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terça-feira, 19 de março de 2013

Amor Imaterial vs. Amor Material: Platão vs. Lucrécio


O amor imaterial, direcionado para o belo e para o ideal, mantendo as distâncias, é bem conhecido, especialmente nas interpretações medievais dos escritos de Platão. Essas noções reforçadas pelas teologias e pelo sistema valorativo religioso medieval – que abominava a existência material e mundana - influenciaram as sociedades ocidentais desde então. Mas da antiguidade grega herdamos muitas outras filosofias e modos conceptuais de lidar com o amor, por exemplo os epicuristas e os hedonistas encontram-se entre alguns dos mais importantes. 


O beijo - Klimt

Em “Os Filósofos e o Amor” as autoras optam por citar principalmente dois pensadores/escritores da antiguidade greco-latina para personificar dois modos antagónicos de pensar e viver o amor. Aude Lancelin e Marie Lemonnier, nessa singular obra, colocam em oposição Platão e Lucrécio, ainda que ambos procurassem minimizar os impactos negativos do amor, pois sabiam que é tanto essencial como inevitável para nós humanos viver existências onde o amor marca sempre presença, seja em que modo for.
Platão - como já referi - defende um distanciamento físico, no sentido de amar e aspirar ao ideal e não tanto ao plástico e físico, podendo o sentimento nunca ser corporizado. De um modo simplista – mesmo muito simplista - manter certas distâncias, uma vez que amar era inevitável e que poderia amar ideias, seria para o filósofo muito mais seguro e evitavam-se assim as emoções indiretas e reações negativas (algumas delas violentas) que podem contribuir para a infelicidade. Parece que Platão desistia perante o amor físico, não porque não fosse bom ou um prazer, mas porque amar corporeamente podia trazer mais malefícios que benefícios. Já o poeta Lucrécio segue, notando os mesmos perigos que Platão, pelo caminho exatamente oposto. De modo a evitar a dependência de uma só pessoa e outras fontes de potencial infelicidade, que poderia levar à autodestruição do individuo que ama, o poeta romano opta pelo recurso ao excesso carnal, pelo amor físico sem quaisquer limites, num claro comportamento materialista e hedonista.
Apesar da simplicidade com que tentei apresentar estes dois autores e suas teorias/posturas, podemos facilmente constatar que o amor desde há muito é visto como uma dicotomia: bem/mal. A condição humana, e os problemas de há 2000 anos, continuam a invadir as nossas mentes contemporâneas. Ainda hoje há quem siga, mesmo que inconscientemente, estes dois extremos, independentemente dos vários conceitos de amor: ora distanciando-se dele ora consumindo-o em sofreguidão descartável. De qualquer dos modos, ambos as abordagens denotam algo que se poderia considerar sendo medo, receio esse que cada uma e cada um de nós tenta resolver do modo que melhor pode, optando outros pelo meio-termo. Parece-me estas questões continuarão sempre atuais ou não fossemos animais sociais condicionados, para o bem e para o mal, pelas emoções.

Referências Bibliográficas
  • Lancelin, Aude & Memonnier, Marie. "Os Filósofos e o Amor". Tinta da China, 2010.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Poder (ou sucesso) e a Testosterona


São vários os estudos que apontam para uma relação direta entre o sucesso e a biologia. Esta relação poderia ser abordada do ponto de vista biológico visível, ou seja, de como as características físicas influenciam o sucesso ou insucesso social (ou outro) dos indivíduos. No entanto, neste texto pretende-se, ainda que de um modo quase leigo e ao nível da curiosidade, abordar o tema do sucesso e sua relação direta com as hormonas, mais concretamente com as hormonas responsáveis pela diferenciação e atividade sexual.
Sobre a Crise no Congresso do SPD - John Heartfield
Existe uma relação  direta, nos homens, entre sucesso – no sentido lato do termo (económico, em competições de toda a natureza, no ter poder, etc.) – e a testosterona [1]. Em casos de sucesso momentâneo, o organismo dos homens produz automaticamente mais testosterona, acontecendo o mesmo em sentido inverso aquando da "derrota". Assim, pode-se concluir que um homem que obtém sucesso considerável passa por uma fase de produção extra de testosterona. Como não podia deixar de ser essas hormonas irão influenciar o indivíduo em causa, e os restantes que com ele se relacionam indiretamente.
As influências hormonais são imensas, tanto física como psicologicamente. No caso da testosterona, a sua presença dita o desenvolvimento físico, a massa muscular, o vigor e também, é claro, o apetite sexual dos homens. Provavelmente a razão de ser deste facto, -comprovado com vários estudos - provém de tempos imemoriais, onde os acasalamentos se davam mais pela força do que por qualquer outra via. Os mais fortes, os líderes, seriam aqueles que teriam de ter mais capacidade de reprodução, trazendo benefícios e maior probablidade de sobrevivência à espécie. Ao fazermos a transposição para o mundo animal – sem com isso tentar que nos excluamos dele -, são os machos mais bem-sucedidos, mais fortes, mais exuberantes (ou o quer que seja valorizado na espécie em causa) que tendem a ser os principais reprodutores, e a conseguir para si o maior número de fémeas (isto apesar de haver exceções em algumas espécies, onde essa faceta de dominação é assumida pelas fémeas). Logo, é compreensível que fosse uma necessidade produzir mais testosterona quando o sucesso viesse. De tal modo, também já se comprovou que o sucesso previsto, ou aquele que pode ser induzido ou imaginado, leva igualmente à produção de maiores níveis de testosterona [2]. No fundo, podemos estar perante um ciclo extremamente útil, tão complexo como a nossa espécie, onde a dimensão psicológica - pois o sucesso pode não ser real - influência a física, e vice-versa.
No caso do sexo feminino, parte-se do princípio que o mesmo poderá ser verdade para uma eventual relação entre o sucesso e a produção de estrogénio, no entanto, na pesquisa que fiz – ainda que não tenha exaustiva – não encontrei nenhum trabalho que possa suster tal teoria, ao contrário do caso da testosterona onde os estudos são muitos. 
Tudo isto parece animalesco demais, especialmente porque hoje desenvolvemos sociedades, altamente complexas, onde estas supostas influências primordiais, perderam a utilidade (ou não).
Estas evidências e conclusões sobre as relações entre o sucesso/poder e o aumento da testosterona (e especulando também para que o caso do estrogénio a relação em causa também seja verdade) podem explicar e justificar o porquê de muitos comportamentos animais e humanos. No nosso caso, enquanto espécie que vive em sociedades complexas, e tendo em conta os tempos correntes, provavelmente está aqui a explicação e o porquê de a muitos artistas, celebridades, milionários, políticos, e outros que se considerem ter sucesso, se associarem vidas repletas de uma atividade sexual impressionante, muitas delas escandalosas perante a vida do cidadão comum.

Referências Bibliográficas:
[1] Steven J. Stanton, Oliver C. Schultheiss. “The hormonal correlates of implicit power motivation”. Journal of Research in Personality 43 (2009) 942–949. Disponível em: http://www.psych2.phil.uni-erlangen.de/~oschult/humanlab/publications/ssjrp.pdf

[2] Oliver C. Schultheiss, Kenneth L. Campbell, and David C. McClelland. “Implicit Power Motivation Moderates Men’s Testosterone Responses to Imagined and Real Dominance Success”. Article ID hbeh.1999.1542. Disponível em: http://www.psych2.phil.fau.de/~oschult/humanlab/publications/scm1999.pdf

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Gordura é Formosura: A Mudança dos Modelos de Beleza na actualidade?

ezaEstava eu muito bem a fazer um raro zapping e deparo-me, quando passava por um dos canais de música, com uma figura feminina algo estranha. A sua estranheza não se devia tanto a adereços, ao guarda-roupa ou maquilhagens, mas mais com as suas formas, com o seu corpo quase desenquadrado naquele meio televisivo. Curiosamente, a dita cantora, no seu videoclip "Starship", exprimia e fazia por salientar as suas já acentuadas formas como arma de sedução. Falo de Nicki Minaj, uma cantora de aparência pouco habitual, segundo os padrões de beleza actuais que tendem a privilegiar outro tipo de formas mais leves, segundo aquilo que se tem considerado mais "vendável" no mundo dos videoclips musicais.  
Não consta que a cantora em causa se destaque especialmente pela sua qualidade vocal única, nada, por exemplo, como o caso da voz de Adle, talento que lhe permitiu atingir fama mundial, independentemente das suas qualidades físicas para vidoclips sexualmente cativantes. A comparação entre Adele e Minaj pode ser desproporcionada, até porque os estilos musicais em causa, e o tipo de videoclips, são quase antagónicos, mas a ideia aqui deste texto é abordar as formas, os modelos de beleza e o marketing associado ao mundo da música. 
Claramente Nicki Minaj faz do seu corpo uma poderosa arma de marketing para vender a sua música - isto não desconsiderando na qualidade da música em causa, do ritmo e outras propriedades decorrentes do próprio tipo de música. Ela simplesmente recorre a essas armas, tão legitimas como outras quaisquer, à semelhança do que muitos outros artistas enquanto soldados nas guerras pela popularidade e pelo ascender ao "estrelato POP".
Benefits supervisor sleeping - Lucian Freud
Não vou salientar nenhum estudo, obra ou sequer tentar fazer aqui alguma demonstração ou evidenciar uma qualquer clarividência. Mas, este pormenor que me chamou a atenção no sensual videoclip da Minaj levou-me a questionar os nossos padrões contemporâneos de beleza. Será que os padrões de beleza estão novamente a mudar? Depois de algumas décadas em que reinavam a beleza magra, voltaremos a ter deusas roliças? Quem sabe. Ou então, simplesmente o paradigma pode estar a mudar num sentido diferente: não definindo modelos regidos a seguir, mas permitindo uma nova variedade de beleza muito variada, e muito mais democrática.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Orgasmo masculino sem ejaculação - uma lição de Quintino Aires

Mais uma vez lembro um excerto do programa “A Hora do Sexo”, da Antena 3, onde Quintino Aires – Psicólogo, professor e especialista em sexologia – partilha mais algumas dicas para uma sexualidade mais realizada.
O golpe - Fragonard
Desta vez o assunto é o orgasmo masculino, e mais concretamente a ejaculação. Segundo Quintino Aires, os homens podem experimentar o orgasmo sem ejaculação, o caso não será o mesmo dos orgasmos múltiplos das mulheres, mas poderá ser algo semelhante e que poderá levar a que em cada ato sexual os homens possam experimentar também vários orgasmos. Para isso a técnica em causa, que nada tem que ver com sexo tântrico – onde a experiência dos orgasmos contínuos e múltiplos para os homens parece ser possível por outros meios -, tem um pendor verdadeiramente físico. Segundo o sexólogo, o homem pode atingir o orgasmo e evitar e ejaculação se, no momento oportuno – algo que cada um terá de treinar por si – pressionar com a devida força – algo a saber também com a experiencia – a zona entre os testículos e o ânus. Deste modo, recorrendo a esta técnica, num mesmo ato, o homem poderá então experimentar vários orgasmos e controlar a ejaculação para quando pretender. Sem ejaculação é possível prolongar o ato sexual pois é com a ejaculação que as energias masculinas se esgotam e não tanto com o exercício sexual anterior.

Temos de admitir que a técnica em causa exige bastante autocontrolo e conhecimento do próprio corpo e seu “funcionamento”. No entanto, qualquer que seja a atividade física que se pratique, ela só se aproxima da perfeição e performance superior se de fato o individuo treinar/conhecer o seu organismo, sendo aqui o mesmo válido para o sexo.

Fica mais uma dica deste serviço público da Antena 3 que tem tratado e cuidado da saúde e felicidade sexual dos portugueses. Apesar de Quintino Aires ser altamente polémico há que lhe dar o mérito de trazer para a discussão pública as temáticas da sexualidade com abertura.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Guerra dos sexos na pré-história e megalitismo


  Numa altura em que sociedades pré-históricas – aquelas que desconheciam a escrita – entravam em processo de sedentarização, passavam do período do mesolítico para o neolítico, numa altura em que as atividades recolectoras, como forma de subsistência, começavam a ser substituídas pelas agro-pastoris é momento em que surgem as primeiras construções megalíticas – construções de grandes pedaços líticos, ou seja, grandes rochas e pedras.
  Das mais importantes estruuras megalíticas destacam-se os dólmens (ou antas) - para fins funerários (com a devida importância social e demarcação no território envolvente) - e os menires - para fins que relacionados com atividades ligadas à cultura dos vivos (possivelmente o assinalar de algo importante para as comunidades que os ergueram: símbolos de pertença, domínio territorial, culto ou outros culturais/utilitários). Segundo alguns especialistas, estes primeiros monumentos, que até podem ser considerados os primeiros “edifícios públicos”, serviam, para além dos propósitos religiosos, de âncora a comunidades errantes em processo de sedentarização, que dependiam cada vez mais do território que escolhiam e da dinâmica e funcionamento e coesão do próprio grupo.
Menir de Croisac - autor desconhecido datado de 1893
  Feita esta primeira introdução ao megalitismo há que justificar então o título do presente texto. As relações das estruturas megalíticas com a religiosidade e cultos pré-históricos são evidentes, e aos cultos estava sempre associada, ou era mermo o centro do próprio culto, a fertilidade. Curiosamente parece que os dois grandes tipos de construções [menires e antas] se associavam a cultos de fertilidade por género/sexo. Ou seja, pelas suas formas de acentuada verticalidade, os menires associavam-se ao sexo masculino e as antas ao feminino. Em Portugal, no menir de Outeiro, em Reguengos de Monsaraz, foi mesmo detetado a abertura na rocha do meato uretral. Outros menires do barlavento Algarvio estão decorados com linhas onduladas – provavelmente associadas às veias e artérias –, igualmente associadas à fertilidade masculina. Por outro lado, pela sua configuração em planta, e por originalmente serem câmaras interiores onde se acedia por uma estreita entrada (podendo incluir corredor), as antas ou dólmens facilmente se podem também associar ao sistema reprodutivo feminino, e assim ao culto da fertilidade feminina.
Dolmen - John Costello
  Os dados arqueológicos indiciam que o erguer dos primeiros menires possa ter ocorrido antes da construção das antas, e que as antas de construção mais recente e evoluída são aquelas onde a câmara interior é mais definida e existe corredor de acesso ao exterior. Estes indícios podem levar a crer que na pré-história os cultos de fertilidade estavam diretamente relacionados diretamente com os aparelhos reprodutivos masculinos e femininos. Podemos, para além disso, especular que até pode ter ocorrido uma “guerra dos sexos”, pois em alguns menires existem algumas gravações póstumas de símbolos que sugerem vulvas. Tal acontecimento, considerando também as ocorrências de transformações de antigos menires em antas, pode significar que o culto da fertilidade masculina poderá ter sido suplantado, posteriormente, pelo do sexo oposto, ou então terem coexistido em parceria. 
  Apesar de todas as especulações, ainda que com bases em dados e provas arqueológicas, essa aparente suposição de “guerra dos sexos” pré-história poderá ter sido apenas uma aparência, tal como aquele que supostamente se vive hoje. Afinal, para uma grande percentagem da população, de um ponto de vista sexual, um sexo não vive sem o outro, independente dessa relação ser tensa e de aparente conflito.

Referências Bibliográficas:
"História da Humanidade - Pré História". David Solar e Javier Villalba. Circulo de Leitores, Lisboa 2007.
"Pré-História de Portugal". José Luís Cardoso. Universidade Aberta, Lisboa 2007.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Orgasmo feminino fingido - uma lição de Quintino Aires

Quando conversas, mais ou menos informais, tendem a tratar ou tratam o temática da sexualidade, independentemente de "guerras dos sexos", a questão do "orgasmo feminino fingido" é um daqueles assuntos recorrentes. Tentando fazer uma abordagem séria, adjectivo o assunto como "questão", pois pode de facto levantar muitas questões, quer pelas razões quer pelas repercussões que isso pode ter numa saudável vida sexual. Normalmente, com a discussão deste assunto específico, os homens costumam ficar tremendamente preocupados, ou não pudesse isso beliscar a sua masculinidade (ou seu ideal de masculinidade, para eles próprios e para a própria sociedade). Mas, na minha opinião, mais que preocupar os homens - quando falamos de relações heterossexuais, valendo também para relacionamentos com pessoas do mesmo sexo - esses casos devem preocupar, acima de tudo, as mulheres, pois é a não realização sexual feminina que está em causa. Mesmo que aqui os pensamentos masculinos possam ser altruístico, deveriam ser as mulheres a desmistificar esta questão e levarem os seus parceiros à capacidade de lhes proporcionarem o orgasmo, evitando a necessidade do fingimento. Aliás, até porque é a felicidade das mulheres que está em causa. No entanto, provavelmente, muitas barreiras até lá - até que isso pudesse mesmo acontecer e o assunto ser tratado com toda a frontalidade que exige - muitas barreiras psicológicas e sociais terão de cair.
No Moulin Rouge as duas dançarinas - Toulouse Lautrec
Aproveito então tema, e a abordagem inicial dada, para falar de um excelente programa de rádio, um verdadeiro serviço público informativo de grande utilidade para uma sã e informada vida sexual. O programa em causa pode ser ouvido diariamente na Antena 3 (estando conteúdos disponíveis online em: http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/horadosexo/), tem por nome "A Hora do Sexo" e é da autoria de Quintino Aires - um famoso e reputado psicólogo que se tem especializado em sexologia - e de Raquel Bulha - uma igualmente famosa radialista. 
Nas várias emissões de "A Hora do Sexo" o tema do orgasmo feminino fingido foi por diversas vezes tratado, tendo sido abordado por muitas respectivas e explanadas as várias implicações relacionadas. Mas, independentemente das muitas leituras e análises, saltou-me ao ouvido, numa das muitas emissões, o momento em que Quintino Aires enunciou técnicas para descobrir indícios que pudessem revelar verdadeiros orgasmos femininos. Entre elas destaco aqui no blogue: o triângulo vermelho invertido no peito ( um vermelhão que, segundo o psicólogo, surge mesmo a abaixo do pescoço, durante o orgasmo numa forma semelhante a um triângulo),e; as contracções do canal vaginal. Ambas as reacções são respostas fisiológicas involuntárias e que não podem ser controladas, o que as torna passíveis e adequadas para identificar verdadeiros orgasmos femininos. Por outro lado, parece que a humidificação da vagina por si só nada significa. Essa resposta de "humidificação biológica" relaciona-se mais com o início da estimulação do que com o climax propriamente dito, logo desadequada para atestar um orgasmo.
Esta foi uma pequena referência e partilha. Ler e ouvir mais do que Quintino Aires tem para nos ensinar seguramente melhorará a nossa cultura sexual, parte integrante e necessária de uma saúde fisiológica e psicológica. No que toca às  questões culturais e de tradição, pode-se dizer que estamos na presença de um verdadeiro demolidor de conceitos, preconceitos, tabus e mitos que se podem associar à cultura ocidental/judaica-critã, nas suas várias origens, relações e evoluções. Nada como ouvir o especialista para aprender e ficar a reflectir sobre a nossa sexualidade.


Nota: para saber mais sobre Quintino Aires, pode consultar o seu site em: http://www.quintinoaires.pt/index.html

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Prostituição – a segunda profissão mais antiga do mundo

Não sei porquê - talvez algum mito urbano -, mas é comum dizer-se que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo. Mas não sei mesmo, não consigo, recorrendo a uns quantos resquícios de saber histórico/sociológico avulsos, encontrar justificação (aproximada sequer) para tal afirmação.
Dando alguma seriedade ao assunto, primeiro há que investigar sobre o que significa o termo profissão. Segundo a Infopédia significa: exercício habitual de uma actividade económica como meio de vida; ofício; mister; emprego; ocupação. Certo, então a prostituição, segundo este significado, que não varia muito de dicionário para dicionário, pode ser verdadeiramente considerada uma profissão.
O Beijo - Toulouse Lautrec
Agora, esquecendo bibliografias e documentários, vou teorizar munido apenas da lógica e de algum senso comum histórico/económico.
Comecemos pelo princípio, pelo inicio antes da história. Para que alguém tenha uma profissão, ou seja profissional de alguma coisa, esse alguém tem que ser retribuído pela sua actividade, pelo que faz ou produz. Então, imaginando-nos lá para os confins da pré-historia – período que defino aqui como a aurora da Humanidade – com que faríamos os nossos pagamentos ou retribuições? Seguramente que não era com dinheiro, pois não tinha sido inventado. Ou seja, tinha de haver algo para fazer a troca. Então, o que quer que fosse que se usasse para pagar à suposta “mais antiga profissão do mundo” tinha de ser obtido da natureza. Então, não é possível que existissem prostitutas primeiro que, por exemplo, caçadores/recolectores. Só então depois, tendo caça ou outro qualquer bem ou objecto de valor, poderia ser possível pagar serviços e favores sexuais. Trivial!
Penso que se prova assim que a prostituição não pode ser a mais antiga profissão do mundo, quanto muito é a segunda, terceira, quarta ou qualquer outro número subsequente – mas que é antiga isso é indiscutível. 
Não acredito que alguma vez esta profissão se extinga, pois no fundo o ser humano é uma animal de hábitos e tradições.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas,  para validar um testemunho não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.
Composição nº61 - Alexander Rodchenko
 Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que  a palavra "testemunha" provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a "teste", refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja árvore - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.
Reinaldo Pimenta (2), no livro "A Casa da Mãe Joana" - uma obra sobre curiosidades etimológicas, afirma que o termo latino "testis" originou os termos "testimoniu" e "testiculu". Refere o autor (2) que a palavra "testis", formada de uma variação de "tri" (três) + "sto" (estou), significa algo como: “que está ou assiste como terceiro”.  Diz (2) também que a terminação "culu" era usada para fazer diminutivos.  Assim, a palavra "testiculu" teria sido formada  para significar "pequena testemunha". 
Círculo Branco - Alexander Rodchenko
Também o sitio da Internet "Ciberdúvidas" (3), citando o "Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa", de José Pedro Machado, refere que o termo testemunhar advém  do termo latino "testemoniare", que derivou de "testemoniu" (testemunho, depoimento ou prova). Mas, por outro lado, esta fonte não segue pelas mesmas constatações que as anteriormente citadas, diz até que nada se pode concluir sobre a relação ente testemunha e testículo, limitado-se a referir que  o termo latino "testiculu" significa: testículo; orquídea;  planta. 
Apesar das palavras testemunho e testículo terem cada uma a sua raiz latina, isso não exclui que ambas as raízes etimológicas dessas mesmas palavras se relacionem.
Ainda no "Ciberdúvidas" (3) a explicação continua através do recurso a outro autor, o brasileiro Deoníso da Silva que escreveu a obra "A Vida íntima das Palavras - Origens e Curiosidades da Língua Portuguesa".  Novamente se volta à origem da palavra "testis" - "que está ou assiste como terceiro"(2)- e da palavra "testiculu" - "pequena testemunha" (2).  Deoníso da Silva (3), para explicar a relação que temos tentado analisar, relembra o modo como se davam os nascimentos na antiga Roma. Nessa altura, segundo este autor, um nascimento era sempre um acto presenciado por testemunhas, que serviam para atestar o sexo da criança. Esta necessidade de certificação era de extrema importância, pois se o sexo da criança fosse masculino significaria que a família teria continuidade - ainda hoje em alguns países as crianças herdam apenas o nome do pai. Assim, essa acto social surge como mais uma possível explicação para o modo como esses distintos órgãos sexuais [os testículos] podem ter ganho tal nome, por "assistirem o pénis" e por "atestarem" a masculinidade.
Aqui fica mais uma curiosidade etimológica sem conclusões absolutas. Podemos apenas afirmar que pode existir uma relação directa entre testemunho e testículo, mal tal não é garantido.
Amarelo e Vermelho - Alexander Rodchenko
Acabo este texto sem resistir a fazer aqui uma observação que se relaciona com o primeiro parágrafo: seria engraçado ver alguém, especialmente num tribunal, a jurar pelos seus testículos - numa relação com o próprio acto de testemunhar -, mas será que hoje - para o bem e para o mal - os testículos valerão tanto como antigamente?

Fontes
1 - http://letratura.blogspot.com/2006/10/etimologia-testemunha.html
2 - http://www.thalesc.com/blog/2007/12/etimologia_das_palavras.html
3 - http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=12151

domingo, 21 de novembro de 2010

Gandhi o disfuncional sexual?

Mohandas Karamchand Gandhi é ainda hoje uma das personalidades mais importantes e conhecidas do século XX, e até de toda a História da Humanidade. Gandhi, que era apelidado de Mahatma – “A Grande Alma” –, inspirou e continua a inspirar os defensores e activistas pelos direitos cívicos, pela autodeterminação dos povos, mas especialmente todos aqueles que optam pela “luta” através da não-violência – por mais contraditório que isso possa parecer o estudo da sua vida e obra provam que tal modo de luta é possível.
Mohandas Gandhi - Vikas Kamat
Mas, tal como quase todas as grandes personalidades da história, especialmente quando a sua vida e obra é registada com fins políticos ou outros, a vida de Gandhi foi, de algum modo, alvo de um "tratamento" direccionado que quase o divinizou, tendo sido deliberadamente “esquecidos” alguns acontecimentos menos próprios de alguém que se queria que fosse recordado como incontroverso. No artigo “Sexo, Mitos e Gandhi”, da autoria de Jad Adams, publicado originalmente no “The Independent” em 7/04/2010, que nos chega a Portugal através da edição de Julho de 2010 do Courrier Internacional, é abordada a vida sexual de Gandhi, mas também o modo como “Mahatma” teorizou e divulgou as suas ideias sobre os comportamentos e condutas sexuais a adoptar. Sexo, ou condutas sexuais, não é usualmente algo que se refira ou associe a Gandhi e à sua obra, mas na verdade o sexo (ou a falta dele) foi uma das grandes preocupações na vida deste grande activista e líder político e espiritual indiano. De um modo resumido, Gandhi defendia o celibato e propagandeava-o como conduta desejável a adoptar, isto para si próprio mas também para todos os Indianos – até para os jovens casais. Mas a verdadeira polémica até nem é a acérrima defesa do celibato – mesmo pensando em todos os efeitos negativos que isso teria a nível demográfico -, o que chocou, e ainda continua a chocar todos os que se debruçam sobre esta faceta de Gandhi, eram os constantes testes que Gandhi fazia à sua capacidade de resistir às tentações e impulsos sexuais: chegava a tomar banho com muitas das jovens mulheres da sua família alargada; dormiu repetidamente com jovens mulheres, referindo que o fazia estando ambos completamente nus. Que se saiba nunca resultou qualquer contacto sexual destas experiências e testes a que Gandhi se sujeitava e com quais queria provar que dominava a sua sexualidade e vontade de ser celibatário, no entanto, este comportamento chocou os seus contemporâneos, os seus familiares e os seus apoiantes políticos. Os mais acérrimos críticos desta conduta e comportamentos viam-no como um disfuncional sexual, um desequilibrado que reprimia e defendia a repressão sexual.
Posteriormente, à medida que o mito de Gandhi ganhava forma, especialmente depois da sua morte e do nascimento do Estado Indiano que queria criar os seus próprios heróis, estes episódios foram propositadamente omitidos.
 
Apesar de tudo, não se pode pôr em causa a importância e o papel de Gandhi para a história da Índia e para a própria história da humanidade, especialmente pelo exemplo que deu: por nos ter mostrado que para vencer não é preciso recorrer à violência – apesar da repressão sexual poder ser considerada também uma forma de violência.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quando a homossexualidade era vista como uma vantagem militar

Actualmente os homossexuais assumidos ainda não têm completa aceitação social, sendo isso ainda mais marcado nas Forças Armadas. Mas os valores de hoje nem sempre foram os do passado. Da antiguidade clássica, vem um caso que comprova isto mesmo. A conhecida e poderosa Cidade-Estado Grega de Tebas tinha uma força de elite no seu exercito muito peculiar. Em 378 a.C. Gógidas criou o ‘Batalhão Sagrado’ Tebano, uma força de elite composta por 500 soldados organizados em pares por idade. Mas que tinha esta força de diferente? Bem, esses pares eram amantes. É lendária a capacidade, coragem e eficiência militar deste batalhão, sendo a homossexualidade dos seus integrantes algo que assumia nisso extrema importância. 
Leónidas nas Termópilas - Jacques-Louis David
 Defendia-se na altura a ideia de que dois soldados com relacionamento amoroso e afectivo poderiam combater com maior proximidade e confiança, e que tudo fariam par zelar pela segurança do seu par, dando a própria vida se necessário. O grupo pela sua proximidade e cumplicidade afectiva trabalharia mais facilmente em uníssono e como um bloco bem organizado. Sabemos da existência deste batalhão pela pena do historiador Plutarco (reputado historiador Grego que viveu entre 46 d.C. e 126 d.C.), pois em 335 a.C. Tebas foi arrasada pelo Macedónios e os sobreviventes vendidos como escravos, tendo se perdido a tradição e organização militar que deu origem a esse singular batalhão.
Há quem atribua a ideia e a inspiração da criação de tal batalhão à influência intelectual e filosófica da obra ‘O Simpósio’ de Platão.
Já que referi um caso concreto do modo diferente como era vista a homossexualidade na antiguidade, parece-me ser importante referir diferenças marcantes no modo como ela era abordada pelos Gregos. Segundo Kenneth Dover e David Halperin as sociedades Gregas antigas viam a sexualidade como uma forma de demonstrar poder e estatuto social, independentemente do género, ou orientação sexual como hoje lhes chamamos. Kenneth e Haperin defendem que o princípio e a distinção se dava pelos papéis desempenhados na relação e no acto sexual propriamente dito (independentemente do sexo): "activo" ou "passivo". Sendo socialmente aceitável a um cidadão grego ‘penetrar’ desde que esse alguém lhe fosse inferior na hierarquia social. Seria aceitável ser o elemento “activo” com alguém mais jovem, com uma mulher ou um escravo, independentemente do género, mas nunca ser o elemento “passivo” da relação sexual perante os seus inferiores aos olhos da sociedade Grega (os jovens, as mulheres e os escravos eram vistos na sociedade Grega como inferiores quando comparados com um cidadão mais velho, homem ou não escravo).

Como vemos, desde a Grécia antiga para cá os valores e a organização social e direitos individuais mudaram, retrocedendo nuns aspectos e avançando noutros.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma aula de Educação Sexual ao estilo "nonsense"

Em Portugal há alguns temas e assuntos que são recorrentes, cíclicos ou mesmo sazonais. Um deles é a educação sexual nas escolas. Para este tipo de discussões é arrastada a sociedade civil, com intervenientes tais como pedagogos, profissionais da área da saúde, pais, alunos, associações cívicas, o próprio Estado e até entidades religiosas, entre outras. 
Quanto a mim a discussão deve acontecer envolvendo toda a sociedade civil e o Estado de modo a que se possa chegar a uma solução que melhor sirva os interesses dos jovens, preparando-os para a vida sexual informada, consciente e responsável, eliminado preconceitos, tabus e tudo o que possa causar ou levar à desinformação, comportamentos de risco e infelicidade.
Amarelo, magenta e azul - kandinsky
 Mesmo sendo um assunto sério e de grande importância, pois é da saúde pública e da garantia de condições de vida, dignidade e felicidade dos cidadãos que se trata, gostaria de dar um toque de humor a este tema através de mais uma invocação de Monty Phyton.
Em 1983 os Monty Phyton incluíam no filme “O Sentido da Vida” uma rábula sobre uma aula de educação sexual. Óbvio que se trata de um episódio completamente "nonsense" como era apanágio do sexteto, mas que ao seu estilo acaba por nos fazer reflectir sobre o assunto, especialmente sobre os preconceitos e tabus que envolvem o tema das aulas de educação sexual. Este “sketch” é mais uma preciosidade de um Humor sem igual - que me arrisco a adjectivar de “intelectual” e “livre”. Provavelmente exageros de um admirador. 
Deixo ao vosso critério após a visualização do link para o vídeo que aqui se encontra divido em dois:



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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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