sábado, 18 de setembro de 2010

Algumas razões para a existência de corrupção nos Partidos Políticos

Na obra ‘Corrupção e os Portugueses – Atitudes, práticas e valores’, da autoria de Luís de Sousa e João Triães, são avançadas algumas teorias que explicam a relação entre os partidos políticos e a corrupção – a razão de ocorrerem e porque são propensas essas instituições a essas práticas. Este fenómeno e explicado de um modo tão simples e objectivo – sem recurso a um discurso anti-partidário ou a favor de uma qualquer ideologia –, por isso que penso que vale a pena trazer aqui algumas palavras dessa obra ao blogue.
As tentações de Santo Estevão (ou Antão) - Hieronymous Bosch
 Segundo Carlos Jalali, o autor do texto – pois esta obra é um compêndio de vários textos direccionados para assuntos específicos mas sempre dentro do mesmo tema -, que aborda e discute este assunto, o afastamento dos cidadãos face aos partidos políticos torna-os mais propensos aos actos de corrupção. Ora vejamos as palavras do autor:
“Por um lado, este afastamento leva a uma redução do número de militantes, reduzindo as receitas provindas dessa fonte. Por outro lado, aumenta os custos: os partidos não podem recorrer aos seus militantes para as suas campanhas, tendo de recorrer a outras e dispendiosas formas de campanha. Por outro lado, a consequente redução da identificação partidária obriga os partidos a competirem por um mercado eleitoral mais amplo, o que também obriga a maiores gastos.” (pp. 140)

São estas dependências cada vez maiores de capital para viverem, actuarem e fazerem campanhas e iniciativas várias, devido à cada vez maior falta de militantes e participação política dos cidadãos, que fomentam e fazem com que o manto da corrupção paire e caia muitas vezes sobre os partidos políticos.
A meu ver, isso poderia e deveria ser combatido com mais participação política dos cidadãos através dos vários partidos existentes ou novos que se pretendam criar, algo que resultaria seguramente em mais benefícios para a sociedade no geral, e diminuiria a tão indesejada corrupção destas instituições que deveriam ser, por natureza, anti-corruptas e defensoras do bem comum.

9 comentários:

  1. Então ao fim ao cabo, esses autores apenas sugerem que um dos principais motivos da existência de corrupção na política é culpa das pessoas deixarem de acreditar nos partidos e seus representates e portanto deixarem de se filiar em partidos???

    Então a culpa provém dos eleitores e não dos eleitos ?

    E quando os partidos políticos tiveram militantes sem precedentes, como no pós 25 de Abril, não havia tanta corrupção? Não acredito.

    Os partidos são corruptos porque é mais caro fazer campanha?!?!?

    Por favor... no máximo é um efeito colateral ou secundário (até diria terceário), não a causa da corrupção!

    Mas isto sou só eu, claro.

    Edgar

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  2. Não se trata "da causa", mas sim de um fenómeno que a agrava. No fundo um ciclo vicioso que agrava cada vez mais a propensão para a corrupção.

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  3. Vicente Tavaressetembro 23, 2010

    Já quando eu militava num partido da extrema esquerda, notei que havia alguns oportunistas, sempre prontos ao lambe botas e tentarem-se a colar ao poder. Em partidos do poder a ausência de militantes faz com que sobrem os oportunistas que estão lá mais para beneficiarem do poder do que servir o povo que falem. Infelizmente esta é a verdade e não se limita a Portugal. Veja-se por exemplo os EUA onde a participação política é mínima e como os lobbies dominam a política.

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  4. Bem dizia Platão : - Se não participares na política, acabas por ser governado, por alguém mais medíocre do que tu.
    Temos a constatação dessa afirmação, mas também acredito Micael que isto chegou a tal ponto, que já ninguém quer ser militante. A política está baseada na mentira, em leis como a do financiamento dos partidos, e não está ao serviço dos cidadãos, que a abandonaram... falo por mim... eu se quiser pertencer a um Partido, não tenho por onde escolher... é como ir escolher uns sapatos e ter de escolher entre vários, com o nº abaixo do que gasto. Mais vale andar descalça.
    Que inveja que tenho dos islandeses, suecos, dinamarqueses... etc. :)

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  5. Os nórdicos souberam tratar e cuidar dos seus partidos para cuidar dos seus países, Islândia à parte é claro. ;)

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  6. Válido, se o corrupção partidária fosse no sentido de favorecer o partido; mas bem sabemos que muitas vezes, para não dizer a maior parte, os favorecidos não são os partidos mas os partidários.

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  7. Desenvolvi uma explicação mais simples:

    "Mas os partidos são formados por muitos filiados, como eles consentem que isso (corrupção) ocorra? Bem, quem acredita que convicções políticas são o principal motivo que leva as pessoas a se filiarem às siglas? Elas sabem que partidos políticos não são instituições filantrópicas. Se quisessem ajudar o próximo sem pedir nada em troca teriam se associado a uma instituição de caridade, não a um partido político, não é verdade? Por outro lado, o partido também não é uma empresa comercial capaz de gerar seus próprios recursos. Então, do ponto de vista financeiro, gastando tanto dinheiro em campanhas para conseguir atingir seus objetivos, o partido político parece ser um péssimo negócio para que alguém queira se associar a ele. Mas muita gente se associa, e como
    ninguém está ali para perder dinheiro, os recursos saem de algum lugar, quer seja de origem pública ou de entidades privadas. Se for dinheiro público, virá
    do contribuinte. Se vier de empresas privadas, sabemos que seu objetivo também não é fazer caridade, mas investimentos que em algum momento
    deem retorno lucrativo. Ambas contrariam o interesse público, mesmo quando permitidas por lei. Mas considerando a quantidade enorme de denúncias que
    aparecem todos os dias na mídia, somos levados a crer que prevalecem as fontes de recursos ilícitas. Mas todos os partidos são mesmo corruptos? Não haveria
    uma sigla idônea, criada a partir de convicções ideológicas e onde os filiados não permitiriam práticas ilícitas na obtenção de recursos? Bem, ela terá imposto a si mesma limitações que a coloca em desvantagem financeira frente às siglas menos éticas. Ainda assim, imaginemos que ela consiga eleger seus candidatos mesmo se mantendo fiel aos seus princípios. Bem, a partir de agora seu sucesso começará a atrair de forma inevitável membros sem ética, que interessados apenas em obter vantagens a qualquer custo, vão se debandar para esta nova sigla imaculada buscando tirar proveito da sua ascensão e boa reputação que desfruta frente ao eleitorado nesse momento. Como essa sigla não pode impedir a entrada desses novos filiados sem incorrer em
    discriminação, eles entrarão até atingir o número suficiente para conduzir esse partido de acordo com seus interesses, desviando-o do caminho da ética que
    até aí conseguiu manter. Assim, por mais que tente caminhar em sentido contrário, é certo que uma sigla não conseguirá resistir para sempre às forças
    superiores dos interesses escusos, que acabarão por arrastá-la pelo caminho da corrupção. Mas de uma forma geral, o que vemos prevalecer é a corrupção
    como princípio da existência dos partidos, não como um desvio posterior dos seus princípios iniciais.

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  8. Desenvolvi um raciocínio mais simples:

    "Mas os partidos são formados por muitos filiados, como eles consentem que isso ocorra? Bem, quem acredita que convicções políticas são o principal motivo que leva as pessoas a se filiarem às siglas? Elas sabem que partidos políticos não são instituições filantrópicas. Se quisessem ajudar o próximo sem pedir nada em troca teriam se associado a uma instituição de caridade, não a um partido político, não é verdade? Por outro lado, o partido também não é uma empresa comercial capaz de gerar seus próprios recursos. Então, do ponto de vista financeiro, gastando tanto dinheiro em campanhas para conseguir atingir seus objetivos, o partido político parece ser um péssimo negócio para que alguém queira se associar a ele. Mas muita gente se associa, e como ninguém está ali para perder dinheiro, os recursos saem de algum lugar, quer seja de origem pública ou de entidades privadas. Se for dinheiro público, virá do contribuinte. Se vier de empresas privadas, sabemos que seu objetivo também não é fazer caridade, mas investimentos que em algum momento deem retorno lucrativo. Ambas contrariam o interesse público, mesmo quando permitidas por lei. Mas considerando a quantidade enorme de denúncias que aparecem todos os dias na mídia, somos levados a crer que prevalecem as fontes de recursos ilícitas. Mas todos os partidos são corruptos? Não haveria uma sigla idônea, criada a partir de convicções ideológicas e onde os filiados não permitiriam práticas ilícitas na obtenção de recursos? Bem, ela terá imposto a si mesma limitações que a coloca em desvantagem financeira frente às siglas menos éticas. Ainda assim, imaginemos que ela consiga eleger seus candidatos mesmo se mantendo fiel aos seus princípios. Bem, a partir de agora seu sucesso começará a atrair de forma inevitável membros sem ética, que interessados apenas em obter vantagens a qualquer custo, vão se debandar para esta nova sigla imaculada buscando tirar proveito da sua ascensão e boa reputação que desfruta frente ao eleitorado nesse momento. Como essa sigla não pode impedir a entrada desses novos filiados sem incorrer em discriminação, eles entrarão até atingir o número suficiente para conduzir esse partido de acordo com seus interesses, desviando-o do caminho da ética que até aí conseguiu manter. Assim, por mais que tente caminhar em sentido contrário, é certo que uma sigla não conseguirá resistir para sempre às forças superiores dos interesses escusos, que acabarão por arrastá-la pelo caminho da corrupção. Mas de uma forma geral, o que vemos prevalecer é a corrupção como princípio da existência dos partidos, não como um desvio posterior dos seus princípios iniciais."

    http://manifestoantipartidario.blogspot.com.br/

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  9. Por piores que os partidos possam ser, quer seja na forma como existem hoje ou noutra qualquer, são uma inevitabilidade. Isto porque política é uma ato coletivo que exige todadas de posição, seja pelo ou para o que for, logo geram-se partidos de pessoas que apoiam ou defendam algo.

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