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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Uns comboios diferentes que trazem viagens inesquecíveis para aprendermos

Philippe Gougler é um jornalista e documentarista francês com uma extensa carreira, mas que nos tem chegado a Portugal de comboio, através da série de documentários “Des trains pas comme les autres” , exibidos na RTP2 com o nome “Inesquecíveis Viagens de Comboio”. Esta série tinha começado originalmente em 1987 na Antenne 2, mas foi recuperada e reformulada em 2011 pelo canal France 5, já como o atual apresentador e coautor. 

Philippe Gougler
Fonte: https://www.france.tv/france-5/des-trains-pas-comme-les-autres/saison-6/655355-zimbabwe-zambie.html
Em cada episódio desta série sobre comboios o apresentador, que escreve também os textos para o programa, segue “sozinho” pelos cominhos de ferro do mundo. O tema dos comboios, das estações e dos seus percursos serve para explorar as sociedades e culturas humanas contemporâneas. É uma forma de aprendermos história, geografia e cultura enquanto estamos no sofá a ver os comboios deslizar sobre os carris. Podemos encontrar curiosidades sobre o funcionamento dos comboios, dos sistemas de transportes, das cidades e das culturas de todo o mundo. A viagem de comboio até um certo sítio serve habitualmente de mote para tratar outros conteúdos, como o património histórico, a gastronomia, sistemas políticos, natureza, ambiente, economia, etc.

Gougler parece fazer o programa com tanta paixão, e falar tão genuinamente e de forma interessada com as pessoas com que se cruza, que dificilmente deixamos de ficar também apaixonados pelos contextos relatados. A série está feita para parecer que as viagens seguem sem formalismos, mas obviamente tudo foi planeado no percurso. Somente algumas das conversas dependem do acaso, embora algumas claramente tenham sido combinadas ou escolhidas perante muitas outras que se devem ter revelado desinteressantes.

Este documentário mostra como se podem fazer programas generalistas, para os grandes públicos, mas mantendo os conteúdos, com o devido informalismo. Estas são viagens a não perder. 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Séries históricas: as línguas e comunicação em "Maximiliano: poder e paixão"

Por mais apelativos que possam ser as séries, filmes e romances históricos correm-se inúmeros riscos nessas criações. Podem ser modos de despertar e consciencializar públicos mais generalistas para os conhecimentos históricos, mas, quase na mesma medida, podem ser fontes de transmissão de desinformação quando são excessivamente criativas e vão para além dos conhecimentos históricos para se tornarem vendáveis e mais "espetaculares". 


A propósito destas questões, que são habituais quando se reflete sobre epistemologia da história, está neste momento em exibição, na RTP2, uma série histórica que apresenta algumas características particulares. Trata-se de "Maximiliano: poder e paixão", no original "Maximilian: Das Spiel von Macht und Liebe", da autoria de Martin Ambrosch e realização de Andreas Prochaska. A série retrata a ligação entre a casa da Borgonha e os Habsburgos, que viria a reordenar a ordem política e cultural da europa a partir do século XV. De notar que os Habsburgos eram a família reinante da atual Ausrtria, enquanto que a Borgonha pertence hoje à atual França, tendo sido um ducado que atuava como reino importante e rico da Idade Média. De notar que o primeiro rei de Portugal era descendente paterno do duque da Borgonha, isto mais de quatro séculos antes, demonstrando a importância dessa região onde se desenvolveu a importante e poderosa ordem monástica de Cluny, que viria a contribuir posteriormente para a nossa conhecida Ordem de Cister. A Borgonha incorporava cidades como Dijon, Besançon, Metz, Luxemburgo e chegou a controlar a flandres e os países baixos. 

Na série salientam-se pelo menos dois fatores curiosos. Apesar do orçamento não ser, com certeza, enorme que permitisse reproduções exatas dos contextos há cuidado histórico, tendo em conta as limitações deste tipo de projetos. Algo que salta à vista prende-se com a presença das múltiplas línguas em simultâneo. Em muitos diálogos os intervenientes falam a sua própria língua, independentemente do interlocutor. Por exemplo, é comum numa conversa uma das personagens falar em francês enquanto a outra responde em alemão. Isto levanta algumas questões interessantes. Na idade média o latim seria a língua erudita e escrita internacionalmente pelos intelectuais. Provavelmente, na prática, o latim pouco seria utilizado fora destes círculos. Parece muito provável que talvez esta fosse mesmo a prática, de cada um falar na sua língua local, sendo que é do conhecimento comum que é mais fácil compreender uma língua que fala-la. Fica a hipótese. Por outro lado, as diversas conotações que se sentem nos discursos de Maria de Borgonha que aludem a um nacionalismo da Borgonha parecem ser anacrónicas, especialmente porque o seu reino era multiétnico, multilinguístico e fruto de um sistema de conquistas e domínios feudais. Ainda assim tenta-se explicar a complexidade do sistema feudal medieval europeu, numa altura em que não tinha aina sido inventado o Estado-Nação. 

Referências bibliográficas:
Ducado da Borgonha, in Wikipédia, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ducado_da_Borgonha
Maximiliano: poder e paixão, in RTP, disponível em: http://media.rtp.pt/extra/estreias/maximiliano-poder-amor/
Reino da Borgonha, in Wikipédia, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_da_Borgonha
Solar, Davis & Villalba, Javier (Dir.) (2007). História da Humanidade: Idade Média. Lisboa: Circulo de Leitores.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Castro de Monte Mozinho – O génio da adaptação romana à geografia física e humana

Existe um tesouro arqueológico em Penafiel herdado da ocupação romana do território português. Este e outras preciosidades arqueológicas e da história nacional tiveram direito a destaque na série de documentários “Escrito na Pedra”, da autoria de Júlia Fernandes e recentemente exibidos na RTP2. Trata-se do castro de Monte Mozinho.

Fonte da imagem: http://www.cm-penafiel.pt/

Os vestígios desta povoação são particularmente curiosos. Uma vista aérea poderá levar os mais imaginativos aficionados da ficção científica a identificar o desenho de uma nave espacial – houve que dissesse que parecia o Millenium Falcon da saga Star Wars. Mas o sítio é especialmente curioso por ser um castro construído por romanos.

Os castros eram as povoações fortificadas de origem antiga, reconhecíveis nos povoados celtiberos da península, associados à Idade do Ferro. Constituíam-se em locais elevados, aglomerando casas de planta circular e telhados de colmo, defendidas por muralhas simples. Ou seja, com a romanização este tipo de ocupação foi sendo abandonada e a população indígena começou a adotar o modelo urbano romano, de planeamento em malha quadrangular, a ortogonalidade do cardo-decumanos, centralidade do fórum, praças e outros edifícios públicos. Importantes foram também as vilas - edificações centralizadoras que organizavam latifúndios e áreas de exploração do território rural, semelhantes a quintas de grandes dimensão e que poderiam ser imensamente ricas e autossuficientes.

Mas o Castro de Montezinho foi construído pelos romanos no século I. d.C., sendo ocupado até ao século V da nossa era. Não se trata da romanização de uma povoação mais antiga. Tudo indica, tal como salienta o documentário, que os romanos terão adotado este design de castro para atrair para aquele novo povoado a mão-de-obra indígena, pois pretendiam explorar o território da envolvente, rico em minérios. Não sendo de descurar o valor estratégico de domínio do território.

Assim, este castro é urbanisticamente híbrido. É singular, para além de proporcionar uma experiencia de visita única pela riqueza dos achados arqueológicos e vestígios dos edifícios descobertos e expostos para contemplação. Tudo indica que se trata de mais uma manifestação do génio de gestão e organização territorial dos romanos, sempre capazes de se adaptarem à geografia física e humana dos territórios que dominaram, tentando tirar deles o melhor partido.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Decifrando o Estado Islâmico - Um documentário sobre propaganda contemporânea


Dos muitos documentários que atualmente passam nos canais da especialidade em Portugal, infelizmente poucos são os que merecem ser vistos. Mas, felizmente, há sempre exceções. Uma delas é documentário “Decifrando o Estado Islâmico”, exibido no canal Odisseia, da autoria de Riccardo Mazzon, Antonio Albanese e Graziella Giangiulio.


Muitos programas falam do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Daesh), mas este documentário ganha especial interesse. Isto porque exibe informações, muito pouco conhecidas, sobre o modo como funciona a propaganda do Daesh, algo que não chega ao comum espectador ocidental.

A máquina de propaganda do Daesh é profissional, produzindo conteúdos em vários formatos. Os vídeos são chocantes, não tanto pela violência que exibem, mas pelo simples facto de existirem e e retratarem situações reais. Ou seja, a máquina de propaganda do Daesh é incrivelmente forte e sofisticada no modo como alia a técnica à mensagem. Recorrem a técnicas cinematográficas vistas em filmes de qualidade mundial, tudo feito para criar impacto e dimensão épica. Utilizam as mesmas ferramentas do marketing e comunicação utilizadas no ocidente para fomentar o consumo e entretenimento. Utilizam esses meios aplicados ao terror.

Ao contrário do cinema, que tenta simular a realidade, a propagando do Daesh usa a realidade para simular o cinema de acção épico, criando imagens poderosas. Só vendo para acreditar. Mas esses conteúdos, talvez corretamente, são censurados no ocidente, pois servem efectivamente para recrutar jovens ocidentais susceptíveis à sua mensagem. Publico não faltará, uma vez que nas sociedades pós-modernistas os valores estão em contante reformulação e por vezes é difícil definir uma identificação colectiva e individual. Os efeitos do capitalismo consumista e individualista e das políticas falhadas de integração social contribuem também por sua vez para o problema em causa. Misturando os ingredientes da susceptibilidade dos jovens, do seu desenraizamento, da falta de perspetivas de futuro, de uma busca por identidade e sentimento de pertença, fervor religioso, necessidade de realização e glória pessoal, tal como o efeito da cultura de filmes e jogos de vídeo violentos, criam-se as condições para o jihadismos se desenvolver.

A geopolítica, a história e a religião explicam por sua vez também as razões de existirem territórios e momentos próprios ainda mais propícios para o extremismo islâmico ocorrer. Isso daria, como é óbvio, muito mais que escrever.

Assim , do documentário, pode concluir-se que o Daesh tem usado os meios audiovisuais, as redes sociais e outras ferramentas próprias do mundo ocidental, da seu capitalismo, liberalismo e democracias para derrotar o seu inimigo: o próprio Ocidente.

Dificilmente poderá haver uma solução para este problema enquanto continuarmos a ver o problema somente segundo a matriz de valores do ocidente., ainda mais se de modo sectário.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Miséria dos Canais de Documentários em Portugal

Dos imensos programas disponibilizados nos canais de documentários da televisão por cabo em Portugal está cada vez mais difícil encontrar um documentário que valha a pena ser. Infelizmente para nós, telespectadores portugueses, temos poucas alternativas.

Canais como o Discovery, Odisseia e principalmente o Canal de História têm perdido qualidade de uma forma vertiginosa. Grande parte da programação está preenchida com reality shows e programas mais ou menos sensacionalistas, com pouco ou nenhum fundamento científico.

Há uns tempos era muito comum citar aqui alguns dos documentários exibidos nesses canais. Agora nem por isso. Mesmo procurando nas gravações de uma semana inteira pouco se encontra que mereça ser referido.

Isto levou a que criasse a petição “Queremos Canais de Documentários Sérios e de Qualidade em Portugal”. O objetivo desta petição é congregar todas as pessoas que se sentem degradadas com o modo como estes canais têm sido geridos, pois de facto é comum nas conversas diretas e nas redes sociais os comentários a este facto.

Não é habitual partilhar aqui este tipo de textos, mas está em causa de facto um meio para buscar sabedoria. Com a atual programação desses canais dificilmente poderão contribuir para isso.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pais Desesperados – Uma série de proximidade cultural

Fais Pas Ci, Fais Pas Ça” é uma série de sucesso em França que está neste momento a ser exibida em Portugal na RTP2. Trata-se de humor, do tipo sitcom, sobre famílias.

Até aqui tudo normal. Mas é dessa normalidade que a sua exibição em Portugal se torna original. São imensas as séries de humor e muitas as que tratam temas da família, sendo a esmagadora maioria delas de origem americana. Embora essas séries tenham qualidade, ou mesmo muita qualidade, os enquadramentos, os valores, cultura e identidades que transmitem não têm a devida correspondência com a sociedade Portuguesa. Mesmo com os processos de mundialização mais que enraizados há coisas que continuam a ser estranhas, que nada têm que ver que a cultura portuguesa ou sequer europeia. Por exemplo, a dicotomia Este/Oeste, Democratas/Republicanos, os desportos, o Dia de Ação de Graças e o peru no natal, os subúrbios de casas em madeira, as armas livres e a proibição do álcool até aos 21 anos não encaixam.
 
Esta série francesa, por outro lado, aproxima-se muito mais da nossa realidade. Quer queiramos quer não, a cultura francesa é muito mais próxima da portuguesa. Tratando a série de assuntos da lide social e familiar estas proximidades tornam a série muito mais interessante. Notamos as referências ao catolicismo cultural, ao futebol, às cidades de organização europeia, ao sistema de ensino e saúde públicos, à política da União Europeia, à dicotomia Esquerda / Direita, o multiculturalismo e conflitos religiosos, as relações familiares e etc. Todas essas coisas, e muitas outras que obviamente não posso aqui citar, enquadram a serie na cultura europeia e assim aproxima-a da nossa, a portuguesa.
 
A série tem imensas referências hilariantes À vida privada familiar, especialmente nos diálogos e suas subtilezas, coisas que podiam e acontecem nessas famílias por ai fora. Recorre a um humor inteligente, bem enquadrado socialmente sem temer entrar em temas da religião, política, desigualdades sociais, racismo e outros que, por vezes, são deixados de fora para garantir alguma neutralidade não ofensiva.
 
Por isso, se quiserem ver uma série onde se podem identificar aqui têm a sugestão: Fais Pas Ci, Fais Pas Ça (Pais Desesperados).

terça-feira, 26 de junho de 2012

A Guerra dos Tronos - Fantasia Medieval para Adultos

A Guerra dos Tronos” ou “ O Jogo dos Tronos” – na tradução direta do inglês – é uma das mais cotadas séries televisivas da atualidade (ver no IMDB). Os 10 livros que compõem as “As crónicas do Gelo e do Fogo” foram adaptadas para televisão pela HBO e o resultado foi, no mínimo, positivo e original. Depois do sucesso de “Roma”  (ver no IMDB) esta é mais uma grande série épica. No entanto, essa anterior grande realização seja, em alguns aspetos, substancialmente diferente: "Roma" baseiam-se em História factual, produzida com especial atenção ao rigor histórico, ainda que seja uma adaptação romanceada, podendo ser quase vista como um documentário (ou não tivesse o envolvimento também da BBC).
Mas a “A Guerra dos Tronos” é uma ficção. George. R. R. Martin, o autor, admite a influência de clássicos da literatura associada ao “fantástico medieval”, especialmente da monumental obra que é “O Senhor dos Anéis”. Apesar de não ser uma obra Histórica, o universo fantástico medieval criado por Martin para a sua grande história revela sólidos conhecimentos do passado factual. São muito evidentes na terra de Westeros – área geográfica, tipo continente, onde se passa a maior parte da história - as influências da Europa Medieval: das relações feudais, da monarquia absoluta, as lides da guerra, da política e tramas palacianas, dos códigos de cavalaria e comportamentos de classe, do campesinato e suas ligações à terra, etc. São também notórias as inspirações bebidas diretamente da mitologia nórdica e germânica, entre muitas outras, no mundo fantasioso de “A Guerra dos Tronos”. George. R. R. Martin conseguiu criar uma fantasia encorpada por um enredo elaborado – aliás, muito elaborado – de relações entre personagens, bem trabalhadas, e uma política altamente complexa, que se concretiza no desenrolar da história e se vai aprofundando com o emaranhado da intriga e as correrias de uma infindável panóplia de personagens.
O autor criou uma “fantasia medievalescapara adultos, evitando alguns lugares comuns e um Excessivo apego a uma personagem principal (ou grupo restrito) que normalmente costuma assumir o papel de herói (ou heróis), até porque nesta série eu diria que, tal como na vida real, não existem heróis, pelo menos pelos padrões habituais no género. Em “A Guerra dos Tronos” as personagem são humanas, acima de tudo. Mesmo aquelas que mais poderiam tender para o modelo heroico são retratadas com defeitos, e o tratamento de supremacia não é absoluto e linear, e muitas vezes fica muito longe de ser justo. Martin cria um mundo ficcional fantástico realista, muito pouco habitual para o género, e até para qualquer criação televisiva ou cinematográfica de géneros ditos mais correntes. As personagens vão-se moldando com o desenrolar dos acontecimentos, vão demonstrando o seu carácter, vão ficando mais complexas. Muitas vão morrendo, muitas são injustiçadas, algumas criam percursos de sucesso e afirmação, mas a tragédia é o pano fundo. As alterações podem ser repentinas. Por vezes, enquanto espectadores ou leitores, não estamos preparados para as mudanças, e menos ainda para as mortes.
Um especto muito importante da série é a fidedignidade dos diálogos e da série para com a história contida nos livros. Isso tem sido garantido pelo envolvimento na escrita dos guiões, produção e realização do Próprio George R. R. Martin.
Pessoalmente – como já se notou - sou um apreciador deste tipo de criações, mas a popularidade de “A Guerra dos Tronos” é tão grande e incontornável que merece ser analisada. Tal só pode significar qualidade, com ose explicaria, que mesmo aquelas e aqueles que não seja particularmente apreciadores do género fiquem rendidos a esta magistral obra, quer seja em livro ou em série televisiva?
Também existe uma versão de “A Guerra dos Tronos” em formato de jogo de tabuleiro. Aliás existem duas, com a 2ª edição a conseguir ascender aos melhores jogos do género, segundo os aficionados desse tipo de jogos. Por outro lado, a versão realizada para jogos computador no género estratégia (versão génesis), segundo as críticas, não faz jus à obra original, chegando mesmo a ser medíocre. Aí, provavelmente o autor não se preocupou, ou foi chamado, a guiar a adaptação tal como o fez na série televisiva.
Em jeito de resumo, “A Guerra dos Tronos” é já uma das mais importantes e incontornáveis obras televisivas deste novo milénio.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Arte Dramática – Uma terapia Psicológica Social

Podemos ver nas criações artísticas muitas utilidades e funções, podemos aprecia-las por muitos e diversos pontos de vista, ou não fosse a Arte uma conceção, no mínimo, subjetiva. Pode-se dizer, de um modo muito simplificado, que há considere mais a Arte pela dimensão simbólica e quem a veja mais pelo valor estético da criação em causa. Para outros ainda pode ser na conjugação do simbolismo com a estética, numa fusão e equilíbrio próprio, que se atinge verdadeiramente o ideal de Arte – pessoalmente fico-me mais por esta visão. Provavelmentehaverá ainda quem considere outras coisas sobre Arte, e até questione o que é afinal uma obra de arte. A discussão seria interminável.
Manhã - Munch
Sem querer entrar nas discussões em torno do que é uma obra de arte – assunto que merece um outro texto dedicado ao assunto – opto por conduzir estas palavras para escolher outra via. Pretende-se aqui analisar e refletir, especificando e setorizando, sobre o potencial terapêutico da Arte Dramatica/tragica, não excluindo todas as demais possíveis “utilidades” de uma obra de arte que se remeta para essa categora (ou categorias).
Qualquer Arte pode ser vista como uma expressão de sentimentos, ideias, e afins. Algumas criações são consideradas dramáticas ou trágicas – independentemente de estarem ou não associadas à atuação, ao teatro e ao cinema -, potenciando emoções negativas. Algumas dessas transmitem medo, ódio, aversão, repulsa entre um sem fim de sentimentos pouco positivos. No entanto, essa opção pela arte dramática pode ter efeitos positivos e ser bastante útil por isso mesmo. Este tipo de Arte pode ser paradoxal!
Segundo Nelson Goodman, em “A Linguagem da Arte”, essa utilidade e potencial terapêutico deve-se ao seguinte: "a tragédia tem efeito de nos libertar de emoções negativas reprimidas e escondida, ou de nos administrar doses calculadas do vírus morto para prevenir ou mitigar a devastação de um ataque real. A arte torna-se não apenas paliativo, mas também terapia, fornecendo um substituto da realidade boa e uma salvaguarda contra a realidade má".
São várias as criações artísticas que  ajudam acomprovar estas palavras de Goodman. Veja-se a intemporalidade e persistência dos temas das grandes tragédias Gregas ao longo de toda a cultura Ocidental. Sabemos que esses temas trágicos fascinam, mas serão assim porque, nem que seja inconscientemente, têm os seus efeitos positivos nos individuos. Desde então esses modelos foram copiados e replicados, como forma de dar conteúdos à arte e, mesmo que não fosse objetivo último, fazer alguma terapia psicológica – individual ou coletiva.
Isto faz-me lembrar um exemplo, corriqueiro e bem próximo do cidadão comum, especialmente por terras além-mar, no Brasil, mas que se sente também por Portugal, quer nas criações nacionais ou importadas. Grande parte das telenovelas têm esse efeito terapêutico sobre as "grandes massas", com as tragédias ficcionais a entrarem no quotidiano popular e, durante um curto período de tempo, a dosear as agruras do dia-a-dia, ajudando a preparar para os dramas incontornáveis da vida real. Este é mesmo apenas um exemplo, cada país ou cultura terá a sua própria realidade no administrar doses terápêuticas da tragédia, ainda que umas possam ser consideradas mais "artísticas" que outras.

Fonte Bibliográfica: Goodman, Nelson. "Linguagens da Arte - Uma Abordagem a Uma Teoria dos Símbolos". Lisboa: Gradiva, 2006.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Teoria do Big Bang - uma série de humor

Nos últimos anos a quantidade de séries televisivas tem crescido quase exponencialmente. Pode-se dizer que hoje as há para todos os gostos e feitios, que temos ampla escolha para todos os géneros e tipos. Dessas séries muitas são as de humor, especialmente as que poderemos classificar como “sitcoms” (a abreviatura em inglês de “comédia de situação"), por retratarem ou terem como ambiente de fundo um grupo específico – família, amigos, local de trabalho, etc. Das muitas sitcoms que vão correndo haverá também oferta para quase todos os gostos, com vários tipos de humor e com diferentes ambientes temáticos e humanos. 
Como aqui o blogue tem como objetivo principal divulgar saberes e conhecimentos – obviamente sempre tendo em conta a limitação do autor (eu próprio) – há uma dessas séries que tenho de registar aqui neste espaço, que só quase pelo nome justificaria a referência. Falo da série, ou sitcom, “The Big Bang Theory”, da autoria de Chuck Lorre e Bill Prady. A situação que faz esta sitcom é provavelmente o que a torna tão especial. O Ambiente humano é o de um grupo de amigos, investigadores de vanguarda da física, da astrofísica e engenharia espacial e de uma vizinha vistosa, aspirante a atriz. Ambiente curioso, muito mais “interessante” se considerarmos que os investigadores, aos olhos de muitos, poderem ser considerados verdadeiros cromos (“nerds” ou “geeks” no calão anglo-saxónico), por viverem num mundo de ficção cientifica, colecionismo e jogos, como óbvias repercussões nas suas capacidades de interagir com o sexo feminino. Só por ai existe imenso potencial humorístico.
Mas o que torna mesmo interessante esta comédia é o tipo de humor empregue, com doses maciças de sarcasmo, ironia, e alusões surreais, misturadas como imensos termos e explicações cientificas – de praticamente todas a ciências. Estes saberes avulsos são a pitada de originalidade que eleva o interesse em torno da série em si. Pois, mesmo não sendo a razão de ser do programa, acabam por transmitir de facto conhecimentos e despertar curiosidades para se procurar saber aquilo que as personagens, em situações surreais, absurdas e tremendamente divertidas disseram ou fizerem!
As relações humanas, as improváveis entre pessoas de "mundos diferentes" são também a alma e essência desta criação humorística. Não será difícil refletir sobre os mecanismos, hábitos e características dos grupos sociais cruzados nos vários episódios, através das várias personagens.
A quase ode, em jeito de brincadeira/homenagem, ao mundo dos "nerds", "geeks", totós ou o que se quiser chamar às "personagens tipo"dos protagonistas da série "Teoria do Big Bang", merecem uma respeitosa consideração - sem qualquer sarcasmo. Aqui está uma série de humor, ciência e relações humanas a não perder!

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