domingo, 6 de março de 2011

"Psicologia" - a facilidade e leviandade de uma classificação

Há uns dias acrescentou-se um separador de classificação aqui dos textos que sempre tentei evitar: Psicologia. Não por considerar a área de pouca importância, muito pelo contrário. Evitei-o simplesmente por, mesmo não tendo qualquer formação na área, ter a noção de que é com a maior das facilidades e superficialidade que se considera algo como de "psicológico" ou "psicologia", especialmente por parte nos curiosos da área. Agora, também aqui no blogue muito provavelmente se errará ao identificar e associar alguns textos à psicologia quando no fundo retratam apenas sentimentos, reflexões e tudo aquilo que define a Condição Humana
O Campo de Marte - Marc Chagall
 Para além da consciência para tentar evitar a  natural propensão  para o erro de classificação uma correcção exige-se. Alguns dos textos inicialmente classificados como de "psicologia" passaram a agora, depois de um exercício de correcção, a constar numa nova categoria (no caso do blogue um novo separador): Reflexões. Esta opção não evita o erro, apesar de minimizarem-se assim dificuldades de classificação de alguns textos - ou quase disparates  - que por cá se vão escrevendo. Até porque uma má classificação é meio caminho andado para nos perdermos na "busca pela sabedoria".

sexta-feira, 4 de março de 2011

Filme: "O Homem que não estava lá"

"O Homem que não estava lá", ou o "Barbeiro" - uma tradução nada literal esta última -, é mais um filme de Ethan e Joel Coen - os famosos irmãos Coen - que aqui trago ao blogue. Este filme de 2001 ganhou nesse mesmo ano o prémio de melhor director do festival de Cannes
 
O filme é integralmente filmado a preto e branco, os planos e o enquadramento são magistrais, mas ainda melhor que isso são os contrastes e a luz - algo que transparece mais provavelmente por ter sido filmado conjugando apenas duas cores "antagónicas".
A banda sonora, que utiliza muito das sonatas de Beethoven, compõe ainda mais o filme e dá-lhe um travo sonoro especial delicioso.
 
Mas para além da parte técnica da filmagem e sonoplastia, o filme vale a pena também pelo desempenho da personagem principal, como o actor (Billy Bob Thornton) consegue encarnar numa personagem que se quer propositadamente expressiva sem demonstrar grandes expressões durante a acção. Ao nível do enredo, eu diria que se trata da descrição pessoal, por parte da principal das personagens, com o intuito da compreensão do seu próprio papel na história e o próprio sentido e razão de tudo o que aconteceu, ou seja, a razão do própria história do filme que vive muito da intimidade da personagem central. O facto da obra ser a "preto e braco" acentua ainda mais o facto de se poder considerar um filme de época, passado no final dos anos 40 do século XX. 

Pensar sobre o que transmite "O Homem que não estava lá", leva-me questionar sobre quantos de nós não olham para trás, analisando a própria vida, os acontecimentos, escolhas e fortuitos na tentativa de encontrar um sentido para o fim?
 
Divagações à parte, esta é mais uma obra dos irmão Coen a ver e desfrutar.

terça-feira, 1 de março de 2011

A noite dos Mortos - um documentário de "nuestros hermanos"

"Dia dos Mortos" é o título de um documentário espanhol que passou no Canal de História - um exemplo de documentário de boa qualidade não anglo-saxónico que por lá vai aparecendo. Este trabalho documental apresenta alguns eventos históricos e heranças culturais em torno da Morte e da criação e um dia (e noite) a ela dedicada. Na "Noite dos Mortos" envereda-se, através de uma retrospectiva histórica dos costumes, por tentar transmitir qual o significado e impacto que a Morte teve, e ainda tem, no imaginário individual e colectivo, no modo como esse medo/fascínio foi moldado e moldando as sociedades ao longo dos séculos até às tradições de hoje. As celebrações em torno da Morte variaram e alteraram-se conforme a cultura ou a religião dominante num determinado período histórico/sociológico. O documentário trata o tema tendo principalmente as terras da Espanha (da actualidade) como pano de fundo, mas acaba também por permitir tecer alguns paralelismos com a nossa realidade [portuguesa] e até com todos os restantes países Ocidentais.
O Jardim da Morte - Hugo Simberg
 Vamos à Historia e as histórias propriamente ditas sobre a Morte. O documentário começa por referi a herança celta. O dia 1 de Novembro era o dia de ano novo celta - Samhain - o , onde terminava o ano da luz (Primavera e Verão) e começava o ano  das trevas (Outono e Inverno). Nesse dia consultavam os antepassados, através de médiuns para pedir conselhos. Ao que parece, pelo menos em Espanha (havendo há provas escritas da idade média), faziam-se nessa noite cabeças de nabo com velas no interior para assustar os desprevenidos da noite e as crianças iam em grupo pedir comida às casas dos vizinhos. Dai a relação com o actual Halloween. Quem nunca viu estes costumes, ainda que seja com abóboras, num filme made in USA?
Mais tarde, com o advento do cristianismo, depois das perseguições do século IV, por parte do imperador Diocleciano, e por terem morrido tantos mártires pela sua fé, criou-se um dia para os honrar a todos - na prática não havia já dias de calendário para tantos santos. Criou-se assim o dia de Todos os Santos, na altura celebrado no dia 13 de Maio. No entanto, no século VIII o dia de todos os santos passa a celebrar-se no dia 1 de Novembro, isto com o claro objectivo de suplantar e acabar com a importante e popular celebração celta Samhain, anteriormente descrita. Esta "usurpação" foi muito semelhante ao que aconteceu no dia 25 de Dezembro (ver mais aqui).

À medida que o documentário vai rolando vão sendo referidas muitas tradições associadas ao culto da morte que ainda se praticam por Espanha nos nossos dias. Uma delas parece-me digna de referir por ser verdadeiramente bizarra. Na localidade galega de As Neves todos os anos se realiza uma procissão em honra de Santa Marta Ribarteme, que acontece em 29 de Junho na localidade galega,  onde, desde o século XVIII, pessoas que passaram por experiências de quase-morte desfilam em caixões abertos como pagamento de promessas.

Mas nem tudo é mórbido neste documentário. Aliás, eu diria até que o documentário de mórbido tem pouco, pois está elaborado de tal modo que o tema, apesar de sério e potencialmente pesado, acaba por se tornar leve e agradável, mesmo para os mais susceptíveis. Será algo que espanhóis conseguem mas que aos portugueses fica vedado por estarmos tão habitados a fados e a um modo melancólico de ver a vida e a morte?

Vejam-se então alguns exemplos de epitáfios gravados em lápides que se podem encontrar pelos cemitérios de Espanha, comprovando o bom humor (negro) de "nuestros hermanos":
•    "que conste que eu não queria";
•    "estou aqui contra vontade";
•    "estou morto, volto já";
•    "o meu ultimo desejo: vão-se lixar";
•    "aqui jazes e fazes bem, descansas tu e eu também";
•    "perdoem que não me levante";
•    "volto mais tarde";
•    "quando nasci todos riam e eu chorava, quando morri todos choravam e eu ri - é o que dá a marijuana";

Créditos do documentário "A Noite dos Mortos":
Produtor - Pedro Lozano,
Produção - Maureen audetto
Acessória histórica - Mercedes rico
Câmara e fotografia - Sergio acero e David Arasa
Guião e realização - Regis Francisco López

Textos mais visitados do mês - Fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Uma lição sobre o Mundo nos últimos 200 anos em 4 minutos

Nem sempre se está pronto ou predisposto para aprender. Na sociedade do instantâneo - a nossa - somos impelidos a consumir no momento, a aceder à informação tão depressa como formulamos uma opinião ou posição. Tais celeridades podem levar a precipitações e ao erro por falta de profundidade no analisar da informação. 
Mas trago aqui um exemplo de um vídeo em que se transmite, num ápice, uma quantidade impressionante de dados e informações sobre áreas como a: Geográfica; Demografia; Sociologia; História; Economia; e etc. 
Este vídeo que conta, de um modo incrivelmente resumido e rápido em 4 minutos, a história da evolução da qualidade de vida e do poder económico de todos os países do mundo nos último 200 anos não é obviamente suficiente para nos informarmos sobre os temas tratados, mas, mesmo assim, é um excelente modo de captar a atenção e de nos levar a querer saber mais sobre o que se apresenta. Muitas vezes só precisamos de um estímulo para querer aprender!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas,  para validar um testemunho não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.
Composição nº61 - Alexander Rodchenko
 Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que  a palavra "testemunha" provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a "teste", refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja árvore - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.
Reinaldo Pimenta (2), no livro "A Casa da Mãe Joana" - uma obra sobre curiosidades etimológicas, afirma que o termo latino "testis" originou os termos "testimoniu" e "testiculu". Refere o autor (2) que a palavra "testis", formada de uma variação de "tri" (três) + "sto" (estou), significa algo como: “que está ou assiste como terceiro”.  Diz (2) também que a terminação "culu" era usada para fazer diminutivos.  Assim, a palavra "testiculu" teria sido formada  para significar "pequena testemunha". 
Círculo Branco - Alexander Rodchenko
Também o sitio da Internet "Ciberdúvidas" (3), citando o "Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa", de José Pedro Machado, refere que o termo testemunhar advém  do termo latino "testemoniare", que derivou de "testemoniu" (testemunho, depoimento ou prova). Mas, por outro lado, esta fonte não segue pelas mesmas constatações que as anteriormente citadas, diz até que nada se pode concluir sobre a relação ente testemunha e testículo, limitado-se a referir que  o termo latino "testiculu" significa: testículo; orquídea;  planta. 
Apesar das palavras testemunho e testículo terem cada uma a sua raiz latina, isso não exclui que ambas as raízes etimológicas dessas mesmas palavras se relacionem.
Ainda no "Ciberdúvidas" (3) a explicação continua através do recurso a outro autor, o brasileiro Deoníso da Silva que escreveu a obra "A Vida íntima das Palavras - Origens e Curiosidades da Língua Portuguesa".  Novamente se volta à origem da palavra "testis" - "que está ou assiste como terceiro"(2)- e da palavra "testiculu" - "pequena testemunha" (2).  Deoníso da Silva (3), para explicar a relação que temos tentado analisar, relembra o modo como se davam os nascimentos na antiga Roma. Nessa altura, segundo este autor, um nascimento era sempre um acto presenciado por testemunhas, que serviam para atestar o sexo da criança. Esta necessidade de certificação era de extrema importância, pois se o sexo da criança fosse masculino significaria que a família teria continuidade - ainda hoje em alguns países as crianças herdam apenas o nome do pai. Assim, essa acto social surge como mais uma possível explicação para o modo como esses distintos órgãos sexuais [os testículos] podem ter ganho tal nome, por "assistirem o pénis" e por "atestarem" a masculinidade.
Aqui fica mais uma curiosidade etimológica sem conclusões absolutas. Podemos apenas afirmar que pode existir uma relação directa entre testemunho e testículo, mal tal não é garantido.
Amarelo e Vermelho - Alexander Rodchenko
Acabo este texto sem resistir a fazer aqui uma observação que se relaciona com o primeiro parágrafo: seria engraçado ver alguém, especialmente num tribunal, a jurar pelos seus testículos - numa relação com o próprio acto de testemunhar -, mas será que hoje - para o bem e para o mal - os testículos valerão tanto como antigamente?

Fontes
1 - http://letratura.blogspot.com/2006/10/etimologia-testemunha.html
2 - http://www.thalesc.com/blog/2007/12/etimologia_das_palavras.html
3 - http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=12151

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Novo cabeçalho e logótipo do "A Busca pela Sabedoria"

Parece que Heraclito disse um dia: "Nada é permanente, salvo a mudança"
Novo logótipo do blogue
Parece-me também que aqui o blogue, por já ir persistindo permanentemente com as suas próprias dinâmicas, ao longo do tempo também tem sofrido as suas próprias mudanças. Chegou agora a hora de deixar de "usurpar" uma das mais belas pinturas de Van Gogh - A Noite Estrelada -, embora em nada tenha diminuído a admiração e paixão que tenho por essa obra. Chegou a altura de usar dos próprios meios gráficos para dar moldura e formar uma imagem para este projecto. Por isso, criei então esta bússola como símbolo da busca. Já o sabedoria, como ainda não a alcancei e espero nunca alcançar pois assim se perderia o gosto pela viagem intelectual, não a sei como representar.  Portanto, a dita bússola terá de servir.

Boas Buscas pela Sabedoria pois este é também o vosso espaço, criado para divulgar ideias e saberes avulsos, mas também para que esses mesmos retalhos possam ser discutidos e debatidos.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Veículos Eléctricos em Rede (V2G) - armazenar energia e potenciar as Energias Renováveis

Começam a chegar ao consumidor os primeiros veículos automóveis eléctricos verdadeiramente funcionais. Neste aspecto Portugal é pioneiro e já temos alguns  postos de abastecimento adaptados aos novos veículos eléctricos - através de readaptações nos postos tradicionais de abastecimento de combustíveis fósseis ou em locais propositadamente preparados para o efeito.
Pininfarina Sintesi
Já num anterior texto fiz referência aqui no blogue a algumas das limitações do veículos eléctricos, sendo uma das principais a dificuldade em armazenar a energia. Referi também que uma das possibilidades seria construir e adaptar as infra-estruturas rodoviárias para o carregamento em estrada. No entanto, com o continuar do desenvolvimento das baterias - aumento da capacidade de armazenamento, diminuição do tempo de carga e disponibilização de energia de pico instantânea (através dos supercondutores) - provavelmente esse cenário, um tanto ou quanto de ficção cientifica, provavelmente pode nunca vir a acontecer. Nesse mesmo sentido, do aperfeiçoamento das baterias, já se conjecturam outras possibilidades, ideias e projectos que podem transformar os automóveis eléctricos num modo de solucionar em simultâneo um importante problema das rede eléctricas convencionais - o armazenamento da energia na própria rede.
Os sistemas de produção e distribuição de energia que hoje usamos têm grandes dificuldades em armazenar quantidades significativas de energia durante grandes intervalos de tempos. Isto afecta especialmente os modos de produção renoveis - as famosas energias renováveis - pois são aquelas que funcionam de um modo contínuo ou apenas quando determinadas condições estão reunidas (caudais de água, vento, exposição solar, etc.). Ou seja, elas efectivamente produzem energia mas nem sempre quando mais precisamos dela, o que obriga a existir um modo de poder armazenar essa energia para quando for efectivamente necessário. Construir grandes sistemas de baterias ou outras formas de acumuladores é economicamente inviável - pelo menos actualmente - mas também ecologicamente, pois teria custos enormes e impactes ambientais dificilmente recuperáveis (impactes na construção, na manutenção e fim de vida dos materiais e das próprias infra-estruturas).
Com o advento dos veículos rodoviários eléctricos, que não vivem sem as suas baterias, surge uma oportunidade de armazenar energia adicional proveniente da rede. Quer isto dizer que já se perspectiva um sistema em que os automóveis eléctricos possam acumular no período nocturno energia da rede. Durante o dia, quando o veiculo estivesse parado, essa energia acumulada, uma quantidade que não fosse necessárias para utilizar nos trajectos a realizar nesse dia, poderia ser transferida novamente para a rede. Isto poderia até ser proveitoso economicamente para os proprietários dos veículos pois estariam a vender de novo energia à rede ou então seriam ressarcidos pelo "aluguer" das suas baterias. Tal como permitiria acumular a energia não utilizável em períodos de fraca procura, relacionando-se isso, já dito anteriormente, com um importante apoio ao desenvolvimento das energias renováveis.

Esta proto-projecto já tem nome, chama-se Vehicle to Grid e até já tem a sua própria sigla: V2G. Apesar do V2G ainda não estar minimamente implantado, já se pensam noutros projectos que o integram e readaptam. Exemplo disso é o conceito de garagens inteligentes que pretendem, através da instalação de modo próprios de produção de energias renováveis   recarregar as baterias do veículos automóveis.
Esquema de integração e utilização de uma Garagem Inteligente (Smart Garage)
Tudo isto não passam de ideias ainda impossíveis de pôr em prática,  quer por dificuldades tecnológicas, quer por imprevisibilidade do mercado da energia e dos próprios transportes. Apesar de ser difícil prever o futuro, trata-se de um possibilidade a deixar em aberto e um possível  modo de colmatar uma deficiência - a acumulação - dos modos de produção associados às energias renováveis e, claro, de fomentar o uso dos automóveis eléctricos, com todas as vantagens ambientais que também daí advém (neste caso também económicas para os próprios proprietários).
Fontes:
  • http://www.udel.edu/V2G/
  • http://move.rmi.org/move-news/what-is-the-smart-garage.html

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conferência-debate com Carvalho da Silva em Alqueidão da Serra- algumas notas

No sábado dia 29 de Janeiro de 2011 participei, enquanto moderador, numa conferência-debate em Alqueidão da Serra - freguesia do concelho de Porto de Mós do distrito de Leiria - que tinha como orador o Doutor Carvalho da Silva - um dos mais importantes sindicalistas portugueses da actualidade e também investigador da área das ciências sociais, mais concretamente do CES. Foi a minha primeira experiência nestas andanças mas, atrapalhações e nervosismos à parte, senti que foi deveras enriquecedora - para mim e para todos os presentes -, quer pela experiência, quer pela partilha de saber por parte do orador. 
Lendo o jornal - José Malhoa
Pareceu-me tão interessante o que foi dito em Alqueidão da Serra naquela noite, que não podia deixar de trazer e registar aqui no blogue alguns dos conteúdos tratados.
Deixava então aqui, em honra ao orador e a sua disponibilidade, algumas das ideias que fixei das suas várias intervenções (lembro que estas foram as minhas interpretações das suas palavras e não a reportagem objectiva do que se passou): 
  • Os políticos não são todos maus na medida em que num qualquer grupo de executantes, praticantes, profissionais ou outros, também nunca todos podem ser maus - resposta a um dos presentes que da plateia disse: "os políticos são todos maus, são todos iguais"; 
  • Cuidado com as generalizações, pois através delas podem ser cometidas as mais grandes injustiças - uma clara referência a perda de direitos e ajudas sociais; 
  • Os cidadãos só acedem realmente à informação se a discutirem, se discutirem o que ouvem e vêm através dos Media - referindo-se que aceder à Internet, ver televisão, ouvir rádio, não é suficiente para estarmos informados, temos de discutir e colocar em causa toda essa informação .  
  • Os cidadãos devem ser os motores da mudança social através da participação cívica - comentário ao estado da nossa democracia que só se pode concretizar pela participação politica e cívica de todos os cidadãos. 
  • A vida sempre foi altamente instável, não podemos dizer aos nossos jovens que, só por a sua o ser também, que não devem ter esperança de um futuro melhor - referiu que há umas décadas a vida era muito mais instável e não era por isso que a esperança morria, todas as sociedades devem cultivar a esperança de que se irá viver melhor, caso contrário o próprio sentido de ser da sociedade deixa de fazer sentido. 
  • Temos de debater os sistemas vigentes e procurar a sustentabilidade a todos os níveis - uma clara alusão à necessidade de encontrar soluções, entre todos os parceiros sociais, para a estabilidade e sustentabilidade do Estado Social. 
  • Devido aumento da esperança média de vida temos de dar ocupação aos nossos idosos, pois podem ainda ser ainda muito úteis à sociedade - uma chamada de atenção para o papel dos idosos na sociedade contemporânea e para a necessidade de os valorizar por todo o potencial social que têm, tal como por razões económicas. 
  • O cortar no custo de produção não deve passar imediatamente cortar nos salários, até porque os custos com os salários representam, em média e regra geral, menos de 15% dos custos reais de produção - apontou para a necessidade de focar os cortes em todos os outros custos e não nos salários, pois será voltar aos salários de subsistência, com todos os malefícios que dai advêm. 
  • O crescimento tem de ser assente no trabalho e não no consumo - critica à sociedade consumista esvaziada de valores. 
  • O individualismo sempre existiu, simplesmente hoje torna-se um valor em si e  prejudica  as dinâmicas sociais que estão ligadas à necessidade de trabalhar em conjunto por causas e melhorias colectivas - crítica ao individualismo contemporâneo, especialmente ao culto do individual em detrimento do colectivo nos dias que correm. 
  • Não deve existir a culpabilização pessoal sobre o desempregado, pois essa situação não depende só dele, mas sim de muitos factores externos a ele - a responsabilização deve ser distribuída por todos, especialmente pelo Estado e outras instituições de grande abrangência social. 
  • Em Portugal não trabalhamos menos que nos outros países, a nossa falta de produtividade está relacionada com a falta de organização do próprio trabalho - crítica ao aumento dos horários de trabalho e defesa da necessidade de reestruturar dos modelos e organização do trabalho em Portugal. 
  • A falta de ética e consciencialização é um facto, especialmente em algumas figuras que deveriam ser exemplos - todos se devem guiar por padrões elevados de ética e moral, mas do topo da sociedade, e de que tem responsabilidade sobre o colectivo, deve sempre vir o exemplo. 
  • Portugal tem muitas lacunas, especialmente na educação, situação que ainda não recuperamos do antigamente - referência a uma das maiores lacunas  da sociedade portuguesa que ainda tem baixos níveis de educação, qualificação e formação, apesar de ter havido uma grande evolução.

Nestes breve resumo por tópicos, apesar de ter sido a minha percepção a compilar as palavras que aqui deixo, tentei usar do máximo de objectividade e tocar, o quanto possível, no que Carvalho da Silva transmitiu, tentando evitar a minha própria opinião ou juízos de valor sobre o que foi transmitido - o que por vezes, apesar da vontade, se torna impossível.

Aproveito também para agradecer o convite ao professor Jorge Pereira e à Associação Coral Calçada Romana pelo convite que me fizeram para participar nesta iniciativa.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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