“
A Guerra dos Tronos” ou “ O Jogo dos Tronos” – na tradução direta do inglês – é uma das mais cotadas séries televisivas da atualidade (ver no
IMDB). Os 10 livros que compõem as “
As crónicas do Gelo e do Fogo” foram adaptadas para televisão pela
HBO e o resultado foi, no mínimo, positivo e original. Depois do sucesso de “
Roma” (ver no
IMDB) esta é mais uma grande série épica. No entanto, essa anterior grande realização seja, em alguns aspetos, substancialmente diferente: "
Roma" baseiam-se em História factual, produzida com especial atenção ao rigor histórico, ainda que seja uma adaptação romanceada, podendo ser quase vista como um documentário (ou não tivesse o envolvimento também da
BBC).
Mas a “A Guerra dos Tronos” é uma
ficção.
George. R. R. Martin, o autor, admite a influência de clássicos da literatura associada ao “fantástico medieval”, especialmente da monumental obra que é “
O Senhor dos Anéis”. Apesar de não ser uma obra Histórica, o universo fantástico medieval criado por Martin para a sua grande história revela
sólidos conhecimentos do passado factual. São muito evidentes na terra de
Westeros – área geográfica, tipo continente, onde se passa a maior parte da história - as
influências da Europa Medieval: das relações feudais, da monarquia absoluta, as lides da guerra, da política e tramas palacianas, dos códigos de cavalaria e comportamentos de classe, do campesinato e suas ligações à terra, etc. São também notórias as inspirações bebidas diretamente da
mitologia nórdica e germânica, entre muitas outras, no mundo fantasioso de “
A Guerra dos Tronos”. George. R. R. Martin conseguiu criar uma fantasia encorpada por um enredo elaborado – aliás, muito elaborado – de relações entre personagens, bem trabalhadas, e uma política altamente complexa, que se concretiza no desenrolar da história e se vai aprofundando com o
emaranhado da intriga e as correrias de uma
infindável panóplia de personagens.
O autor criou uma “
fantasia medievalesca”
para adultos, evitando alguns lugares comuns e um Excessivo apego a uma personagem principal (ou grupo restrito) que normalmente costuma assumir o papel de herói (ou heróis), até porque nesta série eu diria que, tal como na vida real,
não existem heróis, pelo menos pelos padrões habituais no género. Em “
A Guerra dos Tronos” as personagem são humanas, acima de tudo. Mesmo aquelas que mais poderiam tender para o modelo heroico são retratadas com defeitos, e o tratamento de supremacia não é absoluto e linear, e muitas vezes fica muito longe de ser justo. Martin cria um
mundo ficcional fantástico realista, muito pouco habitual para o género, e até para qualquer criação televisiva ou cinematográfica de géneros ditos mais correntes. As personagens vão-se moldando com o desenrolar dos acontecimentos, vão demonstrando o seu carácter, vão ficando mais
complexas. Muitas vão morrendo, muitas são injustiçadas, algumas criam percursos de sucesso e afirmação, mas a tragédia é o pano fundo. As alterações podem ser repentinas. Por vezes, enquanto espectadores ou leitores, não estamos preparados para as mudanças, e menos ainda para as
mortes.
Um especto muito importante da série é a fidedignidade dos diálogos e da série para com a história contida nos livros. Isso tem sido garantido pelo envolvimento na escrita dos guiões, produção e realização do Próprio George R. R. Martin.
Pessoalmente – como já se notou - sou um apreciador deste tipo de criações, mas a popularidade de “
A Guerra dos Tronos” é tão grande e incontornável que
merece ser analisada. Tal só pode significar qualidade, com ose explicaria, que mesmo aquelas e aqueles que não seja particularmente apreciadores do género fiquem rendidos a esta magistral obra, quer seja em livro ou em série televisiva?
Também existe uma versão de “
A Guerra dos Tronos” em formato de
jogo de tabuleiro. Aliás existem duas, com a
2ª edição a conseguir ascender aos melhores jogos do género, segundo os aficionados desse tipo de jogos. Por outro lado, a versão realizada para jogos computador no género estratégia (versão
génesis), segundo as críticas, não faz jus à obra original, chegando mesmo a ser medíocre. Aí, provavelmente o autor não se preocupou, ou foi chamado, a guiar a adaptação tal como o fez na série televisiva.
Em jeito de resumo, “
A Guerra dos Tronos” é já uma das mais
importantes e incontornáveis obras televisivas deste novo milénio.