domingo, 3 de outubro de 2010

Afinal quantas repúblicas existiram em Portugal, 3 ou 2?

Ontem tive o enorme prazer de ter assistido a uma conferência intitulada de «Da monarquia à Republica» em que o principal orador foi o professor Amadeu Carvalho Homem - catedrático de história da Universidade de Coimbra.
As promessas - José Malhoa
Nessa sua intervenção o professor descreveu e relatou os eventos que desde o século XVIII até ao inicio do século XX levaram e culminaram na primeira república em Portugal. Ao longo das suas várias intervenções, para além dos preciosos conhecimentos que partilhava, o professor deixou-nos a seguinte ideia: "Portugal teve apenas duas repúblicas e não três". Fundamentou esta sua tese argumentando que o Estado Novo não deveria ser considerado como uma verdadeira república, pois de república só tinha o nome porque os ideais republicanos nunca foram verdadeiramente praticados pelo regime salazarista. Disse mais ou menos o seguinte: “o Estado Novo de república só tinha os selos e a moedas, só ai é que a república se via e aparecia”.
Que o regime tinha sido anti-democrático é uma ideia que nada surpreende, mas de que não se tratava de uma verdadeira república, na minha modesta opinião, já surpreende – pelo menos aparentemente. No entanto se analisarmos os princípios pelos quais se regem os ideais republicanos – Igualdade, fraternidade e liberdade – dificilmente os encontramos no Estado Novo. A liberdade não existia pois tratava-se de um regime totalitário e autoritário, pois até o sufrágio universal era um embuste. A igualdade também era inexistente pois os cidadãos não detinham os mesmos direitos nem eram considerados pelo Estado de igual modo nas suas vontades e aspirações. A fraternidade também pouco era defendida pelo Estado pois tal não pode existir pela imposição ou força e não havia a preocupação em fomentar a fraternidade pela educação e pelos serviços de um modo universal que promoverem a cidadania activa – ainda hoje sentimos os reflexos da falta de cidadania e envolvimento cívico dos cidadãos.
Assim, confesso que fiquei rendido a esta tese do professor A. C. Homem - acho que não erramos quando dizemos que tivemos apenas duas republicas em Portugal, porque mesmo que não sendo perfeitas, a de 1910 e a de 1974 pelo menos tentaram implementar os ideais republicanos enquanto que a de 1933 os esqueceu e de republica teve apenas o nome.

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