sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Avatar: uma inovação por um lado, mas por outro não

O há muito aguardado novo filme de James Cameron, Avatar, já está nas salas de cinema ao nosso dispor. Podendo ser visionado em versão tradicional ou na sua versão 3D, num formato que se começa a generalizar e dá uma nova vida aos cinemas, apesar do preço mais alto do respectivo bilhete.

Um filme que demorou tanto tempo e custou tanto dinheiro merece, mesmo que consciente das minhas limitações e não sendo eu um crítico de cinema, pelo menos algumas palavras.
Para mim este filme tem uma leitura dualista: é inovador, uma verdadeira obra de arte criativa e visual, mas, ao mesmo tempo, uma parte significativa do argumento é inspirado nos típicos moldes de Hollywood, dando origem a uma história que é empobrecida com clichés e lugares-comuns, um típico blockbuster, igual a tantos outros.
Como afirmei anteriormente, ao nível da estrutura, da acção propriamente dita e da originalidade das personagens, não há nada de realmente muito criativo. Existem vários ingredientes comuns a tantos outros sucessos de bilheteira, que nem sempre são sinónimo de filmes de qualidade. Por exemplo, há o típico anti-herói que, à medida que o filme se desenrola, vai atingindo a redenção até se tornar num improvável “salvador do dia”. Está presente a típica história de amor, que começa com rejeição e estranheza, que se desenvolve, que sofre peripécias e que depois termina em "bem". Há lugar para os típicos cientistas que acabam por ser caracterizados como fracos e um pouco desmiolados. Os indígenas são completamente estereotipados também.
No entanto, nem tudo é mau ou redundante. Muito pelo contrário, tal como disse no inicio do texto, este filme é uma obra de arte visual e um hino à capacidade criativa e imaginativa de criar mundos e ambientes. A fotografia é muito boa, mas o que impressiona é o cuidado tido em criar um novo e diferente universo, coerente consigo próprio, e, apesar de extravagante, credível. Para mim, valeu mais por isso, se bem que a história que serve de pano de fundo até tem alguma qualidade - enquanto ficção cientifica - e  levanta uma série de questões - para quem sobre elas queira reflectir, é claro. No entanto, não havia necessidade de incorporar, na minha opinião, os vários clichés que podemos ver num qualquer filme de sábado à tarde, num qualquer canal público de televisão, enquanto somos constantemente interrompidos pelos infindáveis intervalos comerciais. A não ser que esteja mesmo só mais um  "filme de sábado à tarde", um entre tantos nos tantos sábados do ano.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa