sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Evitar as perdas de produtividade num brainstorming através de jogos de tabuleiro

 Pode haver tentações para fazer processos ou atividades de brainstorming por tudo e por nada. Estão perfeitamente disseminadas as vantagens de fazer brainstorming, de como podem permitir ajudar a gerar novas ideias, de forma a que possam ser depois desenvolvidas para alavancar projetos, empresas e instituições. Sabemos que temos de garantir alguns pressupostos e condições para que isso possa ser possível, por exemplo: a liberdade de expressão sem comentários prévios e juízos de valor quando as ideias estão a ser apresentadas, mesmo que sejam absurdas numa primeira análise. É também do conhecimento comum que os brainstorming são feitos em grupo.

No Moulin Rouge - Toulouse-Lautrec

Mas, mesmo tendo estes cuidados existem alguns problemas adicionais, conhecidos como perdas de produtividade. Existe uma noção de que o trabalho em equipa é mais produtivo num brainstorming, embora isso, na prática, nem sempre seja verdade. Alguns indivíduos trabalham e são muito mais criativos quando trabalham sozinhos e só assim poderão inovar verdadeiramente. Ao trabalhar em grupo alguns membros podem simplesmente andar à boleia, pouco fazendo. Outros, sentindo que estão a ser pouco produtivos podem tentar disparar o máximo de contributos mesmo que nada acrescentem para tentar estar a par. Outros, pelo mesmo efeito, sentindo que estão a ser demasiado produtivos podem refrear a sua participação para evitar o domínio do processo, mesmo quando os seus contributos são claramente melhores que os demais. Noutros casos, as interrupções ou a obrigação em fazer rondas circulatórias de participação, podem induzir quebras no desenvolvimento das ideias, prejudicando-as. As pessoas podem simplesmente esquecer-se do que estavam a pensar ou dizer, ficando apenas a ideia abordada de forma superficial. Quando alguns participantes têm uma personalidade “magnética” ou de liderança inata podem fazer com que, mesmo que de forma não intencional, os processos convirjam demasiado depressa para uma determinada ideia, sem surgir a disrupção que se deseja num processo de inovação. O modo como se comunica, os canais utilizados – expressão escrita, oral ou outra - , a precisão de linguagem podem ser demasiado restritas e condicionar também a criatividade. 

Tendo em conta estas restrições e efeitos indesejados, os processos de brainstorming deveriam ser implementados com alguma cautela. Basear todo o processo de inovação neles pode ser um problema. São uteis e devem ser feitos, mas definindo processos e regras para retirar deles o melhor partido, tentando evitar os enviesamentos, quebras de produtividade e pouca profundidade, tal como enunciado anteriormente. 

Recentemente, numa conferência apresentei da especialidade, apresentei um artigo onde os jogos de tabuleiro podem ser utilizados para abordar estes problemas e melhorar os processos de brainstorming: Fast Brainstorm techniques with modern board games adaptations for daily uses in business and project managing. Esse artigo pode ser consultado aqui em inglês. De notar que os jogos podem gerar as necessárias regras que garantem igualdade de participação, as múltiplas formas de expressão sem domínio externo, produzir processos de cocriação controlados com mais ou menos influência externa, gerar uma atividade que motive e envolva todos os participantes, tal como criar verdadeiros processos disruptivos em que os participantes têm intencionalmente de fazer convergir. Os jogos não são soluções mágicas para os problemas associados aos processos de brainstorming, mas podem ajudar. 


Referências bibliográficas:

Sousa, M. (2020). Fast Brainstorm techniques with modern board games adaptations for daily uses in business and project managing. In Proceedings of the International Conference of Applied Business and Management (ICABM2020), (pp.508-524). 


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