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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

La Rochefoucauld: o filósofo do século XVII que dava bons Tweets

François VI de La Rochefoucauld - Théodore Chassériau
Fonte: https://commons.wikimedia.org/

La Rochefoucauld foi um pensador Francês do século XVII. É pouco conhecido na atualidade, talvez porque produziu obras pequenas e compostas de frases custas, segundo um estilo de escrita chamado de aforismos, típicos da sua época e contexto social. Mas se estudarmos a sua obra, que pode ser lida frase a frase - que é como quem diz pensamento a pensamento - ou de seguida, percebemos que não é por ser simples que é menos relevante para a história do pensamento ocidental. Aliás, são essas mesmas caraterísticas que tornam La Rochefoucauld incrivelmente atual. A sua obra resulta da vivência dos salões, espaços que eram suportados por mecenas da alta nobreza francesa, onde se promoviam encontros regulares de intelectuais para debates constantes, mas que deveriam ser agradáveis formas de entretenimento cortês. De pouco servia ler e expor complicadíssimas teses nesses espaços. Ninguém estaria disposto a isso na maior parte do tempo. Procurava-se ativar a mente com temas profundos, mas abordados de modo imediato e cativante. La Rochefoucauld foi mestre nessa arte, expondo a essência dos seus pensamentos em expressivas frases cheias de múltiplos significados. Vejamos algumas delas, retiradas da sua obra “Máximas e Reflexões Morais” (1) que o site Citador (2) nos traduziu e disponibiliza online:

O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram.”

Há falsidades disfarçadas que simulam tão bem a verdade, que seria um erro pensar que nunca seremos enganados por elas.”

Não devemos julgar os méritos de um homem pelas suas boas qualidades, e sim pelo uso que delas faz.”

A virtude não iria tão longe se a vaidade lhe não fizesse companhia.”

Os homens não viveriam muito tempo em sociedade se não fossem enganados uns pelos outros.”

No entanto La Rochefoucauld nem sempre foi e é considerado como filosofo, exemplo disso é o Dicionário de Filosofia, da autoria de Noella Baraquin e Jacqueline Laffitte, editado pela Edições 70, onde o nome do autor não consta (3). Para os mais ortodoxos, La Rochefoucauld não é um filosofo, talvez apenas um escritor, um moralista e até humorista. Mas porque não pode a filosofia ser feita com humor e uma certa informalidade? Se o objetivo da filosogia é ativar a mente humana para as questões da existência e transcendia, porque não usar uma abordagem mais descontraída e divertida? Apesar de poder parecer estranho, a obra de La Rochefoucauld teve influência em Nietzsche, especialmente em “Humano Demasiado Humano”, sendo o único dos autores francês da época dos salões a que o famoso filosofo alemão dava crédito (5).

É certo que La Rochefoucauld na sua filosofia não cria uma superestrutura do seu próprio conhecimento, nem um sistema filosófico complexo, cheio de referências a outros filósofos, a conceitos que ele próprio inventa ou refuta para gerar tentativas de solução últimas. Em vez disso sintetiza o seu pensamento em cadeias de frases que podemos agrupar por temas, mas que nem por isso nos induzem a pensar menos. 

A técnica dos aforismos é incrivelmente atual nos dias que correm, sendo massivamente utilizada nas redes sociais, especialmente no Twitter e Facebook. O domínio desta arte de comunicar é importantíssimo para quem quer ter muitos seguidores, comentários, gostos e partilhas. Como seria um La Rochefoucauld dos dias de hoje? Seria um mestre das redes sociais? Vemos a sua influencia sempre que pegamos no smartphone. São imensos os conteúdos rápidos e imediatos, que tentam ir fundo na condição humana. Uns fazem de modo displicente, outros aprenderam com La Rochefoucauld, mesmo sem saber.

Vale também a pena ver o seguinte vídeo de “The School of Life” sobre La Rochefoucauld:


Referências bibliográficas:
2 – Citador. François, Duque de La Rochefoucauld. Consultado em 29 de outubro, disponível em: http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/francois-duque-de-la-rochefoucauld
4 - Faber, Marion (1986). The Metamorphosis of the French Aphorism: La Rochefoucauld and Nietzsche. Comparative Literature Studies (2) Vol. 23, No. 3 (Fall, 1986), pp. 205-217

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Memes: uma oportunidade para falar de assuntos chatos

Os memes não são novos, mas só recentemente os descobri como forma de abordar assuntos de nicho, por vezes aborrecidos e que apenas cativavam o interesse de uma minoria. 

Fonte da imagem: https://www.teepublic.com/t-shirt/2228561-funny-philosophy-immanuel-kant-internet-meme

Mas então o que é um meme? De forma simplificada podemos dizer que é uma imagem à qual se acrescenta um texto, habitualmente com o intuito humorístico. Estes memes têm sido muito utilizados, nos mais diversos contextos e para uma variedade imensa de assuntos. São espalhados online, através das redes sociais. Podem ser virais nessa disseminação. São de fácil e imediata leitura, pela redução de texto e importância dada à imagem como meio de comunicação quase instantâneo. Podem ver aqui alguns dos melhores memes de sempre (1).

O termo meme surgiu no livro “O Gene Egotista” de Richard Dawkins, sendo algo análogo aos genes, mas para a memória. Segundo Dawkins um meme é “uma unidade cultural de transmissão cultural por imitação” (2) (3). Ou seja, uma unidade mínima de informação que se podia alojar de cérebro para cérebro, usando os mais diversos e variados formatos de comunicação. Parece um conceito algo esotérico, mas tem uma originalidade tão grande que ficou no imaginário coletivo, especialmente depois de ter sido utilizado na nova tendência de criação de imagens, com textos colados por cima, de modo a fazer humor.

A novidade, mais ou menos recente, consiste na utilização destes memes em assuntos mais pesados. Podemos encontrar imensos memes sobre história, arte, política e filosofia. Mesmo nos recônditos mais pesados e sérios da filosofia, naqueles autores e conceções mais complexas, podemos encontrar um meme que simplifica e abre a porta à tangibilidade daqueles conteúdos para o comum dos mortais. 

Assim os memes estão a ser utilizados para introduzir temas que anteriormente podiam se vistos como chatos e desinteressantes. Há autênticas obras de arte do pensamento conceptual em alguns desses meses, só possíveis por conhecimentos profundos das matérias em causa, amplificados por um acutilante sentido de humor. 

Então e vocês, que memes conhecem?

Alguns links sobre memes filosofia:
https://www.reddit.com/r/philosophy_memes/
http://dailynous.com/2018/01/22/philosophy-memes-tomas-bogardus/
https://www.tumblr.com/tagged/philosophy-meme

Referências bibliográficas:
(1) Thellist Enternaiment (2018), “The 100 greatest memes ever”, disponível em: https://www.thrillist.com/entertainment/nation/best-memes-of-all-time
(2) Asian, Erhan (2018). “The surprising academic origins of memes”, disponível em: http://theconversation.com/the-surprising-academic-origins-of-memes-90607
(3) Dawkins, Richard (2014). “Memes”, Oxford Union, disponível em: https://youtu.be/4BVpEoQ4T2M

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pais Desesperados – Uma série de proximidade cultural

Fais Pas Ci, Fais Pas Ça” é uma série de sucesso em França que está neste momento a ser exibida em Portugal na RTP2. Trata-se de humor, do tipo sitcom, sobre famílias.

Até aqui tudo normal. Mas é dessa normalidade que a sua exibição em Portugal se torna original. São imensas as séries de humor e muitas as que tratam temas da família, sendo a esmagadora maioria delas de origem americana. Embora essas séries tenham qualidade, ou mesmo muita qualidade, os enquadramentos, os valores, cultura e identidades que transmitem não têm a devida correspondência com a sociedade Portuguesa. Mesmo com os processos de mundialização mais que enraizados há coisas que continuam a ser estranhas, que nada têm que ver que a cultura portuguesa ou sequer europeia. Por exemplo, a dicotomia Este/Oeste, Democratas/Republicanos, os desportos, o Dia de Ação de Graças e o peru no natal, os subúrbios de casas em madeira, as armas livres e a proibição do álcool até aos 21 anos não encaixam.
 
Esta série francesa, por outro lado, aproxima-se muito mais da nossa realidade. Quer queiramos quer não, a cultura francesa é muito mais próxima da portuguesa. Tratando a série de assuntos da lide social e familiar estas proximidades tornam a série muito mais interessante. Notamos as referências ao catolicismo cultural, ao futebol, às cidades de organização europeia, ao sistema de ensino e saúde públicos, à política da União Europeia, à dicotomia Esquerda / Direita, o multiculturalismo e conflitos religiosos, as relações familiares e etc. Todas essas coisas, e muitas outras que obviamente não posso aqui citar, enquadram a serie na cultura europeia e assim aproxima-a da nossa, a portuguesa.
 
A série tem imensas referências hilariantes À vida privada familiar, especialmente nos diálogos e suas subtilezas, coisas que podiam e acontecem nessas famílias por ai fora. Recorre a um humor inteligente, bem enquadrado socialmente sem temer entrar em temas da religião, política, desigualdades sociais, racismo e outros que, por vezes, são deixados de fora para garantir alguma neutralidade não ofensiva.
 
Por isso, se quiserem ver uma série onde se podem identificar aqui têm a sugestão: Fais Pas Ci, Fais Pas Ça (Pais Desesperados).

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Boca do Inferno – Leituras de história contemporânea


Ler as crónicas de Ricardo Araújo Pereira é arriscar várias coisas. Primeiro, arrisca-se a ler algo escrito em bom português, com uma pontuação, construção frásica e recursos gramaticais impecáveis. Depois, e como é expectável, arrisca-se o sorriso e o riso, ou, para outros, aquela associação bem-humorada que diverte mas que fica guardada no pensamento individual, sem quaisquer manifestações físicas externas – admito que esse é mais o meu caso.

Mas o que me leva a escrever este texto não é nenhum dos dois casos anteriores. O que me motiva a invocar aqui os livros das crónicas “Boca do Inferno” é o seu potencial histórico. Quando peguei no último livro destas crónicas (o 3º no caso em questão), dei por mim a ler as crónicas de uma época passada, daquilo que era a actualidade na altura. Não sei se podem considerar como documentos históricos. Isto porque são crónicas subjectivas de humor, e porque o autor não é obrigado a nenhuma metodologia de criação de conhecimento histórico – embora Paul Veyne diga que a história não tem método. Ricardo Araújo Pereira não esconde os seus gostos e preferências, o que é aceitável e até útil já que se tratam de artigos de opinião. No entanto, por as fazer sobre temas de importância geral contemporânea – na maior parte dos casos – acaba por fazer uma súmula da história recente. Basta pegar nos livros, e se os lermos de seguida, vamos recordar episódios históricos recentes, e vamos fazê-lo de um modo leve e agradável, pois a motivação é a busca pelas interpretações humorísticas do autor. Assim, Ricardo Araújo Pereira faz, talvez sem intenção, bastante pelo desenvolvimento da história contemporânea nas suas obras “A Boca do Inferno”, pois faz-nos recordar a história (no sentido lato do termo) dos últimos anos. E, com as suas opiniões, contribui para que construamos a nossa, interpretando a história recente. Pelo menos não há o risco de sermos ocultamente direccionados para uma determinada prespetiva mascarada de imparcialidade, pois nisso não há dúvidas. Ricardo Araújo Pereira é tudo menos imparcial.
Importa não esquecer que a análise histórica da antiguidade se faz recorrendo também aos cronistas da época, e, que em muitos casos, será difícil saber quais desses escritos constituem provas incontestáveis do que realmente aconteceu. Nunca saberemos, em muito deles, se são de facto imparciais.

domingo, 7 de abril de 2013

Um gole para ler os "Contos do Gin-Tonic"

Porque o surrealismo não é só uma expressão plástica, não é uma coisa só passado - mais concretamente, do início de século XX -, e porque também tivemos os nossos casos nacionais, hoje trago aqui um excerto de uma recomendação literária feita por um amigo. Quando me foi emprestado para ler achei estranho o título do livro em causa. Só depois percebi que era uma colectânea surrealista de poemas, prosas, descrições, diálogo e devaneios, sempre regados de um humor, por vezes, desconcertante. Na amalgama, que aparentemente parece composta sem nexo, há mensagens dissimuladas e outras mais ou menos evidentes. Não seria de esperar outra coisa, pois a obra nasce ainda durante a ditadura do Estado Novo. 
No entanto, a pesar de tudo, quando muito do que está escrito nos "Contos do Gin-Tonic" parece fazer pouco sentido, podemos especular se o autor teria ou não bebido uns copos a mais. 


Dois limões em férias - António Dacosta

Deixo aqui um curto excerto, somente para dar uma ideia e abrir o apetite, tal como fui aliciado quando me emprestaram o livro:

"Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia."


Bem... Digam lá que não sentem que precisam de um copo?

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Sentido da Vida (em 10 segundos)

Neste texto que será curto, pois a referência é igualmente muito curta - demasiado curta para tudo o que na história da humanidade se desenrolou em torno dessa grande questão. A justificação destas palavras impõem-se para referir um daquelas momentos ímpares do cinema, num filme, mas mais concretamente num sketch, onde os Monty Python resumem em 10 segundos qual o sentido da vida, depois de terem feito uma viagem de mais de 100 minutos tentando satiricamente tratar a nossa Humanidade.
Então, segundo os Monty Python, o sentido da vida é "viver bem", e para isso:

"Tentem ser bons para os outros, evitem comer gorduras, leiam um livro de tempos a tempos, façam algumas caminhadas, e tentem viver em paz e harmonia com todos os credos e nações"


Apesar de ser um filme que vi já muitas vezes, e um dos mais estimados da minha cinemateca, foi no livro "Heidegger e um Hipopótamo Chegam às Portas do Paraíso", de Daniel Klein e Thomas Cathcart ,que voltei a recordar este sketch. Nessa obra única, onde se mistura a Morte com a já difícil mistura de Filosofia e Humor,  refere-se, depois de várias alusões às posições e correntes de muitos filósofos, que o sentido da vida pode ser algo bem simples, tal como sumariaram os Python.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Estupidez Humana – Um Ensaio de Cipolla


Lidamos diariamente com a estupidez, pelo menos não temos qualquer problema em, na mais ingénua e despreocupada das análises, classificar e adjetivar comportamentos e ações como sendo estúpidas. Ao enveredarmos por esses ajuizamentos podemos cair, paradoxalmente (ou não), na estupidez. Por mais simples que possa parecer, distinguir entre a estupidez e não estupidez nem sempre é fácil. Pois, nem sempre temos todos os dados, todas as informações e todo o discernimento para tais aventuras cognitivas. As nossas limitações e enviesamentos são muitos, com o pensamento imediato – útil mas por vezes estúpido – a ganhar a melhor perante o sistemático e aprofundado (1) – tendencialmente mais preguiçoso.
Ego - De Chirico
Por tudo isso, e por muito mais, o curioso ensaio de Carlo M. Cipolla intitulado de “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana” ganha um particular interesse. Essa obra, tendencialmente bem-humorada, sarcástica, irónica, caustica e crítica tenta simplificar e sistematizar, de um ponto de vista utilitarista, a estupidez humana. Assim, é quase um escrito de intervenção social, conceptual.
Cipolla defende que a estupidez humana é uma caraterística universal, que afeta todos os grupos humanos de igual modo e em igual proporção. O autor dividiu a humanidade, principalmente segundo as ações de influência económico-sociais (privilegiando os efeitos das relações entre indivíduos), em: Ingénuos; Inteligentes; Bandidos; e Estúpidos. Essa divisão é feita através de uma análise custo-benefício, um excelente princípio e ferramenta para quantificar caraterísticas difíceis de quantificar e avaliar.
Passo apenas a citar então, tento em conta as quatro divisões anteriores, a definição que Cipolla dá aos estúpidos (2): “Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso". Segundo esses mesmos princípios, então os Ingénuos seriam os se prejudicam a si próprios mas trazem ganhos aos outros (2). Os Inteligentes seriam os que trazem ganhos a si e aos outros (2). Por fim, os Bandidos traziam ganhos próprios à custa de prejuízos para os demais (2).
As quatro categorias, aplicando-as a um gráfico de dupla escala ortonormado cartesiano (com um eixo a representar os ganhos próprios e o outro os custos ou danos), definem quatro quadrantes. Assim, de um modo muito simples – talvez até demasiado simples, mas mais que adequado pois trata-se de um ensaio tendencialmente humorístico, não científico e exaustivo -, recorrendo a geometria básica, catalogam-se os comportamentos da humanidade, e seus efeitos. Esta construção e ordenação seria de extrema utilidade caso a estupidez se conseguisse evitar, pois, tal como a define o autor, ser estúpido resulta, de um modo absoluto, na introdução de perdas na Humanidade, vista como um sistema económico-social onde se podem considerar as várias facetas da humanidade. 
O livro “Allegro ma non troppo” contém ainda um divertido ensaio sobre a história da Europa, tendo o gosto, consumo e busca pela pimenta como força motriz dos principais acontecimentos. Mas é na segunda parte, no ensaio sobre a estupidez que a obra ganha uma outra vertente. Não se podendo obrigar ninguém a ler ou a apreciar as letras – e ainda bem -, pelo menos pode-se sugerir. Desse modo, recomendo fortemente a leitura deste livro, especialmente porque estes pequenos excertos de “As leis fundamentais da estupidez humana” são apenas partes de um texto muito mais divertido e rico. Estupido será, podendo, não ler… Pois, é imensa a nossa capacidade para ignorar a nossa ignorância (1), ou estupidez… Neste caso (2), ignorar a estupidez, pode ser extremamente danoso, especialmente para os outros!

Referências Bibliográficas
1 –Kahneman, Daniel. “Pensar, Depressa e Devagar”. Temas e Debates, 2012
2 – Cipolla, Carlo M. “Allegro ma non troppo – seguido de as leis fundamentais da estupidez humana”. Edições Textografia, 2008.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Teoria do Big Bang - uma série de humor

Nos últimos anos a quantidade de séries televisivas tem crescido quase exponencialmente. Pode-se dizer que hoje as há para todos os gostos e feitios, que temos ampla escolha para todos os géneros e tipos. Dessas séries muitas são as de humor, especialmente as que poderemos classificar como “sitcoms” (a abreviatura em inglês de “comédia de situação"), por retratarem ou terem como ambiente de fundo um grupo específico – família, amigos, local de trabalho, etc. Das muitas sitcoms que vão correndo haverá também oferta para quase todos os gostos, com vários tipos de humor e com diferentes ambientes temáticos e humanos. 
Como aqui o blogue tem como objetivo principal divulgar saberes e conhecimentos – obviamente sempre tendo em conta a limitação do autor (eu próprio) – há uma dessas séries que tenho de registar aqui neste espaço, que só quase pelo nome justificaria a referência. Falo da série, ou sitcom, “The Big Bang Theory”, da autoria de Chuck Lorre e Bill Prady. A situação que faz esta sitcom é provavelmente o que a torna tão especial. O Ambiente humano é o de um grupo de amigos, investigadores de vanguarda da física, da astrofísica e engenharia espacial e de uma vizinha vistosa, aspirante a atriz. Ambiente curioso, muito mais “interessante” se considerarmos que os investigadores, aos olhos de muitos, poderem ser considerados verdadeiros cromos (“nerds” ou “geeks” no calão anglo-saxónico), por viverem num mundo de ficção cientifica, colecionismo e jogos, como óbvias repercussões nas suas capacidades de interagir com o sexo feminino. Só por ai existe imenso potencial humorístico.
Mas o que torna mesmo interessante esta comédia é o tipo de humor empregue, com doses maciças de sarcasmo, ironia, e alusões surreais, misturadas como imensos termos e explicações cientificas – de praticamente todas a ciências. Estes saberes avulsos são a pitada de originalidade que eleva o interesse em torno da série em si. Pois, mesmo não sendo a razão de ser do programa, acabam por transmitir de facto conhecimentos e despertar curiosidades para se procurar saber aquilo que as personagens, em situações surreais, absurdas e tremendamente divertidas disseram ou fizerem!
As relações humanas, as improváveis entre pessoas de "mundos diferentes" são também a alma e essência desta criação humorística. Não será difícil refletir sobre os mecanismos, hábitos e características dos grupos sociais cruzados nos vários episódios, através das várias personagens.
A quase ode, em jeito de brincadeira/homenagem, ao mundo dos "nerds", "geeks", totós ou o que se quiser chamar às "personagens tipo"dos protagonistas da série "Teoria do Big Bang", merecem uma respeitosa consideração - sem qualquer sarcasmo. Aqui está uma série de humor, ciência e relações humanas a não perder!

sábado, 22 de outubro de 2011

País ou Estado mais pequeno do mundo?

Numa recente conversa à mesa, discutia-se entre amigos qual o país mais pequeno do mundo. A discussão começou por centrar-me mais naquilo que distinguia um País de um Estado. Nem sempre a distinção entre estes dois conceitos é óbvia – os pratos e talheres foram nossas testemunhas -, pois o termo País pode ser utilizado para nomear um Estado ou outra Entidade Política – por exemplo federação de Estados. De um modo simplista e pragmático, País e Estado podem ser consideramos a mesma coisa, se assim forem considerados por outros países e estados - o risco de paradoxo aqui é evidente, pois caso ninguém reconhecesse outrem não existiriam Países ou Estados. Confuso (1)(2)! 
Para ser mais simples ainda, apesar dos termos poderem significar a mesma coisa, um Estado relaciona-se mais com o governo e o país com o espaço territorial (3), ou seja, Estado com a dimensão política e País com a geográfica (4). Apesar desta distinção, política e geografia aparecem muitas vezes relacionadas uma com a outra: a política (no sentido da organização e gestão de sociedades humanas) relaciona-se ou acontece para ou numa determinada geografia e a ocupação humana e exploração dos recursos partem sempre de um tipo de política, por mais simples que seja.
Estas simples explicações, ou até talvez mesmo ingénuas, servem para a introdução àquele que é o propósito deste texto: Estado ou País mais pequeno do mundo. O Estado ou país – neste caso discutível para alguns - oficial mais pequeno do mundo será o Vaticano. Mas existe um, ainda que não sendo reconhecido por outros Estados ou países, que consegue ser ainda mais pequeno que o Estado Pontífice; falo de Sealand.
Sealand situa-se no Mar do Norte mas não é uma ilha, nem sequer tem terra, rochas ou areias. Sealand é uma plataforma militar marítima construída durante a 2º Guerra Mundial como posto avançado para prever e prevenir os ataques alemães, tendo sido no final da guerra utilizada como apoio ao ataque continental do Aliados às forças nazis que ocupavam a Europa continental (5)(6). Mas é depois da guerra, e de ser abandonada pelos ingleses, que a história desta antiga plataforma – intitulada até 1966 de Rough Towers - ganha contornos de excentricidade, um tanto ou quanto burlesca.
Em 1967 a estrutura é ocupada por Roy Bates, alguns familiares e amigos. Baytes autonomeou-se príncipe, constituindo assim o principado de Seland. Desde então começou a emitir passaportes e selos de correio, criou uma constituição, um hino e uma bandeira, tendo até cunhado dólares de ouro e prata (5)(6). Esta bizarria só foi possível de manter por a plataforma hoje estar fora das águas territoriais inglesas, a umas meras 3 milhas.
Mais haverá para contar sobre sealand, mais casos caricatos: chegou a ter um golpe de estado - encetado por um alemão - e de um terrível incêndio. Até a crise financeira passou por Sealand, com o príncipe herdeiro disposto a vender o seu principado (5).
Mesmo com todos os esforços dos seus governantes, Sealand não é considerado um país ou Estado de facto, pois nenhum outro o reconheceu como tal.

Referências e Notas:
(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado
(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs
(3) Definição de Estado: Nação organizada politicamente. Fonte: Infopédia, disponível em http://www.infopedia.pt/pesquisa-global/Estado
(4) Definição de País: - espaço demarcado por fronteiras geográficas e dotado de soberania própria; estado; nação. Fonte Infopédia, disponível em http://www.infopedia.pt/pesquisa-global/Pa%C3%ADs
(5) http://pt.wikipedia.org/wiki/Sealand
(6) http://www.sealandgov.org/

terça-feira, 1 de março de 2011

A noite dos Mortos - um documentário de "nuestros hermanos"

"Dia dos Mortos" é o título de um documentário espanhol que passou no Canal de História - um exemplo de documentário de boa qualidade não anglo-saxónico que por lá vai aparecendo. Este trabalho documental apresenta alguns eventos históricos e heranças culturais em torno da Morte e da criação e um dia (e noite) a ela dedicada. Na "Noite dos Mortos" envereda-se, através de uma retrospectiva histórica dos costumes, por tentar transmitir qual o significado e impacto que a Morte teve, e ainda tem, no imaginário individual e colectivo, no modo como esse medo/fascínio foi moldado e moldando as sociedades ao longo dos séculos até às tradições de hoje. As celebrações em torno da Morte variaram e alteraram-se conforme a cultura ou a religião dominante num determinado período histórico/sociológico. O documentário trata o tema tendo principalmente as terras da Espanha (da actualidade) como pano de fundo, mas acaba também por permitir tecer alguns paralelismos com a nossa realidade [portuguesa] e até com todos os restantes países Ocidentais.
O Jardim da Morte - Hugo Simberg
 Vamos à Historia e as histórias propriamente ditas sobre a Morte. O documentário começa por referi a herança celta. O dia 1 de Novembro era o dia de ano novo celta - Samhain - o , onde terminava o ano da luz (Primavera e Verão) e começava o ano  das trevas (Outono e Inverno). Nesse dia consultavam os antepassados, através de médiuns para pedir conselhos. Ao que parece, pelo menos em Espanha (havendo há provas escritas da idade média), faziam-se nessa noite cabeças de nabo com velas no interior para assustar os desprevenidos da noite e as crianças iam em grupo pedir comida às casas dos vizinhos. Dai a relação com o actual Halloween. Quem nunca viu estes costumes, ainda que seja com abóboras, num filme made in USA?
Mais tarde, com o advento do cristianismo, depois das perseguições do século IV, por parte do imperador Diocleciano, e por terem morrido tantos mártires pela sua fé, criou-se um dia para os honrar a todos - na prática não havia já dias de calendário para tantos santos. Criou-se assim o dia de Todos os Santos, na altura celebrado no dia 13 de Maio. No entanto, no século VIII o dia de todos os santos passa a celebrar-se no dia 1 de Novembro, isto com o claro objectivo de suplantar e acabar com a importante e popular celebração celta Samhain, anteriormente descrita. Esta "usurpação" foi muito semelhante ao que aconteceu no dia 25 de Dezembro (ver mais aqui).

À medida que o documentário vai rolando vão sendo referidas muitas tradições associadas ao culto da morte que ainda se praticam por Espanha nos nossos dias. Uma delas parece-me digna de referir por ser verdadeiramente bizarra. Na localidade galega de As Neves todos os anos se realiza uma procissão em honra de Santa Marta Ribarteme, que acontece em 29 de Junho na localidade galega,  onde, desde o século XVIII, pessoas que passaram por experiências de quase-morte desfilam em caixões abertos como pagamento de promessas.

Mas nem tudo é mórbido neste documentário. Aliás, eu diria até que o documentário de mórbido tem pouco, pois está elaborado de tal modo que o tema, apesar de sério e potencialmente pesado, acaba por se tornar leve e agradável, mesmo para os mais susceptíveis. Será algo que espanhóis conseguem mas que aos portugueses fica vedado por estarmos tão habitados a fados e a um modo melancólico de ver a vida e a morte?

Vejam-se então alguns exemplos de epitáfios gravados em lápides que se podem encontrar pelos cemitérios de Espanha, comprovando o bom humor (negro) de "nuestros hermanos":
•    "que conste que eu não queria";
•    "estou aqui contra vontade";
•    "estou morto, volto já";
•    "o meu ultimo desejo: vão-se lixar";
•    "aqui jazes e fazes bem, descansas tu e eu também";
•    "perdoem que não me levante";
•    "volto mais tarde";
•    "quando nasci todos riam e eu chorava, quando morri todos choravam e eu ri - é o que dá a marijuana";

Créditos do documentário "A Noite dos Mortos":
Produtor - Pedro Lozano,
Produção - Maureen audetto
Acessória histórica - Mercedes rico
Câmara e fotografia - Sergio acero e David Arasa
Guião e realização - Regis Francisco López

domingo, 17 de outubro de 2010

10000 e tal visitas - mais um motivo para celebrar

Ainda me lembro de, recentemente, ter festejado aqui as 5.000 visitas ao blogue. Na altura para assinalar o acontecimento fiz reviver a nossa antiga moeda - o escudo - através de imagens das três versões das notas de 5.000 escudos - numa clara alusão ao número de visitas em causa.
Agora que o contador de visitas registou mais de 10000 - valor que terei de confiar que é certo - irei de novo celebrar o atingir de mais um marco significativo de visitas. Como ainda se fizeram notas de escudos com a quantidade de 10.000 volto a usar o dinheiro para a celebração, não pelo valor monetário mas pelo valor que essas notas têm enquanto criações de arte e design (e até de divulgação histórica pelas personalidades que usam) para os usos da compra e venda. 
Recentemente também a República portuguesa fez 100 anos. Se não tivéssemos aderido ao Euro também o Escudo - enquanto moeda nacional - faria 100 anos. Só espero que a República continue a persistir sem definhar - a não ser que se descubra uma melhor forma de governo - seja qual for a moeda que usemos, pois o dinheiro é só dinheiro e a republica seguramente vale mais que isso - pelo menos ideologicamente de um ponto de vista ideal (redundâncias à parte).
Nota de 10.000 escudos de 1989 em honra do Dr. Egas Moniz
Nota de 10.000 escudos de 1996 em honra do Infante D. Henrique
Obrigado a todos pelas visitas e comentários com que têm enriquecido esta "Busca". Contarei de futuro com eles [visitas e comentários] para continuar a valorizar aqui o blogue, pois, por mais notas que queira usar de futuro para comemorar o número de visitas, só mesmo um cheque servirá para simbolizar as quantidades de visitas que ainda espero ver o blogue alcançar. Tentarei evitar passar cheques, pois temo que possa passar involuntariamente um careca de conteúdos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Livro: Platão e um ornitorrinco entram num bar...

 Trago aqui mais um livro de filosofia e humor, desta vez uma edição da Dom Quixote, que tem um curioso título, ora veja-se o nome: «Platão e um Ornitorrinco entram num bar… - filosofia com humor». Thomas Cathcart e Daniel Klein (ambos licenciados em filosofia) criaram uma obra singular. Nela introduzem os grandes temas da filosofia com algumas curtas explicações e explanações mas sempre com anedotas a elas associadas. Trata-se de uma forma bem leve e divertida de fazer uma introdução à introdução da filosofia. Não é de estranhar que o livro faça parte do Plano Nacional de Leitura pois é bem capaz de desmistificar e seduzir jovens e graúdos para a curiosidade pela filosofia.

Deixo então aqui algumas das piadas utilizadas, respectivamente categorizadas segundo os temas filosóficos que tratam.

Metafísica (Racionalismo)

O optimista diz «o copo está meio cheio»
O pessimista diz: «o copo está meio vazio»
O racionalista diz: «o copo tem o dobro do tamanho necessário»

Lógica (argumento indutivo por analogia)
Três estudantes de engenharia estão a debater que tipo de Deus terá concebido o corpo humano. Diz o primeiro:
- Deus deve ser um engenheiro mecânico. Reparem em todas as articulações.
- Eu acho que Deus deve ser um engenheiro electrotécnico. O sistema nervoso tem milhares de ligações eléctricas – defende o segundo.
- Na verdade, Deus é um engenheiro civil. Quem mais passaria um tubo de desperdícios tóxicos através de uma área recreativa? – diz o terceiro.

Ética (virtude platónica)
Numa reunião de faculdade, um anjo aparece inesperadamente e diz ao chefe do Departamento de Filosofia:
- Conceder-te-ei qualquer uma das três bênçãos que escolheres: Sabedoria, Beleza… ou 10 milhões de dólares.
O professor escolhe a Sabedoria sem qualquer hesitação.
Vê-se um clarão de um relâmpago e o professor parece transformado, mas continua sentado a olhar para a mesa.
Um dos colegas sussurra:
- Diz alguma coisa.
- Devia ter pedido o dinheiro – diz o professor.

Ética (o imperativo categórico supremo e a velha regra de ouro)
«não faças aos outros o que gostarias que eles te fizessem; eles podem ter gostos diferentes»

Filosofia da Religião (distinções teológicas)
Um homem chega às portas do céu e São Pedro pergunta-lhe:
- Religião?
- Metodista – responde o homem.
São Pedro olha para a lista e diz:
- Vá para a sala 28, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
Outro homem chega às portas do céu.
- Religião?
- Baptista.
- Vá para a sala 18, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
Um terceiro homem chega às portas .
- Religião?
- Judeu.
- Vá para a sala 11, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
- Até posso compreender que haja salas diferentes para religiões diferentes – diz o homem -, mas porque é que não posso fazer barulho quando passar pela sala 8?
- As Testemunhas de Jeová estão na sala oito – explica São Pedro – e pensam que são os únicos que estão aqui.

Existencialismo
Duas vacas estão num campo. Diz uma para a outra:
- Que pensas sobre a doença das vacas loucas?
- Que me interessa isso? – diz a outra – Eu sou um helicóptero.


Filosofia da Linguagem (a filosofia da imprecisão)
Uma mulher de 80 anos entra na sala de convívio dos homens do lar de terceira idade. Ergue o punho o ar e anuncia:
- Quem adivinhar o que tenho na mão pode fazer sexo comigo esta noite!
- Um elefante! – grita um velhote ao fundo da sala.
A mulher pensa durante alguns instantes e responde:
- Resposta certa!


Agora para saber mais, incluindo as relações destas piadas e histórias engraçadas com a Filosofia e devida explicação por parte dos autores, nada como lerem toda a obra!.- coisa que se faz muito rapidamente!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Recordar uma música de Carlos Paião: Senhor Extra-terrestre (cantada por Amália Rodrigues)

No dia em que se assinalam os 22 anos desde o desaparecimento de Carlos Paião, trago aqui ao blogue uma música com letra de sua autoria e cantada por Amália Rodrigues. A música aqui em causa caracteriza-se por ser, no mínimo, bizarra. Parece inacreditável que a música intitulada de ‘Senhor Extra-terrestre’ possa ter sido escrita por quem foi, mas mais incrível é que tenha sido interpretada pela diva nacional.
Ainda - Júlio Resende
Mas, se retirarmos o literalismo à letra e a quisermos interpretar munidos de uma grande dose de sentido de humor – fica evidente que Paião e Amália também o tinham – podemos ver nesta música crítica e intervenção social bem-disposta.
Aqui fica o link para ouvirem esta verdadeira preciosidade: 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Significado e origem da palavra F.U.C.K.

Há alguns dias, a propósito da explicação do significado para a palavra XPTO aqui no blogue, interpelaram-me com a seguinte questão: Sabes o que significa a palavra FUCK? Ao que eu respondi – não faço ideia, provavelmente significa tudo menos o que me vem de imediato à memória. Segundo esse meu conhecido FUCK era uma sigla utilizada na idade média e que significava: Fornication under the consentiment of the king (Fornicação com o consentimento do Rei). Achei estranho mas aceitei aquilo como uma explicação possível pois nunca me tinha debruçado sobre esse significado. Posteriormente fui investigar o assunto e descobri mais uns quantos significados caricatos para a palavra FUCK enquanto sigla, entre eles [1]:
•    "File Under Carnal Knowledge"
•    "Fornication Under the Christian King"
•    "Fornication Under the Command of the King"
•    "Fornication Under Carnal/Cardinal Knowledge"
•    "False Use of Carnal Knowledge"
•    "Felonious Use of Carnal Knowledge"
•    "Felonious Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Full-On Unlawful Carnal Knowledge"
•    "For Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Found Under Carnal Knowledge"
•    "Found Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Forced Unlawful Carnal Knowledge

Mas parece que, de um ponto de vista etimológico, nenhuma destas siglas está na origem da palavra, constituindo todas elas mitos urbanos recentes [1][2]. Por mais caricatas, lógicas ou plenas de moral que estas explicações passam parecer, tal não justifica a sua veracidade.
Pequenos prazeres - Kandinsky
 Segundo as fontes consultadas [1][2] esta palavra é muito antiga, mais antiga que a própria língua Inglesa. A origem mais provável para a palavra está relacionada com os termos Germânicos e Escandinavos, sendo a relação linguística com as línguas mediterrânicas menos provável mas possível, pois foneticamente existem palavras semelhantes. Das línguas Indo-Europeias, que originaram o Germânico, vem o “fuk” que pode significar golpear ou atacar [1]. Também do Indo-Europeu vem o termo "peuk"que significa picar [2]. Sendo estas duas palavras as origens mais prováveis para a palavra aqui estudada. No entanto, quase todas as palavras associadas a fornicação, um pouco por todo Centro e Norte da Europa, apresentam grandes semelhanças entre si e com a palavra FUCK. Talvez seja essa a razão para a origem Indo-Europeia do termo. No entanto não há certezas absolutas da sua origem precisa, mas podemos, à partida, excluir o significado da palavra enquanto sigla, pois não há qualquer sustentação para tal.

Podemos concluir que a formação de mitos não é própria apenas do passado e de tempos onde grassava a ignorância e o reino do fantástico, mesmo actualmente muitos mitos se vão criando. A Internet vai criando e disseminando muitos desses mitos. Hoje, se queremos tentar chegar ao facto - um saber o mais próximos possíveis da verdade - temos de nos munir do entendimento e ferramentas de investigação que dissipem estes entraves mitológicos, quer sejam contemporâneos ou não.

Fontes bibliográficas:
[1] - http://en.wikipedia.org/wiki/Fuck
[2] - http://www.snopes.com/language/acronyms/fuck.asp

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma aula de Educação Sexual ao estilo "nonsense"

Em Portugal há alguns temas e assuntos que são recorrentes, cíclicos ou mesmo sazonais. Um deles é a educação sexual nas escolas. Para este tipo de discussões é arrastada a sociedade civil, com intervenientes tais como pedagogos, profissionais da área da saúde, pais, alunos, associações cívicas, o próprio Estado e até entidades religiosas, entre outras. 
Quanto a mim a discussão deve acontecer envolvendo toda a sociedade civil e o Estado de modo a que se possa chegar a uma solução que melhor sirva os interesses dos jovens, preparando-os para a vida sexual informada, consciente e responsável, eliminado preconceitos, tabus e tudo o que possa causar ou levar à desinformação, comportamentos de risco e infelicidade.
Amarelo, magenta e azul - kandinsky
 Mesmo sendo um assunto sério e de grande importância, pois é da saúde pública e da garantia de condições de vida, dignidade e felicidade dos cidadãos que se trata, gostaria de dar um toque de humor a este tema através de mais uma invocação de Monty Phyton.
Em 1983 os Monty Phyton incluíam no filme “O Sentido da Vida” uma rábula sobre uma aula de educação sexual. Óbvio que se trata de um episódio completamente "nonsense" como era apanágio do sexteto, mas que ao seu estilo acaba por nos fazer reflectir sobre o assunto, especialmente sobre os preconceitos e tabus que envolvem o tema das aulas de educação sexual. Este “sketch” é mais uma preciosidade de um Humor sem igual - que me arrisco a adjectivar de “intelectual” e “livre”. Provavelmente exageros de um admirador. 
Deixo ao vosso critério após a visualização do link para o vídeo que aqui se encontra divido em dois:



sexta-feira, 2 de abril de 2010

Humor na religião, um modo de estar em liberdade

Há quem afirme a plenos pulmões, para certos temas: "Com isso não se brinca". Essas posições defendem que se deve manter uma barreira, que jamais deve ser ultrapassada, entre o que realmente é sério e o que é humorismo.
Por outro lado há quem defenda que qualquer tema ou assunto é passível de ser parodiado. Mas a prudência pode sugerir que se definam limites, ainda que seja difícil saber onde os traçar. Ficamos sempre sujeitos à subjectividade pessoal, tal como de outras influências externas de vária ordem e natureza. Assim sendo, tal como deve haver respeito por quem não se quer envolver em paródias, também devem haver o respeito por aqueles que apreciam paródias mais vanguardistas. No fundo, uma separação onde se evite o choque de valores, mas que permita a interacção voluntária não agressiva a quem queira conhecer pontos de vista e ideias distintas. Tudo isto tendo em vista as liberdades individuais (crenças, expressão, associativismo, etc.).

A dança - Matisse
Em alguns casos, uma abordagem baseada no humor pode ser a mais frutuosa, especialmente quando se pretende passar uma mensagem ou despertar consciências. No entanto, o uso ou não do humor para tratar temas ditos ‘sérios’, controversos ou sensíveis (de acordo com as susceptibilidades de cada um), pode contribuir para uma mistura explosiva, resultando invariavelmente em intolerância e até mesmo em violência. Esse potencial negativo tende a ser agravado sempre que não se consideram, de um modo conjunto, os vários factores que influenciam o modo como se faz humor: meios e modo de transmissão; público-alvo; envolvente e contexto; bom senso e inteligência (intelectual, emocional, etc.) dos humoristas.
.
Este texto, um pouco vago, tem como objectivo tentar desmistificar o humor quando usado para abordar temáticas mais delicadas, neste caso: Religiões. Na revista “Courrier Internacional” do mês de Março surge um artigo, publicado originalmente no “El País”, da autoria de Juan G. Bedoya, intitulado de “Santa Gargalhada”, sobre uma obra lançada em Espanha que trata o humor e a religião. Nesta obra, crentes de várias religiões, e até mesmo ateus, contam anedotas sobre si próprios, sobre as suas tradições, valores, comportamentos e crenças. Deste modo é possível fazer humor com a religião, evitando a ofensa e cultivando um verdadeiro espírito de tolerância.
De seguida, alguns exemplos das anedotas que constam do artigo original, organizadas por grupos, religiões, movimentos ou filosofias de vida.

Judeus
“Um filho pergunta ao pai:
- Pai o que é a ética?
O pai, comerciante, responde:
A ética é o seguinte: Imagina que entra uma cliente na loja, compra umas calças de ganga que custam 50 €, engana-se, dá-me uma nota de 100 € e vai-se embora. A ética é: conto ao meu sócio ou não?”

Cristãos
“Três padres conversam sobre os problemas que têm com os morcegos nas suas respectivas igrejas e as maneiras de os afugentarem.
O primeiro diz:
- Peguei numa espingarda e crivei-os de tiros, mas a única coisa que consegui foi encher as paredes de buracos.
O segundo diz:
- Eu pus veneno e desapareceram, mas depois voltaram.
O terceiro, a sorrir, diz:
- Eu tenho a solução. Baptizei-os, fi-los membros da igreja e falei-lhes da dízima. Nunca mais voltaram.”

“Uma senhora de muita fé estava a ler o jornal e diz:
- Este conflito na Palestina! Estes Judeus e Muçulmanos…! Porque não resolvem as coisas como bons cristãos?”

Zen
“Perguntaram a um monge zen:
- Mestre, diga-me: o que há depois da morte?
- Não sei. Responde o sábio.
Pensámos que o senhor era sábio…
Sábio talvez, mas morto não.”

Ateus
“Dois ateus encontram-se. Diz um deles:
- Estive um dia destes na biblioteca e li um livro intitulado A Bíblia.
- Ah sim? E é sobre o quê?
- Pois olha, é sobre um tal Jesus que tinha um amigo chamado Lázaro. Um dia, estava ele a viajar, o tal amigo morre. E quando Jesus voltou à aldeia, o ta Lázaro estava enterrado há três dias. Vai daí, Jesus abre o sepulcro toma-lhe o pulso, procura respiração, faz-lhe massagem casdíaca, experimenta um desfibrilhador, chama a ambulância, leva-o rapidamente para um hospital, põe-no a soro e.. amigo ressuscita!
Diz o outro:
- Não acredito!
Caramba! Estou-te a explicar tal qual está no livro…”

“O bispo chama um padre de aldeia e repreende-o:
- Celebrares missa com calças de ganga em vez de sotaia… não faz mal! Que uses camisas havaianas… passa! Que prendas o cabelo num rabo-de-cavalo… não comento! Que uses brinco… consigo suportar! Que uses um piercing no umbigo… fecho os olhos! Mas esta agora não tolero. Não estou disposto a que, durante a Semana Santa, vás de férias e pendures um cartaz na porta do igreja a dizer ‘Fechado por morte do filho do chefe’. Isso não aceito!

Muçulmanos
“Um dia um mulá vai passear no seu burro, por quem tinha grande estima. Parou para descansar e adormeceu. Quando acordou, viu que o asno tinha desaparecido, mas em vez do ir procurar, voltou gritando euforicamente.
- Louvado seja Deus, louvado seja Deus!
As pessoas aproximaram-se, admiradas.
- O que é que aconteceu? Porque estás tão contente? Perguntavam as pessoas.
- Porque o meu burro se perdeu.
- Oh homem… mas tu gostas tanto do burro, devias estar triste!
O mulá respondeu:
- Não percebem nada, ignorantes. Dou graças a Deus porque o burro se perdeu quando eu não estava em cima dele!”

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um exemplo de opção pelo optimismo - Monty Phyton e A vida de Brian

Podemos facilmente cair na melancolia, ficar inertes na tristeza e irremediavelmente influenciados pelas tristes notícias com nos tentam constantemente alvejar - fruto dos dias que correm -, quer sejam desastres naturais, crises económicas, crises de valores ou os simples dissabores do dia-a-dia. Mas temos sempre outra opção, podemos sempre tentar encarar a vida com optimismo e tentar ver o lado menos negro dos acontecimentos que nos frustram ou entristecem. 

Muitos autores e “especialistas” iluminados têm tentado revelar as vantagens do optimismo através de uma infindável panóplia de obras literárias. No entanto essas obras, por norma, não acrescentam nada que saibamos já à partida, apesar de nos tentarem passar a ideia que grandes descoberta.

Gostaria de deixar aqui uma referência a mais uma obra-prima dos Monty Phyton, neste caso uma canção, que provavelmente muitos já conhecem, e que, recorrendo ao humor irreverente e monsense, apela às vantagens de ver a vida pelo lado positivo da vida.

Aqui fica o excerto do filme “A vida de Brian”, com a música 
Monty Phyton - Always Look the Bright Side of Life - Legendado, de 1979. Recomendo a todos que vejam este filme, no entanto preparem-se para um humor muito mordaz e capaz de criar um colapso nervoso aos mais religiosos e tradicionalistas. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Andar a olhar mal o mau-olhado

Quem não ouviu já, especialmente nos meios mais rurais, falar do “mau-olhado”? Muitas pessoas ainda se predispõem a acreditar no mau-olhado, nos males de inveja ou do efeito nefasto da intromissão de estranhos na sua vida – sendo que esta última parte é ainda hoje perfeitamente defensável.
Recorrendo mais uma vez à excelente obra: Mitologia, mitos e lendas de todo o mundo; faço aqui uma breve referência à origem desta crença. 
Rapariga com brinco de pérola - Vermeer
“Tanto os gregos como os romanos (e muitos outros povos do Médio Oriente) acreditavam no mau-olhado, um poder mágico que era suposto algumas pessoas terem, normalmente sem saberem. Quem detinha este poder, ao olhar com demasiada atenção, sem intenção, ficava demasiado ligado ao que via e isso trazia má sorte.”
 
"O mau Olhado" é pura mitologia que, apesar das religiões pagãs greco-latinas serem domínio da mitologia e do cristianismo ser ter instituído na Europa há séculos, ainda hoje persiste na memória do colectivo de muitos Portugueses.

Em jeito de brincadeira - pois aliar o bom humor ao saber e à cultura torna-as mais atractivas e acessíveis - deixo aqui um pequeno pensamento: No fundo, o que um bom aluno necessita é de uma espécie de mau-olhado, o mau-olhado escolar, para se concentrar e ficar ligado na matéria de estudo. No entanto, e em clara oposição ao antiquíssimo “mau-olhado” original e mitológico, quanto mais ligado ficar o aluno à matéria estudada menos má sorte terá na altura em que os seus conhecimentos forem postos à prova. Apesar de poder ser uma constatação trivial, mesmo de uma crença infundada como o mau-olhado, podemos sempre retirar alguma moralidade - neste caso talvez foi mais correcto seria dizer alguma ética -, nem que seja de um modo completamente desvirtuado como a associação que acabei por fazer. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A "má-educação" das vacas e o efeito de estufa

Foi me dada a conhecer, recentemente, uma revista, que apesar de já a conhecer de vista nas várias bancas de venda,  nunca a tinha analisado e lido aprofundadamente. Depois de ter comprado e lido o meu primeiro exemplar, não consegui evitar de comprar o segundo e de estar agora a ponderar em assinar a revista. Falo da Courrier Internacional, na versão portuguesa.
Vaca amarela - Franz Marc
Um dos artigos, da edição de Dezembro, relacionado com o ambiente e os recursos naturais - temas actualmente bastante em voga, quer seja pela sua importância, quer pela recente conferência de Copenhaga - suscitou este texto aqui no blogue.
O artigo em causa, da autoria de Weronika Zarachowicz, publicado originalmente na revista Télérama, intitula-se de “Vacas pioram o efeito de estufa”. Neste artigo a autora refere os efeitos perniciosos que a criação intensiva de animais para produção de carne tem no ambiente, tal como os efeitos negativos na saúde humana devido ao excesso de consumo de carne.
Citarei agora parte do artigo original: “A produção de carne é o segundo maior emissor mundial de gases com o efeito de estufa, logo atrás da produção de energia. Provêm desse sector 18 por cento daqueles gases, ou seja, mais do que todos os transportes planetários reunidos (14 por cento)!
São 18 por cento, emitidos ao longo de toda a cadeia de fabrico dos nossos bifes: desde os adubos para as forragens até ao azoto do estrume, passando pelos gases e, sobretudo, os arrotos das vacas, carregados de metano, um gás com efeito de estufa 25 vezes maior do que o dióxido de carbono

Estas informações à primeira vista podem até parecer engraçadas, mas para além de nos  poderem fazerem rir, os gases e arrotos das vacas, devia-nos fazer repensar na repercussão que os nossos hábitos alimentares têm no ambiente.
Na produção intensiva de criação de animais é comum cometerem-se atrocidades contra os próprios animais, dadas as poucas condições de higiene e saúde em alguns casos, da falta de espaço e mesmo algumas de mutilações a que esses animais são submetidos nos centros de produção, autenticas fábricas de produzir carne barata e rápida.

Assim, uma reformulação dos nossos hábitos alimentares, especialmente das populações ocidentais é urgente a médio e longo prazo, tendo em vista a saúde futura do planeta, a nossa e a dos próprios animais explorados. Estas flatulências e arrotos excessivos das "vacas" são verdadeiras faltas de respeito para com o ambiente, como se tem comprovado.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Educação Sexual, para quando em Portugal?

(desconhecido) - Miró
Há uns meses tinha voltado à ribalta a discussão sobre a necessidade de existirem aulas de educação sexual nas escolas Portuguesas, no entanto este assunto voltou a cair no esquecimento.
A meu ver, é uma grave lacuna do sistema educacional a inexistência dessas aulas ou acções de esclarecimento, pois se o mistério se intitula de “da Educação” tem então como objectivo educar e não simplesmente formar os nossos jovens - sendo que a temática do sexo é uma vertente muito importante da vida de todos nós (nem que seja pela abstinência e tudo o que dai advém).
Preconceitos e desinformações à parte, a educação sexual é um tema sério, podendo ser abordado em acções de formação próprias que sirvam para informar os nossos jovens sobre o funcionamento do sistema reprodutor,  dos comportamentos de risco associados, do planeamento familiar e muitos outros assuntos relacionados, mas, mais que isso, da importância do sexo como algo normal que contribui para a realização do individuo, para a sua saúde física e mental. De um ponto de vista mais Humano, trata-se também de ensinar os jovens a lidar com a sua própria sexualidade, enquanto indivíduos felizes e realizados. Ou seja, a pertinência destas aulas deve-se a questões de saúde pública, de integração social e da própria psicologia, já que trata da boa saúde mental e felicidade das pessoas que está em causa. 

Apesar da educação sexual ser um assunto sério, e de extrema importância para uma sociedade moderna feliz e informada, gostava de partilhar aqui mais um vídeo dos geniais Monty Phyton que, sempre visionários, abordaram este assunto sarcasticamente. Um vídeo que serve para nos fazer rir e pensar.
Aconselho a ver a partir do minuto 1:10, que é quando começa efectivamente a aula. Este sketch é um excerto do filme “O sentido da Vida”, um filme de 1983, vanguardista (mesmo para a Inglaterra), surrealista e pejado de humor nonsense, mas intelectualmente superior.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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