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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma introdução ao Sushi

A proibição de comer carne (primeiro decreto no século VII) e o não consumo de lacticínios levaram a que o peixe fosse a principal fonte de proteínas no Japão. 

Um provérbio japonês diz: “em primeiro lugar come-o cru, só depois grelha-o ou coze-o, como último recurso”. Dai a predileção pelo sashimi. 

O conceito de sushi nasceu um pouco por todo o sudoeste asiático como forma de preservar peixe (e carne), sendo cortado e colocado entre camadas de arroz para ser guardado durante os invernos e monções. A fermentação natural que ocorre quando o peixe é associado ao arroz gera ácido láctico que previne o apodrecimento. A junção do vinagre faz acelerar todo o processo. 

Foi no século XVII que surgiu a ideia de colocar pedaços de sashimi sobre bolas de arroz, nascendo os nigiris. Posteriormente começaram a enrolar, utilizando folhas de algas secas, os primeiros makis.
Bigsushi - Mary Ellen Johnson
O arroz do japão, fruto de séculos de manipulação natural, tem o bago mais curto e arredondado, tento também uma especial aderência que permite fazer os vários tipos de sushi e permite ser comido mais facilmente com recurso a pauzinhos. O processo de cozinha do arroz é bastante exigente, não podendo perder demasiada humidade, nem as peças de sushi serem feitas com o arroz demasiado quente para não afetar a frescura do peixe, nem demasiado frio para que não se perca a aderência. 

O peixe terá de ser sempre muito fresco. No caso dos peixes azuis (como o carapau e a sardinha) o próprio filete de peixe deve manter-se durante algum tempo em vinagre para assegurar a sua frescura e garantir um efeito anti-bacteriológico adicional. 

Da cultura japonesa o sushi recebe o conceito de equilíbrio. O Arroz deve ser cozido na mesma quantidade da água. Os vários sabores e as texturas devem equilibrar-se: o doce com o amargo, o crocante com o cremoso. 

Deve mergulhar-se os pedaços de sashimi e sushi no molho de soja para assegurar uma mais fácil digestão. Separadamente, ou diretamente no molho de soja, deve adicionar-se wasabi, que tem um efeito anti-bacteriológico. O gengibre, que é uma raiz tal como o wasabi, é também anti-bacteriológico, mas serve também para “limpar o paladar” sempre que se altera de tipo de sushi ou sashimi. 

Um mito japonês sugere que só os homens podem fazer devidamente o sushi, uma vez que a temperatura e humidade das mãos femininas alteram as propriedades do peixe. Obviamente é um mito sem qualquer fundamentação. 

As peças de sushi e sashimi devem ser comidas integralmente, sem cortes adicionais ou qualquer outro tipo de deturpação, de uma só vez. Não se devem usar as mãos nem metal para pegar as peças. Qualquer violação destes preceitos é considerada uma falta de etiqueta e respeito pelos japoneses.
Referência s bibliográficas:
  • Lins, Ana; Morais, Paulo; "Sushi em casa", Matéria Prima, 2012.
  • Wikipédia; "Sushi", disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sushi
  • Vários; "Sushi", Dinalivro, 2006.

terça-feira, 5 de março de 2013

Sifão – O uso da água e da gravidade para desodorizar

Conhecendo ou não o que é ou como funciona um sifão praticamente todos os dias lidamos com essa maravilha da tecnologia. Basta entrar numa casa de banho e olhar para uma sanita/retrete, de aconselhavelmente depois do autoclismo ter sido ativado e não se encontrar ai qualquer outras presença além da água. É essa mesma água que se encontra no fundo de qualquer sanita/retrete, em boas condições de funcionamento, que constitui o sistema de sifão mais comum e generalizado usado nos nossos dias. O sistema de curvas e desníveis, criados propositadamente para o efeito, permitem que toda a secção de escoamento fique, constantemente ocupada com água. Garantindo-se que a água é renovada pelo autoclismo, e arrastados todos os dejetos e afins, este sistema gravítico garante higiene e que o mau cheiro das tubagens a jusante não ascenda e contamine as nossas casas de banho.
Exemplo de um sifão de sanita/retrete

Ou seja, o bom “sifonamento” – que é o mesmo que isolamento gravítico por água nos sistemas de drenagem (regulamente  com fecho hídrico entre 50 e 75mm)– é essencial, mas deve ser feito com cuidado, pois o duplo “sifonamento” de um mesmo coletor (ou parte de um sistema de drenagem que não tenha contacto livre com a atmosfera) produz alterações no escoamento, podendo transformar aquilo que corria por gravidade e em secção não cheia passar a escoamento sobre pressão. Essa mudança pode fazer com que a deposição de água seja sugada e a quantidade de água necessária para evitar a passagem nos maus cheiros não seja assegurada. Acontecendo isso nenhum dos sifões funcionará.
A presença, por gravidade da água, criando uma membrana física aos maus cheiros foi uma invenção importantíssima, que, na minha opinião, merece ser recordada, pois todos os dias contribui para que tenhamos bom ambiente em nossas casas e noutros locais onde nos aliviamos de muitas das nossas necessidades e aflições – sítios onde até nos podemos, em maior conforto, perder em pensamentos e ensaiamos renovações correntes.

Referência bibliográficas:
Pedroso, Vitor M. R. "Manual dos sistemas prediais de distribuição e drenagem de águas". LNEC, 2007.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Orgasmo feminino fingido - uma lição de Quintino Aires

Quando conversas, mais ou menos informais, tendem a tratar ou tratam o temática da sexualidade, independentemente de "guerras dos sexos", a questão do "orgasmo feminino fingido" é um daqueles assuntos recorrentes. Tentando fazer uma abordagem séria, adjectivo o assunto como "questão", pois pode de facto levantar muitas questões, quer pelas razões quer pelas repercussões que isso pode ter numa saudável vida sexual. Normalmente, com a discussão deste assunto específico, os homens costumam ficar tremendamente preocupados, ou não pudesse isso beliscar a sua masculinidade (ou seu ideal de masculinidade, para eles próprios e para a própria sociedade). Mas, na minha opinião, mais que preocupar os homens - quando falamos de relações heterossexuais, valendo também para relacionamentos com pessoas do mesmo sexo - esses casos devem preocupar, acima de tudo, as mulheres, pois é a não realização sexual feminina que está em causa. Mesmo que aqui os pensamentos masculinos possam ser altruístico, deveriam ser as mulheres a desmistificar esta questão e levarem os seus parceiros à capacidade de lhes proporcionarem o orgasmo, evitando a necessidade do fingimento. Aliás, até porque é a felicidade das mulheres que está em causa. No entanto, provavelmente, muitas barreiras até lá - até que isso pudesse mesmo acontecer e o assunto ser tratado com toda a frontalidade que exige - muitas barreiras psicológicas e sociais terão de cair.
No Moulin Rouge as duas dançarinas - Toulouse Lautrec
Aproveito então tema, e a abordagem inicial dada, para falar de um excelente programa de rádio, um verdadeiro serviço público informativo de grande utilidade para uma sã e informada vida sexual. O programa em causa pode ser ouvido diariamente na Antena 3 (estando conteúdos disponíveis online em: http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/horadosexo/), tem por nome "A Hora do Sexo" e é da autoria de Quintino Aires - um famoso e reputado psicólogo que se tem especializado em sexologia - e de Raquel Bulha - uma igualmente famosa radialista. 
Nas várias emissões de "A Hora do Sexo" o tema do orgasmo feminino fingido foi por diversas vezes tratado, tendo sido abordado por muitas respectivas e explanadas as várias implicações relacionadas. Mas, independentemente das muitas leituras e análises, saltou-me ao ouvido, numa das muitas emissões, o momento em que Quintino Aires enunciou técnicas para descobrir indícios que pudessem revelar verdadeiros orgasmos femininos. Entre elas destaco aqui no blogue: o triângulo vermelho invertido no peito ( um vermelhão que, segundo o psicólogo, surge mesmo a abaixo do pescoço, durante o orgasmo numa forma semelhante a um triângulo),e; as contracções do canal vaginal. Ambas as reacções são respostas fisiológicas involuntárias e que não podem ser controladas, o que as torna passíveis e adequadas para identificar verdadeiros orgasmos femininos. Por outro lado, parece que a humidificação da vagina por si só nada significa. Essa resposta de "humidificação biológica" relaciona-se mais com o início da estimulação do que com o climax propriamente dito, logo desadequada para atestar um orgasmo.
Esta foi uma pequena referência e partilha. Ler e ouvir mais do que Quintino Aires tem para nos ensinar seguramente melhorará a nossa cultura sexual, parte integrante e necessária de uma saúde fisiológica e psicológica. No que toca às  questões culturais e de tradição, pode-se dizer que estamos na presença de um verdadeiro demolidor de conceitos, preconceitos, tabus e mitos que se podem associar à cultura ocidental/judaica-critã, nas suas várias origens, relações e evoluções. Nada como ouvir o especialista para aprender e ficar a reflectir sobre a nossa sexualidade.


Nota: para saber mais sobre Quintino Aires, pode consultar o seu site em: http://www.quintinoaires.pt/index.html

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Uma lição sobre o Mundo nos últimos 200 anos em 4 minutos

Nem sempre se está pronto ou predisposto para aprender. Na sociedade do instantâneo - a nossa - somos impelidos a consumir no momento, a aceder à informação tão depressa como formulamos uma opinião ou posição. Tais celeridades podem levar a precipitações e ao erro por falta de profundidade no analisar da informação. 
Mas trago aqui um exemplo de um vídeo em que se transmite, num ápice, uma quantidade impressionante de dados e informações sobre áreas como a: Geográfica; Demografia; Sociologia; História; Economia; e etc. 
Este vídeo que conta, de um modo incrivelmente resumido e rápido em 4 minutos, a história da evolução da qualidade de vida e do poder económico de todos os países do mundo nos último 200 anos não é obviamente suficiente para nos informarmos sobre os temas tratados, mas, mesmo assim, é um excelente modo de captar a atenção e de nos levar a querer saber mais sobre o que se apresenta. Muitas vezes só precisamos de um estímulo para querer aprender!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Perder biodiversidade é muito mais do que perder fauna e flora

“A biodiversidade é a natureza em todas as suas formas”
Esta frase com que inicio este novo texto do blogue consta do artigo “Biodiversidade – o nosso “ecossistema” de suporte vital “, da autoria da AEA – Agência Europeia Ambiental. Este artigo chegou-me através de uma colega das andanças académicas - desta última aventura que foi a “energia e ambiente” - por isso agradeço-lhe já, pois a sua sugestão enquadra-se perfeitamente nos temas e assuntos que normalmente trato no blogue. 
Curva do rio Epte perto de Giverny - Monet
Então, nada como começar por perceber o porquê da defesa da biodiversidade ser tão importante para todos nós, e não algo de importância menor e que interesse apenas a estudiosos e apaixonados pelas questões ambientais.

“A palavra biodiversidade resulta da combinação de duas outras palavras: “diversidade” e “biológica”. Este termo representa a variedade de todos os organismos vivos de todas as espécies. No fundo, a biodiversidade é a natureza em todas as suas formas”
Nós, espécie humana – pouco ou muito evoluídos -, somos parte da natureza e fazemos parte da sua biodiversidade, mas sobrevivemos e desenvolvemo-nos ao nos aproveitarmos de todos os demais organismos que a constituem. A partir do momento em que existe actividade humana existem impactes ambientais e podemos, directa ou indirectamente, afectar toda a restante biodiversidade – quase sempre negativamente. Agora aquilo que muitos de nós desconhecem é que o que nos rodeia, a natureza – virgem ou modificada por nós –, pode-se definir como a própria biodiversidade e o nosso próprio bem-estar disso depender: a nossa saúde, a nossa cultura e até a nossa economia. Somos completamente dependentes dos ecossistemas associados à biodiversidade.
“Um ecossistema é uma comunidade de plantas, animais e microrganismos, bem como a sua interacção com o meio ambiente”
Os vários ecossistemas prestam-nos muitos e variados serviços dos quais, muitas vezes, nem damos conta.  A esses serviços chamam-se: serviço ecossistémico. Aqui ficam alguns exemplos desses “serviços” – como se alguma vez a natureza tivesse a missão ou objectivo de nos servir! - indispensáveis para a nossa sobrevivência: “Pensem nos insectos que polinizam as nossas culturas, nos solos, nos sistemas de raízes das árvores e nas formações rochosas que limpam a nossa água, nos organismos que decompõem os nossos resíduos e nas árvores que purificam o nosso ar. Pensem no valor da natureza, na sua beleza e na forma como a utilizamos para fins de lazer.” Outros serviços ecossistémicos – especialmente os metabolismos vegetais -, na sua biodiversidade, contribuem também para o famoso sequestro de CO2, evitando que os excessos que libertamos se acumulem na atmosfera e isso provoque o efeito de estufa e as subsequentes alterações climáticas.
Ponte Japonesa e lago de lírios aquáticos - Monet

Embora os vários ecossistemas sejam bastante resilientes, a verdade é que muitos deles estão ameaçados devido à acção humana - mas também temos de ter consciência que seria muito difícil existirmos, enquanto espécie, sem que qualquer impacte ambiental daí resultasse.
Apesar da crise económica estar na ordem do dia e a sustentabilidade ser mais vista do ponto de vista financeiro, nunca nos devemos esquecer que o mundo que nos permite viver, quer seja em crise ou não, tem de ser preservado e os seus recursos bem geridos, caso contrário entraremos num "défice" e “bancarrota ambiental” irreversível. Pois, perdendo biodiversidade perdemos muito mais do que fauna e flora, perdemos o actual mundo que nos tem sustentado!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

“Humores” desregulados – uma causa de doença

Agora que me encontro a recuperar de uma gastroenterite, e que todas as minhas entranhas parecem descontroladas e num frenesim de movimentos e actividade, vem-me de imediato à memória e lembrança uma das teorias de um dos médicos mais importantes da história. Recordo Galeno, médico de origem grega, que praticou e desenvolveu a sua arte e teorias de cura na época imperial romana - considerado por alguns historiadores como sendo romano por ter vivido segundo os costumes de Roma numa época em que a cidade eterna era o expoente máximo cultural do mediterrâneo – e que desenvolveu a sua famosa teoria dos “4 humores”. Para Galeno – muito influenciado pelas teorias e preceitos de Hipócrates – o corpo humano era influenciado por 4 fluidos: bílis amarela, bílis negra, sangue e fleuma. Segundo essa teoria, era a desarmonia dos 4 fluidos que provocava a doença, razão pela qual  muitos dos tratamentos então prescritos eram orientados para reequilibrar esses humores [fluidos]. 
Nº8 - Jackson Pollock
A influência deste médico do século I d.C. continuou por toda a idade média até ao século XVII, época em que se começou a fazer uma nova “ciência” – baseada no empirismo e experimentalismo, o que levou a refutar muitos ensinamentos do passado. Uma das mais conhecidas e aplicadas técnicas de cura (durante todos esses séculos), através da tentativa de harmonizar os fluidos e assim fazer desaparecer a doença, eram as sangrias. O mais curioso – para não dizer repulsivo - era o modo como essas sangrias se realizavam: aplicavam-se sanguessugas em partes predefinidas do corpo do doente e em quantidades específicas, de acordo com o tipo de maleita, de modo a extrair os fluidos em excesso e retomar o são equilíbrio perdido dos fluidos corporais. Consta que estes vermes parasitários tenham sido usados para fins terapêuticos pelo menos até ao século XVIII no Ocidente.

Bem, toda esta incursão histórica só porque me lembrei do seguinte: se tivesse tido este problema [gastroenterite] na época medieval e me tivesse dirigido a um físico [médico da época], em vez de ter ido a um moderno hospital, muito provavelmente ter-me-iam prescrito sanguessugas em vez de uns quantos fármacos na forma de comprimidos.

A verdade é que nesta condição [sofrendo de gastroenterite] consigo compreender perfeitamente a teoria dos “humores” de Galeno ou não sentisse um completo desequilibro de fluidos nas minhas entranhas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

'Um cérebro de cada lado': um texto que é mais que uma opinião

Segundo Platão, na sua obra "A República", a opinião, de acordo com a sua própria definição - algo muito próximo do palpite e suposição infundada -, pouca ou nenhuma validade tem quando usada numa discussão ou na transmissão de saber. Isto porque, segundo o filosofo, a opinião é quase sempre insustentada e fruto de emoções e gostos do opinante - nota-se aqui um vislumbre da defesa do empirismo cientifico. No entanto, recorrendo a uma visão mais moderada, penso que nem todas as opiniões estão ao mesmo nível, havendo algumas que devem merecer a nossa atenção. Um exemplo disso é o texto que aqui trago ao blogue. José Luís Pio Abreu, psiquiatra e professor universitário de medicina, autor da obra 'Como tornar-se um doente Mental' brinda-nos com um livro que é um compêndio de artigos de opinião publicados no jornal gratuito 'Destak'. Dessa obra, intitulada de 'Estranho quotidiano', trago aqui um texto que é mais que uma  mera opinião, é uma opinião com fundamentação cientifica - devido a formação académica do autor - e escrita de um modo bastante apelativo. Aqui fica o texto:
Baudelaire, Edgar Poe, Mallarmé e Fernando Pessoa - Júlio Pomar
"Um cérebro de cada lado
Se perguntar o que é que nos distingue dos macacos, pode ficar com esta: nós temos dois cérebros, eles não. Os nossos antepassados símio distinguiram-se dos outros mamíferos por terem os braços independentes das pernas. Nós, para além disso, separámos o lado direito do lado esquerdo. E separámo-los para quê? Para deixar o braço e a mão direitos, bem como a perna e o pé, esculpirem o mundo: pela escrita, desenhos, obras, projectos, regras, teorias ou mesmo pontapés.
Ficámos assim com dois cérebros. O esquerdo – que está ligado ao lado direito do corpo – ficou preenchido pelo mundo. Não necessariamente o mundo que existe ou que mais importa, mas o que construímos na relação com os outros. É feito com palavras, imagens, regras e teorias. Em contraste, o cérebro direito vela por nós: pelas emoções, pela intuição, pelos significados entre si e têm de se entender. Mas podem existir conflitos, a ponto de um dos lados ter de anular o outro.
Nos esquerdinos, os lados estão invertidos sem que ocorram problemas de maior. Mas a existência de grandes confusões entre direita e esquerda não é boa para a saúde mental, pois deixamos de saber quem somos.
As mulheres têm o cérebro menos assimétrico, talvez porque, durante milénios, lhes foram negados os trabalhos externos. Assim, o mundo ocupa-lhe parte do cérebro direito, e as emoções também correm pelo lado esquerdo. Por isso, as mulheres são mais agarradas à terra – à casa, aos filhos. Os homens alternam entre estarem agarrados à terra – às mulheres – e vivem nas nuvens."

Espero que este texto seja um bom cartão de visita para a leitura das obras de J. L. Pio Abreu e um aperitivo capaz de fazer despertar o apetite pela leitura integral dos restantes textos deste 'estranho quotidiano'. O texto 'Um cérebro de cada lado', em primeira instância, e mais do que a utilidade que aqui lhe dou como introdução ao livro,  transmite também uma série de conhecimentos e levanta uma série de questões - capazes de animar uma qualquer discussão - sobre a biologia e psicologia humana, tal como o modo como nos relacionamos. 
Fernando Pessoa - Júlio Pomar
P.S. (Esta constatação de um cérebro bi-partido levanta muitas questões sociais e psicológicas mas fico-me por uma literária: em quantas partes se dividiria o cérebro de Fernando Pessoa?)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Como espirrar na sua língua e responder a um espirro em português?

Tendencialmente, quase que involuntariamente, somo levados a proferir uma das seguintes expressões quando alguém que nos é próximo espirra: “Saúde”; “Santinho”; “Viva”. Actualmente socorremo-nos destas expressões como regras de boa educação, apreço e consideração por quem espirra, sendo óbvio o desejo de melhoras e mais saúde - uma vez que ao espirro usualmente se associa uma qualquer maleita ou estado temporário anómalo de saúde, nem que seja uma insignificante e momentânea irritação.
Pirâmide de caveiras - Cézanne
No entanto, menos óbvia é a expressão “Santinho”. Fazendo uma rápida investigação pela Internet e por alguma bibliografia generalista podemos facilmente chegar a duas possíveis explicações – apesar de não serem conclusivas nem de as fontes disponíveis completamente seguras e fiáveis -, uma que passa por preocupações mitológicas/religiosas e outra ligada a questões físicas e de saúde - ambas com origem na Idade Média. “Diz-se” que na Idade Média existia a crença de que  - provavelmente pela violência e potência que alguns espirros atingem - o coração poderia parar e a alma sair por momentos do corpo, o que obrigava, em jeito de precaução, o cristão mais próximo a abençoar de imediato o enfermo de modo a evitar a entrada nele de maus espíritos, garantindo que a sua alma voltava ao corpo para lá ficar de novo “limpa” de quaisquer influências demoníacas. Menos espectacular e cativante, mas muito mais credível é a outra explicação, que apresentarei de seguida - aquela com base na saúde física e não tanto na espiritual. Naquele tempo [Idade Média], devido aos parcos conhecimentos médicos mas conscientes da associação do espirro à doença, as pessoas tratavam de abençoar de imediato o “espirrante”, garantindo assim as “boas sortes” para que aquele espirro não fosse o resultado de uma enfermidade incurável, tal como a peste negra, o que na altura seria morte certa. Há falta de meios para evitar a doença, diagnostica-la correctamente e prescrever uma verdadeira cura, compreende-se perfeitamente esta e outras práticas, muitas delas apenas com efeitos psicológicos mas que, numa altura de desespero, seriam formas essenciais para manter a esperança e lidar com a doença.

Igualmente curiosa é a onomatopeia (processo de formação de uma palavra por imitação de um som natural [1]) do próprio espirro, sendo que pode mudar significativamente de país para país, mesmo em países com raízes linguísticas semelhantes. Aqui ficam alguns exemplos [2]:
  • Em Árabe é "عطسة"
  • Em Alemão é "hatschi"
  • Em Búlgaro é "апчих"
  • Em Cantonês é "hut-chi" (乞嚏)
  • Em Chinês é "penti" (喷嚏)
  • Em Dinamarquês é "atjuu"
  • Em Esloveno é "kihanje".
  • Em Espanhol é "atchís" e "atchús"
  • Em Francês é "atchoum"
  • Em Hebreu é "apchee"
  • Em Hindi é "chheenk".
  • Em Indonésio é "'hatchi'"
  • Em Inglês é “Atchoo”
  • Em Islandês é "Atsjú"
  • Em Japonês é "hakushon" ou "kushami". Escrito como はくしょん ou 嚏(くしゃみ).
  • Em Letão é "apčī",
  • Em Marata é "shheenka".
  • Em Neerlandês é "hatsjoe" e "hatsjie"
  • Em Norueguês é "atsjo"
  • Em Polaco é "apsik"
  • Em Romeno é "hapciu"
  • Em Tagalo é "hatsing"
  • Em Tailandês é "Hutchew ou Hutchei" (ฮัดชิ่ว or ฮัดเช่ย)
  • Em Tâmil é "Thummal".
  • Em Telugu é "Thummu".
  • Em Turco é "hapşuu"
[1] - http://www.infopedia.pt/pesquisa.jsp?qsFiltro=0&qsExpr=onomatopeia
[2] - http://pt.wikipedia.org/wiki/Espirro

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Educação Sexual, para quando em Portugal?

(desconhecido) - Miró
Há uns meses tinha voltado à ribalta a discussão sobre a necessidade de existirem aulas de educação sexual nas escolas Portuguesas, no entanto este assunto voltou a cair no esquecimento.
A meu ver, é uma grave lacuna do sistema educacional a inexistência dessas aulas ou acções de esclarecimento, pois se o mistério se intitula de “da Educação” tem então como objectivo educar e não simplesmente formar os nossos jovens - sendo que a temática do sexo é uma vertente muito importante da vida de todos nós (nem que seja pela abstinência e tudo o que dai advém).
Preconceitos e desinformações à parte, a educação sexual é um tema sério, podendo ser abordado em acções de formação próprias que sirvam para informar os nossos jovens sobre o funcionamento do sistema reprodutor,  dos comportamentos de risco associados, do planeamento familiar e muitos outros assuntos relacionados, mas, mais que isso, da importância do sexo como algo normal que contribui para a realização do individuo, para a sua saúde física e mental. De um ponto de vista mais Humano, trata-se também de ensinar os jovens a lidar com a sua própria sexualidade, enquanto indivíduos felizes e realizados. Ou seja, a pertinência destas aulas deve-se a questões de saúde pública, de integração social e da própria psicologia, já que trata da boa saúde mental e felicidade das pessoas que está em causa. 

Apesar da educação sexual ser um assunto sério, e de extrema importância para uma sociedade moderna feliz e informada, gostava de partilhar aqui mais um vídeo dos geniais Monty Phyton que, sempre visionários, abordaram este assunto sarcasticamente. Um vídeo que serve para nos fazer rir e pensar.
Aconselho a ver a partir do minuto 1:10, que é quando começa efectivamente a aula. Este sketch é um excerto do filme “O sentido da Vida”, um filme de 1983, vanguardista (mesmo para a Inglaterra), surrealista e pejado de humor nonsense, mas intelectualmente superior.

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