segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Hipocrisia dos Discurso Políticos de um “Grande Português”


Penso que todos estamos conscientes do ponto a que os discursos políticos podem chegar em hipocrisia e  demagogia (no mau sentido).Mas só quando analisamos algumas palavras proferidas por alguns dos políticos mais conhecidos, de hoje e do passado, é que constatamos até que ponto chegaram.
Numa recente conferência, à medida que o orador ia lendo excertos de textos de discursos de um político do passado nacional, eu e a maioria dos espectadores íamos acenando com a cabeça em sinal de concordância sobre aquilo que íamos ouvindo. Mas ,assim que soubemos qual o autor dessas palavras inflamadas e inspiradoras – pensava eu - caiu sobre todos um misto de terror e espanto. O autor era nada mais, nada menos, que Oliveira Salazar

O orador, o Professor Doutor Luís Reis Torgal, conseguiu plenamente atingir o seu fim: fazer-nos reflectir sobre a capacidade de engano e dissimulação que pode ter um discurso.
Salazar a vomitar a pátria - Paula Rego
Esta história serve para alertar para a necessidade de nos acautelarmos perante palavras bem articuladas e inteligentemente conjugadas, mas que podem servir apenas para iludir e cativar. Quando assim é - e será sempre difícil de prever - não devemos ser demasiado crédulos, caso contrário podemos estar próximos de apoiar outros futuros “Salvadores da Pátria”. 

O Estado Novo ficou conhecido por ser uma ditadura onde se limitavam as liberdades individuais e a livre associação (sindicalismo por exemplo), entre outras. Bem conhecido era também o nível de vida de extrema pobreza a que a população estava sujeita, da falta de um sistema de acção social e a inexistência de salário mínimo nacional, já para não falar na falta de muitas outras coisas.

Ficam então aqui excertos de discursos de Oliveira Salazar para análise e reflexão. Analise-se o que foi o Estado Novo na prática e realidade com o que defendia  publicamente o futuro Presidente do Conselho de Ministros: 
“O salário, por consequência, não tem que ter limite superior, mas pode ser-lhe fixado o limite mínimo, para que não desça além do que é imposto pelas exigências duma vida suficiente e digna.” 
“No campo da actividade profissional não deve também o trabalhador estar só.
Naturalmente ele terá tendência para se associar com outros a fim de defender melhor os interesses materiais e morais da profissão. Ora o sindicato profissional é, pela homogeneidade de interesses dentro da produção, a melhor base de organização do trabalho, e o ponto de apoio, o fulcro das instituições que tendem a elevá-lo, a cultivá-lo, a defendê-lo da injustiça e da adversidade.” 
“Quando pelos seus órgãos a sua acção tem decisiva influência económica, o Estado ameaça corromper-se. Há perigo para a independência do Poder, para a justiça, para a liberdade e igualdade dos cidadãos, para o interesse geral em que da vontade do estado dependa a organização da produção e a repartição das riquezas, como o há em que ele se tenha constituído presa da plutocracia dum país. O Estado não deve ser o senhor da riqueza nacional nem colocar-se em condições de ser corrompido por ela. Para ser árbitro superior entre todos os interesses é preciso não estar manietado por alguns.”

Oliveira Salazar, excertos de discursos entre 1928 e 1934

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