terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Andar a olhar mal o mau-olhado

Quem não ouviu já, especialmente nos meios mais rurais, falar do “mau-olhado”? Muitas pessoas ainda se predispõem a acreditar no mau-olhado, nos males de inveja ou do efeito nefasto da intromissão de estranhos na sua vida – sendo que esta última parte é ainda hoje perfeitamente defensável.
Recorrendo mais uma vez à excelente obra: Mitologia, mitos e lendas de todo o mundo; faço aqui uma breve referência à origem desta crença. 
Rapariga com brinco de pérola - Vermeer
“Tanto os gregos como os romanos (e muitos outros povos do Médio Oriente) acreditavam no mau-olhado, um poder mágico que era suposto algumas pessoas terem, normalmente sem saberem. Quem detinha este poder, ao olhar com demasiada atenção, sem intenção, ficava demasiado ligado ao que via e isso trazia má sorte.”
 
"O mau Olhado" é pura mitologia que, apesar das religiões pagãs greco-latinas serem domínio da mitologia e do cristianismo ser ter instituído na Europa há séculos, ainda hoje persiste na memória do colectivo de muitos Portugueses.

Em jeito de brincadeira - pois aliar o bom humor ao saber e à cultura torna-as mais atractivas e acessíveis - deixo aqui um pequeno pensamento: No fundo, o que um bom aluno necessita é de uma espécie de mau-olhado, o mau-olhado escolar, para se concentrar e ficar ligado na matéria de estudo. No entanto, e em clara oposição ao antiquíssimo “mau-olhado” original e mitológico, quanto mais ligado ficar o aluno à matéria estudada menos má sorte terá na altura em que os seus conhecimentos forem postos à prova. Apesar de poder ser uma constatação trivial, mesmo de uma crença infundada como o mau-olhado, podemos sempre retirar alguma moralidade - neste caso talvez foi mais correcto seria dizer alguma ética -, nem que seja de um modo completamente desvirtuado como a associação que acabei por fazer. 

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa