terça-feira, 18 de novembro de 2014

Havia igualdade de género no antigo Egipto?

As fontes não são conclusivas, mas existem algumas evidências que conseguem sustentar uma quase igualdade de género no antigo Egipto. Pelo menos, comparativamente a outras culturas e civilizações da época, a do antigo Egipto terá garantido uma relativa igualdade de género entre homens e mulheres. No entanto, parece que o domínio terá sido sempre masculino.
Vejamos então alguns dados. Começamos pela mitologia. No antigo mito de Osíris e Iris, é Isis que, recorrendo à sua determinação e magia, faz ressuscitar Osíris (seu irmão e marido) assassinado por Seth. Depois é o filho de ambos, Hórus, que passa a governar o Egipto, enquanto Osíris se torna o governante do reino dos mortos. A importância de Isis, do seu papel de mãe e mulher, é essencial neste mito egípcio. Este era um verdadeiro mito da criação da sociedade egípcia e da sua crença na vida após a morte, tão importante para aquela civilização.

Homem e mulher egípcios - XXIV a.c.

A egiptóloga Barbara Lesko defende que existia igualdade jurídica ente homem e mulheres no antigo Egipto, pois a ambos era permitida a posse e uso-e-fruto dos bens, tal como venda e passar em testamento. No entanto Gay Robbins, igualmente egiptóloga, refere que mesmo havendo esse estatuto, na prática tal direito seria destinado ao papel assumido como mãe, tal como o de Isis no mito. Assim, na prática, sem a proteção masculina essa igualdade poderia ser difícil de existir de facto.
Não existem certezas absolutas, até porque a história da vida comum não era o principal foco dos registos antigos (sempre interessados em grandes conquistas, reinados e celebrações religiosas). Há que lembrar que as correntes historiográficas que focaram a importância desse tipo conhecimento histórico só se desenvolveram na primeira metade do século XX, pelos historiadores da famosa escola e corrente dos Annales.
Analisando o modo como como os antigos egípcios representavam os dois géneros também pode levar a resultados inconclusivos. Se existem representações em que o homem parece dominar a mulher, também existem outras em que ambos se representam nivelados em igualdade estrita.
No que toca à monarquia egípcia existem provas do governo de mulheres. Por exemplo, Hatchepsut, governou em nome próprio como faraó no XV a.c.. Muito conhecido é também o governo de Cleópatra, ainda que num período posterior completamente diferente, e sob influência de culturas externas. Pode muito bem ter havido uma progressiva tendência para a igualdade, mas por enquanto não há certezas.
Estátua de uma homem, mulher e criança - XIV a.c.
Tendo havido ou não verdadeira igualdade de género no antigo Egipto, é seguro que a mulher assumia um papel de maior liberdade e igualdade em relação às sociedades contemporâneas de então. Isto talvez se explique pela própria natureza da sociedade egípcia, mais estável, menos violenta e tumultuosa que outras grandes civilizações da época.
 
Referências bibliográficas:
  • ARAÚJO, Luís Manuel de. Mitos e Lendas – Antigo Egipto. Livros e Livros, 2008.
  • BALTHAZAR, Gregory da Silva. “Feminismo e a Igualdade de Gênero no Antigo Egito:
  • Uma Utopia da Emancipação Feminina”. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. São Paulo, julho 2011
  • LESKO, Barbara. The Remarkable Women of Ancient Egypt. Providence: Scribe, 1996.
  • ROBINS, Gay. Women in Ancient Egypt. Cambridge: Harvard University Press, 1996.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

George Orwell, 1984, Marx, Materialismo e o perigo do Totalitarismo

Tanto se poderia dizer sobre a obra 1984 de George Orwell - pseudónimo de Eric Arthur Blair. Trata-se da obra que elevou o conceito de ficção social – ou distopia - a um patamar de genialidade. A obra é fortíssima, capaz de impressionar o leitor e o força-lo a pensar, sobre si e sobre a sociedade em que vive, sobre a história, a política e o mundo em geral.
Queria salientar três curiosidades desta obra, que se sentem com a leitura e que a prolongam para outros caminhos.
Cartaz contemporâneo do lançamento de 1984 alusivo ao Big Brother
 
Primeiro, o final do livro é descrito de uma forma incrivelmente realista, forte e tão credível que podemos ficar quase incomodados, numa relação direta com os últimos anos de vida do autor, que escreveu o livro em contrarrelógio. Orwell sofria de tuberculose e temia não terminar a obra. Talvez só por isso a obra tenha a força final que tem.
Segundo, algures no livro, num dos excertos citados em leitura pela personagem principal, encontramos uma descrição bastante simples e útil para a compreensão das teorias marxistas, da luta de classes e do materialismo histórico e da dialética marxista. Concordando-se ou não com Marx, a sua obra filosófica é importantíssima para compreender a história contemporânea, e a própria humanidade. Orwell explica muito bem, através de um excerto citado na sua obra de um outro escrito ficcional, aquilo a que Marx chamou a “luta de classes” pelo “controlo dos meios de produção”, de como as classes imediatamente abaixo da dominante (“medias” ou outras) fizeram revoluções para tomar o poder ao longo da história, criando ciclos de revoluções que levaram à mudança social. Essa luta pelo poder coincidia com a luta e procura do domínio dos meios de produção (“a riqueza”). Isto ajuda a compreender também a dialética marxista, ao fundamentar o constante confronto pelo domínio material como o motor para todas as mudanças nas sociedades humanas (sociais, culturais, religiosas, etc.).
Terceiro, o livro avisa (urgentemente) para os perigos do totalitarismo, de como pode desumanizar a própria humanidade, com homens e mulheres vivendo vidas esvaziadas de sentido sem liberdade para se realizarem individualmente. Esta mensagem continua muito atual, ainda que felizmente as “quase profecias” catastróficas de Orwell felizmente não se tenham vindo a concretizar.
Há que lembrar que 1984 é publicado em 1949, período em que a Europa estava seriamente ameaçada pelo avanço soviético de Estaline, em que na China chega ao poder Mao Zedong e que, apesar da vitória dos aliados e da democracia na europa ocidental, por todo o mundo brotavam governos autoritários. Orwell, apesar de escrever uma ficção, tem a capacidade de não misturar a teoria do materialismo histórico e a dialética marxista com os totalitarismos o geral. Talvez assim se perceba o porquê de Orwell se ter voluntariado para a guerra civil de Espanha como soldado contra o fascismo totalitarista de Franco, atitude que conciliou com as suas supostas tendências marxistas não totalitaristas – que podem ser vistas (ou não) como um contrassenso, uma vez que Marx defendia a necessidade da ditadura do proletariado como estágio intermédio antes de se chegar ao comunismo ideal.
Muito mais haveria para falar do autor e da sua obra – por exemplo que é dela que nasce o conceito pernicioso de “Big Brother”, da sociedade do controlo informativo total em rede em tempo real.
Em sumula, diria que se trata de uma ficção social com forte pendor filosófico e de ligação a quase todas as ciências sociais. Seja como for, 1984 é uma obra indispensável, muito importante para a formação cultural e cívica individual.
 
Referências bibliográficas gerais:
Uma busca pela wikipédia é suficiente para a generalidade dos conceitos, sendo que são tratados de modo introdutório e resumido simplificado para enquadrar a obra 1984:
Referências Bibliográficas mais aprofundadas:
  • Engels, Friedrich; Marx, Karl; "Manifesto do Partido Comunista", Edições Avante, 2011.
  • Marx, Karl; "O Capital", tomo I, II e III, Edições Avante.
  • Orwell, George; "1984", Antígona, 2007
  • Rémond, Réne; "Introdução à história do nosso tempo - Do antigo regime aos nossos dias", 1994.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Economia e Ecologia - Quase sinónimos quase opostos

Economia e Ecologia são termos que remetem para áreas de atividade por vezes tão distintas apesar de terem origem onomástica semelhante. Ou seja, ambos derivam da palavra grega Oikos, que significa casa. A economia será então, traduzindo literalmente, “a gestao da casa” que será “Oikos + Nomos”, sendo que Nomos significa Lei/costume/gestão. A ecologia será então, traduzido literalmente, “o estudo da casa” que será “oikos + logos”, sendo que Logos significa conhecimento.

Título desconhecido - Walt Kuhn
Esta constatação onomástica (origem dos nomes) levanta, no mínimo, muitas questões. Se o objecto - Oikos, a casa - é o mesmo porque será que estas duas áreas de conhecimento tantas vezes andam em conflito e lados opostos, defendendo visões, praticas e atitudes nem sempre compatíveis. Se a “ lei ou gestão da casa” anda longe do “conhecimento da casa” a casa não pode estar “arrumada”. Hoje em dia, o conceito da sustentabilidade tem vindo a aproximar as duas áreas, uma vez que ambas recorrem a ele e ele próprio só se concretiza na sua plenitude se a sustentabilidade for financeira e ambiental (tal como outras possíveis vertentes, com tendência para o alargamento do conceito).
Ambientalistas como Satish Kumar, entre outros, têm lutado pela aproximação entre economia e ecologia, sendo que coloca a primeira a depender da segunda, defendendo que “para se gerir uma casa é preciso conhece-la primeiro”. Ou seja, para que se faça economia é preciso primeiro fazer ecologia.
Para além dos jogos de palavras em que podemos cair, a aproximação entre economia e ecologia, independentemente de uma eventual guerra pela supremacia disciplinar, é o um caminho inevitável para garantir a sustentabilidade. Garante-se assim, supostamente, a dimensão ambiental e económica das actividades humanas.

Felizmente a tendência será a aproximação entre economia e ambiente, felizmente para todos nós e para as gerações futuras.


Nota: um agradecimento à Telma Fontes pela indicação do ambientalista Satish Kumar para citação neste texto.

Referências bibliográficas:

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Origem das Finanças Municipais - As Muralhas

Muitas das cidades europeias, e também as portuguesas, têm origem na antiguidade clássica, nomeadamente na colonização e desenvolvimento grego e depois romano. Foram esses povos que desenvolveram alguns dos modelos mais complexos e completos de governo cívico. Foi ai que de desenvolveu o próprio conceito de cidadania, cidadão, civismo, e etc.

Ilustração do foral de Évora  de 1501 - Autor desconhecido

No entanto, grande parte da nossa organização municipal das nossas cidades tem origem medieval. As cidades medievais eram, num mundo feudal, polos de liberdade, e onde as relações diretas pessoais de vassalagem eram minimizadas perante um sentimento e concordância colectiva perante as necessidades e desafios comuns da comunidade. São famosos os foros ou forais, por decreto real, onde cada vila e cidade assumiam a sua individualidade, as suas regras particulares de governo e existência perante todas as demais entidades, senhorios e poderes. Esta era uma época das leis particulares e não das leis universais e igualitárias que hoje definem as nossas sociedades.
As finanças municipais surgiram da necessidade de construir muralhas e defesas para comunidade. De início, constituíram-se fundos pontuais para garantir os meios necessários para as fortificações, devendo todos contribuir. Quem não contribuísse arriscava a expulsão. Rapidamente essas contribuições pontuais passaram a ser permanentes e os fundos recolhidos utilizados para outros fins, tais como vias de comunicação e outros serviços públicos.
Havendo necessidade de gerir os fundos e de tomar decisões sobre o desenvolvimento de cada localidade, surgiu a necessidade de estabelecer governos locais. Essas terão sido as primeiras assembleias de “homem bons”, uma espécie de democracia medieval e que terão contribuído também para a constituição daquilo que seriam as câmaras municipais. Obviamente que não eram democracias plenas, até porque a legislação não era universal e os direitos e deveres estavam longe de ser comuns, pois vivia-se numa sociedade hierarquizada, por classes e onde prevaleciam os vínculos feudais. Mas sem dúvida que o carácter excepcional da vida nas cidades constituiu, em tempo medievais, verdadeiros focos e centelhas de liberdade e governo cívico.
 
Referências bibliográficas:
  • Chueca Goitia, Fernando. "Breve História do Urbanismo", Editorial Presença, 1996.
  • Mattoso, José. "História de Portugal - Vol.II - Monarquia Feudal", Editorial Estampa, 1997.
  • Ramos, Rui (Coord.). "História de Portugal", Esfera dos Livros, 2012.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

As caravelas terão descoberto o caminho marítimo para a Índia?

Quando se faz alguma alusão aos descobrimentos portugueses de imediato surgem as caravelas. Essa embarcação, devidamente adaptada pelos portugueses à exploração marítima, foi muito importante, mas não foi com caravelas que os Portugueses chegaram, por exemplo, à Índia.
Chegada das Relíquias de Santa Auta à Igreja da Madre de Deus - Gregório Lopes

Para começar, um dos primeiros grandes marcos do início dos descobrimentos foram as descobertas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira e do dobrar do cabo Bojador, em 1434, sob influência da política dos descendentes de D. João I. No entanto essas descobertas foram feitas em barcas (que eram pequenas embarcações de um só mastro, com vela quadrada e quase sempre sem coberta, onde se recorria A remos habitualmente. Gil Eanes foi além Bojador numa barca [2], e não numa caravela, talvez porque a tecnologia ainda não estivesse disponível na altura. Por outro lado, Vasco da Gama chegou a índia em naus, e não em caravelas, isto porque para tão grande viagem eram necessários barcos de maior tonelagem, que levassem mais tripulação e tivessem mais capacidade militar (algo que as caravelas não garantiam).
As caravelas foram utilizadas principalmente na exploração do golfo da Guiné e do Atlântico Sul, e é fácil perceber porquê. Chamavam-lhe mesmo caravelas de exploração. As caravelas eram muito manobráveis, capazes de bolinar (navegar contra o vento fazendo ziguezagues de modo a potenciar a capacidade que as vela triangulares tinham em aproveitar os ventos rasantes), navegar em rios desconhecidos dado o baixo calado (a profundidade que o barco se afunda na água em condições de navegação), possibilidade de utilização de remos e de ter algumas pequenas peças de artilharia e carga ligeira [2].
As caravelas terão sido utilizadas na segunda metade do século XV (com referências ao termo a partir de 1441)[1] . Há a certeza que Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas com uma caravela, o que é justificável, pois era uma missão de exploração por águas completamente desconhecidas, em que se exigiam as características das caravelas. Depois de definida a rota de passagem então vieram as naus - podendo justificar o hiato temporal de 10 anos entre o dobrar do cabo e a chegada à índia -, com muito mais capacidade de tonelagem, muito mais resistentes e com maior poder militar. Quanto muito terão chegado à índia versões posteriores de caravelas (redondas) de maiores dimensões como embarcações de apoio [2], mas estavam longe de ser as primeiras caravelas de exploração.
Algo também curioso é que o Infante D. Henrique pode nunca ter “mandado” caravelas em missão, dado que morreu em 1460, e à partir de 1440 pareceu andar mais preocupado com a expansão territorial no norte de África que com a exploração costeira para sul [3].
Assim as caravelas contribuíram para a descoberta do caminho marítimo para a índia, numa parte do percurso, mas não foram elas que iniciaram nem concluíram a demanda.
 
Referências bibliográficas
  • Bethencourt, Francisco (dir.). "A expansão marítima portuguesa - 1400-1800", Edições 70, 2010.
  • Domingues, Francisco Contente. “Navios Portugueses dos Séculos XV e XVI”, Cadernos da Câmara Municipal de Vila do Conde, Minerva, 2006
  • Godinho, Vitorino Magalhães. "A Expansão portuguesa quatrocentista", Dom Quixote, 2008.
 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Espirrar em várias línguas

Recuperando parte de um antigo texto aqui do blogue [1], pois na sua parte final consta algo que merece ser destacado por si só num texto isolado. Isto a propósito dos espirros.
Mulher em Lágrimas - Picasso
Quando espirramos fazemo-lo como um movimento involuntário, ainda que algumas pessoas os tentem conter e travar. Não isso que vou discutir ou analisar. O que aqui vale a pena referir é o som que fazemos. A onomatopeia (processo de formação de uma palavra por imitação de um som natural [2]) do espirro é uma curiosidade em si, pois pode ser muito diferente de língua para língua, apesar de até poderem ter origens comuns.

Assim, quando espirrarem no estrangeiro, muito provavelmente denunciam a vossa condição de forasteiros.

Aqui ficam então alguns exemplos demonstrativos [3]:
• Em Árabe é "عطسة"
• Em Alemão é "hatschi"
• Em Búlgaro é "апчих"
• Em Cantonês é "hut-chi" (乞嚏)
• Em Chinês é "penti" (喷嚏)
• Em Dinamarquês é "atjuu"
• Em Esloveno é "kihanje".
• Em Espanhol é "atchís" e "atchús"
• Em Francês é "atchoum"
• Em Hebreu é "apchee"
• Em Hindi é "chheenk".
• Em Indonésio é "'hatchi'"
• Em Inglês é “Atchoo”
• Em Islandês é "Atsjú"
• Em Japonês é "hakushon" ou "kushami". Escrito como はくしょん ou 嚏(くしゃみ).
• Em Letão é "apčī",
• Em Marata é "shheenka".
• Em Neerlandês é "hatsjoe" e "hatsjie"
• Em Norueguês é "atsjo"
• Em Polaco é "apsik"
• Em Romeno é "hapciu"
• Em Tagalo é "hatsing"
• Em Tailandês é "Hutchew ou Hutchei" (ฮัดชิ่ว or ฮัดเช่ย)
• Em Tâmil é "Thummal".
• Em Telugu é "Thummu".
• Em Turco é "hapşuu"
 
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ver os consumos energéticos em tempo real gera poupança

Vários estudos têm demonstrado que o simples facto de se visualizar em tempo real os consumos energéticos gera poupanças. Por vezes não é necessário instalar qualquer outro equipamento especial ou medidas físicas, basta saber o que se está a consumir para levar a mudanças de comportamento dos utilizadores dos edifícios para que assim se obtenha poupança energética.
Fonte: http://www.theatlantic.com/business/archive/2011/11/ges-killer-idea-a-real-time-energy-dashboard-for-your-house/248519/

Citando trabalhos e projetos da ENERDURA , são apontados vários estudos que têm vindo a comprovar isso mesmo. Segundo essa agência regional: Em 2006 a Universidade de Oxford aponta para poupanças entre 5 e 10% obtidas através da existência de informação detalhada sobre os consumos em tempo real [1]; Posteriormente a entidade reguladora do sector energético no Reino Unido apontam para poupanças de 2,8% para a electricidade e 4,5% para o gás natural [2]. Mas já outras investigações estimam também reduções entre 4 e 10% no consumo de água [3].
Assim, quer seja para os consumos de água ou de energia, ter a informação dos consumos em tempo real leva a poupanças significativas. Ainda hoje em dia os contadores, quer seja de água, eletricidade ou gás, são concebidos para utilização dos operadores e fornecedores do serviço, e não para que os utilizadores possam monitorizar e controlar os seus consumos e custos.
A mudança dos contadores será uma forma de conseguir poupança. Provavelmente será essa a tendência futura, uma vez as empresas do sector estão a orientar os seus produtos e serviços para essa possibilidade
Referências
[1] Darby, S. 2006, “The effectiveness of feedback on energy consumption : A review for DEFRA of the literature on metering, billing and direct displays”. Universidade de Oxford.
[2] BERR - Department for Business, Enterprise and Regulatory Reform, 2008, “ENERGY METERING: A consultation on smart and advanced metering for small and medium sized businesses and sites, and other non-domestic customers”.
http://www.berr.gov.uk/files/file47191.pdf
[3] http://smartcitiescouncil.com/resources/smart-water-metering-solution-reduces-water-usage-10-australian-city

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sócrates, Platão e Aristóteles - Os Antidemocratas

Surpreendentemente (ou não) 3 dos maiores nomes da filosofia grega, todos com ligação à cidade de Atenas, durante o regime democrático, eram críticos da democracia. Os conhecidos Sócrates, Platão e Aristóteles criticavam diretamente o sistema democrático vigente. Obviamente que cada um seguia o seu modelo conceptual filosófico, e alguns eram bem divergentes, mas ambos consideravam que a democracia que conheciam não levava ao “bom governo” da polis. Eram vários os casos de tomadas de decisão absurdas. Eram vários os casos dos cargos públicos serem ocupados por cidadão incompetentes e impreparados para os desafios da governação. Não esquecer que muitos dos cargos eram obtidos por sorteio. Segundo os filósofos citados – de um modo geral e simplificado -, os cidadãos eram facilmente manipulados. Um desses casos foi a condenação à morte de Sócrates, por ter colocado em causa a democracia quando levava os jovens a refletir sobre as suas falhas. O desenrolar desastroso da condução da política ateniense durante a Guerra do Peloponeso contra Esparta resultou também de más decisões, tudo devido a instabilidade governativa e pela escolha de maus líderes. Depois disso Atenas nunca mais atingiu a sua anterior glória.
Atenas - Philipp Foltz
Todos eles dedicaram parte do seu pensamento filosófico a definir novas formas de governo que consideram superiores à democracia. Por exemplo, Platão defendia um modo particular de aristocracia (em igualdade de oportunidades) e Aristóteles uma versão moderada de oligarquia (assente no constitucionalismo), sendo que todos consideravam a tirania igualmente má. De notar que os modelos monárquicos e aristocráticos que defendem não coincidem com os sistemas de governo que conhecemos e aconteceram ao longo da história, as suas conceções são conceptuais e até utópicas (ver também notas/links [1] e [2]).
Raramente se refere esta vertente antidemocrática destes três filósofos. É certo que a democracia na sua época estava longe der ser universal como hoje, e não existiam os mecanismos e meios que hoje existem. Também as suas sociedades são incomparáveis, pois não podemos comprar geografias e realidades históricas tão diferentes. Cada sociedade tem de ser analisada e compreendida na sua realidade geográfica e histórica.
Por outro lado, tendo sido homens que tanto contribuíram para o desenvolvimento do pensamento ocidental, e também para o conhecimento e ciência, talvez seja por simpatia, nesta era das democracias, que se lhes omite essa “falha”.


Notas/Links referidos no texto:
[1] - Defender a Aristocracia faz sentido?
[2] - Tecnocracia – A Utopia que Platão Prescreveu na sua República?

Fontes bibliográficas:
Farago, France;"As Grandes Correntes do Pensamento Político"; Porto Editora, 2007.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma introdução ao Sushi

A proibição de comer carne (primeiro decreto no século VII) e o não consumo de lacticínios levaram a que o peixe fosse a principal fonte de proteínas no Japão. 

Um provérbio japonês diz: “em primeiro lugar come-o cru, só depois grelha-o ou coze-o, como último recurso”. Dai a predileção pelo sashimi. 

O conceito de sushi nasceu um pouco por todo o sudoeste asiático como forma de preservar peixe (e carne), sendo cortado e colocado entre camadas de arroz para ser guardado durante os invernos e monções. A fermentação natural que ocorre quando o peixe é associado ao arroz gera ácido láctico que previne o apodrecimento. A junção do vinagre faz acelerar todo o processo. 

Foi no século XVII que surgiu a ideia de colocar pedaços de sashimi sobre bolas de arroz, nascendo os nigiris. Posteriormente começaram a enrolar, utilizando folhas de algas secas, os primeiros makis.
Bigsushi - Mary Ellen Johnson
O arroz do japão, fruto de séculos de manipulação natural, tem o bago mais curto e arredondado, tento também uma especial aderência que permite fazer os vários tipos de sushi e permite ser comido mais facilmente com recurso a pauzinhos. O processo de cozinha do arroz é bastante exigente, não podendo perder demasiada humidade, nem as peças de sushi serem feitas com o arroz demasiado quente para não afetar a frescura do peixe, nem demasiado frio para que não se perca a aderência. 

O peixe terá de ser sempre muito fresco. No caso dos peixes azuis (como o carapau e a sardinha) o próprio filete de peixe deve manter-se durante algum tempo em vinagre para assegurar a sua frescura e garantir um efeito anti-bacteriológico adicional. 

Da cultura japonesa o sushi recebe o conceito de equilíbrio. O Arroz deve ser cozido na mesma quantidade da água. Os vários sabores e as texturas devem equilibrar-se: o doce com o amargo, o crocante com o cremoso. 

Deve mergulhar-se os pedaços de sashimi e sushi no molho de soja para assegurar uma mais fácil digestão. Separadamente, ou diretamente no molho de soja, deve adicionar-se wasabi, que tem um efeito anti-bacteriológico. O gengibre, que é uma raiz tal como o wasabi, é também anti-bacteriológico, mas serve também para “limpar o paladar” sempre que se altera de tipo de sushi ou sashimi. 

Um mito japonês sugere que só os homens podem fazer devidamente o sushi, uma vez que a temperatura e humidade das mãos femininas alteram as propriedades do peixe. Obviamente é um mito sem qualquer fundamentação. 

As peças de sushi e sashimi devem ser comidas integralmente, sem cortes adicionais ou qualquer outro tipo de deturpação, de uma só vez. Não se devem usar as mãos nem metal para pegar as peças. Qualquer violação destes preceitos é considerada uma falta de etiqueta e respeito pelos japoneses.
Referência s bibliográficas:
  • Lins, Ana; Morais, Paulo; "Sushi em casa", Matéria Prima, 2012.
  • Wikipédia; "Sushi", disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sushi
  • Vários; "Sushi", Dinalivro, 2006.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

"No geral somos idiotas" - Um vídeo inspirado nos textos deste blogue

Recentemente participei em mais um Ignite, o nº 53 realizado em Portugal. Nessa edição comemoraram-se os 40 anos da liberdade política em Portugal. O tema desse Ignite foi a Democracia, e o espaço o Museu da Eletricidade - esse marco nacional do património industrial, excelentemente aproveitado e valorizado como museu e sala de eventos.
Partilho aqui o vídeo dessa minha participação pois ela inspirou-se em vários dos textos criados para este blogue, entre eles: Afinal de onde vêm e quem são os idiotas? ; Quando os Ministros eram escravos ; etc.
O vídeo tinha como objetivo fazer consciencialização para a necessidade de mais participação cívica política, pois esse é o único modo de concretizar na plenitude uma democracia. Se assim não for dificilmente a democracia será conveniente e verdadeiramente democrática, pensada e criada para todos os cidadãos, independentemente das eventuais hierarquias ou classes sociais, formais ou informais. A ignição para este vídeo foram as origens etimológicas dos termos "idiota", "ministro", entre outras curiosidades e conhecimentos multidisciplinares.
Fica então a partilha do vídeo.  

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