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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Uns comboios diferentes que trazem viagens inesquecíveis para aprendermos

Philippe Gougler é um jornalista e documentarista francês com uma extensa carreira, mas que nos tem chegado a Portugal de comboio, através da série de documentários “Des trains pas comme les autres” , exibidos na RTP2 com o nome “Inesquecíveis Viagens de Comboio”. Esta série tinha começado originalmente em 1987 na Antenne 2, mas foi recuperada e reformulada em 2011 pelo canal France 5, já como o atual apresentador e coautor. 

Philippe Gougler
Fonte: https://www.france.tv/france-5/des-trains-pas-comme-les-autres/saison-6/655355-zimbabwe-zambie.html
Em cada episódio desta série sobre comboios o apresentador, que escreve também os textos para o programa, segue “sozinho” pelos cominhos de ferro do mundo. O tema dos comboios, das estações e dos seus percursos serve para explorar as sociedades e culturas humanas contemporâneas. É uma forma de aprendermos história, geografia e cultura enquanto estamos no sofá a ver os comboios deslizar sobre os carris. Podemos encontrar curiosidades sobre o funcionamento dos comboios, dos sistemas de transportes, das cidades e das culturas de todo o mundo. A viagem de comboio até um certo sítio serve habitualmente de mote para tratar outros conteúdos, como o património histórico, a gastronomia, sistemas políticos, natureza, ambiente, economia, etc.

Gougler parece fazer o programa com tanta paixão, e falar tão genuinamente e de forma interessada com as pessoas com que se cruza, que dificilmente deixamos de ficar também apaixonados pelos contextos relatados. A série está feita para parecer que as viagens seguem sem formalismos, mas obviamente tudo foi planeado no percurso. Somente algumas das conversas dependem do acaso, embora algumas claramente tenham sido combinadas ou escolhidas perante muitas outras que se devem ter revelado desinteressantes.

Este documentário mostra como se podem fazer programas generalistas, para os grandes públicos, mas mantendo os conteúdos, com o devido informalismo. Estas são viagens a não perder. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Crítica ao filme: Para Roma com Amor

Quando me dirigi ao cinema para ver mais este filme de Woody Allen ia com grandes espectativas, por duas razões: porque o último filme do autor, passado em Paris, tinha sido sublime; e, porque Roma, o pano de fundo do filme em causa, é uma cidade única e fantástica.
Depois de ver “Para Roma com Amor” fiquei um pouco sem saber se o realizador tinha tentado aplicar a fórmula de sucesso de “Meia-noite em Paris” - filme já aqui analisado -, ou se a opção tinha sido outra. Ficou-me a sensação que este filme, apesar de no geral ser uma obra de qualidade, poderia ter sido muito melhor concebido. Pareceu-me que tinha sido feito um pouco à pressa.
O filme constrói-se por várias histórias que decorrem, supostamente ao mesmo tempo, em Roma, mas o estranho é não existir qualquer relação entre elas. Estranhamente a cidade Roma como fundo só sobressai pelas paisagens urbanas, não se notando muito mais influência para além disso.

Depois de ter começado este texto de um modo pouco simpático, acabo elogiando aquilo que me parece ser positivo no filme – e que até é muito.
Em "Para Roma com Amor", o ambiente urbano é fantástico, ou não fosse um filme que mostra Roma, - a cidade eterna - ainda que pudesse mostrar muito, muito mais. As personagens, e seus diálogos e iterações (com boas performances dos actores), são divertidos, bem ao jeito particular e desconcertante de Woody Allen. Os salpicos de surrealismo dão especial interesse ao filme, tal como as cenas caricatas e improváveis, repletas de crítica social e um sarcasmo, por vezes irónico, que tendem a levar-nos à reflexão.
Em resumo, aconselho a  ver o filme. É bom, divertido e complexo, mas, como Woody Allen já nos habituou a melhor, parece que fica a faltar algo.
Se algum dia Woody Allen fizer um filme em Lisboa, espero que seja mais parecido com o que fez em Paris do que com o de Roma - o que é injusto para as cidades, pois são incomportáveis, mas igualmente importantes.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma Estátua a Lúcifer?

Em Madrid, num dos seus mais importantes e monumentais jardins da cidade, existe um monumento em honra de uma figura muito pouco habitual, sendo talvez mesmo o único no mundo. No Jardim do Bom Retiro, perto no coração de Madrid, existe, já muito adentro do próprio jardim, um monumento com uma estátua estranha. Essa estátua em bronze, de finais do século XIX, representa, de um modo dramático, o Anjo Caído, ou seja, Lúcifer. Esta descoberta é de surpreender, ou talvez não. Apesar do forte catolicismo de Espanha, sempre houve rasgos criativos de artistas espanhóis capazes de ir quebrando as normas - basta pensar na história da arte espanhola e os exemplos serão muitos. 
De qualquer dos modos, esta pode ser vista como apenas mais uma manifestação de origem judaico-cristã , semelhante a tantas outras, pois o episódio do Anjo Caído é Bíblico. No entanto, junto à estátua, existe uma marca topográfica altimétrica no pavimento. Ora, essa marca assinala, precisamente, um ponto de cota de 666 metros acima do nível do mar, que em Espanha se regista em Alicante. Como se sabe esse número seria o, igualmente Bíblico, "Número da Besta", o número que assinalaria os seguidores da Besta, Lúcifer ou Satanás antes do Juízo Final. Hoje sabe-se que o número da besta, de acordo com uma tradução mais correta e recentes investigações, é o 616 (ver artigo relacionado), mas, de qualquer dos modos, o significado mantêm-se. 
Será então  este monumento realmente um estátua de honra a Lúcifer?

Anjo Caído no Jardim do Bom Retiro - Fotografia do autor

sábado, 12 de maio de 2012

Curiosidades sociais sobre canhões em cidades do Sul de França


Fruto de algumas viagens, e recolher de informações em diversos locais por onde fui passando, lembro duas curiosidades sobre canhões em duas das maiores cidades do Sul de França. Ambas as “estórias”, apesar de o elemento relacional serem os canhões de fortalezas existentes nas cidades em causa, denotam elementos contraditórios sociais, para não dizer o antagonismo entre classes sociais
Os canhões destas estórias são os das cidades de Marselha e Nice, ambos pertencentes a fortalezas que defenderam, durante muitos anos, os portos e as próprias cidades. Hoje os canhões já não cumprem as suas funções. Em Nice quase nada existe da fortaleza,  e seus canhões, sob um jardim e miradouro – uma ruina que até assenta muito bem na cidade. Das fortalezas, ainda bem conservadas que protegem o Porto Antigo de Marselha, também já não se avistam canhões, ficaram apenas as aberturas de onde anteriormente espreitavam. Mas vamos às curiosidades propriamente ditas, vamos às "estórias".
Entrada do Porto de Marselha - Claude Joseph Vernet
Consta que no século XIX, na altura em que Nice era uma colónia balnear muito importante e muito frequentada por Ingleses – pela burguesia e nobreza inglesa, tendo a própria rainha Victória por lá andado -, um inglês teve uma ideia. Conta a lenda que, de modo a evitar que a sua esposa se esquecesse de preparar o almoço a horas – mais um reforçar da ideia da grande pontualidade dos ingleses -, o tal inglês mandava disparar, exatamente às 12h00, do alto do monte do antigo forte (mesmo junto ao porto), um dos canhões. Hoje, todos os dias pelas 12h00, continua a ouvir-se o ecoar do som do canhão em Nice, embora tal seja assegurado por um moderno sistema de som de grande potência. O canhão já não se dispara, mas para os distraídos turistas, o susto, provavelmente, é o mesmo.
Já em Marselha, diz a história – desta vez com “h” - que os canhões, dispostos nos vários fortes e complexos defensivos, apontavam em duas direções distintas - no sentido figurado. Os canhões, como em todas as fortalezas do género, apontavam para os pontos estratégicos a defender, aqui especialmente para a entrada do porto, que era a grande riqueza deste que foi um dos maiores portos da Europa. No entanto, consta também que os canhões dos fortes apontavam, em simultâneo, para a própria cidade, especialmente para os bairros mais populares. A razão de ser disto deveu-se ao grande historial de revoltas que foram acontecendo por Marselha ao longo da história, especialmente no século XVIII e XIX. Não é por acaso que o hino de França, adotado depois da revolução francesa, se chame “A Marselhesa”. 
Muitas leituras se poderão fazer destas duas histórias/estórias sobre tão particulares canhões. Mas, é evidente que existe aqui uma relação dicotómica e até luta entre classe: enquanto em Nice o canhão servia os caprichos dos mais abastados, em Marselha oprimia dos menos afortunados. As armas sempre tiveram essa particularidade: a de servirem para benefício de quem as dispunha...

Nota: qualquer roteiro turístico contará estas mesmas histórias, e também os autóctones de ambas as cidades. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Alguns atlas para viajar até locais prováveis e improváveis



Um dia quando passava por uma livraria perto de casa dois livros da montra despertaram o meu interesse pelas suas exuberantes capas. Era evidente que se tratavam de atlas, e à primeira vista pareciam relacionar-se com geografia. Depois de entrar na livraria, e de os pegar para ver mais de perto, reparei que eram livros de viagens. Mais do que terem vistosas capas, os conteúdos eram igualmente cativantes. Um deles, intitulado de “Viagens – Onde ir e quando” pretendia traçar destinos do mundo recomendáveis a cada mês do ano. Algo extremamente útil pois quando pretendemos ir um pouco mais longe em viagem nem sempre temos a perceção sobre quais as melhores épocas para alguns sítios mais exóticos. Por exemplo poderá ser catastrófico visitar a Índia em plena época das Monções!
Cito então algumas sugestões do primeiro livro, a título de exemplo, sobre os melhores locais para visitar em cada mês com pelo menos um sítio por mês referido no livro:
  • Janeiro: Banguecoque (Tailândia)
  • Fevereiro:Egipto
  • Março: Riviera Maia (México)
  • Abril: Petra (Jordânia)
  • Maio: Creta
  • Junho: Peru
  • Julho: Copenhaga (Dinamarca)
  • Agosto: Sri Lanka
  • Setembro: Munique (Alemanha)
  • Outubro: Lassa (Tibete)
  • Novembro: Tokyo (Japão)
  • Dezembro: Helsínquia (Finlândia)

O segundo livro, por sinal da mesma editora que o primeiro - a DK ou Civilização -, de seu nome “Viagens – Os lugares menos visitados, 1000 locais fascinantes fora das rotas turísticas”, é o mais peculiar e até algo discutível para o género literário. Nesse livro os autores tentam defender a tese de que podemos escapar aos roteiros turísticos conhecidos (cheios de multidões de turistas) e visitar igualmente locais ímpares e de valor semelhante aos mais conhecidos. Esta abordagem é muito interessante e pode ser muito útil, pois revela de facto lugares que são pouco conhecidos e que são de uma originalidade e beleza merecedoras de visita. No entanto, por mais opções que possam haver, simplesmente não podemos substituir certos lugares, edifícios, eventos ou festividades por equivalentes. Podemos tentar, mas não conseguiremos e estaremos a tentar mentir a nós próprios. Pois, se a história não se repete, a singularidade de um determinado local ou acontecimento também não pode ser substituído por outro. Por exemplo, por mais interessantes que sejam, as Pirâmides de Meroé (no Sudão) elas não podem substituir a importância e incontornável obrigatoriedade de visitar as Pirâmides de Gizé – a única das 7 maravilhas do mundo antigo ainda intacta. Este é mesmo só um exemplo entre tantos, entre outros que cito de seguida:
  • Stonehege vs. Avebury
  • Acrópole de Atenas vs. Agreigento e Slinunte
  • Coliseu de Roma vs. Arena de Pula
  • Pompeia  vs.  Herculaneum
  • Chichén Itzá vs. Tikal

Críticas à parte, ambos os livros da DK podem ser deliciosas experiências visuais e informativas. São muitas também as dicas práticas a seguir nos roteiros e locais propostos a visitar. 
Pensando na contemporaneidade, e no que se passa em Portugal em especial, é nestas épocas de crise que precisamos de decidir bem os nossos investimentos, de um modo o mais informado e consciente possível, sendo que as escolhas turísticas não são exceção. Por isso, para quem pretenda viajar para o estrangeiro e goste de atlas, estes são dois livros a não deixar escapar!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando os heróis nacionais não coincidem com as fronteiras - Garibaldi

Cá por Portugal, provavelmente por termos fronteiras continentais definidas há séculos – se excluirmos o caso de Olivença –, Estado e Nação significam, na prática, a mesma coisa. Mas, em muitas regiões da Europa os dois conceitos são bem diferentes, muito devido à história geopolítica desses locais, com fronteiras a mudarem e territórios a alternar de Estado para Estado. Em certos países, alguns dos seus heróis e personalidades famosas não nascerem nesses mesmos países que hoje os reclamam com orgulho. Casos como o de Garibaldi são quase caricatos.
Homenagem a Giuseppe Garibaldi - Rubens Fogacci
O conhecido revolucionário italiano, que muito contribuiu para a unificação de Itália (numa altura em que outras Estados controlavam partes do actual território italiano), e até para as independências e afirmações nacionalistas da América do Sul (Rio Grande do Sul, Uruguai, Brasil, etc.), afinal não nasceu no actual território de Itália. Garibaldi nasceu em Nice, na sua altura Nizza , uma cidade que pertencia ao ducado da Sabóia. Ou seja, Garibaldi nasceu na actual França, mesmo que na altura o território ainda não fosse francês. Parece paradoxal que Garibaldi tivesse conseguido unificar a Itália sem que a sua cidade natal fosse integrada nesse projecto nacional, uma frustração para o próprio e, provavelmente, para os italianos de hoje, que recordam Garibaldi um pouco por todo o país através da toponímia e de estátuas em alguns dos locais mais nobres das suas cidades. Curiosamente Garibaldi é também reconhecido como herói em França. Não é também por acaso que foi na época de Garibaldi, ao longo do século XIX, que se “inventaram” muitas nacionalidades e até o próprio nacionalismo na Europa, sendo de então a criação do Estado-Nação de forte cariz nacionalista, um tipo de Estado forte, sustentado nas populações - características, cultura, necessidades, etc. - e não na figura de um monarca despótico. Essa "invenção" teve aspectos positivos, pois dotaram os Estados de uma força que permitiu reforçar a protecção social, as liberdades e a implementação, em alguns casos, de mais liberdade. No entanto existiu o reverso da medalha e nem todas as experiências foram positivas. Muitos Estados-Nação, munidos de forte sentimento nacionalista, muitas vezes associado a um culto da superioridade da raça levou à xenofobia, ao expansionismo desumanizante e a constantes estados de guerra - as Guerras Mundiais, por exemplo. 
Mas Garibaldi é lembrado por ter sido um dos principais defensores de um projecto socialista para as nações que viviam ainda algemadas pelos Estados Policiais absolutistas do século XIX. Por isso, e pelo seu envolvimento em muitos palco no antigo e novo mundo, Garibaldi é um herói Internacional.  
Discordando ou não das tendências políticas desta personagem histórica, há que reconhecer no homem o mérito de ter tentado algo novo, algo diferente com o intuito de libertar os Povos da opressão - um idealista, mas alguém que devemos recordar com estima!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Afinal de onde vêm e quem são os idiotas?

Algumas palavras têm origens etimológicas bem curiosas. Algumas têm um significado actual que sofreu tantas alterações que pouco se relaciona com o seu significado original. A palavra «idiota» é em parte uma delas – posso dizer que fiquei um tanto ou quanto “idiota” quando descobri a sua origem.
Escritório de algodão em Nova Orleães - Edgar Degas
Tinha acabado de passar a vedação que dá acesso à acrópole de Atenas quando a nossa guia se detém junto do anfiteatro de Heródoto Ático. Aí, depois de fazer uma introdução aos vários monumentos que iríamos ver e de fazer uma breve antologia da história política e social da democracia ateniense da antiguidade, faz-nos a seguinte pergunta em espanhol: Sabem qual a origem e significado a palavra idiota? Ninguém foi capaz de responder, mas logo ouvimos a sua explicação, evitando um prolongado silêncio quase constrangedor devido à nosso ignorância. Segundo ela o termo idiota era um adjectivo usado para caracterizar todos aqueles, que durante a vigência da democracia em Atenas, não se interessavam ou não estavam disponíveis para participar no governo e assuntos do Estado Democrático – pois a existência de tal forma de governo pressupunha o envolvimento e participação de todos os cidadãos, podendo e devendo todos estar de igual modo disponíveis para governar. Todos ficámos espantados com tal explicação.

Posteriormente fiz uma pequena investigação sobre a etimologia da palavra de modo a testar a veracidade destas palavras. Parece que o termo em grego antigo seria «idiótes», palavras que significava “homem privado”, ou seja, homem sem interesse pela causa pública. Os antigos gregos consideravam, ou não fossem especialistas em política e filosofia, que todos os que não participavam activamente no governo das suas polis, aqueles que não eram políticos, era porque não tinham a devida capacidade intelectual para tal. Mais tarde o termo «idiota» foi readaptado e reutilizado pelos romanos para caracterizar todos aqueles que eram incapazes de acções e raciocínios complexos, entre outras lacunas intelectuais.

Na actualidade acho que é caso para dizer: as idiotices de alguns (segundo o modelo romano) levam outros a optarem pela idiotice (segundo o modelo grego). Provavelmente é só mais um dito de um idiota da minha parte…

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