sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"A Vida de Brian (Life of Brian)" - História de um filme Irreverente

A Vida de Brian” é a segunda longa-metragem de cinema dos Monty Python. Depois de sucessos que abalaram e mudaram para sempre o humor, com a série Flying Circus exibida na BBC entre 1969 e 1974 e filme “Monty Python e a Busca pelo Cálice Sagrado” de 1974, os Monty Python arriscaram em cinemas de humor como nunca se tinha visto. Em 1979 ousaram levar a sua irreverência humorística mais uma vez ao cinema, e dessa vez com uma sátira refinada, ainda que tendencialmente absurda e até parva, sobre temas religiosos! Não é que não o tivessem já feito por diversas vezes, nos seus muitos sketchs, mas em “A Vida de Brian” essa seria a razão de ser de todo o filme. Ainda se especula o que os terá levado a entrar em tal arriscada aventura. Há quem diga que a ideia surgiu por acaso, fruto de um desabafo de Eric Idle e Terry Gilliam, que, depois de infindáveis pressões dos Media para que se soubesse qual seria o seu próximo filme, disseram um dos primeiros nomes que lhes veio à cabeça: “Jesus Cristo – A Busca pela Glória (ou, O Deseja de Glória)”. Estranhamente ou não, em 1978, todo o grupo decide fazer umas férias de trabalho nos Barbados, nas caraíbas, e de lá surge a ideia final para um segundo filmes, com Jesus como tema principal.
Excerto de cena polémica do filme, com crucificados cantando

A EMI, que tinha assumido o financiamento do filme quando todas as outras grandes companhias o tinham recusado, depois de ver o guião desistiu também da ideia. O filme era demasiado vanguardista, ousado e arriscado! Por isso, reconhecendo o valor das ideias dos Monty Python, George Harryson – ex-beatle – mobilizou a comunidade artística britânica, formou uma nova produtora – “Hand-Made Films”, e conseguiu assegurar os 4 milhões de dólares necessários para que o filme se fizesse. Foi um exemplo de mobilização e voluntariado, sem precedentes, entre os artistas da época, por um projeto polémico, criativo e inovador.
A estreia do filme caiu como uma bomba! As polémicas foram imensas. Em muitas locais foi apelidado de blasfemo. Deu origem e infindáveis debates e discussões, o que trouxe ainda mais notoriedade à obra. Os Monty Python envolveram.se nos debates e tentaram defender-se das acusações públicas de blasfémia por parte de algumas comunidades e instituições religiosas. Os Python defendiam que a sátira era para com todas as pessoas e acontecimentos que se criaram e formaram em torno da vida de Jesus, e não para com próprio Jesus, seus princípios e filosofia. Para os Python, o filme, acima de tudo, servia para criticar o fanatismo e as visões afuniladas. O filme serviria, através do humor, para “abrir mentes” e defender a liberdade religiosa e de opinião, com respeito pelas liberdades filosóficas e religiosas de todos.
Hoje, “A Vida de Brian” é considerado uma das melhores comédias de sempre, um marco do cinema que contribuiu para o debate sobre a liberdade de crença – seja ela qual for – e do próprio humor. O Filme destacou-se também pelo movimento voluntário de artistas, decididos a contribuir para um projeto artístico e intelectual que acreditavam ser importante e merecedor de ser visto e apreciado por todos. Por fim, é também um hino ao otimismo e de como a atitude positiva perante a vida pode ajudar em qualquer situação!

Fontes:
  • "Os Monty Python - Autobiografio pelos Monty Python". Oficina do Livro. 2007
  • Documentário: "Monty Python: Almost the truth (Lawyer's Cut)"

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Enciclopédia - O Monumento do Iluminismo

A praticamente todas as épocas históricas conseguimos, direta ou indiretamente, associar monumentos, construções humanas ou obras de arte incontornáveis. Algumas dessas criações quase as definem e servem de ícones e marcas desses momentos históricos.
O Iluminismo foi marcante para a sociedade ocidental, e até para o mundo que se foi encurtando e aproximando nos séculos seguintes (especialmente depois da industrialização e do colonialismo). Dessa importante época história o principal monumento, na aceção do termo e sua relação com objeto ou coisa que serviu e serve para recordar na memória coletiva (Choay, 2010), não foi um edifício, conjunto urbano, obra de arte plástica ou afins. O principal, e mais importante, monumento que nos legou o Iluminismo foi a Enciclopédia (Schwanitz, 2012). Ou seja, um objeto. Não de arte, mas de saber!
Experiência de Um Pássaro Numa Bomba de Ar - Joseph Wright of Derby
Nessa época de transição, e que levou em muitos sítios, mas especialmente em França, à revolução, esse livro foi incontornável. Aliás, nesse mesmo e noutros formatos, ainda continua a ser – veja-se a importância das enciclopédias online. Consciente, ou inconscientemente, a Enciclopédia pretendia deter todo o conhecimento da humanidade, de um modo ordenado e de fácil consulta. Seria a “bíblia da ciência” – paradoxos à parte -, acessível e universalista. Para certos autores e pensadores (Schwanitz, 2012) a Enciclopédia tinha, para além disso, como objetivo substituir a própria Bíblia: substituir o obscurantismo da religião de então pela nova ciência, pelo positivismo do novo empirismo que ajudava a desvendar os mistérios do mundo. Vontades de substituição da religião pela ciência à parte, isso não significava, nem de perto nem de longe, que os iluministas fossem ateus. Poucos, ou quase nenhuns, o eram de facto. De um modo geral, não negavam Deus, até porque precisavam de uma entidade para explicar o início e a ordem do universo, a razão de todas as regras e leis que comprovavam e registavam. Os iluministas eram, tendencialmente, deístas (visão de Deus como arquiteto/planeador das regras do universo, mas não como agente interventivo e presente num mundo que se foi desenvolvendo pelas suas próprias regras) em oposição a posição tradicional teísta (Deus como ser que criou e intervém constantemente no universo) da religião instituída.
Hoje, esse grande monumento do Iluminismo persiste. Ficou a herança de ordenar e catalogar o conhecimento. Não se substituiu a bíblia, por várias razões que nem dependem da qualidade enciclopédias que se foram criando. Muito pelo contrário, até parece que a enciclopédia ajudou a criar mais bíblias, pois contribuiu para o banalizar do nome, tornando-o um adjetivo. Nos nossos dias existem enciclopédias e bíblias de tudo e mais alguma coisa, num especificar cada vez maior do conhecimento, sendo o termo “bíblia” aplicado para um livro importante de uma determinada área do saber – há bíblias para tudo e todos os temas, no sentido de ser um livro “quase sagrado”, de tão importante que pode ser no tema em causa.
Para além do contributo científico e cultural que foi a enciclopédia, e para além do universalismo do conhecimento que permitiu, ela demonstrou que não existem livros infalíveis – ou não tivessem as enciclopédias e bíblias erros como todos os outros livros e escritos por mão humana.

Referências Bibliográficas
  • Choay, Françoise. “Alegoria do Património”. Edições 70. Lisboa, 2010.
  • Schwanitz, Dietrich. “Cultura – Tudo o Que é Preciso Saber”. Dom Quixote. Lisboa, 2012.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma Estátua a Lúcifer?

Em Madrid, num dos seus mais importantes e monumentais jardins da cidade, existe um monumento em honra de uma figura muito pouco habitual, sendo talvez mesmo o único no mundo. No Jardim do Bom Retiro, perto no coração de Madrid, existe, já muito adentro do próprio jardim, um monumento com uma estátua estranha. Essa estátua em bronze, de finais do século XIX, representa, de um modo dramático, o Anjo Caído, ou seja, Lúcifer. Esta descoberta é de surpreender, ou talvez não. Apesar do forte catolicismo de Espanha, sempre houve rasgos criativos de artistas espanhóis capazes de ir quebrando as normas - basta pensar na história da arte espanhola e os exemplos serão muitos. 
De qualquer dos modos, esta pode ser vista como apenas mais uma manifestação de origem judaico-cristã , semelhante a tantas outras, pois o episódio do Anjo Caído é Bíblico. No entanto, junto à estátua, existe uma marca topográfica altimétrica no pavimento. Ora, essa marca assinala, precisamente, um ponto de cota de 666 metros acima do nível do mar, que em Espanha se regista em Alicante. Como se sabe esse número seria o, igualmente Bíblico, "Número da Besta", o número que assinalaria os seguidores da Besta, Lúcifer ou Satanás antes do Juízo Final. Hoje sabe-se que o número da besta, de acordo com uma tradução mais correta e recentes investigações, é o 616 (ver artigo relacionado), mas, de qualquer dos modos, o significado mantêm-se. 
Será então  este monumento realmente um estátua de honra a Lúcifer?

Anjo Caído no Jardim do Bom Retiro - Fotografia do autor

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Hard Candy - Drama Psicológico Sexual Distorcido


Hard Candy é um daqueles filmes que marcam! Primeiro, no filme, apesar de ser desempenhado por um rol de 5 personagens, praticamente toda a ação é encarnada apenas pelas duas personagens principais. São elas que dão toda a alma (e corpo) ao filme, é da interpretação superior dos dois atores que este filme, com um enredo originalmente bem desenhado, se constrói. O ambiente, tal como o número de personagens verdadeiramente ativas, é bastante restritivo, pois o filme desenrola-se, praticamente todo, numa luxuosa casa de arquitetura contemporânea, que se permite a uma fotografia própria com cenas visualmente muito interessantes.
Este é um filme de enganos, de reviravoltas e de sequências de cenas surpreendentes. Trata-se o tema da pedofilia, com as duas personagens a criarem um drama psicológico muito intenso, onde transpiram de tensão, e nós com elas.
Ellen Page demonstra, mais uma vez, ser uma incrivelmente talentosa atriz, apesar da idade. Incrível como são tantos os filmes onde as suas interpretações se destacam, sendo neste a sua performance levada ao auge do bom. Parece até que a história foi feita propositadamente a pensar nela, ou simplesmente engana-nos por ser uma atriz tão talentosa.
Apesar de tudo, Hard Candy, é um filme intenso, emotivo e capaz de nos prender, um doce cinematográfico com amargos agridoces psicológicos, de humor negro e expiatório, demonstrando o pior e o melhor da condição humana.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Introdução à História – Uma obra sem ponto final de Marc Bloch

Este último ano teve, sem dúvida, uma leitura que me marcou. Não se trata de ficção, romance ou conto. O título do livro diz tudo: “Introdução à História”. Com um nome tão direto e quase cru, direcionado para um área tão específica do saber, o mais provável é não despertar um interesse generalizado, e até parecer estranho ser aqui referida. Este título, quase quadrado, esconde um conteúdo único muito eclético. O próprio livro e o autor têm uma história para além da história, da história que pretendem querer introduzir. Esta obra de Marc Bloch - importante historiador medieval do século XX – tem a sua própria história, escrita num dos períodos mais negros da história do século XX. Nesse labor, do conhecido historiador, é dado o passo para uma “nova história”, termo que a própria história registará como nova abordagem ao estudo e análise da própria história enquanto ciência.
Marc Bloch - David Levine
Fonte
Marc Bloch, neste, como em mais escritos da sua autoria, e em consonância com outros companheiros historiadores do seu tempo que seguiam a mesma tendência, quis mudar o modo como se contava, registava e fazia história – a historiografia não seria mais a mesma. Queria que a história deixasse de abordar e tratar apenas os grandes feitos, os grandes líderes, as grandes coisas. Queria que a história passasse a estudar toda a sociedade, também os pequenos feitos, os indivíduos comuns, a sociedade no seu todo, algo que nos fizesse aproximar mais do passado, com uma visão apropriada ao Homem real. Bloch queria que na história passasse a constar o todo, e não o particular que alguém decidiu destacar no passado, por razões várias. Bloch defendia que a história devia ser mais um exercício de reflexão e criação que propriamente de acumulação acrítica de conhecimento passado. Esta nova forma de ver o passado foi revolucionária para a História, e tem hoje claras influências na sociedade contemporânea. Emancipou o Homem na história, e permitiu que o estudo da história fosse dinâmico e passível de novas construções para o presente e futuro. Fez com que a história se relacionasse com as outras ciências de um modo pluridisciplinar e fosse uma das bases de planeamento para o futuro.
Introdução a História” é uma obra inacabada, Marc Bloch nunca a terminou… Não lhe permitiram dar o ponto final no seu magistral trabalho. Muito mais haveria para escrever, tal como o próprio autor planeara. Marc Bloch foi fuzilado em 1944. Bloch era judeu, tinha sido soldado na primeira Guerra Mundial, e quando a França fora ocupada pelos Nazis abandonou o mundo académico e alistou-se na Resistência Francesa. Durante a Guerra foi capturado, torturado pela Gestapo, e executado por ordens de Klaus Barbie, o conhecido oficial das SS e da dirigente da Gestapo.
Da obra inacabada surgiu a oportunidade de fazer jus ao autor e continuar o seu trabalho. Muitos historiadores o fizeram, muitos continuaram a fazer história, abraçando-a como “nova”. Por ironia do acaso, e do papel que o próprio Marc Bloch deixou na história, hoje temos todos ao nosso dispor uma obra inacabada para continuar a escrever a nossa história.
Nota: este texto foi criado propositadamente para o blogue "7 Autores", a convite de Silvia Alves, mas como a temática se enquadra âmbito deste espaços, decido publica-lo aqui também.

domingo, 16 de setembro de 2012

Após Acordo Ortográfico a maioria das visitas ao Blogue veem do Brasil

O mais recente acordo ortográfico, que entrou em vigor em 2009 em Portugal (1.1), gerou desde então, ao longo de um processo moroso que começou muito antes (1.2), grande discussão e contestação. 
Do lado dos detratores do acordo defende-se, entre muitas posições, a descaracterização da Língua Portuguesa, e o seu afastamento para com as suas origens históricas. Do lado dos defensores do acordo empunha-se o estandarte da oportunidade de crescimento da língua, dos espaços e mercados do português como língua muito mais universalista. No fundo, as mudanças, via acordo ortográfico, aproximariam o português dos vários países de língua oficial portuguesa, dando-lhes escala em todos os sentidos, potencialmente alargando o próprio grupo da lusofonia. A isso juntar-se-lhe-ia todo o potencial económico associado decorrente do alargamento e criação de um mercado cultural único para os vários países, ou seja, haveriam muitos mais leitores e os custos de publicação e divulgação seriam reduzidos.
Bem, ambas as posições são, no mínimo, defensáveis, mas ainda haverá - com certeza - muita discussão sobre este assunto, e só o tempo revelará que as previsões se concretizarão.
Baile Popular -Di Cavalcanti
A experiência aqui do blogue, no que toca à escrita segundo o novo Acordo Ortográfico, tem sido reveladora: desde que os textos começaram a ser publicados segundo o novo Acordo Ortográfico o número de visitas vindas do Brasil subiu exponencialmente, sendo hoje o país de onde mais se visita A Busca pela Sabedoria. Obviamente que este exemplo não é representativo e não serve para provar nada, mas pode servir para refletir. 
No entanto, apesar das vantagens de crescimento do mercado para as publicações em português há um dado curioso que raramente é divulgado. Apesar de existir um novo Acordo Ortográfico com o intuito uniformizar o português falado pelo mundo fora, existem variantes para cada país dentro do atual acordo! No fundo, continua a não haver uniformidade total.
Talvez venha um dia em que o português seja uma língua uniforme mundial ou então que desapareça para dar origem a outras línguas. Ninguém saberá isso, até porque a Língua Portuguesa nunca foi estanque, até porque não nasceu do nada e porque tem, como todas as línguas, uma história de reformulações alterações, divergências e uniformizações.

Fontes:
(1) -Portal da Língua Portuguesa, disponível emhttp://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php
(2) - História da língua portuguesa, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_l%C3%ADngua_portuguesa

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Estupidez Humana – Um Ensaio de Cipolla


Lidamos diariamente com a estupidez, pelo menos não temos qualquer problema em, na mais ingénua e despreocupada das análises, classificar e adjetivar comportamentos e ações como sendo estúpidas. Ao enveredarmos por esses ajuizamentos podemos cair, paradoxalmente (ou não), na estupidez. Por mais simples que possa parecer, distinguir entre a estupidez e não estupidez nem sempre é fácil. Pois, nem sempre temos todos os dados, todas as informações e todo o discernimento para tais aventuras cognitivas. As nossas limitações e enviesamentos são muitos, com o pensamento imediato – útil mas por vezes estúpido – a ganhar a melhor perante o sistemático e aprofundado (1) – tendencialmente mais preguiçoso.
Ego - De Chirico
Por tudo isso, e por muito mais, o curioso ensaio de Carlo M. Cipolla intitulado de “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana” ganha um particular interesse. Essa obra, tendencialmente bem-humorada, sarcástica, irónica, caustica e crítica tenta simplificar e sistematizar, de um ponto de vista utilitarista, a estupidez humana. Assim, é quase um escrito de intervenção social, conceptual.
Cipolla defende que a estupidez humana é uma caraterística universal, que afeta todos os grupos humanos de igual modo e em igual proporção. O autor dividiu a humanidade, principalmente segundo as ações de influência económico-sociais (privilegiando os efeitos das relações entre indivíduos), em: Ingénuos; Inteligentes; Bandidos; e Estúpidos. Essa divisão é feita através de uma análise custo-benefício, um excelente princípio e ferramenta para quantificar caraterísticas difíceis de quantificar e avaliar.
Passo apenas a citar então, tento em conta as quatro divisões anteriores, a definição que Cipolla dá aos estúpidos (2): “Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso". Segundo esses mesmos princípios, então os Ingénuos seriam os se prejudicam a si próprios mas trazem ganhos aos outros (2). Os Inteligentes seriam os que trazem ganhos a si e aos outros (2). Por fim, os Bandidos traziam ganhos próprios à custa de prejuízos para os demais (2).
As quatro categorias, aplicando-as a um gráfico de dupla escala ortonormado cartesiano (com um eixo a representar os ganhos próprios e o outro os custos ou danos), definem quatro quadrantes. Assim, de um modo muito simples – talvez até demasiado simples, mas mais que adequado pois trata-se de um ensaio tendencialmente humorístico, não científico e exaustivo -, recorrendo a geometria básica, catalogam-se os comportamentos da humanidade, e seus efeitos. Esta construção e ordenação seria de extrema utilidade caso a estupidez se conseguisse evitar, pois, tal como a define o autor, ser estúpido resulta, de um modo absoluto, na introdução de perdas na Humanidade, vista como um sistema económico-social onde se podem considerar as várias facetas da humanidade. 
O livro “Allegro ma non troppo” contém ainda um divertido ensaio sobre a história da Europa, tendo o gosto, consumo e busca pela pimenta como força motriz dos principais acontecimentos. Mas é na segunda parte, no ensaio sobre a estupidez que a obra ganha uma outra vertente. Não se podendo obrigar ninguém a ler ou a apreciar as letras – e ainda bem -, pelo menos pode-se sugerir. Desse modo, recomendo fortemente a leitura deste livro, especialmente porque estes pequenos excertos de “As leis fundamentais da estupidez humana” são apenas partes de um texto muito mais divertido e rico. Estupido será, podendo, não ler… Pois, é imensa a nossa capacidade para ignorar a nossa ignorância (1), ou estupidez… Neste caso (2), ignorar a estupidez, pode ser extremamente danoso, especialmente para os outros!

Referências Bibliográficas
1 –Kahneman, Daniel. “Pensar, Depressa e Devagar”. Temas e Debates, 2012
2 – Cipolla, Carlo M. “Allegro ma non troppo – seguido de as leis fundamentais da estupidez humana”. Edições Textografia, 2008.

domingo, 2 de setembro de 2012

A Busca pela Sabedoria faz 3 anos!

Já passaram três anos desde que me estreei na "blogosfera".  Na altura, essa aventura começou como uma necessidade de escapar ao mundo cinzento e quadrado da vida quotidiana e às rotinas profissionais, quase sempre limitativas da busca e análise de conhecimentos universalizantes humanistas. Este blogue foi o primeiro de vários, nele, e por ele, enveredei numa disciplina informar de tentar sistematizar ideias e pensamentos, baseados em leituras e outras aquisições de conhecimentos e experiências várias. Paradoxalmente, acabei por cair numa rotina também, pois ter um blogue exige contínua atualização e introdução de novos textos. Mas como a diversidade dos conteúdos é tão grande, infindável mesmo, a rotina que se criou foi benéfica para o desenvolvimento  e aprofundamento da desejada busca pessoal, a qual queria o mais eloquente possível
Três pares de sapatos - Van Gogh
Três anos passados, quase 150.000 visitas e mais de 200 textos depois, a vontade é de não parar, de continuar - haja tempo para poder colocar em "blogue" tudo aquilo que me vai parecendo ter interesse para esta busca. 
A Busca pela Sabedoria vai ganhando maturidade, e provavelmente em breve será a altura para tentar novas realizações e etapas. Pode ser que um dia, se se concretizarem algumas propostas, do blogue nasça algo mais palpável e físico. Quem sabe?
Aproveito para agradecer a todos os visitantes, pessoas que têm comentado os textos, que me têm corrigido  erros que sempre vão aparecendo e feito sugestões de todo o tipo: Muito obrigado! Agora é tempo de "mudar de botas" e me pôr novamente a caminho desta busca. Até breve, até próximo post!

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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