quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gato Preto, Gato Branco: Cinema do Mundo com Música do Mundo

Admito a minha grande falha cinematográfica, uma clamorosa lacuna, pois só ontem tive a oportunidade de procurar na minha cinemateca e ver com a atenção que merece o mais famoso filme de Emir Kusturika. Sim, só ontem vi na “integra” a obra ‘Gato Preto, Gato Branco’. Mas que filme! Que ambiente! Que música!

Esgrimindo - Paja Javanovic
 Estava preparado e à espera duma obra sui generis e as expectativas eram altas, muito altas. Para meu próprio espanto, foram superadas. Há originalidade, começando pelo próprio género (se é que se pode assim definir): farsa, comédia, musical, drama, romance, entre outros. O enredo, o ambiente e as personagens são sem dúvida ímpares. De tão estranho e caricato, tudo nesta obra de Kusturica soa a ficção tresloucada, mas será mesmo assim? Será este mundo e ambiente inteiramente fictício - não obstante de se passar na Sérvia dos anos 90 ao largo do rio Danúbio -, povoado por personagens que assumem os mais diversos comportamentos e papeis, muitos deles antagónicos e incoerentes (ladrões, assassinos, corruptos, indigentes, cobardes, pelintras, músicos, pessoas comuns, sonhadores, viciados em jogo, honestos, solidários, simpáticos, entre tantos outros), tão diferente da realidade local?

Muito provavelmente tudo o que é descrito e registado pelas câmaras não passará de um grande exagero de uma possível realidade, muito ao género das comédias italianas dos anos 60 e 70 que primam pelas hipérboles cinematográficas como modo de fazer humor. No entanto, somos sem dúvida transportados para um mundo novo, repleto de vida própria, cores, cheiros e, acima de tudo música!

Apesar da lufada de ar fresco que traz, o desenrolar da acção é típico e muito semelhante ao que é utilizado noutros filmes, através de um crescendo de eventos que se vai desenrolando para desembocar num final coerente. É o facto de tudo ser tresloucado que , quanto a mim, contribui para a originalidade ao filme.

O gato preto e o gato branco, possivelmente as “existências” que dão nome ao filme, estão presentes e aparecem sempre juntos ao longo do filme. O significado das constantes aparições dos dois gatos é profundamente dúbio, não imediato, pois é um acto consciente e propositado de Kusturika, fornecendo assim ao cinespectador uma tela branca para que este pinte de acordo com o seu próprio entendimento e imaginação.

Outro aspecto muito importante e sempre constante no filme é a música. Kusturica brinda-nos com música tradicional dos Balcãs de clara inspiração Cigana – tudo muito “Gipsy". Só pela música ‘Gato Preto, Gato Branco’ merece ser apreciado e ouvido.

São filmes destes, cessando muito do marasmo “Hollywoodiano”, que nos lembram que o bom Cinema, original e vanguardista, pode vir de qualquer parte do mundo e ter como personagens principais os mais improváveis dos indivíduos, nos mais improváveis dos contextos humanos e geográficos.

sábado, 17 de julho de 2010

Aniversários, bolos, velas e mitologia

 
Homenagem a Apollinaire - Chagall
A comemoração dos aniversários natais é já uma tradição bem antiga, remontando pelo menos à época de maior influência da cultura clássica Greco-Latina. Apesar de se saber que os Romanos festejavam os aniversários, sendo um ritual de defesa contra a má-sorte e outras influências místicas e mitológicas (a sociedade Romana e Grega eram bastante supersticiosas), foram os Gregos quem, antes dos Romanos, criaram o conceito de bolo de aniversário com velas.

Segundo alguns autores, os aniversariantes ofereciam um bolo de mel em forma de lua com velas acesas à Deusa Artemis (Diana), colocando-os nos templos em sua honra. Deusa essa [Artemis] à qual se associava a Natureza selvagem, Caça, Lua e fertilidade (dependendo da época e do local de culto). Diz-se, mesmo podendo ser mito, que os antigos Gregos associavam às velas um poder sagrado, algo capaz de afastar os espíritos (Daimon significa Espírito em Grego, algo que muito provavelmente deu origem à palavra demónio) que pudessem ter influência nefasta na vida dos aniversariantes.

Parece também que estava bem difundida a crença popular de que o fumo resultante de uma vela acabada de apagar levaria os desejos, de quem os formulasse no momento, directamente aos Deuses, estando isso relacionado com o percurso ascendente que o próprio fumo fazia (Para os antigos Gregos os Deuses vivam lá no alto, daí a referência ao Monte Olimpo como morada dos Deuses, aos planetas que os representavam e ao facto dos Gregos reservarem tendencialmente as zonas mais elevadas das suas cidades para a edificação de templos em honra dos Deuses – Caso das acrópoles).

Sendo completamente fidedignas ou não estas informações sobre a origem das comemorações dos aniversários e dos seus adereços – não tenho maneira de o comprovar pois não encontrei bibliografia fidedigna -, tudo leva a crer que a origem destas festividades seja pagã. Mesmo que combatida pelas Igrejas Cristãs ao longo da história, estas celebrações nunca realmente desapareceram e com o advento da sociedade liberal e de consumo receberam um novo fôlego.

Apesar das suas origens místicas, mágicas e religiosas, penso que a celebração dos aniversários natais - celebrações e comemorações tão pessoais e ao mesmo tempo sociais -, dificilmente desaparecerão no futuro. Até porque, desde há uns séculos para cá, as sociedades e grupos Humanos tendem a valorizar cada vez mais a defesa da personalidade e da individualidade – especialmente como forma de afirmação do indivíduo perante a sociedade e si próprio. Já para não falar na dimensão económica associada aos aniversários contemporâneos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Poligamia Muçulmana, uma medida de acção social?

A nós, “Ocidentais”, que vivemos em sociedades influenciadas e organizadas segundo alguns valores Judaico-cristão ou em sociedades que no passado se inspiraram neles, estranhamos e dificilmente compreendemos, apesar dos valores de liberdade e abertura democrática que abraçamos, outros modos diferentes de organizar e viver em comunidade. Um desses casos é o da organização familiar poligâmica, especialmente aquela praticada por Muçulmanos que vivem em países “Ocidentais” ou “Ocidentalizados”, pois são aqueles casos mais tangíveis e de onde a informação e o choque cultural nos chegam e tocam mais pela proximidade.  No entanto, nesta, como noutras diferenças culturais e de valores, antes de tecermos juízos de valor, e mesmo que esse modo de vida possa ser totalmente oposto ao nosso estilo de vida, há que, de um modo o mais isento possível, tentar descortinar e investigar a razão de ser dessas opções e tradições.
 
ilustração da obra turca Siyer-i Nebi

Uma das razões para a adopção da Poligamia pelo Islamismo, ao que tudo indica, deve-se a uma necessidade de resolver um problema do passado, de dar resposta, num jeito de acção social pragmática, através de preceitos religiosos e morais, a um grave problema social que afectou as primeiras comunidades que seguiam Maomé. Durante a expulsão de Meca em 622 d.C. os seguidores de Maomé acompanharam-no e estabeleceram-se em Medina, episódio conhecido com o Hégira. Na sua permanência em Medina os primeiros muçulmanos, ou maometanos, tiveram de suportar enormes dificuldades de toda a ordem, incluindo ataques constante, algo que deve ter contribuído para o fortalecimento da sua comunidade e adopção de normas religiosas e sociais específicas. Num estado de Guerra constante, especialmente depois das Batalhas de Badr e Uhud, o número de homens mortos em batalha causava graves problemas sociais. Nessa jovem comunidade muitas mulheres ficavam precocemente viúvas e com isso desprotegidas financeiramente num mundo violento, assente numa sociedade patriarcal, sendo especialmente preocupante a situação daquelas que tinham filhos ao seu encargo. A não resolução desta problemática poderia destabilizar e fazer colapsar socialmente esta nova comunidade, pois a economia real dependia da força dos laços familiares. Há que lembrar a importância da família enquanto organização que provia e efectuava uma verdadeira acção social, formal e informal, nas comunidades de então.

Segundo reza a tradição Islâmica, foi depois da batalha de Uhud que foi revelado a Maomé a vontade de Alá em permitir a Poligamia, desde que obedecendo às suas prescrições sagradas, tornando as famílias ainda mais alargadas. Isso permitiu a um seguidor de Maomé casar com 4 mulheres, desde que lhes pudesse prover todas as necessidades e de igual modo a todas, sem discriminação e na mais estrita equidade. Excluindo-nos aqui do debate religioso, podemos considerar esta orientação e regulamentação como uma precoce medida de acção social, um modo bastante eficaz de solucionar um problema bem real e preocupante para a época.

No entanto, à luz dos nossos valores Ocidentais contemporâneos, dificilmente podemos aceitar este costume ou tradição. Mudaram-se os tempos, evoluiu-se bastante em alguns aspectos (pelo menos por cá no Ocidente), inclusivamente na igualdade de género – apesar de muito ainda haver para resolver rumo a esse ideal.

Situações e casos como o da Poligamia, que apesar de terem desempenhado um papel importante no passado enquanto medida de acção social, hoje são vistos como costumes profundamente discriminatórios e de subjugação de género. Através deste exemplo podemos também reflectir sobre os impactos que podem ter os dogmas religiosos, especialmente se forem seguidos sem serem questionados, sendo que muitos só se formaram como tal devido a necessidades sociais e individuais bem reais do passado, mas que hoje podem já não fazer sentido de um ponto de vista utilitário e pragmático, ou até, em casos extremos, ser prejudiciais, tendo em conta outros valores e conhecimento mais recentes.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

James Bond nasceu em Portugal?

Em 2006 estreou nas salas de cinema portuguesas o filme Casino Royal, baseado na primeira novela sobre espionagem de Ian Fleming - um antigo agente do MI6. Apesar do  filme ter lugar num casino em Montenegro, o local e a acção que inspiraram o antigo agente Inglês [Fleming] a criar essa obra passaram-se em Portugal, no célebre Casino do Estoril.
A Loba - Jackson Pollock
 Esta curiosidade sobre o casino mais antigo de Portugal foi-me dada a conhecer através de um documentário,  exibido no Canal de História, dedicado ao espião e agente-duplo Dusko Popov. Popov, um sérvio que durante a 2ª Guerra Mundial actuou nas mais altas esferas da espionagem de Guerra, foi inicialmente contratado pelos Nazis para espiar a Inglaterra e obter informações de modo a facilitar a Invasão da Grã-Bretanha pelos alemães. Mas, desconhecendo-se na realidade o motivo, embora muitos defendam que nunca tenha realmente alinhado com o regime Nazis, Popov tornou-se um agente-duplo. O espião iniciou uma arriscada missão que consistia em obter informações sobre a Alemanha de Hitler para os Aliados, e difundir informações erradas dos Aliados aos Nazis. Sabe-se hoje que o agente-duplo Sérvio informou atempadamente os EUA do eminente ataque Japonês a Pearl Harbour, mas devido ao seu modo de vida e personalidade (galã, sofisticado, boémio, jogador) essa informação foi menosprezada pelo chefe do FBI de então: J. Edgar Hoover (um assumido moralista que desprezava Popov pela sua conduta e comportamento, mas que se suspeita também ter tido comportamentos moralmente inaceitáveis para a época).
Dusko Popov, enquanto agente-duplo, gozava de enorme liberdade de acção e deslocava-se constantemente pela Europa, tendo visitado muitas vezes Portugal. Nessa altura, pela sua situação geo-estratégica e política (neutralidade), Portugal era frequentemente visitado por espiões e agentes-duplos. O Casino do Estoril era um dos locais mais frequentados pela elite rica e sofisticada da altura, ambiente e meio que agradava muito a Popov. Foi neste ambiente, numa noite em que Popov fazia um brilharete na mesa de jogo do Casino do Estoril que Fleming, na altura disfarçado ao serviço do MI6 e encarregue de vigiar Popov, se inspirou para a criação da personagem de James Bond e no enredo para a sua primeira obra – Casino Royal.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Anacronismo no cinema histórico, uma necessidade ou opção?

Sempre que sai um novo Histórico, um filme baseado, inspirado ou passado numa época Histórica específica, tento assistir. Sou impelido pelo gosto que tenho por História e Cinema – o que pode dar uma conjugação perfeita no meu entender-, mas quase sempre dou o tempo por mal empregue e o sentimento de frustração à saída da sala de cinema, ou quando desligo o leitor de DVD, tem sido a regra. Provavelmente sou demasiado exigente. Provavelmente poucas pessoas partilham o gosto por uma fidelidade, o mais que possível, ao rigor do ambiente Histórico, mesmo que em cinema para as massas - onde me incluo obviamente.
 
A persistência da memória - Dalí
 Sinceramente não me parece que a falta de rigor e os constantes anacronismos sejam uma necessidade para tornar os filmes Históricos mais interessantes. Isto porque existem produções de sucesso realizadas de modo bastante fidedigno, pelo menos de acordo com os conhecimentos Históricos mais actuais, com pareceres e acompanhamento técnico de especialistas.
 
Quando falo em anacronismos refiro-me à presença de elementos, comportamentos e sentimentos estranhos à época histórica que serve de fundo, de “coisas” que não poderiam acontecer naquele contexto e que não são próprios daquele período Histórico. Algo erróneo mas comum é transportar sentimentos, quer individuais quer colectivos, contemporâneos para outras épocas Históricas, dando a sensação de que valores e comportamentos, especialmente aqueles considerados como correctos actualmente, não mudaram e sempre foram tidos como os “certos”.
 
Sei que faço aqui uma série de generalizações pois há bons "históricos", filmes onde houve a preocupação do enquadramento Histórico. Mas infelizmente isso não é a regra. A título de exemplo apresento de seguida alguns casos muito concretos para que se torne mais fácil ver como podem ser comuns os anacronismos e erros históricos:
  • Sentimentos patrióticos repletos de referências nacionalistas em plena Idade Média Feudal, onde o sentimento de Estado e Pátria era dúbio, valendo o sistema de senhorios e vassalagem;
  • Escravos a construírem as pirâmides, quando sabemos que eram trabalhadores especializados e pagos para o efeito.
  • Sentimentos de Humanismo (liberdade, igualdade, etc.), nas suas várias formas, em épocas onde tal orientação e sentimento não tinham sido ainda desenvolvidos, ou não havia tal consciência, e por vezes até iam contra a moral, costumes instituídos e sentimentos individuais e coletivos.
  • Erros e a inconsistência de cariz militar absurdos especialmente evidentes nas batalhas épicas onde se usavam armas de corte, pois representam-nos repletas de lutas individuais, sem qualquer lógica de conjunto ou respeito pelas táticas e modo de utilizar as armas em causa.

Estes anacronismos, tal como muitos outros não referidos, poderiam ser evitados, escusando a divulgação de ideias falsas sobre épocas específicas da nossa História. Isto é válido para qualquer filme, mesmo que o seu objectivo principal não seja o de “ensinar” ou “formar”, especialmente porque através do cinema apreendemos e aprendemos involuntariamente informação e saber.
 
Se o cinema difunde conhecimento de um modo involuntário e automático, deve então, sempre que possível, no caso dos filmes Históricos com épocas reais e não fictícias, atender-se à coerência Histórica evitando a desinformação e a consequente contra-informação. Não falo do enredo ou argumento em si, mas dos contextos e da envolvente dos próprios filmes, caso contrário todos os filmes Históricos de ficção teriam de ser documentais. Ou então não os apelidem de Históricos, chamem-lhe apenas ficções.

sábado, 26 de junho de 2010

Filmes: As Invasões Barbaras

Já algum tempo que não comento aqui um filme. Na verdade isso tem acontecido porque efectivamente a poucos ou nenhuns filmes tenho assistido, tirando apenas um que é mau de mais para aqui referir. Gostaria de deixar então aqui umas palavras sobre o filme “Les invasions barbares”, ou em Português - "As Invasões Barbaras", película francófona Canadiana e Francesa da autoria de Denys Arcand. Trata-se de um filme sobre relações de amizade e amor, num cenário e acção que questiona o sentido da vida e da morte. Um misto de comédia ligeira e drama, quase politicamente incorrectos (sexo, drogas, heresias, etc.), que nos toca, não pelo grande orçamento e actores famosos, mas pela simplicidade e qualidade que muitas vezes só é possível por uma produção de baixo/médio custo. O filme transporta-nos para um grupo de amigos, já de alguma idade, que se junta por causa de um infortúnio. Acontecimento esse que os leva a recordar as suas vivências e a partilharem momentos, não apenas recordando o passado mas vivendo e aproveitando o presente pelo saber e experiências acumulados. Nesta obra a crítica social é também bem evidente, eu diria que uma visão de algumas “realidades” que se passam no Canada e que por cá desconhecemos.
 
Vale a pena ver.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Evoluímos ambientalmente em Portugal, então e as restantes vertentes da cidadania?

No último texto que escrevi para o blogue “Redundâncias da Actualidade”, local onde coloco on-line os artigos de opinião de intervenções públicas, confesso que fiquei com algumas dúvidas sobre qual o blogue mais indicado para o divulgar. Mas, como se trata de um claro texto de opinião decidi-me pelo outro. No entanto acho pertinente revela-lo também aqui nestes espaço, pelo menos a ligação [o link], pois assim poderá chegar a mais pessoas e com isso fomentar uma maior e melhor discussão, ou até abertura consciencialização para o tema. Nesse texto, intitulado de “Se para o Ambiente funcionou porque não o mesmo para a cidadania e civismo?”, pretendo chamar a atenção para uma positiva evolução e mudança de comportamentos e valores que aconteceram em Portugal. Falo da consciencialização ambiental, algo que aconteceu por diversas razões, entre elas: campanhas estatais e de várias organizações, instituições e associações ambientais, principalmente junto dos mais novos; mais e melhor acesso à informação, de um modo geral, e maiores índices de literacia, entre outros. Efectivamente hoje os Portugueses estão mais sensibilizados para estas questões, assumindo o seu papel enquanto membros de um sistema que só pode funcionar com a colaboração de todos – cidadãos e entidades responsáveis. Pode parecer óbvio mas não haverá lixo abandonado se os produtores o depositarem no sítio correcto, e a reciclagem só será sustentável se cada cidadão, em sua casa, fizer a separação e triagem dos resíduos.
Os bêbados - José Malhoa
  Esta consciencialização ocorreu pela divulgação e informação, especialmente nas escolas e em spots publicitários e diversas outras formas de comunicação e informação. Se isto foi possível para a causa ambiental porque não o mesmo para a cidadania e civismo de um modo mais lato? Especialmente no combate à corrupção!?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Uma lei Belga quase xenófoba em plena capital da UE?

Já algum tempo que não referia um artigo da ‘Courirer Internacional’. Trago aqui um da edição Portuguesa de Maio de 2010, intitulado “Bem-vindo à República Soviética da Flandres”, um texto de Luckas Vander Taelen publicado originalmente no jornal ‘De Standaard´ em Bruxelas e traduzido por Maria João Coucha. O autor conta um caso estranho, no mínimo bizarro, que se passa na Bélgica. Segundo Taelen, nos municípios Flamengos Belgas é proibida a compra de casa, ao abrigo do decreto 'Wonen in eigen streek '(viver na sua Região), a forasteiros. Para que uma pessoa, mesmo sendo Belga, possa ter autorização para a compra de uma habitação é preciso ter “um vínculo suficiente ao município”, algo que é rigorosamente fiscalizado pelas autoridades locais. Esse dito vínculo consiste no seguinte, segundo palavras do autor: “residir lá há 6 anos ou num dos municípios vizinhos; ter pelo menos um trabalho a meio-tempo na zona abrangida pelo decreto e ter estabelecido com o município uma ligação profissional, familiar, social e económica importante e de longa data”.
Ritmo de linhas negras - Mondrian
Há que salientar que Bruxelas, capital das Bélgica e que também é considerada a capital da União Europeia, fica situada na zona Flamenga da Bélgica, ou seja, onde o decreto em causa é válido. A meu ver isto é no mínimo um contra-senso, dado que um dos objectivos primordiais da União Europeia foi a livre circulação de Pessoas e Bens. Numa altura em que a União Europeia estremece, certamente que situações como esta da Bélgica não são de todo positivas, pelo menos não de um ponto de vista da coerência

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pilhar e Piratear já foi Nobre

Pensava eu que podia arrumar na minha estante e daqui do blogue, pelo menos por algum tempo, o livro que estou agora a terminar de ler, e que já aqui utilizei várias vezes como inspiração para alguns textos, mas afinal ainda mais umas reflexões das suas páginas surgidas. O Livro em causa é a “Expansão Quatrocentista Portuguesa” de Vitorino Magalhães Godinho . Nessa obra o autor, que é por sinal um reputado historiador, escreveu o seguinte: 
“Os corsários [piratas com mandato] Portugueses atacavam sobretudo os navios mouros que traficavam [comerciavam] entre a Barbaria [costa mediterrânea de Marrocos, Argélia e Tunísia] e o Sul da Península, […] mas também pilhavam castelhanos, catalães e outros cristãos; iam raziar as Canárias, a costa saariana, a Guiné. Necessitava-se de escravos para as plantações de cana sacarina do Algarve, do distrito de Coimbra e principalmente Madeira e Açores. As casas nobres encontravam nesta actividade um meio de fazer face à crise financeira que as afligia. Os dois filhos do rei D. João I, D. Pedro e D. Henrique [o famoso infante dos descobrimentos], tiveram empresas de corsos; havia-as igualmente de simples cavaleiros e burgueses, e a própria coroa não desdenhava este recurso (os documentos falam-nos dos «corsários del-Rei»).”
O ilusionista - Hieronymus Bosch
Nessa época era comum e aceitável que a Nobreza se dedicasse à pilhagem e pirataria, visto que eram actos de enriquecimento através da guerra e violência, pois não esqueçamos que competia a essa ordem social a responsabilidade de fazer a guerra na época (por si próprios ou ao serviço do Rei). Ou seja, durante a Idade Média era considerado nobre que a Nobreza se dedicasse a este tipo de actividades, enquanto que à Burguesia se reservava o papel de comerciar, algo que aos olhos da contemporaneidade parece um modo muito mais aceitável de enriquecer. Como podemos constatar, os valores mudam ao longo da História, tal como as sociedades. Hoje em dia ainda consideramos aceitável enriquecer pelo comércio e negócio, provavelmente por vivermos numa sociedade capitalista, assente num modelo de organização social e económico que se foi formando à medida que a Burguesia foi ascendendo socialmente a partir do final da Idade Média.
Mesmo com tantas mudanças sociais depois, actualmente ainda existem formas de pirataria para as quais não é difícil encontram defensores especialmente quando somente lhes toca o proveito e não o dano.

domingo, 13 de junho de 2010

Algumas curiosidades sobre a História dos automóveis

Terminada a investigação sobre “A poluição atmosférica associada aos veículos automóveis”, no âmbito do projecto T.a.T. Project - "Students today, citizens tomorrow "(projecto da União Europeia), posso dedicar um pouco mais de tempo aqui ao blogue. Nesse trabalho tive acesso e descobri, enquanto investigava sobre a História do automóvel, umas quantas curiosidades sobres esses primeiros veículos e o seu impacto na sociedade de então. Como a secção de introdução Histórica do automóvel era demasiado longo deixo aqui apenas aqueles eventos que me parecem mais singulares e caricatos, entre eles:
1769 – Em Paris, Nicolas Joseph Cugnot, um engenheiro militar, constrói um veículo de propulsão a vapor – o primeiro de que há registo. O Governo Francês pede a Cugnot que construa um veículo maior, capaz de mover grandes quantidades de artilharia. Diz-se que o primeiro acidente rodoviário do mundo aconteceu quando Cougnot chocou contra o muro do quartel.
1803 – Trevithick constrói outro veículo a motor que faz várias viagens com sucesso pelas ruas de Londres. O veículo barulhento, fumacento e desastrado assusta os cavalos e causa alguma hostilidade ao público. O motor era a vapor com 3 cv de Potência e com11,700 cm3. Atingia velocidades de 13 Km/h.
Carruagem a vapor em Londres 1803 - Terence Cuneo
 1865 – O governo britânico introduz o “Locomotives on Highways Act” mais conhecido como “Red Flag Act”. Esta regulamentação exigia que todos os veículos rodoviários tivessem três condutores, fossem limitados a 4 milhas por hora em estrada aberta e a 2 milhas por hora em cidades.
1899 - Camille Jenátzy bate o recorde de velocidade com o seu automóvel eléctrico, o primeiro capaz de se deslocar a mais de 100 km/h.
1908 – Henry Ford constrói i primeiro modelo T, com uma produção anual de 8000 veículos. O modelo Ford T e a consequente inovação que iria mudar a história da produção automóvel, através da adopção da linha de montagens e da organização do trabalho segundo o Taylorismo proveniente do Engenheiro Friederick Taylor.
1914 – O avanço alemão para Paris, no inicio da Primeira Guerra Mundial é detido pela utilização de táxis automóveis que fazem os transporte das tropas Francesas para a linha de combate. Henry Ford fabricava um carro a cada 98 minutos e oferecia salários muito acima da média para a época aos seus funcionários da linha de montagem, uns incríveis 5 dólares.
1934 – Na Grã-Bretanha o limite de velocidade de 30 milhas por hora é instituído em zonas de aglomerados urbanos. São introduzidas as passadeiras pintadas do tipo “zebra”, iluminadas por semáforo intermitente de luz laranja. É proposta ao governo Alemão o desenvolvimento e construção de um carro para as massas, o Volkswagen. A construção de um sistema nacional de rodovias é considerada por Adolf Hitler como uma boa solução para diminuir o número de desempregados.
1948 – A Citroen introduz o modelo 2CV, desenhado e construído para acomodar duas pessoas utilizando chapéus e para conduzir através de um campo lavrado sem partir cargas de ovos.
1956 – A Crise petrolífera na Europa devido a problemas políticos no canal do Suez leva à aposta em carros mais económicos e de menores dimensões na Europa. A Ford introduz o cinto de segurança mas os consumidores não se mostram interessados.
1957 – A Chrysler introduz o primeiro gravador e leitor áudio num veículo. A Cadillac, inspirada pela conquista espacial e corrida ao espaço, desenvolve e constrói veículo com “linhas espaciais” do tipo foguete.
Muitos mais eventos e ocorrências dignas de registo haveria por citar, mas através destas é possível compreender como inicialmente os veículos automóveis se estranharam e se foram entranhando até fazerem parte do nosso mundo contemporâneo. De inicio os seus impactes causaram repulsa mas devido às grandes vantagens que proporcionaram, quer para o cidadão comum, quer para industriais e políticos, esses mesmos impactes foram sendo relegados para segundo plano e até esquecidos. Hoje que sentimos na pele, aliás, nos pulmões, e na falta de espaço urbano, os impactes causados pelo uso massivo de “carros” começamos a questionar a sustentabilidade dos nossos actuais modelos de transportes, especialmente os privados que advém do uso insustentável do automóvel. Pode ser paradoxal, mas a liberdade que o automóvel ofereceu no passado às Humanidade no inicio do século XX contrasta com o cárcere que vivem aqueles que passam horas intermináveis em filas de trânsito e todos nós com a poluição automóvel a que somos sujeitos nas nossas cidades

Fonte (principal): www.motoring-history.com

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