sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Livro: "O Banqueiro Anarquista"

Fernando Pessoa é conhecido pela sua poesia, pelos seus heterónimos, pelos seus “vícios”, e pela sua morte sem o devido reconhecimento em vida, entre outras facetas universalmente divulgadas. No entanto é pouco conhecida, ou se calhar pouco divulgada, a sua escrita em prosa, especialmente aquela com tendências filosóficas e políticas. Daí a minha surpresa quando encontrei um pequeno livro classificado como de filosofia/política deste conhecido autor. Falo da obra O Banqueiro Anarquista. Só o nome é paradoxal e estranho. Como pode um Banqueiro, esse arauto do capitalismo, ser um anarquista? Não é nenhum jogo de palavras, a genialidade de Pessoa consegue justificar esta aparente contradição através de uma cuidada e profunda fundamentação. A obra consiste numa conversa entre duas personagens: um interlocutor que questiona o Banqueiro e ouve atentamente as suas respostas, tentando descortinar e compreender como pode ele intitular-se de anarquista; e claro o próprio Banqueiro. Os argumentos e justificações para tal posição controversa vão fluindo à medida que o diálogo entre as duas personagens se vai concretizando.
Frenando Pessoa - Almada Negreiros
Deixo apenas um pequeno desvendar do conteúdo da obra para que quem não a conheça possa ter uma ideia do que trata. 
Durante o diálogo o Banqueiro justifica-se como um verdadeiro anarquista porque, somente com o seu estatuto, através dos princípios capitalistas e da posse de muito dinheiro, se sentiu plenamente livre, ou seja, um verdadeiro anarquista.
Concordando-se ou não com os argumentos apresentados pelo banqueiro para sustentar o modo como ele próprio se intitula, o livro faz-nos questionar sobre o verdadeiro significado dos conceitos “Anarquista”, “Liberdade”, “Capitalismo” e muitos outros associados a estas dicotomias.
Em suma, ler esta obra, e meditar sobre o que Fernando Pessoa pretende transmitir, é sem dúvida enveredar por um exercício mental proveitoso porque contribui, nem que seja só um pouco, para vermos de outro modo a sociedade em que nos inserimos, o nosso comportamento e as opções que vamos tomando ao longo da vida.

9 comentários:

  1. Reforça-se, assim, a ideia de que os conceitos têm um significado que nós limitamos...esquecendo-nos no quotidiano que tudo pode ser interpretado sob várias e diferentes perspectivas. =)

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  2. Olá Micael Sousa,

    Também li o livrito há pouco tempo e não fiquei com a mesma impressão. Por exemplo, lembro-me do banqueiro dizer que tudo o que não é natural é mau, deve ser abolido, e de ter uma noção estapafúrdia de liberdade, que rejeita conselhos, recomendações, qualquer forma de liderança. Para ser franco, aquilo pareceu-me um jogo de palavras, mas é verdade que se lê bem.

    De resto, gostei do blog, vou passar cá mais vezes.

    Cumprimentos

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  3. Caro João Pedro.

    Na texto que fiz tentei não passar a minha opinião, apenas divulgar esta invulgar obra de Pessoa. Pois não concordo com a visão defendida pelo Banqueiro, sendo demasiado materialista e egoísta, com valores diferentes dos que defendo.
    No entanto, conhecendo o fenómeno do do Anarquismo as teses sobre a liberdade que o Banqueiro defende não são assim tão desajustadas. O Anarquismo sempre foi uma grande utopia, tão grande que nem sequer é considerada actualmente como uma opção política válida.
    Apesar disso, na minha opinião, os argumentos presentes na obra são bastante originais, constituindo uma tese alternativa bem estruturada, concordando-se ou não com ela. Esta obra é digna de um filósofo, nem que seja pelo simples facto de nos fazer pensar.

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  4. Fernando Pessoa, o eterno jogador de palavras que nos fazem reflectir... Ah pois é, é um senhor que nos surpreende cada vez mais... não li a obra de que falas, mas gostaria mt de a ler, ou não fosse Pessoa ser o meu poeta favorito=)
    Susana (Madeira)

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  5. ...dada a actual conjetura na Europa e o rumo que a história leva, não tenho qualquer dúvida que, em breve, esta denominada "democracia", será substituida por uma espécie de "anarquia"...veja-se o que irá acontecer dia 30 de janeiro e em Fevereiro...

    António Toulouse de Lisboa

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  6. Sr MIcael Sousa...por favor responda aos meus mails...
    António Toulouse de Lisboa...

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  7. E se ler bem...lá está a forma estruturada e bem explicada de como aplicar a anarquia aos sistemas na minha obra...António Toulouse de Lisboa em nome de Pessoa

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  8. Caro António Toulouse. Não estou ver quais foram os email que enviou, de que se trata?
    Cumprimentos
    Micael Sousa

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