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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Lipovetsky em Coimbra: reflexões sobre hipermodernidade, hiperindividualismo e hiperconsumismo

Quem tem estado atento a alguns textos que vou escrevendo aqui para o blogue já percebeu que Gilles Lipovetsky é um daqueles autores que vou regularmente citando. Lipovetsky é um dos filósofos e sociólogos mais curiosos do nosso tempo, dos tempos hipermodernos como o próprio apelida. Por isso não podia desperdiçar a oportunidade de o ouvir ao vivo quando na passada sexta-feira, dia 18 de janeiro este em Coimbra numa palestra em que falou de individualismo e consumismo. Não contava tirar muitas notas, uma vez que já li várias obras do autor. Mas foi impossível não o fazer, o que me levou a ter de estar sempre a escrevinhar no telemóvel para aproveitar algumas declarações que me pareceram relevantes. São dessas anotações que surge este texto, pois pareceu-me valer a pena deixar aqui o registo. 

Gilles Lipovetsky na conferência: "La société d'hyperconsommation: sommes-nous plus heureux?"

Lipovetsky descreve-nos como consumidores. Para ele vivemos na hipermodernidade e não na pós-modernidade como defendem outros filósofos e pensadores. Defende que a modernidade não terminou, que apenas se intensificou. Segundo ele somos hipermodernos porque amplificamos o que considera essencial do modernismo: o sistema democrático liberal, o individualismo e o consumismo. Na conferencia não referiu as mudanças no peso das grandes narrativas políticas e ideológicas que quebram esse aspeto da modernidade, algo que invoca na sua obra literária. Teria sido uma boa questão para lhe colocar, mas não me lembrei na altura. Ou seja, hoje defendemos sistemas democráticos mais profundos, garantias de todas as liberdades, somos muito mais individualistas e consumimos a uma escala sem precedentes. 

E todas estas mudanças são bem recentes, tendo ocorrido nos últimos 30 anos nas sociedades ditas ocidentais e ricas, do norte global como alguns gostam de chamar. Mas a sociedade do consumo é mais antiga, identificável com o pós 2.ª Guerra Mundial. A diferença consiste na escala, forma e tipo de consumo, que anteriormente era marcadamente coletivo. O automóvel era para a família, tal como as comodidades dos lares, eletrodomésticos e televisão. Não se tratava de um consumo individualizado e personalizado como ocorre hoje. 

O consumo afirma-se como uma forma de afirmação e contribuição para o individualismo crescente. Os indivíduos escapam hoje ao controlo de classe. Já não existe uma cultura de classe que legitima comportamentos a grupos de pertença, nem um controlo coletivo sobre as práticas de um consumo que se foi desregularizando . Nós é que escolhemos o que queremos ser e com quem nos identificamos. Desapareceu a hierarquia do gosto. No entanto não somos mais felizes. Lipovetsky afirmou que a felicidade através do consumo ocorre naturalmente quando nos elevamos da pobreza, mas que a partir de um determinado limiar a proporção do que se consome fica muito aquém da felicidade que esse consumo traz. Esse é um dos sentimentos paradoxais da hipermodernidade. Apesar de muitos de nós conseguirem escolher de acordo com as nossas preferências, isso não garante a felicidade. Ficamos sem saber o que nos impede de sermos felizes e isso pode ser angustiante. 

O consumo tornou-se emocional, mas ao mesmo tempo informado, e ingenuamente carregado de consciência ambiental, embora não seja isso que nos impeça de consumir cada vez mais. As emoções, no entanto, não nos incitam a compras de impulso. Cada vez mais comparamos e procuramos o melhor preço para o melhor produto. A economia do consumo tende para incentivar os consumidores a colecionarem experiências, a elevarem a um valor supremo a distração. Escolhemos com critério apenas para termos dinheiro para consumir mais e diferente. 

No entanto Lipovestky tem uma visão positiva do consumo. Acredita que tem um lado benéfico, de distrair de outras intenções e projetos políticos que levaram aos maiores dramas da humanidade. Considera ser incompatível com o totalitarismo e com as restrições da liberdade. As grandes narrativas de um sacrifício no presente para garantir um paraíso religioso ou uma utopia política no futuro tendem a ser controlados pelo hedonismo generalizado, e atraem apenas minorias da sociedade. Queremos o prazer agora e não depois. Mas isso não imuniza dos problemas políticos como bem sabemos. Existe uma deceção com os políticos, mas não com as marcas e o consumo. Por isso, as soluções políticas que queiram defender a possibilidade de consumir cada vez mais terão forte apoio popular, mesmo que a consciência ambiental seja universal, porque no dia-a-dia simplesmente consumimos. 

Para Lipovetsky a solução, de manter o nível de consumo e de garantir a sustentabilidade ambiental passa pela economia circular e partilhada. Só assim poderemos manter o nível de consumo do qual dependemos sem tendermos para a autodestruição. Passa também por dar primazia à educação e cultura, para que possamos consumir algo imaterial que nos dá felicidade e realização. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Marketing Territorial é diferente do Marketing Empresarial ou Institucional

O Marketing territorial tem vindo a crescer enquanto subdomínio do marketing, sendo utilizado na gestão de territórios. Mas este tipo de marketing difere do marketing empresarial ou institucional. Os territórios, pelas suas características, são muito diferentes das empresas e instituições,  exigindo abordagens diferentes.
 
As grandes banhistas - Cezanne

Se numa empresa pode facilmente existir uma estratégia bem definida, assumida por uma liderança forte, com capacidade de decisão e operacionalização em todos os domínios da empresa, nos territórios tal é praticamente impossível de acontecer. Os territórios são sistemas iterativos complexos, de múltiplos atores e recursos, onde uma determinada liderança tem cariz político democrático. Aas próprias empresas e isntituições são atores importantes dos territórios.

 A gestão dos territórios está muito mais condicionada do que a gestão de uma empresa, pois, no segundo caso, não existe obrigação do estabelecimento de modelos democráticos. Apesar de tudo, nas sociedades que vivem em regimes democráticos, empresas, famílias e órgãos colegiais de especialistas técnicos, a título de exemplo, tendem a ser pouco democráticos nas suas práticas e organização perante o peso da propriedade, da tradição e do conhecimento.

Para as empresas será possível criar missões e culturas comuns. Mas nos territórios existem vários atores com diferentes interesses, por vezes contraditórios. Sobre os territórios podem coexistir várias culturas e subculturas, com os seus múltiplos interesses e valores, mesmo nas zonas menos cosmopolitas. É necessário um esforço adicional, respeitador da cidadania e igualdade de diretos, para além dos requisitos legais exigidos às empresas quando se gere um território.

Os territórios podem ser muito variados e heterogéneos, dificultando a identificação dos recursos e produtos a potenciar. Sempre que se pretende seguir uma determinada estratégia é necessário o envolvimento e aceitação da população para determinado objectivo de desenvolvimento territorial. Para além dos indivíduos, existem sobre os territórios outras entidades colectivas, capazes de mobilização e influência. Estas entidades podem ser também muito diversas: políticas; cívicas; técnicas; etc.

O facto dos territórios serem geridos pelo poder político, tendo em conta que este assenta num modelo democrático, surgem fortes probabilidades de mudanças imprevissíveis nas lideranças territoriais, inviabilizando a implementação de estratégias e planeamento a longo prazo.

Assim, os processos de marketing territorial, com o objectivo de potenciar o desenvolvimento de determinados territórios, independentemente da área de actividade ou objectivo final definido, têm sempre de nascer de processos inclusivos de cidadania, assentes em sólidas práticas democráticas. Caso contrário será impossível definir uma estratégia de atuação sólida e muito menos aplica-la a médio e longo prazo.

 
Referências bibliográficas:
 
FIGUEIRA, Ana Paula - Marketing territorial - uma nova dimensão do marketing. Estarreja, Mel Editores, 2011.
 
GINSBORG, Paul - A democracia que não há - que fazer para proteger o bem político mais precioso de todos os tempos. Lisboa: Editorial Teorema, 2008.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

As adaptações dos rituais cristãos – A adaptação de toda a construção humana


Poucas construções humanas são imutáveis, ainda mais aquelas que não têm a substância da ocupação de um espaço físico. Se mesmo um edifício, monumento ou construção física, com o passar dos anos, se vai degradando, rearranjado, reabilitando, mudando os usos e os fins, e até ficando completamente transfigurado, que dizer de todas as construções humanas não físicas que ainda estão mais sujeitas às mudanças culturais, sociais, psicologias e outras mais influências metafísicas?
O Sacrifício de Isaac - Caravaggio
Tal inevitabilidade pode ser vista como progresso ou degeneração. Tais mudanças, e desenvolvimentos divergentes perante as próprias origens, em movimentos originais ou de fusão e influência do já existente, são bem evidentes nas religiões. Pensando no caso do cristianismo existe nessa mesma religião ambos os exemplos. Se o cristianismo foi revolucionário no seu universalismo, na igualdade doutrinária que se associa à igualdade de todos os homens perante Deus, já no que toca aos ritos e rituais foi muito pouco original.  Segundo David Nicholas, importante historiador norte-americano, na obra “A Evolução do Mundo Medieval”, o cristianismo pediu emprestado a outras religiões muitos dos seus rituais. Por exemplo: os cristãos começaram a celebrar o nascimento de Jesus por volta do Festival de Saturno; A Páscoa Cristã era calculada segundo o equinócio da Primavera, associada ao Festival do Sol, mas também acontecia em simultâneo com a Páscoa Judaica; A forma da cerimónia do batismo foi retirada do culto de Mitra (que fora batizado com sangue de touro); Mesmo o conceito polémico da transubstanciação tem semelhanças com outros cultos religiosos. Para além destas, muitas mais influências exteriores teve, quer no clero, quer na arquitetura religiosa, quer em muitos outros aspetos.
O autor diz ainda que muitos dos rituais foram deliberadamente adotados para que os romanos, e os povos que viviam no seio do seu império, não os achassem tão estranhos. Ter só um deus era estranho, não o representar mais estranho era, e não ter rituais era simplesmente incompreensível para a mentalidade religiosa da época. 
Ainda hoje várias religiões usam de técnicas várias para cativar novos crentes e se inserirem em comunidades que lhes podem ser estranhas. Algumas, como por exemplo os pregadores do cristianismo mais evangélico, cuidam muito do seu aspeto quando se apresentam junto das populações. O seu aspeto, linguagem e abordagem é pensada e trabalhada para causar o máximo de simpatia – isto sem qualquer juízo de valor sobre a sinceridade de tais condutas. Tal opção não é de estranhar, até porque noutras atividades, especialmente nas mais comerciais, a opção é mais ou menos a mesma: a marca, a personalidade, a ideia, o valor, o conceito adapta-se, quase sempre, ao meio
Depois há sempre quem queira, apesar de tudo, voltar às origens, mesmo que as origens sejam pouco ou nada originais, ou de tal modo diferentes do atual contemporâneo que ficariam irreconhecíveis ou outra coisa completamente diferente e contrária aos próprios princípios pelos quais encetaram tal demanda.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Marketing Político e Marketing Eleitoral, qual a diferença?

Marilyn Monroe - Andy Warhol
Voltando novamente ao livro “Marketing e Comunicação Política”, e já que vivemos um novo período eleitoral tão rico em actividade política e de campanha irei falar de dois conceitos muito utilizados como sinónimos mas que têm significados diferentes. Utiliza-se correntemente o termo Marketing Eleitoral e Marketing Político para caracterizar toda a actividade de promoção e divulgação política. Estes significados similares não são sustentados por alguns especialistas de marketing e ciência política, algo que se demonstra após a leitura do livro anteriormente referido.

Segundo os autores desta obra, Marketing Político é uma actividade conduzida durante a duração de uma determinada actividade política, a qual será mantida pelos entes e estruturas políticas que a fomentam, mesmo fora dos períodos eleitorais. O principal objectivo é transmitir as ideias, ideologias, actividades políticas e trabalho desenvolvido pelos agentes políticos. Por outro lado, o Marketing Eleitoral apenas se justifica durante os períodos eleitorais, onde se aplicam técnicas específicas para divulgar as mensagens mais apropriadas ao acto eleitoral em causa, de acordo com as estratégias e tácticas escolhidas para vencer esse mesmo sufrágio, tendo em conta os pontos fortes e fracos dos candidatos.

Em jeito de resumo, os dois conceitos são complementares e não vivem um sem o outro mas não devem ser confundidos.

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