quarta-feira, 13 de junho de 2012

Arte Dramática – Uma terapia Psicológica Social

Podemos ver nas criações artísticas muitas utilidades e funções, podemos aprecia-las por muitos e diversos pontos de vista, ou não fosse a Arte uma conceção, no mínimo, subjetiva. Pode-se dizer, de um modo muito simplificado, que há considere mais a Arte pela dimensão simbólica e quem a veja mais pelo valor estético da criação em causa. Para outros ainda pode ser na conjugação do simbolismo com a estética, numa fusão e equilíbrio próprio, que se atinge verdadeiramente o ideal de Arte – pessoalmente fico-me mais por esta visão. Provavelmentehaverá ainda quem considere outras coisas sobre Arte, e até questione o que é afinal uma obra de arte. A discussão seria interminável.
Manhã - Munch
Sem querer entrar nas discussões em torno do que é uma obra de arte – assunto que merece um outro texto dedicado ao assunto – opto por conduzir estas palavras para escolher outra via. Pretende-se aqui analisar e refletir, especificando e setorizando, sobre o potencial terapêutico da Arte Dramatica/tragica, não excluindo todas as demais possíveis “utilidades” de uma obra de arte que se remeta para essa categora (ou categorias).
Qualquer Arte pode ser vista como uma expressão de sentimentos, ideias, e afins. Algumas criações são consideradas dramáticas ou trágicas – independentemente de estarem ou não associadas à atuação, ao teatro e ao cinema -, potenciando emoções negativas. Algumas dessas transmitem medo, ódio, aversão, repulsa entre um sem fim de sentimentos pouco positivos. No entanto, essa opção pela arte dramática pode ter efeitos positivos e ser bastante útil por isso mesmo. Este tipo de Arte pode ser paradoxal!
Segundo Nelson Goodman, em “A Linguagem da Arte”, essa utilidade e potencial terapêutico deve-se ao seguinte: "a tragédia tem efeito de nos libertar de emoções negativas reprimidas e escondida, ou de nos administrar doses calculadas do vírus morto para prevenir ou mitigar a devastação de um ataque real. A arte torna-se não apenas paliativo, mas também terapia, fornecendo um substituto da realidade boa e uma salvaguarda contra a realidade má".
São várias as criações artísticas que  ajudam acomprovar estas palavras de Goodman. Veja-se a intemporalidade e persistência dos temas das grandes tragédias Gregas ao longo de toda a cultura Ocidental. Sabemos que esses temas trágicos fascinam, mas serão assim porque, nem que seja inconscientemente, têm os seus efeitos positivos nos individuos. Desde então esses modelos foram copiados e replicados, como forma de dar conteúdos à arte e, mesmo que não fosse objetivo último, fazer alguma terapia psicológica – individual ou coletiva.
Isto faz-me lembrar um exemplo, corriqueiro e bem próximo do cidadão comum, especialmente por terras além-mar, no Brasil, mas que se sente também por Portugal, quer nas criações nacionais ou importadas. Grande parte das telenovelas têm esse efeito terapêutico sobre as "grandes massas", com as tragédias ficcionais a entrarem no quotidiano popular e, durante um curto período de tempo, a dosear as agruras do dia-a-dia, ajudando a preparar para os dramas incontornáveis da vida real. Este é mesmo apenas um exemplo, cada país ou cultura terá a sua própria realidade no administrar doses terápêuticas da tragédia, ainda que umas possam ser consideradas mais "artísticas" que outras.

Fonte Bibliográfica: Goodman, Nelson. "Linguagens da Arte - Uma Abordagem a Uma Teoria dos Símbolos". Lisboa: Gradiva, 2006.

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