processos de interação é uma necessidade para o estabelecimento da cooperação, de preferências com as mesmas pessoas.  

Tal como noutras abordagens, a cooperação e colaboração não ocorrem por milagre. Desenvolvem-se porque trazem benefícios coletivos e porque existem condições sociais para que isso possa acontecer.

Referências bibliográficas:
Axelrod, R. (1980). Effective choice in the prisoner's dilemma. Journal of conflict resolution, 24(1), 3-25.
Dal Bó, Pedro, 2005. Cooperation under the shadow of the future: experimental evidence from infinitely repeated games. Amer. Econ. Rev.95, 1591–1604.
Dal Bó, Pedro, Fréchette, Guillaume, 2011. The evolution of cooperation in infinitely repeated games: experimental evidence. Amer. Econ. Rev.101, 411–429.
Duffy, John, Ochs, Jack, 2009. Cooperative behavior and the frequency of social interaction. Games Econ. Behav.66, 785–812.
Lugovskyy, V., Puzzello, D., Sorensen, A., Walker, J., & Williams, A. (2017). An experimental study of finitely and infinitely repeated linear public goods games. Games and Economic Behavior, 102, 286-302.
Vives, X. (1990). Nash equilibrium with strategic complementarities. Journal of Mathematical Economics, 19(3), 305 321.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Ser ignorante da sua própria ignorância: o efeito Dunning-Kruger

Quase por acaso, numa daqueles exemplos positivo da utilização das redes sociais, deparei-me com um vídeo que explicava o efeito Dunning-Kruger. Trata-se de um efeito tão surpreendente como natural. Quase todos já experimentamos na primeira pessoa os casos associados a este fenómeno. 

Retrato de Antonietta Gonzalez - Lavinia Fontana

Atualmente tendemos a especializações técnicas e de conhecimento, pelo que será provável que cada um de nós seja mais especialista numas coisas que noutras, quer seja pela via da experiência do saber-fazer quer pelo estudo académico e teórico, sem com isto querer tornar as duas vertentes antagónicas, pois são obviamente complementares. Com as normais interações sociais, ainda mais intensas na dira “era da informação” em que vivemos, deparamo-nos com conversas cruzadas entre especialistas e não especialistas sobre quase tudo. Nem sempre os não especialistas, mesmo os totalmente leigos, se coíbem de afirmar, com toda a certeza, verdades absolutas. Gera-se um efeito de superioridade ilusória, que costuma ser alimentada pelas relações de poder sociais, que habitualmente nada têm que ver com o poder emanado do saber e conhecimento em causa. É um fenómeno atualmente estudado pela psicologia e sociologia comportamental.

O efeito Dunning-Kruger refere-se aos casos em que a ignorância e incompetência num determinado saber ou assunto impede que se percecione o próprio nível de desconhecimento nessa área. Lembram-se da famosa expressão atribuída a Sócrates “Só sei que nada sei” ? É mais ou menos isso. Quem sofre do efeito Dunning-Kruger pode estar convencido que sabe exatamente o que afirma e defende, não por ter argumentos e conhecimento sólidos, mas por não os ter no nível mínimo que o faria duvidar do pouco que sabe. No fundo, não ter determinadas competências num assunto implica não ter também as competências para se saber que não se sabe desse assunto.  Por outro lado, o efeito Dunning-Kruger pode gerar também insegurança nos reais detentores de conhecimento, pois, perante a imensidão do saber, pode dar-se a sensação de nunca se saber de facto nada, tal é a imensidão e perceção do que há por saber. Complicado? Nem por isso. Até é bastante simples, talvez seja uma questão de horizontes e experiência pessoal, mas que pode ser amplificado quando quem sofre estes efeitos ocupa ou exerce posições de poder. Pode ser a justificação para uma imensidão de más decisões, más lideranças, más estratégias, maus projetos e falhas de desenvolvimento de organizações, instituições, empresas e governos. O fenómeno pode acontecer e ter efeitos nefastos na nossa vida pessoal, relações sociais, nas famílias, associações, partido políticos, movimentos cívicos e sociais, na gestão da causa pública. Pode ser simplesmente um fenómeno muito irritante numa conversa informal, que nos irrita, mas onde pouco se poderá fazer porque simplesmente não vale a pena a chatice de discutir com a teimosia de quem acha que sabe tudo e nada mais tem a aprender.

Estamos perante um tema atual de investigação cientifica e académica que tem tentado explicar estas situações que muitos de nós podem já ter presenciado na primeira pessoa. Este fenómeno foi inicialmente estudado por Justin Kruger e David Dunning, que na altura desenvolveram as primeiras investigações na Universidade de Cornell, tendo dado origem a uma publicação em 1999 que marcou as investigações posteriores, feitas pelos próprios autores como por novos investigadores.

Pode ser que um dia se encontre uma solução para isto. Mas esperem lá, já existe a escola e as múltiplas formas de formação em todos os níveis, tal como os fenómenos de aprendizagem cultural em sociedade…


Vídeo resumo de Francisco Baptista no Facebook




Referências bibliográficas:

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Afastamento entre ciências naturais/exatas e ciências sociais - O fator histórico

Pegando num livro, quase por acaso, dedicado a cosmologia, centrado no tempo e em explicações com base num universo entrópico e ligado aos sistemas irreversíveis, próprios da termodinâmica, encontro algo que ensaia uma explicação simples para a diferença entre ciências sociais e naturais. Aliás, essa referência vai mais longe, e serve para explicar o afastamento entre disciplinas e até as apetências e gostos que podemos (ou nos fazem) ter por determinados assuntos.

Os Amantes - Magritte

O livro em causa é o “Nascimento do Tempo” de Llya Prigogine. No início desse ensaio o autor usa a dimensão histórica para distinguir as ciências sociais das ciências naturais (ou ditas exatas). Ou seja, as ciências sociais são completamente dependentes e imersas em realidades históricas: estudam objectos que têm sempre uma dimensão histórica. Imaginemos, por exemplo, a sociologia, que ao estudar uma sociedade não pode descurar que essa sociedade existe num momento histórico próprio que a define, ou então a psicologia, em que um perfil psicológico corresponde a um indivíduo historicamente existente, que é sempre produto do seu tempo. Por outro lado, as ciências exatas e as mais abstractas, como a Matemática, podem viver (supostamente) fora da dimensão histórica no que toca aos seus objectos de estudo. Podem ser tão abstractas que dispensam esse enquadramento ou envolvente. Embora isto não seja de facto assim na acumulação de saber, pois desenvolver estudos, seja qual for a disciplina, faz-se sempre uma recolha histórica de saber (ver "Um investigador é sempre um Historiador"). O conhecimento disciplinar pode ser visto como um acumular histórico desse conhecimento de especialidade, logo é quase impossível escapar à história de um ponto de vista epistemológico. No entanto, o objeto pode estar mais ou menos afastado das dimensões históricas, ainda que seja difícil o completo afastamento, mesmo para a matemática, tendo em conta que, tal como se disse anteriormente, existe sempre inerente a história da própria matemática quando a praticamos.

Mesmo que possa ser uma realidade relativa, esta simples dimensão que separa as duas grandes áreas científicas pode contribuir para explicar o afastamento disciplinar entre as duas áreas. No fundo, apesar de todas as diferenças, o que as separa é a história. Talvez seja por isso que os estudantes das áreas científicas naturais e exatas tenham alguma tendência para o distanciamento face à história, e vice-versa para as ciências sociais.

Provavelmente a verdadeira multidisciplinariedade e cruzamento de saberes, cada vez mais valorizados em simultâneo com a especialização, só acontecerá quando se conseguir ligar a ciência no seu todo através da história, e não usar a história como meio de separação.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Na antiguidade poucos viviam para além dos 40 anos?

É muito comum, quando se fala de esperança média de vida em tempos mais remotos, por exemplo na Antiguidade Clássica ou na Época Medieval posterior, referir-se que rondava pouco mais de 30 anos, talvez 40 no limite. Isto leva a uma conclusão parcialmente errada: que a maioria das pessoas não vivia mais do que os 40 anos. Na prática, ainda que matematicamente justificável, não terá sido bem assim.
Cabeça de um homem idoso - Rembrandt
Apesar das guerras, doenças epidémicas, fomes, falta de higiene e cuidados de saúde, era a mortalidade infantil que desequilibrava a média. Ou seja, se tivermos uma percentagem muito grande de recém-nascidos falecendo: obviamente que isso irá baixar muito a média final global.
Assim, quando nos dizem que as pessoas morriam muito novas na Idade Média, ou por exemplo na Roma Antiga, devemos ser menos precipitados. De facto morriam muitas crianças e recém-nascidos, mas isso não significava que a esperança média de vida para os que sobreviviam fosse tão baixa como normalmente se divulga.Aqui fica um caso do erro que se pode incorrer quando se analisa uma média diretamente sem recurso a outras operações ou ferramentas estatísticas.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Um investigador é sempre um Historiador – A História é inseparável do avanço científico

Por mais absurdo que pareça há quem tente defender que a História não tem qualquer utilidade, que são as ciências positivistas e empíricas que fazem o verdadeiro conhecimento pragmático. Há quem defenda que estudar o passado pouco importa, pois o futuro é o objetivo. Obviamente que ninguém, pelo menos nos meios mais informados, levaria tal consideração em causa. É certo que nem todas as pessoas têm forçosamente de gostar de história, mas, querendo ou não, todos os investigadores são forçados a socorrer-se dela nas suas investigações, mesmo que sejam de áreas de especialidade completamente estranhas ao estudo metódico do passado – isto se considerarmos que a história tem método, coisa que não é consensual para alguns autores.
Castelo e Sol - Paul Klee
Polémicas historiográficas à parte, não existe investigador que não se socorra da história, mesmo que esteja, por exemplo, a investigar conceitos abstratos de física, química ou algo de aparentemente lhe possa ser estranho. Sempre que se tenta descobrir ou construir algo de novo, faz-se sempre um “estado da arte”, ou seja, uma investigação e compilação histórica do que foi feito ou se relaciona com determinado assunto até ao momento presente. Qualquer cientista assim se torna um historiador da sua especialidade. A título de exemplo: um matemático, de um modo muito simplista, terá de conhecer as fórmulas e métodos de cálculo da sua ciência para poder refutar ou inovar, fazendo indiretamente história como base da sua construção intelectual. O mesmo é válido para as restantes áreas do saber.
Por isso, quando se ouvir alguém advogando que a história é disciplina sem interesse, pois os acontecimentos humanos do passado não são já relevantes, há que não esquecer que a história é muito mais que isso. A história pode ser todo o conhecimento, não apenas registos do passado sociopolítico. Claro que lhes podem chamar outras coisas, especialmente nomes mais complicados como a epistemologia - embora seja um conceito mais do âmbito da filosofia do conhecimento - ou apenas por “metodologia” de apoio à investigação, mas no fundo tudo isso é história.
Diria também que também nos distingue dos demais animais é o facto de acumularmos história, mas isso será outra discussão.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os edifícios e estátuas da antiguidade clássica eram surpreendentemente coloridos

Cores da Venus de Milo
Os edifícios, estátuas e outras criações artísticas volumétricas da antiguidade eram coloridas. Aquelas belas estátuas de mármore, muitas delas em muito mau estado de conservação (muitas sem membros), da época clássica (grega e romana), eram completamente pintadas, e com cores bem fortes quando foram criadas. Por desconhecimento, os artistas da renascença - destacando-se a grande escultor Miguel Ângelo - tentaram recriar a perfeição das estátuas antigas, tal como os arquitetos tentaram recriar a arquitetura desses tempos imemoriais de glória artística, tentando seguir os modelos originais. No entanto o que lhes chegou foram apenas fragmentos e partes corrompidas e adulteradas pelo tempo e ação humana. Por exemplo, desconheciam, pois não havia meio de comprovarem, que todas essas criações eram pintadas.
Este conhecimento da policromia da arquitetura e estatuária clássica não é novidade, pois há já mais de dois séculos que arquitetos e cientistas como Souffort, Le Roy, Hittorf e Garnier começaram a descobrir essa surpreendente decoração [1].
A novidade passa pelas reconstituições que têm sido ensaiadas. Atualmente muitos investigadores (recorrendo a ultra-violetas e outros ensaios/técnicas) e artistas começam a tentar recriar a aparência dessas antigas [2][3]. O aspeto final pode ser de facto surpreendente, pois está ainda bem vincado no nosso imaginário coletivo as imagens de uma antiguidade decorada e construída em tons brancos, de serenidade e sobriedade. Afinal a realidade não era assim. O mundo antigo era colorido e vivo, às vezes até “berrante” [3][4]. Os artistas da renascença acabaram, através do engano da perceção a que foram induzidos, por criar um modelos estéticos diferentes daquilo que queriam imitar e recriar. A história está cheia destes acasos
Com base neste exemplo facilmente concluímos que muitas das ideias formadas que temos do passado são imprecisas pela informação alterada e deturpada que nos chegou. Também corremos o risco de sermos mal retratados no futuro, embora não talvez isso pouco nos deva preocupar. Quanto ao passado, o melhor será manter uma mente aberta e capaz de assumir as cores do conhecimento mais atualizado, pois não saberemos quais os erros e influências erróneas que podemos continuar a assumir como verdades vindas do passado.
Reconstituição da estatuária do Partenon - Atenas

Referências:
[1]  Choay, Françoise; 2010; "Alegoria do Património". Edições 70
[2] “Tracing the Colors od Ancient Sculpture”, video disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=7UsYHo5iarM
[3] “True Colors”, disponível em: http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/true-colors.html#
[4] ”El auténtico y colorido aspecto de las estatuas clásicas”, disponível em: http://es.noticias.yahoo.com/blogs/arte-secreto/el-aut%c3%a9ntico-y-colorido-aspecto-las-estatuas-cl%c3%a1sicas-121014767.html

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma câmara fotográfica replica o funcionamento do olho humano? É biomimética?

Apesar do título ser longo e ter uma palavra pouco comum, o objetivo deste texto é ser o mais simples possível, relacionando o funcionamento de uma câmara fotográfica com o modo natural como “trabalha” o olho humano e adotamos alguns comportamento humanos inconsciente a esse funcionamento. Ou seja, a tese – que nem é muito original - aqui presente pretende demonstrar que se pode considerar uma câmara fotográfica como uma recriação do olho humano, logo um ato de biomimética.

A simplificação será a mais possível, pois facilmente se poderia cair em termos da ótica e biologia demasiado complicados. Então aqui vai.


lágrimas (1932) - Man Ray
Se deixarmos passar, através de um pequeno orifício luz para o interior de numa câmara escura, vinda do exterior, no local onde esse raio se projetar irá surgir uma cópia invertida da imagem exterior. Ou seja, isto é mais ou menos o principio base de funcionamento tradicional de uma “câmara escura” - um fenómeno ótico que acontece nas nossas câmaras fotográficas e nos nossos olhos. No caso das máquinas fotográficas essa projeção é registada em filme ou em sensor digital, o que permite posteriormente revelar fisicamente esse “registo de luz” – ou não significasse o termo fotografia “desenho de luz”. Para o olho humano, simplificando, o mecanismo é semelhante, com a projeção e ser lida e registada pelo cérebro humano através der impulso elétricos no nervo ótico.

Abordando as características das objetivas (ou lentes embora seja menos correto este termo, pois uma objetiva é normalmente composta por conjuntos de lentes) das máquinas fotográficas podemos encontrar justificações biológicas para alguns comportamentos humanos involuntários quando usamos os nossos olhos, pois o cristalino e a pupila funcionam mais ou menos como as objetivas. Por exemplo, é a dilatação da pupila que controla a entrada de luz para o interior do olho (a tal câmara escura), tão necessária para a adaptação às condições de luz natural que nos permite literalmente ver. Quando há pouca luminosidade a pupila dilata de modo a deixar entrar mais luz. O mesmo é válido para as objetivas, que têm vários tipos de abertura (normalmente as que permitem maiores aberturas, com melhores desempenhos em condições de pouca luz são as mais caras). É por isso que quando saímos de um local escuro para um outro espaço muito iluminado ficamos encadeados, conseguindo ver só passado algum tempo, somente quando a pupila se ajustou à abertura adequada para se construírem imagens.

No entanto, quanto maior for a abertura, tanto da pupila como da abertura do diafragma da objetiva, menor será a profundidade de campo - algo que se pode definir, simplificadamente, como definição em todos os planos nas várias distâncias: quanto maior a profundidade de campo maior a definição em todos os planos até uma determinada distância em profundidade de uma imagem. Assim, com aberturas pequenas conseguimos focar tanto o que está perto como o que está longe. É por isso que, inconscientemente, quando queremos ver melhor ao longe colocamos, tendencialmente, a mão sobre a testa a sombrear o olho, de modo a fazer diminuir o tamanho da pupila  e podermos focar o objeto lá longe (com uma maior profundidade de campo).

Muito mais haveria para falar entre a relação biomimética das câmaras fotográficas com o olho humano, mas o artigo vai longo. Quem sabe talvez num próximo.

Referências Bibliográficas

  • Ang, Tom; 2009. "Manual de Fotografia Digital". Civilização Editora.
  • Santos, Joel; 2010. "Fotografia - Luz, exposição, composição, equipamento". Centro Atlântico.
  • Wikipédia, "Olho Humano", disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_humano




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mediterrânico – A estranheza de um clima pouco apto para a Agricultura


Em Portugal, como em qualquer outro país de clima predominantemente mediterrâneo, os Invernos são as estações mais húmidas e frias (ainda que desordenadamente) e os Verões secos e quentes. Por cá [Portugal] podemos pensar que pelo resto do globo os Invernos e Verões, a nível climático, se estruturam de modo semelhante aos nossos, apenas com variações nas quantidades de precipitação e temperatura. No entanto, o clima mediterrâneo é tudo menos comum na terra: apenas 3% do globo apresenta um clima do tipo mediterrânico (Bacia Mediterrânica; Costa da Califórnia; Costa central do Chile; Sudoeste da África do Sul; Costa Sul e Sudoeste da Austrália).
Montanhas na Provença - Cezanne
No clima mediterrânico, por mais normal que nos possa parecer – como habitantes de um país marcado por esse tipo de clima -, os Verões são muito singulares, pois é, simultaneamente, a época mais seca do ano. Curiosamente – provavelmente só para nós -, nas restantes regiões subtropicais temperadas, por exemplo, em Washington, que fica à mais ou menos à mesma latitude que Braga, os meses de Verão são os de maior precipitação! Aí, o calor significa mais humidade, e não secura como por cá [Portugal].
Apesar do clima mediterrânico ter muitas vantagens turísticas, pois o calor e a quase ausência de chuva nos Verões são ideais para atividades exteriores, na agricultura a mesma combinação é uma desvantagem, pois a vida vegetal desenvolve-se preferencialmente com humidade e calor em simultâneo – basta lembrar o caso da exuberância das selvas tropicais. Ou seja, no clima mediterrânico, à medida que os meses avançam e da primavera se passa para o verão, as chuvas começam a diminuir. Faltando a humidade e calor em simultâneo, a vegetação e a agricultura, por consequência, tenderá a ser menos favorecida nos países mediterrânicos. Mesmo assim, algumas espécies, tal como as oliveiras e as videiras adaptam-se bem a este clima, tal como todo o tipo de culturas de regadio, garantindo a mão humana aquilo que a natureza não provém.
Poderíamos então dizer que a irrigação resolveria os problemas e obstáculos à agricultura nos climas secos, tal como é o clima mediterrânico no verão. Mas podemos muito bem estar enganados, pois o excesso de irrigação leva à salinização dos solos e à sua consequente infertilidade. Esse fenómeno explica-se pela presença de sais, ainda que em pequenas quantidades, na água doce e que acabam por precipitar e se depositar nos solos, uma vez que o calor faz evaporar apenas a água (alusão direta às salinas). Apesar de ser um processo lento, a salinização dos solos acaba por ser inevitável. Hoje, na Mesopotâmia  muitos dos solos que foram irrigados e férteis durante séculos são agora estéreis. O mesmo parece estar a acontecer em Israel.
Esperemos então que as zonas mediterrânicas não atinjam o mesmo nível de saturação e salinização dos solos existentes já noutras regiões - onde se inclui obviamente Portugal, e mais particularmente o Alentejo. Esperemos que saibamos perceber as nossas limitações e o modo de as ultrapassar, sem soluções que agravem ainda mais as condicionantes naturais. Nem sempre forçar a natureza a uma coisa não natural tem bons resultados – redundâncias e trivialidades à parte. Por vezes a "fatura" vem anos, séculos ou milénios depois...
Nota: Usar o termos Mediterrânico ou Mediterrâneo é indiferente, segundo o sítio da Internet "Cinerdúvidas". Ver mais em: http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=15372

Referências Bibliográficas:
  • Daveau, Suzanne. 1998. “Portugal Geográfico”. Edições João Sá da Costa.
  • Pereira, Ana Ramos. 2002. “Geografia Física e Ambiente”. Universidade Aberta
  • Ribeiro, Orlando. 2011. “Portugal o Mediterrrâneo e o Atlântico”. Letra livre.
  • Wikipédia. "Mediterranean climate". Consultado em 18 de Dezembro de 2012, disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Mediterranean_climate

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Efeito Borboleta - O Filme


Ao pegar no DVD “Efeito Borboleta” – confesso – preparava-me para o ver já com algumas ideias pré-concebidas em mente. Contava que o filme tratasse algum tema relacionado com  teorias da conspiração, ou então contasse a história de um qualquer pequeno evento, insignificante, que pudesse causar no final do filme um grande e imprevisível acontecimento, contando especialmente que isso fosse uma grande catástrofe. Espera por uma história de traços ficcionais mas que traduzisse uma realidade credível e possível de acontecer na nossa realidade, ainda que pudesse ser "hollywoodescamente catastrófica". Ou seja, esperava que fosse uma demonstração, em grande escala, de um emaranhado de personagens e grandes eventos que envolvessem, de algum modo, o coletivo e a própria humanidade. Mas não se passsou nada disso.

O filme começa por citar um chavão e citação das teorias de Edward Lorenz, que, relacionando-as com a Teoria do Caos, alerta para que:  pequenas mudanças nas variáveis iniciais de sistemas complexos podem resultar em grandes efeitos de grande escala. No entanto, há que lembrar que as teorias de Lorenz eram de cariz climático, sendo a conhecida citação das asas da hipotética borboleta, que provocariam uma tempestade do outro lado do planeta, uma metáfora climática.
Voltando ao filme. Em o “Efeito Borboleta” a teoria do caos é adaptada à vida de um jovem, interpretado por Ashton Kutcher – provavelmente a sua melhor performance no cinema até hoje. O protagonista tem a capacidade de, através de inexplicáveis poderes, modificar acontecimentos e atos que teve no passado, podendo mudar assim o seu presente, no entanto sem controlar todas as consequência efeitos desencadeados por essas pequenas mudanças do passado. Não revelarei mais, mas digo ainda que o filme é rápido e violentamente emocionalmente, surpreendente, com cenas que quase chegam a assustar pela tensão que induzem, e empolgante até um final imprevisível.
Apesar deste filme ser uma tentativa demonstrativa muito parcial e particular das ideias subjacentes à teoria do caos, é um bom filme para exercícios de autorreflexão, que demonstram como atos simples podem condicionar toda uma vida, ou vidas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pirâmides pelo Mundo – Uma Razão Técnica


Muito se tem especulado sobre a razão (ou razões) pela qual as culturas antigas construíram pirâmides. Numa análise global pela história da arquitetura monumental da humanidade, comprova-se que várias civilizações e culturas, em épocas históricas e em geografias diferentes, por vezes em qualquer relação entre si, construíram pirâmides monumentais. 
A Pirâmide de Caio Céstio em Roma - Jean-Baptiste Lallemand
Independentemente das funções e significados políticos, sociais e religiosos, tendo em conta a tecnologia que essas sociedades detinham, dificilmente poderiam ter feito outro tipo de construções. A construção de grandes estruturas estava limitada à tecnologia e materiais existentes. Em pedra, dificilmente se poderia construir algo monumental e de altura considerável que não fossem pirâmides ou formas piramidais. Pois, como se sabe, por mais resistente que seja um tipo de pedra, apesar da boa resistência à compressão, dificilmente aguenta grandes esforços de tração e flexão. Logo, dificilmente se conseguiria fazer algo de imponente em altura que não fosse respeitando as propriedades naturais das pedras - enquanto elementos singulares que são empilhados e ligados para gerar um todo sólido, de base mais larga que o topo
Do ponto de vista da mecânica de solos o fenómeno físico que demonstra o porquê das formas das pirâmides é bem conhecido: depende e relaciona-se com a propriedade ou parâmetro de “ângulo de atrito interno”. Esse tal ângulo é aquilo que define a inclinação que se forma quando se despeja areia num monte, as inclinações dos planos imaginários tangentes às superfícies. Dependendo do tipo de areia ou solo (e extrapolando para a pedra), o monte que se forma, com um hipotético despejo, apresenta um determinado ângulo, definido entre as superfícies tangenciais do próprio monte. De um modo simplista, representa o ângulo que garante a estabilidade estabilidade que um monte de uma determinada areia (solo ou inerte), ou seja, pode-se considerar como o valor quantificável da quantidade de atrito entre as partículas que impede que o hipotético monte se desmorone por ação da gravidade
Assim, mesmo que os antigos construtores das antigas pirâmides, um pouco por todo o mundo, não compreendessem a característica do ângulo de atrito interno, percebiam perfeitamente qual o ângulo que garantiria estabilidade a uma determinada pirâmide, muito provavelmente em relação aos montes que se poderiam construir, em estabilidade, de um determinado tipo de pedras.
No antigo Egipto há provas destes testes falhados e de sucesso de protopirâmides. Algumas ruíram, noutras o design foi sendo aperfeiçoando até se chegar àquilo que conhecemos como as pirâmides clássicas, e que se correlacionam com a teoria de solos do ângulo de atrito interno.
Na antiguidade tentou-se construir muitos outros tipos de estruturas (de relembrar que entre os primeiros monumentos estão os montes de terra e pedras - as mamoas ou tumuli), mas aos nossos dias chegaram apenas as mais sólidas, e essas são, sem dúvida, as pirâmides. Por isso, do ponto de vista estrutural e construtivo, a opção da monumentalidade estava muito condicionada, daí certas formas serem incontornáveis, tal como as leis da física o ditam. Se assim não fosse, os elementos mais altos do mundo não teriam a forma que têm: as montanhas seriam mais parecidas com torres do que com pirâmides.

Referências de documentários:
  • Out of Egipt - http://dsc.discovery.com/tv/out-of-egypt/

Bibliografia:
  • Cardoso, J. L. “Pré-História de Portugal”. Verbo, 2002.
  • Fernandes, M. M. “Mecânica dos Solos – Conceitos e Princípios Fundamentais”. FEUP Edições, 2011.
  •  Llera, R. R. “Breve História da Arquitectura”. Editorial Estampa, 2006.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Enciclopédia - O Monumento do Iluminismo

A praticamente todas as épocas históricas conseguimos, direta ou indiretamente, associar monumentos, construções humanas ou obras de arte incontornáveis. Algumas dessas criações quase as definem e servem de ícones e marcas desses momentos históricos.
O Iluminismo foi marcante para a sociedade ocidental, e até para o mundo que se foi encurtando e aproximando nos séculos seguintes (especialmente depois da industrialização e do colonialismo). Dessa importante época história o principal monumento, na aceção do termo e sua relação com objeto ou coisa que serviu e serve para recordar na memória coletiva (Choay, 2010), não foi um edifício, conjunto urbano, obra de arte plástica ou afins. O principal, e mais importante, monumento que nos legou o Iluminismo foi a Enciclopédia (Schwanitz, 2012). Ou seja, um objeto. Não de arte, mas de saber!
Experiência de Um Pássaro Numa Bomba de Ar - Joseph Wright of Derby
Nessa época de transição, e que levou em muitos sítios, mas especialmente em França, à revolução, esse livro foi incontornável. Aliás, nesse mesmo e noutros formatos, ainda continua a ser – veja-se a importância das enciclopédias online. Consciente, ou inconscientemente, a Enciclopédia pretendia deter todo o conhecimento da humanidade, de um modo ordenado e de fácil consulta. Seria a “bíblia da ciência” – paradoxos à parte -, acessível e universalista. Para certos autores e pensadores (Schwanitz, 2012) a Enciclopédia tinha, para além disso, como objetivo substituir a própria Bíblia: substituir o obscurantismo da religião de então pela nova ciência, pelo positivismo do novo empirismo que ajudava a desvendar os mistérios do mundo. Vontades de substituição da religião pela ciência à parte, isso não significava, nem de perto nem de longe, que os iluministas fossem ateus. Poucos, ou quase nenhuns, o eram de facto. De um modo geral, não negavam Deus, até porque precisavam de uma entidade para explicar o início e a ordem do universo, a razão de todas as regras e leis que comprovavam e registavam. Os iluministas eram, tendencialmente, deístas (visão de Deus como arquiteto/planeador das regras do universo, mas não como agente interventivo e presente num mundo que se foi desenvolvendo pelas suas próprias regras) em oposição a posição tradicional teísta (Deus como ser que criou e intervém constantemente no universo) da religião instituída.
Hoje, esse grande monumento do Iluminismo persiste. Ficou a herança de ordenar e catalogar o conhecimento. Não se substituiu a bíblia, por várias razões que nem dependem da qualidade enciclopédias que se foram criando. Muito pelo contrário, até parece que a enciclopédia ajudou a criar mais bíblias, pois contribuiu para o banalizar do nome, tornando-o um adjetivo. Nos nossos dias existem enciclopédias e bíblias de tudo e mais alguma coisa, num especificar cada vez maior do conhecimento, sendo o termo “bíblia” aplicado para um livro importante de uma determinada área do saber – há bíblias para tudo e todos os temas, no sentido de ser um livro “quase sagrado”, de tão importante que pode ser no tema em causa.
Para além do contributo científico e cultural que foi a enciclopédia, e para além do universalismo do conhecimento que permitiu, ela demonstrou que não existem livros infalíveis – ou não tivessem as enciclopédias e bíblias erros como todos os outros livros e escritos por mão humana.

Referências Bibliográficas
  • Choay, Françoise. “Alegoria do Património”. Edições 70. Lisboa, 2010.
  • Schwanitz, Dietrich. “Cultura – Tudo o Que é Preciso Saber”. Dom Quixote. Lisboa, 2012.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Poder (ou sucesso) e a Testosterona


São vários os estudos que apontam para uma relação direta entre o sucesso e a biologia. Esta relação poderia ser abordada do ponto de vista biológico visível, ou seja, de como as características físicas influenciam o sucesso ou insucesso social (ou outro) dos indivíduos. No entanto, neste texto pretende-se, ainda que de um modo quase leigo e ao nível da curiosidade, abordar o tema do sucesso e sua relação direta com as hormonas, mais concretamente com as hormonas responsáveis pela diferenciação e atividade sexual.
Sobre a Crise no Congresso do SPD - John Heartfield
Existe uma relação  direta, nos homens, entre sucesso – no sentido lato do termo (económico, em competições de toda a natureza, no ter poder, etc.) – e a testosterona [1]. Em casos de sucesso momentâneo, o organismo dos homens produz automaticamente mais testosterona, acontecendo o mesmo em sentido inverso aquando da "derrota". Assim, pode-se concluir que um homem que obtém sucesso considerável passa por uma fase de produção extra de testosterona. Como não podia deixar de ser essas hormonas irão influenciar o indivíduo em causa, e os restantes que com ele se relacionam indiretamente.
As influências hormonais são imensas, tanto física como psicologicamente. No caso da testosterona, a sua presença dita o desenvolvimento físico, a massa muscular, o vigor e também, é claro, o apetite sexual dos homens. Provavelmente a razão de ser deste facto, -comprovado com vários estudos - provém de tempos imemoriais, onde os acasalamentos se davam mais pela força do que por qualquer outra via. Os mais fortes, os líderes, seriam aqueles que teriam de ter mais capacidade de reprodução, trazendo benefícios e maior probablidade de sobrevivência à espécie. Ao fazermos a transposição para o mundo animal – sem com isso tentar que nos excluamos dele -, são os machos mais bem-sucedidos, mais fortes, mais exuberantes (ou o quer que seja valorizado na espécie em causa) que tendem a ser os principais reprodutores, e a conseguir para si o maior número de fémeas (isto apesar de haver exceções em algumas espécies, onde essa faceta de dominação é assumida pelas fémeas). Logo, é compreensível que fosse uma necessidade produzir mais testosterona quando o sucesso viesse. De tal modo, também já se comprovou que o sucesso previsto, ou aquele que pode ser induzido ou imaginado, leva igualmente à produção de maiores níveis de testosterona [2]. No fundo, podemos estar perante um ciclo extremamente útil, tão complexo como a nossa espécie, onde a dimensão psicológica - pois o sucesso pode não ser real - influência a física, e vice-versa.
No caso do sexo feminino, parte-se do princípio que o mesmo poderá ser verdade para uma eventual relação entre o sucesso e a produção de estrogénio, no entanto, na pesquisa que fiz – ainda que não tenha exaustiva – não encontrei nenhum trabalho que possa suster tal teoria, ao contrário do caso da testosterona onde os estudos são muitos. 
Tudo isto parece animalesco demais, especialmente porque hoje desenvolvemos sociedades, altamente complexas, onde estas supostas influências primordiais, perderam a utilidade (ou não).
Estas evidências e conclusões sobre as relações entre o sucesso/poder e o aumento da testosterona (e especulando também para que o caso do estrogénio a relação em causa também seja verdade) podem explicar e justificar o porquê de muitos comportamentos animais e humanos. No nosso caso, enquanto espécie que vive em sociedades complexas, e tendo em conta os tempos correntes, provavelmente está aqui a explicação e o porquê de a muitos artistas, celebridades, milionários, políticos, e outros que se considerem ter sucesso, se associarem vidas repletas de uma atividade sexual impressionante, muitas delas escandalosas perante a vida do cidadão comum.

Referências Bibliográficas:
[1] Steven J. Stanton, Oliver C. Schultheiss. “The hormonal correlates of implicit power motivation”. Journal of Research in Personality 43 (2009) 942–949. Disponível em: http://www.psych2.phil.uni-erlangen.de/~oschult/humanlab/publications/ssjrp.pdf

[2] Oliver C. Schultheiss, Kenneth L. Campbell, and David C. McClelland. “Implicit Power Motivation Moderates Men’s Testosterone Responses to Imagined and Real Dominance Success”. Article ID hbeh.1999.1542. Disponível em: http://www.psych2.phil.fau.de/~oschult/humanlab/publications/scm1999.pdf

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Teoria do Big Bang - uma série de humor

Nos últimos anos a quantidade de séries televisivas tem crescido quase exponencialmente. Pode-se dizer que hoje as há para todos os gostos e feitios, que temos ampla escolha para todos os géneros e tipos. Dessas séries muitas são as de humor, especialmente as que poderemos classificar como “sitcoms” (a abreviatura em inglês de “comédia de situação"), por retratarem ou terem como ambiente de fundo um grupo específico – família, amigos, local de trabalho, etc. Das muitas sitcoms que vão correndo haverá também oferta para quase todos os gostos, com vários tipos de humor e com diferentes ambientes temáticos e humanos. 
Como aqui o blogue tem como objetivo principal divulgar saberes e conhecimentos – obviamente sempre tendo em conta a limitação do autor (eu próprio) – há uma dessas séries que tenho de registar aqui neste espaço, que só quase pelo nome justificaria a referência. Falo da série, ou sitcom, “The Big Bang Theory”, da autoria de Chuck Lorre e Bill Prady. A situação que faz esta sitcom é provavelmente o que a torna tão especial. O Ambiente humano é o de um grupo de amigos, investigadores de vanguarda da física, da astrofísica e engenharia espacial e de uma vizinha vistosa, aspirante a atriz. Ambiente curioso, muito mais “interessante” se considerarmos que os investigadores, aos olhos de muitos, poderem ser considerados verdadeiros cromos (“nerds” ou “geeks” no calão anglo-saxónico), por viverem num mundo de ficção cientifica, colecionismo e jogos, como óbvias repercussões nas suas capacidades de interagir com o sexo feminino. Só por ai existe imenso potencial humorístico.
Mas o que torna mesmo interessante esta comédia é o tipo de humor empregue, com doses maciças de sarcasmo, ironia, e alusões surreais, misturadas como imensos termos e explicações cientificas – de praticamente todas a ciências. Estes saberes avulsos são a pitada de originalidade que eleva o interesse em torno da série em si. Pois, mesmo não sendo a razão de ser do programa, acabam por transmitir de facto conhecimentos e despertar curiosidades para se procurar saber aquilo que as personagens, em situações surreais, absurdas e tremendamente divertidas disseram ou fizerem!
As relações humanas, as improváveis entre pessoas de "mundos diferentes" são também a alma e essência desta criação humorística. Não será difícil refletir sobre os mecanismos, hábitos e características dos grupos sociais cruzados nos vários episódios, através das várias personagens.
A quase ode, em jeito de brincadeira/homenagem, ao mundo dos "nerds", "geeks", totós ou o que se quiser chamar às "personagens tipo"dos protagonistas da série "Teoria do Big Bang", merecem uma respeitosa consideração - sem qualquer sarcasmo. Aqui está uma série de humor, ciência e relações humanas a não perder!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Uma lição sobre o Mundo nos últimos 200 anos em 4 minutos

Nem sempre se está pronto ou predisposto para aprender. Na sociedade do instantâneo - a nossa - somos impelidos a consumir no momento, a aceder à informação tão depressa como formulamos uma opinião ou posição. Tais celeridades podem levar a precipitações e ao erro por falta de profundidade no analisar da informação. 
Mas trago aqui um exemplo de um vídeo em que se transmite, num ápice, uma quantidade impressionante de dados e informações sobre áreas como a: Geográfica; Demografia; Sociologia; História; Economia; e etc. 
Este vídeo que conta, de um modo incrivelmente resumido e rápido em 4 minutos, a história da evolução da qualidade de vida e do poder económico de todos os países do mundo nos último 200 anos não é obviamente suficiente para nos informarmos sobre os temas tratados, mas, mesmo assim, é um excelente modo de captar a atenção e de nos levar a querer saber mais sobre o que se apresenta. Muitas vezes só precisamos de um estímulo para querer aprender!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Veículos Eléctricos em Rede (V2G) - armazenar energia e potenciar as Energias Renováveis

Começam a chegar ao consumidor os primeiros veículos automóveis eléctricos verdadeiramente funcionais. Neste aspecto Portugal é pioneiro e já temos alguns  postos de abastecimento adaptados aos novos veículos eléctricos - através de readaptações nos postos tradicionais de abastecimento de combustíveis fósseis ou em locais propositadamente preparados para o efeito.
Pininfarina Sintesi
Já num anterior texto fiz referência aqui no blogue a algumas das limitações do veículos eléctricos, sendo uma das principais a dificuldade em armazenar a energia. Referi também que uma das possibilidades seria construir e adaptar as infra-estruturas rodoviárias para o carregamento em estrada. No entanto, com o continuar do desenvolvimento das baterias - aumento da capacidade de armazenamento, diminuição do tempo de carga e disponibilização de energia de pico instantânea (através dos supercondutores) - provavelmente esse cenário, um tanto ou quanto de ficção cientifica, provavelmente pode nunca vir a acontecer. Nesse mesmo sentido, do aperfeiçoamento das baterias, já se conjecturam outras possibilidades, ideias e projectos que podem transformar os automóveis eléctricos num modo de solucionar em simultâneo um importante problema das rede eléctricas convencionais - o armazenamento da energia na própria rede.
Os sistemas de produção e distribuição de energia que hoje usamos têm grandes dificuldades em armazenar quantidades significativas de energia durante grandes intervalos de tempos. Isto afecta especialmente os modos de produção renoveis - as famosas energias renováveis - pois são aquelas que funcionam de um modo contínuo ou apenas quando determinadas condições estão reunidas (caudais de água, vento, exposição solar, etc.). Ou seja, elas efectivamente produzem energia mas nem sempre quando mais precisamos dela, o que obriga a existir um modo de poder armazenar essa energia para quando for efectivamente necessário. Construir grandes sistemas de baterias ou outras formas de acumuladores é economicamente inviável - pelo menos actualmente - mas também ecologicamente, pois teria custos enormes e impactes ambientais dificilmente recuperáveis (impactes na construção, na manutenção e fim de vida dos materiais e das próprias infra-estruturas).
Com o advento dos veículos rodoviários eléctricos, que não vivem sem as suas baterias, surge uma oportunidade de armazenar energia adicional proveniente da rede. Quer isto dizer que já se perspectiva um sistema em que os automóveis eléctricos possam acumular no período nocturno energia da rede. Durante o dia, quando o veiculo estivesse parado, essa energia acumulada, uma quantidade que não fosse necessárias para utilizar nos trajectos a realizar nesse dia, poderia ser transferida novamente para a rede. Isto poderia até ser proveitoso economicamente para os proprietários dos veículos pois estariam a vender de novo energia à rede ou então seriam ressarcidos pelo "aluguer" das suas baterias. Tal como permitiria acumular a energia não utilizável em períodos de fraca procura, relacionando-se isso, já dito anteriormente, com um importante apoio ao desenvolvimento das energias renováveis.

Esta proto-projecto já tem nome, chama-se Vehicle to Grid e até já tem a sua própria sigla: V2G. Apesar do V2G ainda não estar minimamente implantado, já se pensam noutros projectos que o integram e readaptam. Exemplo disso é o conceito de garagens inteligentes que pretendem, através da instalação de modo próprios de produção de energias renováveis   recarregar as baterias do veículos automóveis.
Esquema de integração e utilização de uma Garagem Inteligente (Smart Garage)
Tudo isto não passam de ideias ainda impossíveis de pôr em prática,  quer por dificuldades tecnológicas, quer por imprevisibilidade do mercado da energia e dos próprios transportes. Apesar de ser difícil prever o futuro, trata-se de um possibilidade a deixar em aberto e um possível  modo de colmatar uma deficiência - a acumulação - dos modos de produção associados às energias renováveis e, claro, de fomentar o uso dos automóveis eléctricos, com todas as vantagens ambientais que também daí advém (neste caso também económicas para os próprios proprietários).
Fontes:
  • http://www.udel.edu/V2G/
  • http://move.rmi.org/move-news/what-is-the-smart-garage.html

domingo, 5 de dezembro de 2010

Perder biodiversidade é muito mais do que perder fauna e flora

“A biodiversidade é a natureza em todas as suas formas”
Esta frase com que inicio este novo texto do blogue consta do artigo “Biodiversidade – o nosso “ecossistema” de suporte vital “, da autoria da AEA – Agência Europeia Ambiental. Este artigo chegou-me através de uma colega das andanças académicas - desta última aventura que foi a “energia e ambiente” - por isso agradeço-lhe já, pois a sua sugestão enquadra-se perfeitamente nos temas e assuntos que normalmente trato no blogue. 
Curva do rio Epte perto de Giverny - Monet
Então, nada como começar por perceber o porquê da defesa da biodiversidade ser tão importante para todos nós, e não algo de importância menor e que interesse apenas a estudiosos e apaixonados pelas questões ambientais.

“A palavra biodiversidade resulta da combinação de duas outras palavras: “diversidade” e “biológica”. Este termo representa a variedade de todos os organismos vivos de todas as espécies. No fundo, a biodiversidade é a natureza em todas as suas formas”
Nós, espécie humana – pouco ou muito evoluídos -, somos parte da natureza e fazemos parte da sua biodiversidade, mas sobrevivemos e desenvolvemo-nos ao nos aproveitarmos de todos os demais organismos que a constituem. A partir do momento em que existe actividade humana existem impactes ambientais e podemos, directa ou indirectamente, afectar toda a restante biodiversidade – quase sempre negativamente. Agora aquilo que muitos de nós desconhecem é que o que nos rodeia, a natureza – virgem ou modificada por nós –, pode-se definir como a própria biodiversidade e o nosso próprio bem-estar disso depender: a nossa saúde, a nossa cultura e até a nossa economia. Somos completamente dependentes dos ecossistemas associados à biodiversidade.
“Um ecossistema é uma comunidade de plantas, animais e microrganismos, bem como a sua interacção com o meio ambiente”
Os vários ecossistemas prestam-nos muitos e variados serviços dos quais, muitas vezes, nem damos conta.  A esses serviços chamam-se: serviço ecossistémico. Aqui ficam alguns exemplos desses “serviços” – como se alguma vez a natureza tivesse a missão ou objectivo de nos servir! - indispensáveis para a nossa sobrevivência: “Pensem nos insectos que polinizam as nossas culturas, nos solos, nos sistemas de raízes das árvores e nas formações rochosas que limpam a nossa água, nos organismos que decompõem os nossos resíduos e nas árvores que purificam o nosso ar. Pensem no valor da natureza, na sua beleza e na forma como a utilizamos para fins de lazer.” Outros serviços ecossistémicos – especialmente os metabolismos vegetais -, na sua biodiversidade, contribuem também para o famoso sequestro de CO2, evitando que os excessos que libertamos se acumulem na atmosfera e isso provoque o efeito de estufa e as subsequentes alterações climáticas.
Ponte Japonesa e lago de lírios aquáticos - Monet

Embora os vários ecossistemas sejam bastante resilientes, a verdade é que muitos deles estão ameaçados devido à acção humana - mas também temos de ter consciência que seria muito difícil existirmos, enquanto espécie, sem que qualquer impacte ambiental daí resultasse.
Apesar da crise económica estar na ordem do dia e a sustentabilidade ser mais vista do ponto de vista financeiro, nunca nos devemos esquecer que o mundo que nos permite viver, quer seja em crise ou não, tem de ser preservado e os seus recursos bem geridos, caso contrário entraremos num "défice" e “bancarrota ambiental” irreversível. Pois, perdendo biodiversidade perdemos muito mais do que fauna e flora, perdemos o actual mundo que nos tem sustentado!

domingo, 14 de novembro de 2010

Estruturas de Madeira ou Aço - qual o material mais resistente ao fogo?

Quando pensamos em construir edifícios de madeira em Portugal é comum levantarem-se logo uma série de preocupações - algumas que noutros países parecem não existir. Pensa-se logo na sua durabilidade da madeira enquanto material de construção, mas pensa-se também no perigo de incêndio. Como associamos uma estrutura construída em madeira à lenha que queimamos nas nossas lareiras, o senso comum leva-nos a concluir que um edifício com estrutura em madeira resiste menos a um incêndio que as estruturas em elementos metálicos e de betão armado. Estas ideias podem estar muito longe da realidade, sendo que a física/química podem ajudar-nos a perceber os fenómenos associados aos incêndios em edifícios! Ora tomemos a as seguintes palavras em consideração.
Grande Incêndio de Londres - Autor desconhecido
Tal como em outros combustíveis sólidos, quando a combustão se inicia nos elementos de madeira esta decompõe-se em gases que alimentam as chamas. São as chamas que vão aquecer a madeira ainda não atingida e promover a libertação de mais gases inflamáveis. Isto continuamente até desaparecer o combustível que é a própria madeira. No entanto, ao contrário de outros materiais como o aço, a madeira tem baixa condutibilidade térmica. Esta propriedade dificulta a elevação da temperatura em zonas contíguas às que se encontram em combustão. Mas é devido à camada carbonizada (que tem cerca de 1/6 da já diminuta condutibilidade térmica da madeira maciça), que se produz quando um elemento de madeira arde, que se obtém uma extraordinária e improvável resistência destas estruturas ao fogo. A camada carbonizada impede a transmissão de calor para o interior dos elementos de madeira,  atenuando a propagação do fogo. Assim garante-se durante muito mais tempo a estabilidade estrutural dos elementos em madeira durante a deflagração de um incêndio. Seguramente que todos já vimos florestas que arderam e onde as árvores se mantiveram de , tendo sido apenas chamuscadas e ardido exteriormente. 

Então, veja-se como são afectadas e qual o comportamento dos matérias mais tradicionais  considerando a sua resistência ao fogo. Durante um incêndio, as temperaturas atingem mais do que 1000°C. Entretanto, o aço, a 500°C, já perdeu 80% de sua resistência, enquanto o betão começa já a perder resistência a partir dos 800°C. A madeira, mesmo a altas temperaturas, conserva durante algum tempo uma secção residual bem significativa que se mantêm a temperaturas baixas, mesmo a pequena distância da zona em combustão, e que conserva as propriedades físicas inalteradas. No entanto, quer o betão quer o aço podem receber tratamentos que lhe confiram propriedades de resistência ao fogo tão ou melhores que as da madeira. 
Agora que o Inverno se avizinha e que as lareira começam a queimar as primeiras madeiras, será caso para podermos constatar como algumas peças de madeira demoram horas e até mesmo dias a serem consumidas pelo fogo. Se pensarmos que esse tempo todo, caso façamos a extrapolação para um edifício, pode ser fundamental para evacuarmos os utilizadores de um determinado edifício aquando dum incêndio, podemos dizer que as estruturas de madeira podem ter, mais até que as de betão armado e metálicas correntes, grande resistência ao fogo – sendo que a resistência ao fogo se afere tendo em conta o tempo que a estrutura se mantêm estável.


Fontes: Projecto de Estruturas de Madeira - Amorim Faria e João Negrão; Apontamentos teóricos da disciplina de “Estruturas de Alvenaria e madeiras” de 2008 do curso de Engenharia Civil ministrado na ESTG - IPL

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meandro – um dos primeiros ícones e, quiçá, "marcas"

Provavelmente, muitos de nós usam a expressões do género “andei pelos meandros…” para descrever uma viagem ou demanda onde andamos próximos de algo, fazendo desvios, trajectos sinuosos, difíceis ou complicados. Mas qual a origem do termo? O que é um meandro?
Bem, para começar, do ponto de vista hidrográfico um meandro é uma sinuosidade acentuada do desenvolvimento de um rio, por vezes tão acentuada que chega a inverter o sentido do curso de água. Este fenómeno está associado à geologia do terreno por onde corre a massa de água e dos processos de erosão que foram ocorrendo e que definiram o próprio leito do rio. No fundo, um meandro para a hidrologia (entre outras ciências) é, de um modo simplista, um rio, ou parte dele, que serpenteia – isto em observação aérea.
Para o oceano - Mark Dixon
Mas este nome não foi inventado propositadamente para caracterizar esta curiosidade hidrográfica, Meandro era mesmo o nome de um rio na antiguidade clássica. Meandro, ou Maiandros (Μαίανδρος), era o  famoso rio que, ostentando uma forma muito sinuosa, passava nas imediações da também famosa cidade de Mileto na Ásia Menor – actual Turquia. A forma do Rio Meandro era muito caricata, pois curvava quase sobre si mesmo. -enquanto se encaminhava para o Mar Mediterrâneo. Esta originalidade natural foi, possivelmente , a inspiração para  a criação de um ícone estilístico chamado também de meandro. Este ícone foi muito utilizado pela cultura helénica (grega), era uma forma estilizada que fazia lembrar a do  próprio Rio Meandro. 
Meandro
No entanto, não se exclui a possibilidade de ter sido essa já conhecida forma geométrica - o meandro - que baptizou posteriormente o rio que corria perto de Mileto. Dúvidas e incertezas à parte, o meandro é hoje um símbolo que facilmente relacionamos com a Grécia Antiga. Trata-se quase de uma “marca”, de um ícone de sucesso com milhares de anos, que persiste na nossa cultura, sem perder a sua actualidade e valor estético.

domingo, 31 de outubro de 2010

Mesmo à beira da Bancarrota a Grécia é muito rica

A Grécia é sem dúvida um dos países mais importantes da História da Humanidade, não tanto pelo seu presente – embora não se saibam quais as repercussões da actual crise que vive – mas mais pelo seu passado. Não que o país que hoje é a Grécia seja herdeiro directo e espelhe nitidamente a civilização tão importante que existiu naquela zona geográfica, grupo de várias cidades-estado unidas por uma língua, cultura e religião comum, –  pois a aculturação aos invasores posteriores à dita cultura grega clássica foi muito significativa. Até porque A Grécia da antiguidade nunca foi um império, um país, ou sequer um todo coerente.
Mas hoje, a Grécia, enquanto país, continua a ser importante pois é a nação que alberga e cuida – muito zelosamente e com um turismo instituído muitíssimo profissional, onde por exemplo os guias turísticos têm sindicado e formação acreditada para o exercício da sua profissão – da riqueza cultural e arquitectónica da Grécia do passado - berço da cultural Ocidental.
Lord Byron no seu leito de morte - Joseph-Denis Odevaere
Apesar de ser uma nação recente (pouco mais de 150 anos), são bem evidentes na Grécia de hoje as influências do passado, os efeitos e marcas das várias migrações e ocupações de povos estrangeiros que o território sofreu. Trata-se de um país que resulta de uma mistura cultural muito rica, de uma fusão que deu origem a uma sociedade e cultura muito particular – um misto de ocidente e oriente.
Deixo aqui então algumas particularidades e curiosidades culturais e linguísticas da Grécia de hoje, características de uma sociedade que é fruto de uma mescla de um valioso capital humano e cultural:
•    Os Gregos não se intitulam a eles próprios de Gregos mas sim de Elenos e chamam à sua terra Élade (estes termos costumam ser escritos com “H”, mas são os próprio gregos que afirmam que a forma correcta de se escrever é sem “H”), que etimologicamente significa terra da luz e da Pedra. Foram o Romanos que chamaram aos Elenos de Gregos.
•     A maior parte dos termos ligados às várias ciências são de origem grega e dizem-se de igualmente nas línguas que derivam do Latim – 30% do Latim advém do Grego antigo -, por exemplo: psicologia, oftalmologia, dermatologista, pedagogia, entre muitas outras.
•     Curiosamente quando os gregos dizem “Ne” querem dizer "Sim" e quando dizem “Ochi” querem dizer "não" – algo que pode levar a muitas confusões, especialmente aos turistas falantes de línguas latinas.

Nem toda a riqueza é física. A Grécia, apesar de hoje estar em dificuldades financeiras, culturalmente e historicamente é riquíssima - isso ninguém lhe pode jamais tirar!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma razão pela qual ainda não utilizamos automóveis eléctricos

Apesar de actualmente, ao contrário do que aconteceu há cerca de dois anos ou três anos, os preços dos combustíveis fosseis não serem a maior das nossas preocupações, muitos são os que continuam a especular a razão pela qual ainda estamos tão dependentes dos automóveis com motores de explosão interna para nos movermos. Na verdade, os motores eléctricos actuais são bem mais eficientes e, em alguns casos, tão ou mais potentes e economicamente viáveis como os de combustão interna. Basta pensarmos que a maioria da maquinaria industrial é movida por energia eléctrica – não consta que o sector da indústria opte por equipamentos e máquinas ineficientes. Então, assim é, qual a razão para não usarmos automóveis eléctricos no nosso dia-a-dia? Bem, evitando teorias da conspiração, uma das razões reside numa limitação: o modo de armazenar a energia eléctrica para fazer mover estes veículos.
Actualmente os veículos eléctricos dependem do uso de baterias e são esses dispositivos que limitam a autonomia do automóvel eléctrico. Em média, carregando uma bateria entre 2 a 3 horas não se consegue percorrer mais de 200 milhas. E a utilização de maiores quantidades de baterias, com mais capacidade, iria aumentar de modo incomportável o peso do veículo, fazendo com que fosse necessária ainda mais energia proveniente de ainda mais baterias para o fazer mover. Já para não falar que as baterias têm enormes impactes ambientaistransporte ferroviário. Trata-se do carregamento do veículo em estrada. Esta possibilidade permitiria utilizar veículos com baterias mais leves – com autonomia para 50 ou 60 milhas – servindo apenas para os alimentar enquanto estivessem desligados da rede de abastecimento, diminuído assim a necessidade de um conjunto volumoso e pesado de baterias.
Para já pode parecer ficção científica, algo que Steven Spielberg vislumbrou parcialmente no seu filme «Relatório Minoritário». Quem sabe se o famoso realizador não tenha feito uma espécie de “profecia” tecnológica?

Fonte: Buiel, E. R. (2008). Advances in Battery Development for Vehicles (Advanced Lead Acid and Li-ion), Near Term Electrification of Transportation System, Feasibility of Near Term Retrofitting of Inefficient Vehicles to EV’s. U. S. C. o. E. a. N. Resources, US Senate

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