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sábado, 16 de julho de 2011

Nuvens de álcool no Espaço - cervejas e a origem da vida

Quando se pensa na imensidão do Espaço pensa-se num pano negro salpicado de estrelas, pensa-se em galáxias, planetas, cometas, asteróides e até nos estranho buracos negros, isto quando se trata de pensamentos de leigos é claro, pois estas nem são seguramente as coisas mais bizarras que se podem achar numa busca espacial.
A atestar isso mesmo existe um documentário, muito resumido e cheio de alusões do nosso mundo que servem de comparações para uma melhor percepção dos fenómenos que ocorrem para além da nossa Terra. O documentário dá pelo nome de "Universo - curiosidades", ou no original "The Universe - strangest things, e tem sido exibido no Canal de História.
Rapaz da Adega - Chardin
 Uma dos fenómenos que me pareceu mais curioso, e de facto extraordinariamente apropriado para uma referencias espirituosas, foi o das nuvens de álcool em plena imensidão espacial.  Diz-se até no documentário que existem nuvens imensas cheias de álcool etílico, o álcool que bebemos, aquilo que ingerimos, por exemplo, na cerveja. Parece que no espaço existem enormes destilarias!
Citando os dizeres traduzidos do documentário em causa para a nossa língua: A primeira nuvem de álcool foi detectada em 1975, desde então muitas mais destas estranhas nuvens foram observadas. A nuvem G34.3, que se encontra na constelação de águia, tem 1000 vezes o diâmetro do nosso sistema solar. Na G34.4 há álcool etílico suficiente para fornecer 300.000 canecas de cerveja todos os dias a cada pessoa do planeta terra durante os próximos mil milhões de anos.
O problema seriam os efeitos secundários. Se beber em excesso pode dar origem a grandes dores de cabeça, aqui, beber um trago era má disposição quase garantida,  pois o álcool etílico em causa encontra-se misturado com cianeto de hidrogénio e alguns outros químicos não muito comestíveis.
Mas importa referir afinal o que são e como se constituem estas nuvens, ficando mais uma citação do documentário: As nuvens moleculares gigantes são enormes complexos de gases e poeiras. Algumas delas são do tamanho do nosso sistema solar. Os seus núcleos grandes e densos permitem a formação de moléculas complexas que produzem um cocktail cósmico. Nas nuvens inter-estelares são os grãos de poeira que servem como local chave de nucleação para que as moléculas mais simples como o hidrogénio molecular, a água, e o dióxido de carbono se unam e reajam quimicamente para formar moléculas mais complexas como o álcool etílico. Quando os grãos de poeira migram mais para perto do centro da nuvem molecular começam a aproximar-se da estrela central que se está a formar no seu núcleo, isso aquece-os o suficiente para evaporar algumas das moléculas complexas.
Destas nuvens, ou outras muito semelhantes, por incrível que pareça, formaram-se diversos sistema solares, planetas e até talvez vida! Uma possibilidade espantosa de facto!
 Nas bordas exteriores das nuvens, estes grãos de poeiras congelados com as suas moléculas associadas continuam intactos. Hoje conhecemo-los como cometas. Julga-se que esses cometas possam ser responsáveis por trazer algumas dessas moléculas mais complexas para o interior dos próprios sistemas solares de origem ou de outros que se cruzem nas suas árbitras. É plausível dizer que os cometas podem ter semeado o nosso planeta com essas moléculas - verdadeiros blocos de construção de coisas como os aminoácidos, os quais precisamos para a vida.
No documentário afirma sem qualquer dúvida que: O nosso sol e a terra formaram-se a partir de uma nuvem inter-estrelar, muito semelhante a esta[s] nuve[ns], e se houver os ingredientes certos, os ingredientes orgânicos certos, temos os ingredientes propícios à vida. Afinal as nuvens de moléculas orgânicas são bastante comuns no espaço. Se pulverizássemos a terra e a transformássemos em pó obteríamos algo semelhante a essas nuvens , pois têm praticamente todos os químicos que nos compõem.

Curioso como o álcool pode revelar os indícios para a origem da vida. Não obstante, e fazendo aqui uma referência um pouco arriscada, consta que alguns nascimentos nos nossos dias se proporcionaram por noite em que os progenitores estavam bem bebidos, estando ai também o álcool ligado à origem da vida!

domingo, 14 de novembro de 2010

Estruturas de Madeira ou Aço - qual o material mais resistente ao fogo?

Quando pensamos em construir edifícios de madeira em Portugal é comum levantarem-se logo uma série de preocupações - algumas que noutros países parecem não existir. Pensa-se logo na sua durabilidade da madeira enquanto material de construção, mas pensa-se também no perigo de incêndio. Como associamos uma estrutura construída em madeira à lenha que queimamos nas nossas lareiras, o senso comum leva-nos a concluir que um edifício com estrutura em madeira resiste menos a um incêndio que as estruturas em elementos metálicos e de betão armado. Estas ideias podem estar muito longe da realidade, sendo que a física/química podem ajudar-nos a perceber os fenómenos associados aos incêndios em edifícios! Ora tomemos a as seguintes palavras em consideração.
Grande Incêndio de Londres - Autor desconhecido
Tal como em outros combustíveis sólidos, quando a combustão se inicia nos elementos de madeira esta decompõe-se em gases que alimentam as chamas. São as chamas que vão aquecer a madeira ainda não atingida e promover a libertação de mais gases inflamáveis. Isto continuamente até desaparecer o combustível que é a própria madeira. No entanto, ao contrário de outros materiais como o aço, a madeira tem baixa condutibilidade térmica. Esta propriedade dificulta a elevação da temperatura em zonas contíguas às que se encontram em combustão. Mas é devido à camada carbonizada (que tem cerca de 1/6 da já diminuta condutibilidade térmica da madeira maciça), que se produz quando um elemento de madeira arde, que se obtém uma extraordinária e improvável resistência destas estruturas ao fogo. A camada carbonizada impede a transmissão de calor para o interior dos elementos de madeira,  atenuando a propagação do fogo. Assim garante-se durante muito mais tempo a estabilidade estrutural dos elementos em madeira durante a deflagração de um incêndio. Seguramente que todos já vimos florestas que arderam e onde as árvores se mantiveram de , tendo sido apenas chamuscadas e ardido exteriormente. 

Então, veja-se como são afectadas e qual o comportamento dos matérias mais tradicionais  considerando a sua resistência ao fogo. Durante um incêndio, as temperaturas atingem mais do que 1000°C. Entretanto, o aço, a 500°C, já perdeu 80% de sua resistência, enquanto o betão começa já a perder resistência a partir dos 800°C. A madeira, mesmo a altas temperaturas, conserva durante algum tempo uma secção residual bem significativa que se mantêm a temperaturas baixas, mesmo a pequena distância da zona em combustão, e que conserva as propriedades físicas inalteradas. No entanto, quer o betão quer o aço podem receber tratamentos que lhe confiram propriedades de resistência ao fogo tão ou melhores que as da madeira. 
Agora que o Inverno se avizinha e que as lareira começam a queimar as primeiras madeiras, será caso para podermos constatar como algumas peças de madeira demoram horas e até mesmo dias a serem consumidas pelo fogo. Se pensarmos que esse tempo todo, caso façamos a extrapolação para um edifício, pode ser fundamental para evacuarmos os utilizadores de um determinado edifício aquando dum incêndio, podemos dizer que as estruturas de madeira podem ter, mais até que as de betão armado e metálicas correntes, grande resistência ao fogo – sendo que a resistência ao fogo se afere tendo em conta o tempo que a estrutura se mantêm estável.


Fontes: Projecto de Estruturas de Madeira - Amorim Faria e João Negrão; Apontamentos teóricos da disciplina de “Estruturas de Alvenaria e madeiras” de 2008 do curso de Engenharia Civil ministrado na ESTG - IPL

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