domingo, 4 de abril de 2010

Porque temos ovos e coelhos na Páscoa?

A Páscoa é actualmente uma das mais importantes celebrações do calendário Cristão, tendo a sua génese uma indiscutível relação com as festividades Judaicas. No entanto, não se trata somente de uma festividade Judaico-cristã, basta recordamo-nos e tentarmos encaixar os Ovos e Coelho da Páscoa nestas festividades religiosas que dificilmente encontramos uma relação.
O termo “Páscoa” deriva do hebraico “Pessach”, sendo que no Pessach se celebra a libertação da escravidão dos Judeus sob o poder Egípcio, tendo Moisés liderado a revolta essa fuga por volta do XIII séc. a.C., pelo menos assim reza o Tora e o Antigo Testamento. Por coincidência, ou não, a Pascoa Cristã celebra a morte e ressurreição de Jesus, que, segundo o Novo Testamento, foi crucificado durante as celebrações da Pessach Hebraica, isto quando o próprio Jesus a celebrava em Jerusalém, ou não fosse ele um Judeu devoto.
A metamorfose de narciso - Dalí
Mas existem também inegáveis influências da mitologia nórdica no modo como se festeja actualmente a Páscoa no Ocidente. São de origem Saxónica a introdução do coelho e ovos da Páscoa. Esses objectos faziam parte da iconografia associada à Deusa Saxónica da FertilidadeEastre” ou “Eostre”, coincidindo as celebrações primaveris em sua honra com as festividades judaico-cristãs - o que afinal até pode ter sido algo adaptado por razões de assimilação de diferentes crenças. Quando os Saxões invadiram a Bretanha romana (Grã-Bretanha actual) no séc. V d.C. difundiram esses cultos. Posteriormente, da fusão Cristã e Pagã surgiu a Páscoa Anglo-saxónica intitulada de “Easter”, de onde se destacam os coelhos felpudos e os ovos coloridos.

Na obra “the complete encyclopedia of signs & simbols”, da autoria de Mark O´connell e Raje Airey, consta uma teoria para a associação entre os ovos e o coelho da tradição saxónica. Segundo estes autores essa associação resulta de uma lenda antiga: A Deusa Eastre num certo Inverno resolveu transformar uma das aves que normalmente migravam para Sul num coelho, para assim poder sobreviver ao Inverno, evitando a migração. A ave, que agora tinha a forma de coelho, em sinal de agradecimento continuou todas as Primaveras a pôr ovos. Este acto, símbolo máximo da fertilidade, constituía a maior honra que se poderia fazer a uma Deusa da fertilidade, nesta caso uma honra a Eastre. 

Há algumas décadas estas tradições pascais do norte da Europa tinham pouca implementação em Portugal, mas quando o país se abriu à influência estrangeira, especialmente à Anglo-saxónica, os coelhos e ovos de Páscoa invadiram a tradicional Páscoa Portuguesa com belas cores e formas.

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