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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Desde quando existe Espanha e desde quando deixámos de ser espanhóis?

Se quisermos ser precisos podemos dizer que Espanha existe apenas desde os finais do século XVI, somente quando Portugal foi incorporado na união política dos vários reinos da península Ibérica. Antes disso existiam os reinos de Castela, Leão, Aragão e Portugal. A história pode ser muito mais complexa que isso se recuarmos mais no tempo. Fiquemos por esta simplificação e vamos apenas recuar no tempo para encontrar a origem do termo Hispânia, que provém da herança latina, da ocupação romana da península a quem os romanos haviam chamado Hispânia. Mas antes deles os gregos já a conheciam como sendo Ibéria. Ou seja, foi somente quando todos os reinos estiveram sob a mesma suserania é que se passou a chamar a esta unidade política reino de Espanha. D. Filipe II, conhecido como Filipe I de Portugal, foi então o primeiro rei de Espanha.
 
Entrada de D. Filipe II em Lisboa
 
Aquando da Guerra da Restauração da independência portuguesa, o Conde Castelo Melhor, que foi quem dirigiu as negociações de tréguas em 1665, estando no trono o rei Afonso VI, conhecido pela sua incapacidade para governar, sempre recusou a possibilidade do Rei Filipe IV, conhecido como Filipe III em Portugal, pudesse continuar a utilizar o título de rei de Espanha. Isto porque denotava um domínio, ainda que simbólico, sobre Portugal. Mas com o tratado de Lisboa de 1668, já com Castelo Melhor afastado da liderança política portuguesa e com a morte de Filipe IV, Portugal aceitou que o rei vizinho continuasse a utilizar o título oficial de Rei de Espanha.

Este texto baseia-se num artigo [1] de João Casaca, membro concelheiro da Ordem dos Engenheiros, ele próprio engenheiro Geógrafo. O autor considera que até essa altura os portugueses, que sempre se tinham considerado como espanhóis, por habitarem na Hispânia, na mesma medida em que somos europeus por habitarmos na europa, deixaram de ser assumir e considerar como tal. Parece uma assunção discutível, mas deixa-nos a pensar seja como for.

Ainda antes da formação de Portugal há que lembrar o feito de Afonso VII de Castela que se tornou rei da Galiza, rei de leão, rei de Castela e de Toledo, e senhor por vassalagem de Aragão e do candado/marca da Catalunha, tendo sido considerado imperador da Hispânia a partir de 1135, depois de ter sido coroado imperador na catedral de Leon pelo Antipapa Anacleto II [2]. Nesta coroação não participou Afonso Henriques de Portugal. O título de imperador, que tudo indica ter sido meramente honorifico, deixaria de fazer qualquer sentido com o reconhecimento da independência do reino de Portugal pelo tratado de Zamora em 1143 e da União do reino de Aragão com os condados da Catalunha, nascendo por essa via a coroa de Aragão, totalmente formalizada em 1164 com elevação ao trono de Afonso II de Aragão [3].

Referências:
[1] – Casaca, João (2016). “A geopolítica e o corónimo Espanha”. Apontamento Histórico. In A Internet das Coisas. Revista Ingenium. II Série, n.º 154. Julho/Agosto 2016. Disponível em:
http://www.ordemengenheiros.pt/pt/centro-de-informacao/publicacoes/revista-ingenium/revista-ingenium-n-o-154-julho-agosto/
[2] – “Afonso VII de Leão e Castela”. In Wikipédia. Disponível em:
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_VII_de_Le%C3%A3o_e_Castela
[3] – “Coroa de Aragão”. In Wikipédia. Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Coroa_de_Arag%C3%A3o

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ver os consumos energéticos em tempo real gera poupança

Vários estudos têm demonstrado que o simples facto de se visualizar em tempo real os consumos energéticos gera poupanças. Por vezes não é necessário instalar qualquer outro equipamento especial ou medidas físicas, basta saber o que se está a consumir para levar a mudanças de comportamento dos utilizadores dos edifícios para que assim se obtenha poupança energética.
Fonte: http://www.theatlantic.com/business/archive/2011/11/ges-killer-idea-a-real-time-energy-dashboard-for-your-house/248519/

Citando trabalhos e projetos da ENERDURA , são apontados vários estudos que têm vindo a comprovar isso mesmo. Segundo essa agência regional: Em 2006 a Universidade de Oxford aponta para poupanças entre 5 e 10% obtidas através da existência de informação detalhada sobre os consumos em tempo real [1]; Posteriormente a entidade reguladora do sector energético no Reino Unido apontam para poupanças de 2,8% para a electricidade e 4,5% para o gás natural [2]. Mas já outras investigações estimam também reduções entre 4 e 10% no consumo de água [3].
Assim, quer seja para os consumos de água ou de energia, ter a informação dos consumos em tempo real leva a poupanças significativas. Ainda hoje em dia os contadores, quer seja de água, eletricidade ou gás, são concebidos para utilização dos operadores e fornecedores do serviço, e não para que os utilizadores possam monitorizar e controlar os seus consumos e custos.
A mudança dos contadores será uma forma de conseguir poupança. Provavelmente será essa a tendência futura, uma vez as empresas do sector estão a orientar os seus produtos e serviços para essa possibilidade
Referências
[1] Darby, S. 2006, “The effectiveness of feedback on energy consumption : A review for DEFRA of the literature on metering, billing and direct displays”. Universidade de Oxford.
[2] BERR - Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform, 2008, “ENERGY METERING: A consultation on smart and advanced metering for small and medium sized businesses and sites, and other non-domestic customers”.
http://www.berr.gov.uk/files/file47191.pdf
[3] http://smartcitiescouncil.com/resources/smart-water-metering-solution-reduces-water-usage-10-australian-city

terça-feira, 5 de março de 2013

Sifão – O uso da água e da gravidade para desodorizar

Conhecendo ou não o que é ou como funciona um sifão praticamente todos os dias lidamos com essa maravilha da tecnologia. Basta entrar numa casa de banho e olhar para uma sanita/retrete, de aconselhavelmente depois do autoclismo ter sido ativado e não se encontrar ai qualquer outras presença além da água. É essa mesma água que se encontra no fundo de qualquer sanita/retrete, em boas condições de funcionamento, que constitui o sistema de sifão mais comum e generalizado usado nos nossos dias. O sistema de curvas e desníveis, criados propositadamente para o efeito, permitem que toda a secção de escoamento fique, constantemente ocupada com água. Garantindo-se que a água é renovada pelo autoclismo, e arrastados todos os dejetos e afins, este sistema gravítico garante higiene e que o mau cheiro das tubagens a jusante não ascenda e contamine as nossas casas de banho.
Exemplo de um sifão de sanita/retrete

Ou seja, o bom “sifonamento” – que é o mesmo que isolamento gravítico por água nos sistemas de drenagem (regulamente  com fecho hídrico entre 50 e 75mm)– é essencial, mas deve ser feito com cuidado, pois o duplo “sifonamento” de um mesmo coletor (ou parte de um sistema de drenagem que não tenha contacto livre com a atmosfera) produz alterações no escoamento, podendo transformar aquilo que corria por gravidade e em secção não cheia passar a escoamento sobre pressão. Essa mudança pode fazer com que a deposição de água seja sugada e a quantidade de água necessária para evitar a passagem nos maus cheiros não seja assegurada. Acontecendo isso nenhum dos sifões funcionará.
A presença, por gravidade da água, criando uma membrana física aos maus cheiros foi uma invenção importantíssima, que, na minha opinião, merece ser recordada, pois todos os dias contribui para que tenhamos bom ambiente em nossas casas e noutros locais onde nos aliviamos de muitas das nossas necessidades e aflições – sítios onde até nos podemos, em maior conforto, perder em pensamentos e ensaiamos renovações correntes.

Referência bibliográficas:
Pedroso, Vitor M. R. "Manual dos sistemas prediais de distribuição e drenagem de águas". LNEC, 2007.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pirâmides pelo Mundo – Uma Razão Técnica


Muito se tem especulado sobre a razão (ou razões) pela qual as culturas antigas construíram pirâmides. Numa análise global pela história da arquitetura monumental da humanidade, comprova-se que várias civilizações e culturas, em épocas históricas e em geografias diferentes, por vezes em qualquer relação entre si, construíram pirâmides monumentais. 
A Pirâmide de Caio Céstio em Roma - Jean-Baptiste Lallemand
Independentemente das funções e significados políticos, sociais e religiosos, tendo em conta a tecnologia que essas sociedades detinham, dificilmente poderiam ter feito outro tipo de construções. A construção de grandes estruturas estava limitada à tecnologia e materiais existentes. Em pedra, dificilmente se poderia construir algo monumental e de altura considerável que não fossem pirâmides ou formas piramidais. Pois, como se sabe, por mais resistente que seja um tipo de pedra, apesar da boa resistência à compressão, dificilmente aguenta grandes esforços de tração e flexão. Logo, dificilmente se conseguiria fazer algo de imponente em altura que não fosse respeitando as propriedades naturais das pedras - enquanto elementos singulares que são empilhados e ligados para gerar um todo sólido, de base mais larga que o topo
Do ponto de vista da mecânica de solos o fenómeno físico que demonstra o porquê das formas das pirâmides é bem conhecido: depende e relaciona-se com a propriedade ou parâmetro de “ângulo de atrito interno”. Esse tal ângulo é aquilo que define a inclinação que se forma quando se despeja areia num monte, as inclinações dos planos imaginários tangentes às superfícies. Dependendo do tipo de areia ou solo (e extrapolando para a pedra), o monte que se forma, com um hipotético despejo, apresenta um determinado ângulo, definido entre as superfícies tangenciais do próprio monte. De um modo simplista, representa o ângulo que garante a estabilidade estabilidade que um monte de uma determinada areia (solo ou inerte), ou seja, pode-se considerar como o valor quantificável da quantidade de atrito entre as partículas que impede que o hipotético monte se desmorone por ação da gravidade
Assim, mesmo que os antigos construtores das antigas pirâmides, um pouco por todo o mundo, não compreendessem a característica do ângulo de atrito interno, percebiam perfeitamente qual o ângulo que garantiria estabilidade a uma determinada pirâmide, muito provavelmente em relação aos montes que se poderiam construir, em estabilidade, de um determinado tipo de pedras.
No antigo Egipto há provas destes testes falhados e de sucesso de protopirâmides. Algumas ruíram, noutras o design foi sendo aperfeiçoando até se chegar àquilo que conhecemos como as pirâmides clássicas, e que se correlacionam com a teoria de solos do ângulo de atrito interno.
Na antiguidade tentou-se construir muitos outros tipos de estruturas (de relembrar que entre os primeiros monumentos estão os montes de terra e pedras - as mamoas ou tumuli), mas aos nossos dias chegaram apenas as mais sólidas, e essas são, sem dúvida, as pirâmides. Por isso, do ponto de vista estrutural e construtivo, a opção da monumentalidade estava muito condicionada, daí certas formas serem incontornáveis, tal como as leis da física o ditam. Se assim não fosse, os elementos mais altos do mundo não teriam a forma que têm: as montanhas seriam mais parecidas com torres do que com pirâmides.

Referências de documentários:
  • Out of Egipt - http://dsc.discovery.com/tv/out-of-egypt/

Bibliografia:
  • Cardoso, J. L. “Pré-História de Portugal”. Verbo, 2002.
  • Fernandes, M. M. “Mecânica dos Solos – Conceitos e Princípios Fundamentais”. FEUP Edições, 2011.
  •  Llera, R. R. “Breve História da Arquitectura”. Editorial Estampa, 2006.


sábado, 7 de abril de 2012

Começar a construir de cima para baixo - Uma Técnica de Engenharia


As paredes devem-se começar a executar de cima para baixo”.  Qual seria a resposta de um imaginário interveniente a esta minha afirmação? Provavelmente diria: que disparate, todos sabem que as casas não se começam pelo telhado! Apesar da reação, não teria qualquer receio em fazer tal afirmação, até porque já a fiz várias vezes e continuarei a fazer. Mas, para evitar que a afirmação se torne um anacronismo, há que aprofundar e explanar mais o assunto.

Construcão 1923 - Thomas Hart Benton

Primeiro, quando digo que as paredes se devam começar a executadas por cima, refiro-me apenas a que devem ser construídas primeiro nos pisos superiores, isto depois da estrutura que as irá suportar estar já finalizada. Por exemplo, as paredes em alvenaria, para edifícios com estruturas de betão armado ou metálicas, devem começar a ser executadas, fiada a fiada da base do piso até ao tecto, dos pisos superiores até aos inferiores. Habitualmente afirma-se, como corrente metáfora em contextos que até nada têm que ver com construção e por não especialistas,  que se começa sempre a construir a partir de baixo. Isso é verdade para os elementos estruturais que garantem a estabilidade da construção, mas nem sempre é uma generalização construtiva válida, tal como demonstrarei. As paredes de alvenaria, que revestem e dividem interiormente atualmente os edifícios, tendo em conta a construção tradicional corrente, não são elementos resistentes. Paredes em alvenaria, nas construções recentes, são até “negativas” do ponto de vista estrutural, ou seja, apenas fazem peso sobre o edifício em causa e sua estrutura resistente. Como fazem peso sobre a estrutura também a deformam – pois é, todas as estruturas se deformam, e essa deformação é controlada em fase de projeto através do conceito de  Estados Limites de Utilização. Logo, se começarmos a construir as paredes a partir dos pisos inferiores, essas paredes, quando todo o edifício tiver construído, serão sujeitas a esforços causados pelas deformações posteriores, provenientes da própria estrutura sujeita aos acréscimos de pesos incrementais das paredes que se vão construindo. Como as paredes não são construídas para serem elementos resistentes o mais comum é surgirem fendas. O ideal é ir construindo as paredes de cima para baixo, construindo-as, piso a piso, do de cota superior até ao de cota inferior, e assim sucessivamente até tudo ficar finalizado. Com esta opção a estrutura vai deformando progressivamente e as paredes inferiores serão executadas já com a deformação espectável total da estrutura resistente. Assim evitam-se fendas nas paredes e restantes elementos construtivos de revestimento (rebocos, pinturas, e outros). Esta é por vezes uma das razões para predes de construções recentes apresentarem fendas e fissuras (há muitas outras também, mas isso seriam outras discussões e razões). Uma outra solução, que pode evitar estas fendas por deformação vertical dos elementos, passa por optar por não “ligar” o topo das paredes à laje, aplicando um tipo de material elástico que absorva possíveis deformações e não transmita esforços. Esta última opção pode ser devidamente disfarçada e não se notar o artifício nas paredes finalizadas.
Mais uma vez se comprova que o sendo comum nem sempre é o melhor juiz, a solução que parecia evidente nem sempre é a melhor. Por vezes - usando uma metáfora relacionada com construção - “é preciso partir pedra” e fazer algumas desconstruções (de ideias). Neste caso - continuando com as metáforas - o excesso de adereços, indevidamente colocados, podem levar mesmo à ruína do todo, ou a que esse todo sofra danos evitáveis. Há que respeitar e atender ao essencial, o resto poderá ser apenas acessório - uma trivialidade que pode dizer muito e pouco ao mesmo tempo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Peças de Lego – uma história de brincadeiras a sério

Fica aqui o registo, depois de consultadas várias fonte na WEB, da história da Lego.
Em 1932 a carpintaria de Ole Kirk Kristiansen começou a fazer brinquedos de madeira em Billund na Dinamarca. A inspiração para a produção de brinquedos surgiu dos modelos de pequena escala que produzia, nessa mesma carpintaria, para apoio ao design, marketing e venda dos produtos de escala real (as primeiras miniaturas foram escadas e tábuas de passar a ferro). Desses primeiros modelos surgiram os primeiros brinquedos em madeira propriamente ditos: carros, camiões, pequenos mobiliários, e outros “brinquedos de empurrar”. Mas a produção de mobiliário de grande escala continuou a ser a principal atividade
.
Escultura em Lego da autoria de Nathan Sawaya

Em 1934, quando Godtfred, filho do fundador Ole Kirk, começou a tomar parte ativa na empresa, foi feito um concurso entre funcionários para encontrar um novo nome para a empresa de brinquedos (consta que o prémio seria uma garrafa de vinho caseiro). Surgiram duas propostas: “Legio”, que se associava a “Legião de Brinquedos”; e LEGO, uma contração de uma frase dinamarquesa “Leg godt” que significava “brincar bem”. Mais tarde, já depois de terem adotado o nome Lego, os proprietários descobriram que em latim o nome escolhido poderia significar também “eu monto” ou “eu construo”.
Foi só em 1947, com o fim da 2ª Guerra Mundial, que a Lego adquiriu uma máquina de injeção de plástico – na altura acetato de celulose - e começou a mudar a matéria-prima dos seus brinquedos. Foi no entanto um inglês que desenvolveu o sistema de montagem e encaixe que hoje vemos nas peças de Lego. Ole Kirk e Godtfred obtiveram umas amostras das peças encaixantes produzidas pela empresa Kiddcraft – os “blocos de construção auto-encaixantes Kiddcraft” – e em 1949 a Lego começaram a produzir a sua própria versão – os “blocos de construção automáticos”. Em 1953 o nome do sistema passou a ser “Lego Mursten” ou “LegoBriks” (ou aportuguesando o termo: “peças de Lego”).
As primeiras vendas foram uma deceção, pois os consumidores preferiam os tradicionais brinquedos de madeira ou metal.
É então que em 1954 surge a ideia de criar todo um sistema de construção, com uma grande panóplia de produtos relacionados e compatíveis entre si. Estava lançado aquilo que tornaria o Lego num sucesso e naquilo que é hoje: um conjunto de peças de plástico, de vário formato e cor, compatíveis entre si que podem ser conjugadas segundo a imaginação dos construtores. Surgiu em 1955 o primeiro tema deste novo sistema: “o tema de cidade”.
Foi uma fatalidade, um incêndio em 1960 que destruiu a maior parte do armazenamento de brinquedos do Grupo Lego, que ditou definitivamente o futuro da produção de brinquedos, que passaria a ser exclusivamente em plástico. A partir de então a marca começou continuamente a desenvolver os seus produtos e a acrescentar sempre mais inovações, produtos e acessórios de peças “Lego”. Em 1962 são introduzidas as primeiras rodas Lego em plástico. Em 1963 o acetato de celulose é substituído por plástico ABS, aquele que ainda hoje é utilizado. Em 1964 são introduzidos os primeiros manuais de construção. Em 1966 são criados os primeiros sistemas de comboios, com motores de 4,5 volts e dois anos depois de 12 volts. Em 1968 abriu o primeiro parque de diversões Legoland com 12.000 m2. Em 1969 surgiu o sistema Duplo, destinado para crianças ainda mais pequenas. Em 1971 a Lego virou-se para o universo mais feminino, com a introdução de peças de mobiliário e “casas de bonecas” em peças de plástico Lego. Em 1972 são introduzidas as peças de casco de navio que permitiam que os barcos flutuassem de verdade. Entre 1975 e 1977 foram introduzidas as peças mais técnicas que permitiram construir verdadeiros mecanismos (aquilo que em 1982 seria a série “Technic”), com engrenagens, rodas dentadas, etc. Em 1978 são então acrescentadas os atuais bonecos de Lego – o primeiro foi um polícia -, tal como os conhecemos ainda hoje. A partir daí começam a surgir muitos outros temas para além do tema da cidade, surge o tema “espaço”, mas tarde em 1983 surge o tema “castelo”, em 1989 os “piratas”, e por ai em adiante muitos mais surgiriam com cada vez mais acessórios que aumentariam o realismo das construções. Em 1999 surgem as primeiras parceiras com temas de autor já estabelecidos, o exemplo de “Star Wars” e “Harry Potter” entre muitas outras, dando um novo fôlego ao universo Lego. Mas foi só em 2003 que se adota uma nova palete de cores para as peças, aumentando ainda mais a gama cromática que, em alguns casos, resultou em mais realismo e possibilidades de criar novos ambientes e construções. Hoje Lego é também marca de videojogos, jogos de tabuleiro, linguagem de programação para robots construídos também em Lego, e até marca de roupa infantil.

Mas muito do sucesso dos “Legos” deveu-se a uma perspetiva educacional dos mesmos. Em 1980, seguindo já muitos educadores que identificavam as possibilidades que estes brinquedos detinham para o desenvolvimento educativo e cognitivo das crianças, a Lego criou o “Departamento do Produtos Educacionais” de modo a explorar ainda mais o potencial educativo dos seus brinquedos.

Hoje os fans de Lego levam o brinquedo a novas dimensões para além do propósito de brincar. Hoje existem associações, maioritariamente de adultos, que se dedicam a fazer grandes exposições temáticas com criações próprias – os MOCs. São também conhecidas animações e filmes criadas a partir do movimento, real ou induzido, de cenas com peças lego. Alguns artistas criam também as suas obras de arte com Lego enquanto matéria-prima! Quem sabe que mais sérias brincadeiras estão reservadas para este original e muito particular brinquedo, que já provou ser muitos mais do que aquilo para o qual inicialmente foi pensado!

    segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

    O que é mais seguro: o transporte colectivo ou o individual?

    Provavelmente - digo eu especulando - o senso comum diz-nos que é mais seguro viajar num automóvel ligeiro do que num transporte público, mas parece que estatisticamente, e na maior parte dos casos, não é bem assim. Segundo Daniel Murta*, "os riscos no transporte público são sub-avaliados pelos utentes, enquanto os do transporte público são sobre-avaliados pelos próprios e pela sociedade (por comparação com os primeiros)". Esta noção deve-se a dois factores segundo o autor: a falsa sensação de segurança quando se está ao controlo de uma viatura - no caso do automóvel ligeiro; e, fobias e medos, não comprovados estatisticamente, associados à morte colectiva - no caso do transporte colectivo.
    Remadores no Chatou - Renoir
    Para esta sensação errónea de segurança contribui também  o efeito de tragédia colectiva, muitas vezes explorado e amplificado pela comunicação social e até pelo cinema. Quantos não são os casos mediáticos de acidentes onde a contabilização de vítimas choca e causa medo, quando no fundo muitos mais são os sinistros nos transporte individual. 
    Outro aspecto, este muito mais economicista, que tende a tornar os transportes colectivos mais seguros que os individuais, são as questões relacionadas com os seguros e indemnizações. No transporte colectivo, em caso de acidente, o valor das indemnizações atingiria montantes imensos por se tratarem de muitas pessoas, obrigando isso a que os construtores e operadores cuidem muito mais da segurança - ainda que pelas razões menos correctas. Por outro lado, no transporte individual, os custos e riscos são suportados apenas pelo próprio condutor, quanto muito pelo fabricante de automóvel também.
    Assim, a segurança rodoviária pode ser uma questão económica, mais do que preocupação pela vida humana. Mas que dizer quando se comprova que são os próprios indivíduos que descuidam a sua segurança ao assumirem que, por serem eles próprios os condutores, circulam muito mais seguros. Não pensarão isso todos os condutores? Provavelmente sim, e provavelmente continuarão a pensar, a não ser que, como no caso dos transportes colectivos, a economia faça o seu papel de promotora "segurança".

    Fontes Bibliográficas:
    * Murta, Daniel. "Quilómetros, Euros e pouca terra - Manual de Economia dos Transportes". Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010.

    domingo, 20 de novembro de 2011

    Porque "fumam mal" hoje as chaminés?

    Sempre que começa o Inverno, ou por vezes até o Outono, começam-se a acender em muitos dos lares portugueses lareiras. Por essa altura é comum também surgirem conversas, mais ou menos informais sobre essas mesmas lareiras, sedo já uma constatação habitual a noção generalizada de que: as lareiras de antigamente fumavam melhor, hoje constrói-se cada vez pior!”. Nada poderia ser mais falso!
    Tempestade de Neve - William Turner

    O senso comum leva, obviamente, a associar o problema de escoamento do fumo das atuais lareiras para o exterior dos edifícios à sua própria construção – da lareiras é claro. A associação é normal, no entanto o problema não é das lareiras em si, o problema é do edifício. Mais concretamente, o problema relaciona-se com a falta de ventilação natural dos edifícios de construção contemporânea, que advém da maior estanquidade e isolamentos dos materiais e técnicas construtivas que hoje se utilizam. Ou seja, o problema do fumo surgiu depois de se resolver o problema do mau isolamento dos edifícios mais antigos. Nos edifícios de construção mais antiga, porque tinham tantas frinchas e espaços vazios por onde entrava ar vindo de fora e devido à convecção, o ar-circulava naturalmente de dentro para fora e vice-versa. O ar ao longo dos edifícios, por razões de convexão, circula: entrando ar frio do exterior e saia o mesmo ar depois de aquecido pela chaminé. Ou seja, antigamente: criava-se ventilação natural direccionada que forçava o fumo a sair pela chaminé. Este fenómeno era tanto mais acentuado quando maior fosse o vento. Esses fenómenos podem ser chamados de "efeito de chaminé".
    Apesar do isolamento dos edifícios ser benéfico do ponto de vista energético, mesmo que fumem mal as chaminés, isso fará com que tenhamos menos ventilação natural e que as renovações de ar possam não ser as suficientes para dispersar alguns maus odores e até gases nocivos e perigosos para a nossa saúde que se formam dentro dos edifícios.
    Curiosamente, se pretendermos que as nossas chaminés de construção recente “fumem” melhor há que instalar sistemas de ventilação mecânica ou então deixar de isolar tantos as casas. Qualquer uma das soluções traz acrescimentos de consumo energético para manter uma determinada temperatura. Resta saber se a degradação do Ambiente – associada aos crescentes consumos energéticos e emissões poluentes correspondentes - vale mais que um ambiente interior com alguns gases perigosos e o desagradável e visível fumo?

    Ficam as seguintes opções:
    •    Acender a lareira, passar algum frio, não isolar a casa e deixar a chaminé "fumar bem";
    •   Acender a lareira, evitar o frio, isolar a casa e ficar com fumo no interior e outros gases nocivos;
    •    Acender a lareira, evitar o frio, insolar a casa e gastar energia a ventilar o fumo e outros gases perigosos para fora;

    •    Acender a lareira com um recuperador de calor (que custará mais dinheiro e nos "afastará mais da chama"), evitar o frio e insolar a casa, sem esquecer outros gases perigosos;
    •    Não acender lareira, isolar a casa, usar outras técnicas e fontes de calor (que tendencialmente gastam mais energia) e evitar o fumo, mas alguns gases perigosos ficam sempre lá.

    Bem, confuso e complexo, até porque a solução ótima obriga a uns quantos cálculos e escolhas pessoais ou dependentes dos contextos… não obstante de habitualmente ser a última opção a melhor. No fundo, interessa é mesmo isolar a casa quanto baste (por exemplo, reguladores em fachadas e caixilharias que permitem controlar a entrada de ar) para garantir alguma ventilação natura para dispersar gases nocivos.  Já a fonte de aquecimento depende, por outro lado, de quanto estamos dispostos gastar com isso. Mas uma lareira é sempre uma lareira, afetivamente e emocionalmente as sensações que liberta são outras.

    Será que, pensando em todo o trabalho e questões que levanta, vale sequer iniciar uma conversa sobre como fuma uma chaminé?

    Nota: para mais informações sobre ventilação natural de edifícios fica a seguinte sugestão: "Ventilação Natural de Edifícios de Habitação" da autoria de João Carlos Viegas, numa edição do LNEC de 2002.

    domingo, 14 de novembro de 2010

    Estruturas de Madeira ou Aço - qual o material mais resistente ao fogo?

    Quando pensamos em construir edifícios de madeira em Portugal é comum levantarem-se logo uma série de preocupações - algumas que noutros países parecem não existir. Pensa-se logo na sua durabilidade da madeira enquanto material de construção, mas pensa-se também no perigo de incêndio. Como associamos uma estrutura construída em madeira à lenha que queimamos nas nossas lareiras, o senso comum leva-nos a concluir que um edifício com estrutura em madeira resiste menos a um incêndio que as estruturas em elementos metálicos e de betão armado. Estas ideias podem estar muito longe da realidade, sendo que a física/química podem ajudar-nos a perceber os fenómenos associados aos incêndios em edifícios! Ora tomemos a as seguintes palavras em consideração.
    Grande Incêndio de Londres - Autor desconhecido
    Tal como em outros combustíveis sólidos, quando a combustão se inicia nos elementos de madeira esta decompõe-se em gases que alimentam as chamas. São as chamas que vão aquecer a madeira ainda não atingida e promover a libertação de mais gases inflamáveis. Isto continuamente até desaparecer o combustível que é a própria madeira. No entanto, ao contrário de outros materiais como o aço, a madeira tem baixa condutibilidade térmica. Esta propriedade dificulta a elevação da temperatura em zonas contíguas às que se encontram em combustão. Mas é devido à camada carbonizada (que tem cerca de 1/6 da já diminuta condutibilidade térmica da madeira maciça), que se produz quando um elemento de madeira arde, que se obtém uma extraordinária e improvável resistência destas estruturas ao fogo. A camada carbonizada impede a transmissão de calor para o interior dos elementos de madeira,  atenuando a propagação do fogo. Assim garante-se durante muito mais tempo a estabilidade estrutural dos elementos em madeira durante a deflagração de um incêndio. Seguramente que todos já vimos florestas que arderam e onde as árvores se mantiveram de , tendo sido apenas chamuscadas e ardido exteriormente. 

    Então, veja-se como são afectadas e qual o comportamento dos matérias mais tradicionais  considerando a sua resistência ao fogo. Durante um incêndio, as temperaturas atingem mais do que 1000°C. Entretanto, o aço, a 500°C, já perdeu 80% de sua resistência, enquanto o betão começa já a perder resistência a partir dos 800°C. A madeira, mesmo a altas temperaturas, conserva durante algum tempo uma secção residual bem significativa que se mantêm a temperaturas baixas, mesmo a pequena distância da zona em combustão, e que conserva as propriedades físicas inalteradas. No entanto, quer o betão quer o aço podem receber tratamentos que lhe confiram propriedades de resistência ao fogo tão ou melhores que as da madeira. 
    Agora que o Inverno se avizinha e que as lareira começam a queimar as primeiras madeiras, será caso para podermos constatar como algumas peças de madeira demoram horas e até mesmo dias a serem consumidas pelo fogo. Se pensarmos que esse tempo todo, caso façamos a extrapolação para um edifício, pode ser fundamental para evacuarmos os utilizadores de um determinado edifício aquando dum incêndio, podemos dizer que as estruturas de madeira podem ter, mais até que as de betão armado e metálicas correntes, grande resistência ao fogo – sendo que a resistência ao fogo se afere tendo em conta o tempo que a estrutura se mantêm estável.


    Fontes: Projecto de Estruturas de Madeira - Amorim Faria e João Negrão; Apontamentos teóricos da disciplina de “Estruturas de Alvenaria e madeiras” de 2008 do curso de Engenharia Civil ministrado na ESTG - IPL

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