Mostrar mensagens com a etiqueta Museus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Museus. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Diorama sobre urbanismo sustentável com peças de jogos de tabuleiro modernos

A origem dos dioramas remonta ao seculo XIX e às experiências de Daguerre – um pioneiro da fotografia. Desde então, os dioramas popularizaram-se como formas de representar fisicamente e tridimensionalmente cenas várias, quer sejam artísticas quer não. O objetivo relaciona-se com a necessidade de criar uma exposição de instrução ou diversão. Estes dioramas tendem a ser modelos de menor escala da realidade que pretendem representar e simular. Os museus, desde o início do século XX, usam recorrentemente estas técnicas expositivas de pequena escala para descrever eventos historicamente relevantes, alguns altamente detalhados e que ajudam a compreender eventos como batalhas ou cenas da vida quotidiana (Kamcke C. & Hutterer R., 2015). Hoje em dia alguns destes dioramas têm sido substituídos por criações digitais, no entanto, ainda não são obsoletos em certas situações.

Diorama sobre urbanismo Sustentável - foto do autor

Partindo da ideia do potencial dos dioramas surgiu-me a ideia para um novo projeto. Os jogos de tabuleiro modernos têm componentes cada vez mais originais e personalizados, alguns bem realistas por sinal. Então, tendo em conta todas imensas possibilidades que tinha à minha disposição, por ter uma ludoteca que neste momento ultrapassa as duas centenas de títulos diferentes, comecei a criar dioramas com peças de jogos de tabuleiro modernos. Cada dia publico um na minha pagina de Instagram, normalmente alusivo à efeméride do dia. Este texto esta a ser narrado de uma forma muito pessoal, mas para este assunto não havia outra forma de o fazer. Curiosamente foi publicada uma breve fotorreportagem sobre este projeto no P3.

Um desses dioramas aponta para alguns ideias base do urbanismo sustentável. Serve de exemplo para mostrar o potencial dos dioramas, que podem ser feitos de vários modos, sem a rigidez de recorrer a modelos a escala realistas. Através do simbolismo e da semiótica e possível criar dioramas igualmente comunicativos e carregados de conteúdos, nestes casos de forte simbolismo também. 

No diorama aqui apresentado podemos identificar vários elementos generalistas que facilmente veríamos citados em manuais de sustentabilidade urbana (Farr, 2011), entre eles:
  • Presença de árvores em meio urbano;
  • Espaços públicos do tipo praça e ruas para a fruição pedonal;
  • Desenho orgânico da malha urbana, para garantir descontinuidades e quebras de linearidades que evitam a monotonia, mas sem criar constrangimentos e tendo canais de visibilidade social;
  • Acesso condicionado de automóveis privados, e prioridade ao transporte público que pode aceder ao centro e conjugar-se com os modos suaves, aqui representados pelos peões; 
  • Manutenção de edificado histórico, em utilização contemporânea para as funções urbanas. 

Estes são apenas alguns exemplos. Tendo estes materiais, que são componentes de jogos, é possível fazer isto e muito mais, criando narrativas alternativas para conteúdos que se queiram transmitir. 


Referências bibliográficas para aprofundamento do tema:
  • Kamcke C., Hutterer R. (2015) History of Dioramas. In: Tunnicliffe S., Scheersoi A. (eds) Natural History Dioramas. Springer, Dordrecht
  • Farr, D. (2011). Sustainable urbanism: Urban design with nature. John Wiley & Sons.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Qual foi o primeiro Museu de Portugal?

Hoje celebra-se o dia internacional dos museus. Mas o que é um museu? Seria a casa das musas, aquele local onde todas as artes se juntavam e inspiravam a humanidade. Hoje existe museus para todos os gostos, de todos os tipos, recorrendo a inúmeras técnicas de museologia, exibindo as suas museografias direta e indiretamente. Alguns nem edifícios têm, nem peças dignas de serem apreciadas como tesouros.

Paço Real da Ajuda (em madeira)

Mas quais são os museus mais antigos de Portugal? Onde começaram as práticas museológicas?

Podemos começar pelos museus, ou proto museus, de influência iluminista e enciclopédica típicos do século XVIII. Mas podemos ir um pouco mais atrás, aos gabinetes de curiosidades e tesouros. Paulo Oliveira Ramos (1993) sugere a importância da coleção de antiguidades de: D. Afonso, 1.º Duque de Bragança (1377-1461); do 1.º Marquês de Valença (?-1460), filho do 1.º Duque de Bragança, composta por peças de arte e arqueologia; André de Resende (1500-1573), que recolheu cipos e lápides com inscrições romanas, árabes e hebraicas; padre Manuel Severim de Faria (1582?-1655), que continha um grande conjunto de vasos e outros artefactos romanos.

Podemos considerar que o primeiro museu português foi o Real Museu da Ajuda, criação do Marquês e Pombal para D. José I (1761-1788). Nesta altura esse museu ainda se revestia de um cariz privado, que servia tanto como prestígio para o rei detentor da coleção como tinha intenções formativas e educativas para o rei e a corte. Não esquecer que se vivia a era do iluminismo, e que a influência do Marquês de Pombal era forte em todos os domínios da vida política portuguesa. Este museu é também simbólico dessa intenção modernizadora de Portugal e do acompanhamento dos ideais filosóficos do iluminismo.

Referências bibliográficas:
Ramos, Paulo Oliveira (1993). Breve História do Museu em Portugal. In Trindade-Rocha (coord.) (1993), Iniciação à Museologia. Lisboa: Universidade Aberta.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A importância da expansão marítima portuguesa para o desenvolvimento dos proto-museus

A expansão portuguesa e a constituição do seu império colonial ultramarino, assente nas feitorias e na exploração e domínio das novas rotas comerciais promoveu indiretamente o desenvolvimento do conhecimento científico (Godinho, 2008), ainda que não fosse o objetivo principal dessa dita expansão, pois a intenção era muito mais economicista.
 
Gabinete de Curiosidades -  Domenico Remps
Ou seja, apesar de poder ser um mito fabricado a intenção da expansão marítima nacional ter tido razões de interesse  científico, algo desconstruído historiograficamente por Vitorino Magalhães Godinho (2008), o certo é que para a exploração desses novos territórios e rotas comerciais, ao longo dos séculos da exploração, foi necessário efetuar missões de reconhecimento das potencialidades comerciais dos recursos naturais dos vários locais descobertos (Boxer, 2015; Bethencourt; Curto, 2010).
 
Assim, tendo em conta que a aristocracia tinha uma preocupação pela  procura do bizarro e novo, as explorações portuguesas terão contribuído para o enriquecer das coleções reais e senhoriais europeias, onde esses produtos também chegavam como produtos de valor transacionável, quer fossem naturais ou de produção humana. No caso a Coleção de Catarina de Áustria, rainha de Portugal, e da sua coleção de pendor renascentista ligadas a curiosidades e peças históricas, esse gosto especial pelos objetos de origem oriental é comummente aceite (Gschwend, 1993). Infelizmente pouco subsiste dessa coleção hoje em Portugal, uma vez que foi retalhada e separadas pelos vários herdeiros, governantes posteriores e, possivelmente, perdido no terramoto de 1755 e convulsões políticas e sociais posteriores.
 
Podemos dizer então que, mesmo podendo não ser o principal objetivo, a exploração e expansão marítima portuguesa, ainda que indiretamente, teve um papel importante para o avanço da ciência e da própria museologia.

Referências bibliográficas
  • Bethencourt, Francisco & Curto, Diogo Ramada (Corrd.)  A Expansão Marítima Portuguesa 1400-1800. Lisboa: Edições 70, 2010.
  • Boxer, Charles Ralph. O Império Marítimo Português (1415-1825). Lisboa: Edições 70, 2015.
  • Godinho, Vitorino Magalhães. A Expansão Quatrocentista Portuguesa. Lisboa: Dom Quixote, 2008.
  • Gschwend , Jordan Annemarie. Catarina de Áustria: Coleção e Kunstkammer de Uma Princesa Renascentista. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1993.
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Quando os Museus Esmagam os Visitantes - Introdução à Nova Museologia

Quem já não se sentiu esmagado ao entrar num museu? Paul Valéry já alertava, no início do seculo XX, para essa problemática. Para Valéry seria impossível a algum visitante apreciar, desfrutar e sequer ler devidamente a quantidade imensa de material e espólio apresentado pelos museus de então. Faz essa crítica no seu ensaio (Valéry, 1960) a propósito de uma visita ao Louvre, onde critica a quantidade excessiva de obras expostas, tanto em número como no modo como se “acotovelam” nas várias salas.
Tribuna de Uffizi - Johan Zoffany
No que toca a questionar o papel e limitações dos museus não podemos esquecer o ensaio de André Malraux, ainda que tivesse ensaiado especialmente sobre os museus de arte (Malraux, 2013). Para Malraux o conceito de “Museu Imaginário” vem colocar em causa o conceito tradicional de museu, uma vez que nenhum museu conseguirá ter todas as peças, todas as obras e todo o espólio para mostrar num determinado tema ou assunto, sendo até difícil enquadrar em toda a plenitude os objetos analisados individualmente com os espólios que possuem. Assim, para Malraux, recorre-se à colmatação e a criação dos museus imaginários que resultam do estudo e conhecimento lato, que criam os envolvimentos em falta. Estes “museus imaginários” seriam complementados pelas formas e métodos que influíssem na mente as obras e património extra, criando um novo museu virtual em cada pessoa. Um desses modos, pensava Malraux, seria a fotografia. Através dela, da sua análise, poderíamos ter acesso a mais informação e ir construindo o nosso museu imaginário. No entanto, a existência de museus e a sua utilidade não ficaria em causa, mas haveria de se ter a noção que os museus físicos mostravam apenas uma visão parcelar dependente de constantes colmatações. A solução técnica que Malraux encontra nos anos 60 para a construção destes museus “completos” é a fotografia. Posteriormente, os desenvolvimentos tecnológicos, especialmente os das tecnologias de informação e comunicação (TIC), permitiram levar os conceitos de “museu imaginário” a um novo patamar, tal como contribuir para revolucionar a museografia.


Mas nas últimas décadas ocorreram mudanças sociais bastante importantes. Aquilo que Valéry criticava na museografia e o novo conceito que Malraux criou de museu vieram a contribuir, entre muitos outros, para mudanças na posterior museografia. J. Amado Mendes (2013) diz: “O Museu, instituição pública acessível a todos os tipos de públicos, é um fenómeno recente […] Passa-se de uma política museística, centrada no objeto, na sua aquisição e na conservação, para uma política centrada nos sujeitos que dele podem usufruir”. E o autor vai ainda mais longe ao referir que alguns autores afirmam que, “para avaliar a relevância de um museu, não se deve perguntar que coleções tem, mas o que faz com o acervo de que dispõe”. Este enfoque remete para a dicotomia e oposição entre o museu armazém/depósito e as correntes da “Nova Museologia”, direcionadas para a experiência dada ao público e para a aprendizagem ao longo da vida, capaz de chegar a todas as idades e grupos sociais.

Pensando nas afirmações de Amado Mendes, e recordando aquilo que Valéry e Malraux já ensaiavam de modo erudito, podemos refletir sobre o papel contemporâneo dos museus. Quantos estão realmente preparados e realmente dedicados aos visitantes? Quantos destes conseguem criar experiências cativantes e contribuir para a educação ao longo da vida dos visitantes? A “Nova Museologia” vai ganhando peso. Resta saber se depois teremos algum museu dos museus (museu tipo armazém ou outro), pois os novos museus pouca relação terão com os antigos, pois neles pode até não haver qualquer acervo patrimonial de relevo.
Referências Bibliográficas
  • MALRAUX, André. O Museu Imaginário. Lisboa: Edições 70, 2013.
  • MENDES, J. Amado. Estudos do Património – Museus e Educação. 2ª Edição. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2013.
  • VALÉRY, Paul. Le problème des musées. In: HYTIER, Jean (Ed.). Paul Valéry – Oeuvres II. Paris: Éditions Gallimard, 1960, p. 1290-1293.

Artigos relacionados

Related Posts with Thumbnails

TOP WOOK - Arte

TOP WOOK - Dicionários

TOP WOOK - Economia e Finanças

TOP WOOK - Engenharia

TOP WOOK - Ensino e Educação

TOP WOOK - Gestão

TOP WOOK - LITERATURA





A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



Introduza o seu e-mail para receber a newsletter do blogue: