segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Como espirrar na sua língua e responder a um espirro em português?

Tendencialmente, quase que involuntariamente, somo levados a proferir uma das seguintes expressões quando alguém que nos é próximo espirra: “Saúde”; “Santinho”; “Viva”. Actualmente socorremo-nos destas expressões como regras de boa educação, apreço e consideração por quem espirra, sendo óbvio o desejo de melhoras e mais saúde - uma vez que ao espirro usualmente se associa uma qualquer maleita ou estado temporário anómalo de saúde, nem que seja uma insignificante e momentânea irritação.
Pirâmide de caveiras - Cézanne
No entanto, menos óbvia é a expressão “Santinho”. Fazendo uma rápida investigação pela Internet e por alguma bibliografia generalista podemos facilmente chegar a duas possíveis explicações – apesar de não serem conclusivas nem de as fontes disponíveis completamente seguras e fiáveis -, uma que passa por preocupações mitológicas/religiosas e outra ligada a questões físicas e de saúde - ambas com origem na Idade Média. “Diz-se” que na Idade Média existia a crença de que  - provavelmente pela violência e potência que alguns espirros atingem - o coração poderia parar e a alma sair por momentos do corpo, o que obrigava, em jeito de precaução, o cristão mais próximo a abençoar de imediato o enfermo de modo a evitar a entrada nele de maus espíritos, garantindo que a sua alma voltava ao corpo para lá ficar de novo “limpa” de quaisquer influências demoníacas. Menos espectacular e cativante, mas muito mais credível é a outra explicação, que apresentarei de seguida - aquela com base na saúde física e não tanto na espiritual. Naquele tempo [Idade Média], devido aos parcos conhecimentos médicos mas conscientes da associação do espirro à doença, as pessoas tratavam de abençoar de imediato o “espirrante”, garantindo assim as “boas sortes” para que aquele espirro não fosse o resultado de uma enfermidade incurável, tal como a peste negra, o que na altura seria morte certa. Há falta de meios para evitar a doença, diagnostica-la correctamente e prescrever uma verdadeira cura, compreende-se perfeitamente esta e outras práticas, muitas delas apenas com efeitos psicológicos mas que, numa altura de desespero, seriam formas essenciais para manter a esperança e lidar com a doença.

Igualmente curiosa é a onomatopeia (processo de formação de uma palavra por imitação de um som natural [1]) do próprio espirro, sendo que pode mudar significativamente de país para país, mesmo em países com raízes linguísticas semelhantes. Aqui ficam alguns exemplos [2]:
  • Em Árabe é "عطسة"
  • Em Alemão é "hatschi"
  • Em Búlgaro é "апчих"
  • Em Cantonês é "hut-chi" (乞嚏)
  • Em Chinês é "penti" (喷嚏)
  • Em Dinamarquês é "atjuu"
  • Em Esloveno é "kihanje".
  • Em Espanhol é "atchís" e "atchús"
  • Em Francês é "atchoum"
  • Em Hebreu é "apchee"
  • Em Hindi é "chheenk".
  • Em Indonésio é "'hatchi'"
  • Em Inglês é “Atchoo”
  • Em Islandês é "Atsjú"
  • Em Japonês é "hakushon" ou "kushami". Escrito como はくしょん ou 嚏(くしゃみ).
  • Em Letão é "apčī",
  • Em Marata é "shheenka".
  • Em Neerlandês é "hatsjoe" e "hatsjie"
  • Em Norueguês é "atsjo"
  • Em Polaco é "apsik"
  • Em Romeno é "hapciu"
  • Em Tagalo é "hatsing"
  • Em Tailandês é "Hutchew ou Hutchei" (ฮัดชิ่ว or ฮัดเช่ย)
  • Em Tâmil é "Thummal".
  • Em Telugu é "Thummu".
  • Em Turco é "hapşuu"
[1] - http://www.infopedia.pt/pesquisa.jsp?qsFiltro=0&qsExpr=onomatopeia
[2] - http://pt.wikipedia.org/wiki/Espirro

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