quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Hard Candy - Drama Psicológico Sexual Distorcido


Hard Candy é um daqueles filmes que marcam! Primeiro, no filme, apesar de ser desempenhado por um rol de 5 personagens, praticamente toda a ação é encarnada apenas pelas duas personagens principais. São elas que dão toda a alma (e corpo) ao filme, é da interpretação superior dos dois atores que este filme, com um enredo originalmente bem desenhado, se constrói. O ambiente, tal como o número de personagens verdadeiramente ativas, é bastante restritivo, pois o filme desenrola-se, praticamente todo, numa luxuosa casa de arquitetura contemporânea, que se permite a uma fotografia própria com cenas visualmente muito interessantes.
Este é um filme de enganos, de reviravoltas e de sequências de cenas surpreendentes. Trata-se o tema da pedofilia, com as duas personagens a criarem um drama psicológico muito intenso, onde transpiram de tensão, e nós com elas.
Ellen Page demonstra, mais uma vez, ser uma incrivelmente talentosa atriz, apesar da idade. Incrível como são tantos os filmes onde as suas interpretações se destacam, sendo neste a sua performance levada ao auge do bom. Parece até que a história foi feita propositadamente a pensar nela, ou simplesmente engana-nos por ser uma atriz tão talentosa.
Apesar de tudo, Hard Candy, é um filme intenso, emotivo e capaz de nos prender, um doce cinematográfico com amargos agridoces psicológicos, de humor negro e expiatório, demonstrando o pior e o melhor da condição humana.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Introdução à História – Uma obra sem ponto final de Marc Bloch

Este último ano teve, sem dúvida, uma leitura que me marcou. Não se trata de ficção, romance ou conto. O título do livro diz tudo: “Introdução à História”. Com um nome tão direto e quase cru, direcionado para um área tão específica do saber, o mais provável é não despertar um interesse generalizado, e até parecer estranho ser aqui referida. Este título, quase quadrado, esconde um conteúdo único muito eclético. O próprio livro e o autor têm uma história para além da história, da história que pretendem querer introduzir. Esta obra de Marc Bloch - importante historiador medieval do século XX – tem a sua própria história, escrita num dos períodos mais negros da história do século XX. Nesse labor, do conhecido historiador, é dado o passo para uma “nova história”, termo que a própria história registará como nova abordagem ao estudo e análise da própria história enquanto ciência.
Marc Bloch - David Levine
Fonte
Marc Bloch, neste, como em mais escritos da sua autoria, e em consonância com outros companheiros historiadores do seu tempo que seguiam a mesma tendência, quis mudar o modo como se contava, registava e fazia história – a historiografia não seria mais a mesma. Queria que a história deixasse de abordar e tratar apenas os grandes feitos, os grandes líderes, as grandes coisas. Queria que a história passasse a estudar toda a sociedade, também os pequenos feitos, os indivíduos comuns, a sociedade no seu todo, algo que nos fizesse aproximar mais do passado, com uma visão apropriada ao Homem real. Bloch queria que na história passasse a constar o todo, e não o particular que alguém decidiu destacar no passado, por razões várias. Bloch defendia que a história devia ser mais um exercício de reflexão e criação que propriamente de acumulação acrítica de conhecimento passado. Esta nova forma de ver o passado foi revolucionária para a História, e tem hoje claras influências na sociedade contemporânea. Emancipou o Homem na história, e permitiu que o estudo da história fosse dinâmico e passível de novas construções para o presente e futuro. Fez com que a história se relacionasse com as outras ciências de um modo pluridisciplinar e fosse uma das bases de planeamento para o futuro.
Introdução a História” é uma obra inacabada, Marc Bloch nunca a terminou… Não lhe permitiram dar o ponto final no seu magistral trabalho. Muito mais haveria para escrever, tal como o próprio autor planeara. Marc Bloch foi fuzilado em 1944. Bloch era judeu, tinha sido soldado na primeira Guerra Mundial, e quando a França fora ocupada pelos Nazis abandonou o mundo académico e alistou-se na Resistência Francesa. Durante a Guerra foi capturado, torturado pela Gestapo, e executado por ordens de Klaus Barbie, o conhecido oficial das SS e da dirigente da Gestapo.
Da obra inacabada surgiu a oportunidade de fazer jus ao autor e continuar o seu trabalho. Muitos historiadores o fizeram, muitos continuaram a fazer história, abraçando-a como “nova”. Por ironia do acaso, e do papel que o próprio Marc Bloch deixou na história, hoje temos todos ao nosso dispor uma obra inacabada para continuar a escrever a nossa história.
Nota: este texto foi criado propositadamente para o blogue "7 Autores", a convite de Silvia Alves, mas como a temática se enquadra âmbito deste espaços, decido publica-lo aqui também.

domingo, 16 de setembro de 2012

Após Acordo Ortográfico a maioria das visitas ao Blogue veem do Brasil

O mais recente acordo ortográfico, que entrou em vigor em 2009 em Portugal (1.1), gerou desde então, ao longo de um processo moroso que começou muito antes (1.2), grande discussão e contestação. 
Do lado dos detratores do acordo defende-se, entre muitas posições, a descaracterização da Língua Portuguesa, e o seu afastamento para com as suas origens históricas. Do lado dos defensores do acordo empunha-se o estandarte da oportunidade de crescimento da língua, dos espaços e mercados do português como língua muito mais universalista. No fundo, as mudanças, via acordo ortográfico, aproximariam o português dos vários países de língua oficial portuguesa, dando-lhes escala em todos os sentidos, potencialmente alargando o próprio grupo da lusofonia. A isso juntar-se-lhe-ia todo o potencial económico associado decorrente do alargamento e criação de um mercado cultural único para os vários países, ou seja, haveriam muitos mais leitores e os custos de publicação e divulgação seriam reduzidos.
Bem, ambas as posições são, no mínimo, defensáveis, mas ainda haverá - com certeza - muita discussão sobre este assunto, e só o tempo revelará que as previsões se concretizarão.
Baile Popular -Di Cavalcanti
A experiência aqui do blogue, no que toca à escrita segundo o novo Acordo Ortográfico, tem sido reveladora: desde que os textos começaram a ser publicados segundo o novo Acordo Ortográfico o número de visitas vindas do Brasil subiu exponencialmente, sendo hoje o país de onde mais se visita A Busca pela Sabedoria. Obviamente que este exemplo não é representativo e não serve para provar nada, mas pode servir para refletir. 
No entanto, apesar das vantagens de crescimento do mercado para as publicações em português há um dado curioso que raramente é divulgado. Apesar de existir um novo Acordo Ortográfico com o intuito uniformizar o português falado pelo mundo fora, existem variantes para cada país dentro do atual acordo! No fundo, continua a não haver uniformidade total.
Talvez venha um dia em que o português seja uma língua uniforme mundial ou então que desapareça para dar origem a outras línguas. Ninguém saberá isso, até porque a Língua Portuguesa nunca foi estanque, até porque não nasceu do nada e porque tem, como todas as línguas, uma história de reformulações alterações, divergências e uniformizações.

Fontes:
(1) -Portal da Língua Portuguesa, disponível emhttp://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php
(2) - História da língua portuguesa, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_l%C3%ADngua_portuguesa

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Estupidez Humana – Um Ensaio de Cipolla


Lidamos diariamente com a estupidez, pelo menos não temos qualquer problema em, na mais ingénua e despreocupada das análises, classificar e adjetivar comportamentos e ações como sendo estúpidas. Ao enveredarmos por esses ajuizamentos podemos cair, paradoxalmente (ou não), na estupidez. Por mais simples que possa parecer, distinguir entre a estupidez e não estupidez nem sempre é fácil. Pois, nem sempre temos todos os dados, todas as informações e todo o discernimento para tais aventuras cognitivas. As nossas limitações e enviesamentos são muitos, com o pensamento imediato – útil mas por vezes estúpido – a ganhar a melhor perante o sistemático e aprofundado (1) – tendencialmente mais preguiçoso.
Ego - De Chirico
Por tudo isso, e por muito mais, o curioso ensaio de Carlo M. Cipolla intitulado de “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana” ganha um particular interesse. Essa obra, tendencialmente bem-humorada, sarcástica, irónica, caustica e crítica tenta simplificar e sistematizar, de um ponto de vista utilitarista, a estupidez humana. Assim, é quase um escrito de intervenção social, conceptual.
Cipolla defende que a estupidez humana é uma caraterística universal, que afeta todos os grupos humanos de igual modo e em igual proporção. O autor dividiu a humanidade, principalmente segundo as ações de influência económico-sociais (privilegiando os efeitos das relações entre indivíduos), em: Ingénuos; Inteligentes; Bandidos; e Estúpidos. Essa divisão é feita através de uma análise custo-benefício, um excelente princípio e ferramenta para quantificar caraterísticas difíceis de quantificar e avaliar.
Passo apenas a citar então, tento em conta as quatro divisões anteriores, a definição que Cipolla dá aos estúpidos (2): “Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso". Segundo esses mesmos princípios, então os Ingénuos seriam os se prejudicam a si próprios mas trazem ganhos aos outros (2). Os Inteligentes seriam os que trazem ganhos a si e aos outros (2). Por fim, os Bandidos traziam ganhos próprios à custa de prejuízos para os demais (2).
As quatro categorias, aplicando-as a um gráfico de dupla escala ortonormado cartesiano (com um eixo a representar os ganhos próprios e o outro os custos ou danos), definem quatro quadrantes. Assim, de um modo muito simples – talvez até demasiado simples, mas mais que adequado pois trata-se de um ensaio tendencialmente humorístico, não científico e exaustivo -, recorrendo a geometria básica, catalogam-se os comportamentos da humanidade, e seus efeitos. Esta construção e ordenação seria de extrema utilidade caso a estupidez se conseguisse evitar, pois, tal como a define o autor, ser estúpido resulta, de um modo absoluto, na introdução de perdas na Humanidade, vista como um sistema económico-social onde se podem considerar as várias facetas da humanidade. 
O livro “Allegro ma non troppo” contém ainda um divertido ensaio sobre a história da Europa, tendo o gosto, consumo e busca pela pimenta como força motriz dos principais acontecimentos. Mas é na segunda parte, no ensaio sobre a estupidez que a obra ganha uma outra vertente. Não se podendo obrigar ninguém a ler ou a apreciar as letras – e ainda bem -, pelo menos pode-se sugerir. Desse modo, recomendo fortemente a leitura deste livro, especialmente porque estes pequenos excertos de “As leis fundamentais da estupidez humana” são apenas partes de um texto muito mais divertido e rico. Estupido será, podendo, não ler… Pois, é imensa a nossa capacidade para ignorar a nossa ignorância (1), ou estupidez… Neste caso (2), ignorar a estupidez, pode ser extremamente danoso, especialmente para os outros!

Referências Bibliográficas
1 –Kahneman, Daniel. “Pensar, Depressa e Devagar”. Temas e Debates, 2012
2 – Cipolla, Carlo M. “Allegro ma non troppo – seguido de as leis fundamentais da estupidez humana”. Edições Textografia, 2008.

domingo, 2 de setembro de 2012

A Busca pela Sabedoria faz 3 anos!

Já passaram três anos desde que me estreei na "blogosfera".  Na altura, essa aventura começou como uma necessidade de escapar ao mundo cinzento e quadrado da vida quotidiana e às rotinas profissionais, quase sempre limitativas da busca e análise de conhecimentos universalizantes humanistas. Este blogue foi o primeiro de vários, nele, e por ele, enveredei numa disciplina informar de tentar sistematizar ideias e pensamentos, baseados em leituras e outras aquisições de conhecimentos e experiências várias. Paradoxalmente, acabei por cair numa rotina também, pois ter um blogue exige contínua atualização e introdução de novos textos. Mas como a diversidade dos conteúdos é tão grande, infindável mesmo, a rotina que se criou foi benéfica para o desenvolvimento  e aprofundamento da desejada busca pessoal, a qual queria o mais eloquente possível
Três pares de sapatos - Van Gogh
Três anos passados, quase 150.000 visitas e mais de 200 textos depois, a vontade é de não parar, de continuar - haja tempo para poder colocar em "blogue" tudo aquilo que me vai parecendo ter interesse para esta busca. 
A Busca pela Sabedoria vai ganhando maturidade, e provavelmente em breve será a altura para tentar novas realizações e etapas. Pode ser que um dia, se se concretizarem algumas propostas, do blogue nasça algo mais palpável e físico. Quem sabe?
Aproveito para agradecer a todos os visitantes, pessoas que têm comentado os textos, que me têm corrigido  erros que sempre vão aparecendo e feito sugestões de todo o tipo: Muito obrigado! Agora é tempo de "mudar de botas" e me pôr novamente a caminho desta busca. Até breve, até próximo post!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Compêndio de curiosidades e tradições sobre casamentos


No ano passado, por volta desta altura, decidi, por razões particularmente pessoais, fazer uma pesquisa informal pela Internet sobre curiosidades e tradições associadas directamente e indirectamente aos casamentos. Assim resultou um pequeno compêndio de duas páginas destinado a encher com outros conteúdos algumas mesas. Muitas destas informações são mitos ou interpretações erróneas, algumas perto da verdade ou do que se sabe historicamente, outras são meras fantasias criadas para dar sentido a alguns comportamentos- ainda que tenha feito alguma filtragem. De qualquer dos modos, verdade ou mito, algumas destas explicações são divertidas e curiosas o suficiente para que sejamos levados a investigar sobre a sua veracidade. Fica então o dito compêndio, ordenado alfabeticamente. Agora é uma questão de investigar, ficando aqui a possibilidade para comentar, refutando ou reforçando com fontes credíveis, para quem quiser entrar nessa busca.
O Casamento - Adrien Moreu

Alianças
As alianças de casamento e de compromisso são usadas no quarto dedo, porque outrora no Egipto se pensava que uma veia nesse dedo estava directamente ligada ao coração. A aliança representa um circulo, ou seja, uma ligação perfeita entre o casal. O círculo representava para os Egípcios a eternidade, tal como o amor, que deveria durar para sempre.

Algo velho, novo, emprestado e azul
O ditado, "Algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul” é usado desde os tempos Victorianos. O “algo velho” representa os laços da família e a sua vida passada; "Algo novo" representa a sua nova vida juntos e os seus desejos de felicidade, prosperidade e sucesso; "algo emprestado" de uma mulher casada e feliz para emprestar a boa sorte; e "algo azul" representa a felicidade e a constança.

Atirar Arroz
A tradição de atirar grãos de arroz sobre os noivos, após a cerimónia nupcial, teve origem na China, onde um Mandarim quis mostrar a sua riqueza, fazendo com que o casamento da sua filha se realizasse sob uma "chuva" de arroz.

Brindes e bebidas
No Japão, o casal de noivos bebe 9 goles de sake, tornando-se marido e mulher a partir do primeiro gole.
Na China, a cor do amor é o vermelho, durante a cerimónia do casamento, o casal bebe vinho com mel de dois copos atados com uma fita vermelha.
As noivas do Médio Oriente pintam motivos henna nas suas mãos e pés para as proteger do mau-olhado. 
Os franceses muitas vezes fazem brindes num copo especial com duas pegas, especial para os noivos.

Beijo
Nos tempos romanos, o beijo selava o acordo do casal de assumir um compromisso para a vida.

Bolo de Casamento
A tradição do bolo de casamento remonta à antiga Roma, onde na cerimónia de casamento se partia um pedaço de pão sobre a cabeça da noiva para o bem da fertilidade.
O bolo da noiva é, desde há séculos, um símbolo de boa sorte e de festividade. No tempo dos Romanos, a noiva comia um pedaço de bolo, e exprimia o desejo de que nunca lhes faltasse o essencial para viverem.
A tradição do "tradicional" bolo de casamento empilhado, partiu de um jogo, onde a noiva e o noivo tentavam beijar-se por cima de um bolo, que se tornava cada vez maior, tentando não o derrubar.

Bouquet da noiva
O bouquet da noiva tem origem medieval. Nesta época, as mulheres levavam ervas aromáticas para afugentar os maus espíritos. Pouco a pouco, o ramo da noiva tornou-se um hábito em todos os casamentos e, com a passagem do tempo, acrescentaram-se significados às diferentes flores.
O bouquet pode ter surgido também na Grécia como uma espécie de amuleto contra o mau-olhado e, na sua confecção, era utilizado o alho.

Chover no casamento
De acordo com a tradição hindu, chover no dia do casamento é considerado um sinal de sorte.

Damas de Honor
As testemunhas, ou damas de honor exigidas num casamento romano, protegiam a noiva, vestindo-se de maneira semelhante a ela, enganado assim os maus espíritos, evitando o mau olhado e a inveja.

Dar o Nó
A expressão “dar o nó” vem de antigas tradições relativas aos casamentos Egípcios e Hindus, onde as mãos da noiva e do noivo são literalmente atadas, demonstrando o seu laço de união.

Diamantes
Diamantes sobre ouro ou prata, ficaram muito populares a formalizar um compromisso, devido aos Venezianos o terem feito, por volta início do século XVI.

Danças
Na Turquia, antes da noiva sair do local da cerimónia, pede às suas amigas solteiras para escreverem os seus nomes na sola dos seus sapatos. Depois da noite de dança, a tradição dita que a assinatura da pessoa que estiver mais gasta será a próxima pessoa a casar.

Data para casar

A popularidade dos casamentos em Junho descende da deusa Romana Juno, que era o deusa do casamento, do nascimento e do coração.
No Brasil, o mês preferido também é Maio, provavelmente, pela referência de Maya, Maria, mãe.

Despedidas de solteiro
As despedidas de solteiro foram originadas pelos soldados Espartanos, que se despediam dos seus dias de solteiros com uma festa desconcertante.
Em Portugal o típico vestido de casamento, antes do século vinte era tradicionalmente preto.

Evitar casar em família
Na tradição católica originalmente usava-se anunciar o casamento, afixando a intenção dos noivos, para assegurar que estes não eram família.

Flor na lapela
A tradição do casamento de o noivo usar uma flor no fato origina dos tempos medievais quando os cavaleiros usavam uma flor para simbolizar a pessoa amada como prova do seu amor. 

Levar a noiva ao colo

Os romanos carregavam a mulher no colo ao levá-la para casa, para evitar que ela tropeçasse, o que significava mau presságio.

Lua-de-Mel
A Lua-de-mel tem origem no povo germânico, pois era costume se casar na Lua Nova. Na cerimonia, os noivos bebiam uma mistura de água com mel para proporcionar boa sorte. 
O costume também poderia ter nascido em Roma: os convidados pingavam gotas de mel na porta de entrada da casa dos noivos para que estes tivesse uma "vida doce". 
Os judeus acreditam que casar na Lua Crescente é prenúncio de felicidade.
Outra opção é termo lua-de-mel vir também do tempo em que o casamento era um rapto, muitas vezes contra a vontade da rapariga. O homem apaixonado raptava a mulher e escondia-a durante um mês (de uma lua cheia até à outra) num lugar afastado. Durante esse período, tomavam uma bebida fermentada, à base de mel, que devia durar 28 dias, o tempo do mês lunar. 
A lua-de-mel, tal como a conhecemos hoje, tem origens nos hábitos ingleses do século XIX. O recém-casado passava uma época no campo para se libertar das obrigações sociais

Posição dos Noivos
A razão da noiva ficar sempre do lado esquerdo do seu noivo tem a sua origem nos anglo-saxões. O noivo, temendo a tentativa de rapto da noiva, deixava sempre o braço direito livre para tirar a sua espada.

Roubar a noiva e bater o pé
Na Finlândia existe a tradição do  roubo da noiva, feito pelo padrinho do noivo. Para a reaver, não necessariamente sóbria, o noivo terá de completar com sucesso uma ou mais tarefas. Também na Finlândia existe a tradição do "bater do pé": o casal deve bater o pé (com força) no momento em que a faca toca o fundo do prato do bolo. O primeiro a bater o pé demonstra logo aí quem manda em casa.

Sorte e Fertilidade

As ferraduras são consideradas objectos de boa sorte num casamento devido à sua forma em lua, que se diz símbolo da fertilidade.
Na Alemanha, a noiva transporta sal e pão no seu bolso para assegurar recompensa, o noivo transporta grãos de cereais, para dar saúde e sorte.
Os ingleses acreditam que se a noiva encontrar uma aranha no vestido de casamento, esta trará sorte ao casamento. 
Na Holanda planta-se um pinheiro fora da casa dos recém-casados, símbolo de fertilidade e de sorte.
 Uma noiva sueca costuma colocar uma moeda de prata oferecida pelo seu pai e uma moeda de ouro oferecida pela sua mãe, em cada sapato, assegurando que ela nunca passará sem eles.
Na Índia, o irmão do noivo atira com flores sobre o casal no fim da cerimónia para os proteger do mal.
No Egipto, para dar boa sorte, as mulheres egípcias beliscam a noiva no dia do seu casamento.
Na África do Sul, ambos os pais da noiva e do noivo, transportam fogo, simbolizando o fogo que passa dos seus corações acendendo um novo fogo no coração dos recém-casados.
As mulheres marroquinas tomam um banho de leite para se purificarem antes da cerimónia do casamento.

Vestido de Noiva
A tradição ocidental do vestido branco foi iniciada em 1840 em Inglaterra pela Rainha Victoria, no seu casamento com o príncipe Alberto. No Japão, o branco foi utilizado para as noivas, muito antes da Rainha Victoria o ter popularizado no mundo ocidental.
Na Dinamarca, as noivas e os noivos tradicionalmente trocam as roupas um com o outro, para confundir os maus espíritos.

Véu e grinalda da Noiva
O uso do véu da noiva era um costume da antiga Grécia. Os gregos acreditavam que a noiva, ao cobrir o rosto, ficava protegida do "mau-olhado" das mulheres e da cobiça dos homens. Tinha ainda um significado especial para a mulher: separava a vida de solteira da vida de casada e futura mãe. Hijab (véu), quer dizer, em árabe, "o que separa duas coisas".
O uso da grinalda permitia que a noiva se distinga dos convidados, fazendo com que se pareça com uma rainha. Tradicionalmente, quanto maior a grinalda, maior é o símbolo de status e de riqueza.

sábado, 18 de agosto de 2012

Manipular as Ações Alheias Sugerindo Ideias Indiretas – A Impulsão Ideomotora


E se conseguissem influenciar os nossos comportamentos e ações físicas através de ideias indiretas? Bem, parece que podem de facto, que de um modo inconsciente somos altamente influenciáveis, sem disso termos a mínima perceção, pelas mais ínfimas sugestões. 
Os papagaios  (os acrobatas)- Fernad Léger
Uma das experiências clássicas da psicologia social, uma entre muitas referidas no livro “Pensar, Depressa e Devagar”, realizada pelo John Bargh revela o modo como, indiretamente, qualquer pessoa é altamente influenciada apenas por ideias. Nessa experiência foi pedido a um grupo de jovens que ordenassem um conjunto limitado de palavras numa frase coerente. A metade dos indivíduos disponibilizou-se um rol de palavras relacionadas indiretamente com o tema da velhice. Aos restantes não havia qualquer relação de conjunto das palavras a qualquer tema evidente. Depois de todos participantes na experiência concluírem a tarefa proposta, atravessaram um corredor para continuarem com mais testes, mas era no percurso entre salas que residia verdadeiramente a experiência. Por mais surpreendente que possa parecer, os jovens que tinham formulado frases com alusões à velhice deslocaram-me mais lentamente que os outros. Num questionário posterior a maioria dos jovens a quem tinham sido fornecidas palavras relacionadas com velhice consideraram não ter notado qualquer tema em comum nas palavras.
Este exemplo experimental, relatado por Daniel Kahneman na obra já citada, revela como podemos ser facilmente influenciados por impulsões. Neste caso concreto foi uma ideia subliminar que gerou uma ação inconsciente e não premeditada: deu-se o efeito ideomotor (*). Então, tendo em conta o exemplo e aplicando o pensamento indutivo, muitos poderão ser os casos em que os nossos comportamentos e ações são, propositadamente ou não, influenciados pelas ideias que existem e são disseminadas à nossa volta. É quase preocupante concluir quão facilmente podemos ser influenciados, quão ténues e simples podem também ser os meios e os modos de o fazer, e quão evidentes podem ser os resultados. Se, muitas vezes, sem intenção podemos ser levados a ter certos comportamentos, imagina-se então quando essa influência é propositada. O primeiro passo para tentar minimizar essa disposição natural, caso se pretenda enveredar por esse caminho, é começar por admitir e assumir a facilidade como qualquer um de nós é influenciado pelo meio e pelas ideias.

Nota: O Livro no qual se fundamentou o presente texto é incrivelmente útil e interessante para quem se quer iniciar na psicologia social. Daniel Kahneman escreve de um modo simples, por vezes até sarcasticamente divertido, recorrendo e referindo muitos exemplos de experiências que ajudam à compreensão de conceitos e saberes complexos e de especialidade. Seguramente que esta mesma obra será utilizada posteriormente como base a mais textos. Sem dúvida que a recomendo. Não foi por acaso que o autor, que é psicólogo, ganhou o prémio Nobel da Economia, por mais estranho que possa parecer à primeira vista.

Referências Bibliográficas
(*) Kahneman, Daniel. “Pensar, Depressa e Devagar”. Temas e Debates, 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Porque são diferentes os Emigrantes Portugueses em França?

Agosto é tipicamente, e desde há algumas décadas, o mês de retorno de muitos emigrantes portugueses à pátria de origem, e também agora de muitos dos seus descendentes que nunca chegaram a morar em Portugal. Com a chegada dos portugueses emigrados Portugal muda, sente-se a diferença nos espaços públicos e locais onde tendem a juntar-se mais pessoas: ouvem-se mais “línguas estranhas” um pouco por todo o lado. Também as famílias crescem nesta altura, pois dificilmente haverá quem não tenha familiares emigrados. Com estas mudanças, e respetivos novos influxos humanos, tendem a ocorrer intercâmbios e, por vezes, choques de culturais. O efeito (ou embate) pode dar-se no sentido do de enriquecimento ou de conflito. 
Carga Humana (tríptico 2) - Paula Rego

De um modo geral, independentemente do país de acolhimento, o surgimento dos ditos choques é espectável e normal. No caso de países onde existe forte tradição de emigração o choque tende a ser ainda maior (*), pois tendem a ser países em processo de mudança, restruturação e reconstrução a vários níveis. Ou seja, quem emigra é naturalmente aculturado, mudando e adaptando-se à cultura dos países de acolhimento, mas quando volta às suas raízes também muito do que ficou mudou. O desfasamento é duplamente acentuado tanto pela aculturação dos emigrados como pelas mudanças que ocorrem no próprio país de origem. Pode-se dizer que Portugal é um país com forte tradição de emigração, e que a sociedade portuguesa mudou muito desde a década de 60 do século XX (ver documentário: Portugal um Retrato Social).
Para além disso, e especialmente para o caso dos emigrados em França, o choque cultural é ainda mais forte e evidente, muito devido às próprias características da cultura francesa. Em França a cultura é muito centralizada, exigindo aos imigrantes que a adotem integralmente para melhor integração. Tal não é verdade para outros países de forte tradição de imigração; Um exemplo importante a ter em conta é o da comunidade italiana, tendo sido feito um estudo que comparou o tipo de aculturação que sofreram os  imigrados italianos nos EUA e em França (*): nos EUA, por ser uma cultura federalista que cria condições favoráveis para o continuar da identidade cultural de origem dos imigrantes, os italianos mantiveram muito da sua herança cultural; por outro lado, em França, pelo peso do centralismo e força da cultura francesa, a aculturação foi muito marcada, com a herança da cultura de origem a dissipar-se rapidamente. Assim, é compreensível a forte aculturação dos emigrantes portugueses a viver em França, contribuindo para que pareçam muito mais estranhos aos portugueses residentes que os emigrados noutros países.
No entanto, existem também outras razões internas que podem ajudar a tentar compreender os choques culturais, a própria noção de “cultura de origem” pode ser polémica.. Na verdade não existe uma cultura de origem (*). Existem sim muitas. A cultura urbana nacional não é igual à rural, e mesmo dentro dos meios rurais e urbanos existem grupos bastante distintos, com reações e comportamentos diferentes face às aculturações. Assim, nem todos os emigrantes tendem a comportar-se do mesmo modo perante as mesmas solicitações, até porque, para além disso, cada individuo terá sempre a sua personalidade própria, mais ou menos independente do meio.
Agora em Agosto, quando ouvirem um emigrante a misturar palavras e conceitos, pensem que todos nós, mesmo aqueles que nunca saíram do país e experimentaram viver noutra cultura, recorremos abundantemente a estrangeirismos sem fazermos grande esforço para recorrer aos termos existentes da língua portuguesa – quem nunca disse: “Link”, email, “post”, “briefing”, etc. e tal. A tecnologia, e outras áreas de especialidade, têm tido uma forte influência na língua e contribuído, em parte, para uma certa aculturação anglo-saxónica. Se pensarmos nos termos informáticos e da área da gestão/marketing o rol de estrangeirismos é imenso!
Muito mais haveria para dizer sobre este tema. Para já o melhor é aproveitar o Verão, o clima, as férias e a oportunidade para nos enriquecermos culturalmente com os emigrantes que nos visitam, pois parece que muitos vão continuar a emigrar, esperando um dia voltar.

Referências bibliográficas
(*) Cuche, Denys. “Noção de Cultura em Ciências Sociais”. Fim de Século: 2006

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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