domingo, 28 de julho de 2019

Aprender sobre marxismo com o filme: O Jovem Karl Marx

O Jovem Karl Marx é um daqueles filmes que toca no género documental. Embora com elementos romanceados, para criar dinâmicas na narrativa que garantam o entretenimento dos espetadores, tem muito mais que isso. As personagens desempenham muito bem os seus papeis, no sentido em que conseguem entrar na complexidade das relações humanas, que vão ocorrendo em múltiplas línguas. Marx e Engels são bem encarnados, embora de forma a que nos mereçam uma simpatia que pode estar amplificada. Mesmo assim, o seu idealismo está patente, não no idealismo filosófico do termo, mas como pessoas que seguem ideais de forma apaixonada, apesar de as querem tornar científicas, enquanto arriscam múltiplas aventuras físicas e intelectuais. 

Fonte da imagem: https://filmspot.pt/filme/le-jeune-karl-marx-400020/

Ensinar a doutrina marxista não é fácil. Tenho passado por essa experiência sempre que alguém me pede ajuda para os exames nacionais de História A de 12.º Ano. Compreender o marxismo é uma daquelas coisas essenciais para compreender a história do século XX e quem sabe dos seculos seguintes também. Isto a propósito do filme, porque aí se explicam as relações tumultuosas de Marx com os restantes socialistas, a quem chamava utópicos. É um facto curioso, pois tantas pessoas criticam hoje o comunismo por ser solidamente utópico. No entanto a dialética materialista ou socialismo cientifico desenvolvido por Marx continuam a ser imensamente importantes. São incontornáveis, pois temos de compreender os contributos de Marx para a sociologia, economia e ciência política. Novas formas de marxismo continuam a ser desenvolvidas, e mesmo os críticos têm inevitavelmente de o citar para ir além dele, enquanto o tenta refutar. 

Em O Jovem Karl Marx assistimos ao processo de construção do pensamento marxista, que foi o primeiro a dizer que o modo como os indivíduos vêm a sociedade depende da sua posição histórica e social. Parece obvio, mas na altura não era. Vemos também as questões da exploração dos operários, no período anterior às revoluções que se iniciaram em 1848 e que iriam alimentar nacionalismos, lutas por igualdade e liberdade pelo mundo fora nas décadas seguintes. Esse período seria conhecido como a primavera dos povos. Embora no filme me pareça que a importância do manifesto do partido comunista seja exageradamente associada às revoluções de 1848. Mas isso ajuda a perceber a importância dos novos movimentos socialistas inspirados em Marx, que iam além dos idealismos dos socialismos ditos utópicos, porque lhes faltava uma filosofia de base sólida e soluções para o futuro. Marx não se contentava em identificar as injustiças da sua época. 

A filosofia marxista provou ser tão sólida que ainda influencia o mundo académico e político, enquanto que os outros socialismos, à exceção da vertente democrática, converteram-se em curiosidades excêntricas, embora alguns tentem ser reinventados – caso do anarquismo em algumas formas de democracia direta e deliberativa  A personagem de Marx no filme vive entre constantes conflitos com os restantes pensadores e a busca pelo conhecimento, ou não defendesse uma solução revolucionária, inevitavelmente violenta, no processo da luta de classes pela apropriação dos meios de produção, que era de onde vinha o poder político e também todas as injustiças de classe que queria derrubar. Marx vive obcecado pelo capital enquanto objeto concetual de trabalho, enquanto tem dificuldade em o reunir para sobreviver com a sua família. Não fosse Engels, na sua situação social e económica paradoxal, dificilmente Marx se tinha transformado na importância que hoje tem.

Penso que o filme permite introduzir todas estas coisas, através de bons desempenhos dos autores, cuidado na apresentação dos conteúdos que podem ser complexos, mas com ritmo e ação num contexto de época credível.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Uns comboios diferentes que trazem viagens inesquecíveis para aprendermos

Philippe Gougler é um jornalista e documentarista francês com uma extensa carreira, mas que nos tem chegado a Portugal de comboio, através da série de documentários “Des trains pas comme les autres” , exibidos na RTP2 com o nome “Inesquecíveis Viagens de Comboio”. Esta série tinha começado originalmente em 1987 na Antenne 2, mas foi recuperada e reformulada em 2011 pelo canal France 5, já como o atual apresentador e coautor. 

Philippe Gougler
Fonte: https://www.france.tv/france-5/des-trains-pas-comme-les-autres/saison-6/655355-zimbabwe-zambie.html
Em cada episódio desta série sobre comboios o apresentador, que escreve também os textos para o programa, segue “sozinho” pelos cominhos de ferro do mundo. O tema dos comboios, das estações e dos seus percursos serve para explorar as sociedades e culturas humanas contemporâneas. É uma forma de aprendermos história, geografia e cultura enquanto estamos no sofá a ver os comboios deslizar sobre os carris. Podemos encontrar curiosidades sobre o funcionamento dos comboios, dos sistemas de transportes, das cidades e das culturas de todo o mundo. A viagem de comboio até um certo sítio serve habitualmente de mote para tratar outros conteúdos, como o património histórico, a gastronomia, sistemas políticos, natureza, ambiente, economia, etc.

Gougler parece fazer o programa com tanta paixão, e falar tão genuinamente e de forma interessada com as pessoas com que se cruza, que dificilmente deixamos de ficar também apaixonados pelos contextos relatados. A série está feita para parecer que as viagens seguem sem formalismos, mas obviamente tudo foi planeado no percurso. Somente algumas das conversas dependem do acaso, embora algumas claramente tenham sido combinadas ou escolhidas perante muitas outras que se devem ter revelado desinteressantes.

Este documentário mostra como se podem fazer programas generalistas, para os grandes públicos, mas mantendo os conteúdos, com o devido informalismo. Estas são viagens a não perder. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

One Punch Man e a nostalgia do Dragon Ball

Volto aqui no blogue a um tipo de texto mais opinativo e pessoal. Para a minha geração a exibição do Dragon Ball na SIC foi algo de incrivelmente marcante. Hoje andamos já perto dos 40 mas este desenho animado da escola nipónica da Manga continua a mexer connosco. As referências continuam lá, tendo sido uma série que ajudou a construir a nossa identidade coletiva. 

Dragon Ball Z
Desde então poucos foram os desenhos animados que vi assim de enfiada. Acredito que isso tenha acontecido com muitos dos potenciais e reais leitores deste texto. Cheguei a ver outras criações Manga mas nenhuma teve aquele impacto, provavelmente pela idade que tinha na altura da exibição da versão dobrada em português e porque foi assim a série que demonstrou que tornou consciente do que se fazia lá para os lados do sol nascente. A partir de aí jamais esqueceria o estilo típico Manga, que nos provava que não havia nada de errado em sermos adultos e apreciarmos desenhos animados.


Exposição Manga-Tokyo in Paris
Fonte da Imagem: https://www.japantimes.co.jp/culture/2019/01/06/general/second-chance-japans-manga-museum/#.XSPL1PZFwic







No final do ano de 2018 estive em Paris e aproveitei para ir ver uma exposição sobre o universo Manga e a sua relação com a cidade de Tóquio. Foi surpreendente, pois não ia com grandes expectativas. A exposição era simplesmente fabulosa para quem gosta de Manga e de Urbanismo. Através das criações Mangas contava-se a história do Japão e de Tóquio. Maquetes gigantes da cidade com projeções de cenas de filmes clássicos manga. A cultura de animação japonesa influenciava a cidade e a cidade influenciava estas criações, conseguido através de exposição de obras originais, recriações e projeções num grande armazém da arquitetura do ferro. Até o primeiro Godzila lá estava. 

Esta visita trouxe-me a vontade em voltar a entrar no universo Manga. Por isso decidi ver algo que me tinham recomendado. Comecei a ver o One Punch Man e fiquei aparvalhado! Sabia a Dragon Ball, com mais humor, sarcasmo e repleto de sátiras ao próprio universo Manga. Genial! Devolveu-me anos de alegria esquecida, que contrastavam com o estado de espírito do herói Saitama, que vivia em depressão por derrotar todos os adversários somente com um murro. 

One Punch Man
Por isso fica aqui a recomendação. Se gostaram de ver Dragon Ball nos anos 90 e se querem ver uma coisa nova, satírica e divertida então vão já a correr ver One Punch Man.

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