terça-feira, 11 de outubro de 2011

Meia-Noite em Paris - uma epifania de filme de Woddy Allen

Soa a meia-noite e inicia-se a viagem ao passado. Quantos não olham para o que se passou na história – pelo menos a que conhecem - com nostalgia de uma época que não viveram nem conheceram, mas que atrai como desejo de escapar à realidade contemporânea. Presunções à parte, estas primeiras duas frases poderiam ser o mote e apresentação do mais recente filme de Woody Allen, falo do “Meia-Noite em Paris”.
Voltei agora do cinema e sinto ainda as sensações das imagens e sons da visão que Allen transmitiu da mítica cidade das Luzes, da cultura, da liberdade e do romance; a Paris de postal é o fundo recorrente, com a sua arquitectura, arte, cultura e alma. Allen retrata também Paris pelo modo como ele próprio vê os vários artistas que por lá passaram e mais tarde seriam os grandes nomes da arte e cultura de todos os tempos.
Quem apreciar arte não poderá ficar indiferente a este filme, pois trata-se de uma verdadeira montanha russa a percorrer montras de onde podemos conhecer os artistas e autores célebres do passado. Os planos de Paris são muito belos, a música, embora não muito gaulesas, é adequada. Os actores, à excepção do principal que parece um pouco desadaptado do papel que seria suposto desempenhar, vestem magistralmente as suas personagens (o Dali é Magistral!).
Meia-Noite em Paris é um filme bem ao estilo do autor/realizador; quando a ficção ultrapassa os limites do que poderia ser real a estranheza não se mostra e nota - em Woody Allen passar do real ao surreal e fantasioso é por vezes tão natural que nem damos por isso. O modo como mistura irrealidades com realidades, sendo que isso normalmente é apenas o contexto e ambiente para tornar a história principal mais emotiva, não nos desvia do verdadeiro enredo.
Pegando naquilo que me parece ser a história principal, eu diria que o filme, sem “estragar o filme” para quem ainda não teve o prazer de o ver, retrata algo tão simples como: a história de um escritor em crise, crise de identidade, com aventuras pelo presente e passado que culminam numa epifania transformadora.


Afinal quem não procura uma [epifania] para dar sentido à sua vida?

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