terça-feira, 22 de junho de 2010

Uma lei Belga quase xenófoba em plena capital da UE?

Já algum tempo que não referia um artigo da ‘Courirer Internacional’. Trago aqui um da edição Portuguesa de Maio de 2010, intitulado “Bem-vindo à República Soviética da Flandres”, um texto de Luckas Vander Taelen publicado originalmente no jornal ‘De Standaard´ em Bruxelas e traduzido por Maria João Coucha. O autor conta um caso estranho, no mínimo bizarro, que se passa na Bélgica. Segundo Taelen, nos municípios Flamengos Belgas é proibida a compra de casa, ao abrigo do decreto 'Wonen in eigen streek '(viver na sua Região), a forasteiros. Para que uma pessoa, mesmo sendo Belga, possa ter autorização para a compra de uma habitação é preciso ter “um vínculo suficiente ao município”, algo que é rigorosamente fiscalizado pelas autoridades locais. Esse dito vínculo consiste no seguinte, segundo palavras do autor: “residir lá há 6 anos ou num dos municípios vizinhos; ter pelo menos um trabalho a meio-tempo na zona abrangida pelo decreto e ter estabelecido com o município uma ligação profissional, familiar, social e económica importante e de longa data”.
Ritmo de linhas negras - Mondrian
Há que salientar que Bruxelas, capital das Bélgica e que também é considerada a capital da União Europeia, fica situada na zona Flamenga da Bélgica, ou seja, onde o decreto em causa é válido. A meu ver isto é no mínimo um contra-senso, dado que um dos objectivos primordiais da União Europeia foi a livre circulação de Pessoas e Bens. Numa altura em que a União Europeia estremece, certamente que situações como esta da Bélgica não são de todo positivas, pelo menos não de um ponto de vista da coerência

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pilhar e Piratear já foi Nobre

Pensava eu que podia arrumar na minha estante e daqui do blogue, pelo menos por algum tempo, o livro que estou agora a terminar de ler, e que já aqui utilizei várias vezes como inspiração para alguns textos, mas afinal ainda mais umas reflexões das suas páginas surgidas. O Livro em causa é a “Expansão Quatrocentista Portuguesa” de Vitorino Magalhães Godinho . Nessa obra o autor, que é por sinal um reputado historiador, escreveu o seguinte: 
“Os corsários [piratas com mandato] Portugueses atacavam sobretudo os navios mouros que traficavam [comerciavam] entre a Barbaria [costa mediterrânea de Marrocos, Argélia e Tunísia] e o Sul da Península, […] mas também pilhavam castelhanos, catalães e outros cristãos; iam raziar as Canárias, a costa saariana, a Guiné. Necessitava-se de escravos para as plantações de cana sacarina do Algarve, do distrito de Coimbra e principalmente Madeira e Açores. As casas nobres encontravam nesta actividade um meio de fazer face à crise financeira que as afligia. Os dois filhos do rei D. João I, D. Pedro e D. Henrique [o famoso infante dos descobrimentos], tiveram empresas de corsos; havia-as igualmente de simples cavaleiros e burgueses, e a própria coroa não desdenhava este recurso (os documentos falam-nos dos «corsários del-Rei»).”
O ilusionista - Hieronymus Bosch
Nessa época era comum e aceitável que a Nobreza se dedicasse à pilhagem e pirataria, visto que eram actos de enriquecimento através da guerra e violência, pois não esqueçamos que competia a essa ordem social a responsabilidade de fazer a guerra na época (por si próprios ou ao serviço do Rei). Ou seja, durante a Idade Média era considerado nobre que a Nobreza se dedicasse a este tipo de actividades, enquanto que à Burguesia se reservava o papel de comerciar, algo que aos olhos da contemporaneidade parece um modo muito mais aceitável de enriquecer. Como podemos constatar, os valores mudam ao longo da História, tal como as sociedades. Hoje em dia ainda consideramos aceitável enriquecer pelo comércio e negócio, provavelmente por vivermos numa sociedade capitalista, assente num modelo de organização social e económico que se foi formando à medida que a Burguesia foi ascendendo socialmente a partir do final da Idade Média.
Mesmo com tantas mudanças sociais depois, actualmente ainda existem formas de pirataria para as quais não é difícil encontram defensores especialmente quando somente lhes toca o proveito e não o dano.

domingo, 13 de junho de 2010

Algumas curiosidades sobre a História dos automóveis

Terminada a investigação sobre “A poluição atmosférica associada aos veículos automóveis”, no âmbito do projecto T.a.T. Project - "Students today, citizens tomorrow "(projecto da União Europeia), posso dedicar um pouco mais de tempo aqui ao blogue. Nesse trabalho tive acesso e descobri, enquanto investigava sobre a História do automóvel, umas quantas curiosidades sobres esses primeiros veículos e o seu impacto na sociedade de então. Como a secção de introdução Histórica do automóvel era demasiado longo deixo aqui apenas aqueles eventos que me parecem mais singulares e caricatos, entre eles:
1769 – Em Paris, Nicolas Joseph Cugnot, um engenheiro militar, constrói um veículo de propulsão a vapor – o primeiro de que há registo. O Governo Francês pede a Cugnot que construa um veículo maior, capaz de mover grandes quantidades de artilharia. Diz-se que o primeiro acidente rodoviário do mundo aconteceu quando Cougnot chocou contra o muro do quartel.
1803 – Trevithick constrói outro veículo a motor que faz várias viagens com sucesso pelas ruas de Londres. O veículo barulhento, fumacento e desastrado assusta os cavalos e causa alguma hostilidade ao público. O motor era a vapor com 3 cv de Potência e com11,700 cm3. Atingia velocidades de 13 Km/h.
Carruagem a vapor em Londres 1803 - Terence Cuneo
 1865 – O governo britânico introduz o “Locomotives on Highways Act” mais conhecido como “Red Flag Act”. Esta regulamentação exigia que todos os veículos rodoviários tivessem três condutores, fossem limitados a 4 milhas por hora em estrada aberta e a 2 milhas por hora em cidades.
1899 - Camille Jenátzy bate o recorde de velocidade com o seu automóvel eléctrico, o primeiro capaz de se deslocar a mais de 100 km/h.
1908 – Henry Ford constrói i primeiro modelo T, com uma produção anual de 8000 veículos. O modelo Ford T e a consequente inovação que iria mudar a história da produção automóvel, através da adopção da linha de montagens e da organização do trabalho segundo o Taylorismo proveniente do Engenheiro Friederick Taylor.
1914 – O avanço alemão para Paris, no inicio da Primeira Guerra Mundial é detido pela utilização de táxis automóveis que fazem os transporte das tropas Francesas para a linha de combate. Henry Ford fabricava um carro a cada 98 minutos e oferecia salários muito acima da média para a época aos seus funcionários da linha de montagem, uns incríveis 5 dólares.
1934 – Na Grã-Bretanha o limite de velocidade de 30 milhas por hora é instituído em zonas de aglomerados urbanos. São introduzidas as passadeiras pintadas do tipo “zebra”, iluminadas por semáforo intermitente de luz laranja. É proposta ao governo Alemão o desenvolvimento e construção de um carro para as massas, o Volkswagen. A construção de um sistema nacional de rodovias é considerada por Adolf Hitler como uma boa solução para diminuir o número de desempregados.
1948 – A Citroen introduz o modelo 2CV, desenhado e construído para acomodar duas pessoas utilizando chapéus e para conduzir através de um campo lavrado sem partir cargas de ovos.
1956 – A Crise petrolífera na Europa devido a problemas políticos no canal do Suez leva à aposta em carros mais económicos e de menores dimensões na Europa. A Ford introduz o cinto de segurança mas os consumidores não se mostram interessados.
1957 – A Chrysler introduz o primeiro gravador e leitor áudio num veículo. A Cadillac, inspirada pela conquista espacial e corrida ao espaço, desenvolve e constrói veículo com “linhas espaciais” do tipo foguete.
Muitos mais eventos e ocorrências dignas de registo haveria por citar, mas através destas é possível compreender como inicialmente os veículos automóveis se estranharam e se foram entranhando até fazerem parte do nosso mundo contemporâneo. De inicio os seus impactes causaram repulsa mas devido às grandes vantagens que proporcionaram, quer para o cidadão comum, quer para industriais e políticos, esses mesmos impactes foram sendo relegados para segundo plano e até esquecidos. Hoje que sentimos na pele, aliás, nos pulmões, e na falta de espaço urbano, os impactes causados pelo uso massivo de “carros” começamos a questionar a sustentabilidade dos nossos actuais modelos de transportes, especialmente os privados que advém do uso insustentável do automóvel. Pode ser paradoxal, mas a liberdade que o automóvel ofereceu no passado às Humanidade no inicio do século XX contrasta com o cárcere que vivem aqueles que passam horas intermináveis em filas de trânsito e todos nós com a poluição automóvel a que somos sujeitos nas nossas cidades

Fonte (principal): www.motoring-history.com

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Significado e origem da palavra F.U.C.K.

Há alguns dias, a propósito da explicação do significado para a palavra XPTO aqui no blogue, interpelaram-me com a seguinte questão: Sabes o que significa a palavra FUCK? Ao que eu respondi – não faço ideia, provavelmente significa tudo menos o que me vem de imediato à memória. Segundo esse meu conhecido FUCK era uma sigla utilizada na idade média e que significava: Fornication under the consentiment of the king (Fornicação com o consentimento do Rei). Achei estranho mas aceitei aquilo como uma explicação possível pois nunca me tinha debruçado sobre esse significado. Posteriormente fui investigar o assunto e descobri mais uns quantos significados caricatos para a palavra FUCK enquanto sigla, entre eles [1]:
•    "File Under Carnal Knowledge"
•    "Fornication Under the Christian King"
•    "Fornication Under the Command of the King"
•    "Fornication Under Carnal/Cardinal Knowledge"
•    "False Use of Carnal Knowledge"
•    "Felonious Use of Carnal Knowledge"
•    "Felonious Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Full-On Unlawful Carnal Knowledge"
•    "For Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Found Under Carnal Knowledge"
•    "Found Unlawful Carnal Knowledge"
•    "Forced Unlawful Carnal Knowledge

Mas parece que, de um ponto de vista etimológico, nenhuma destas siglas está na origem da palavra, constituindo todas elas mitos urbanos recentes [1][2]. Por mais caricatas, lógicas ou plenas de moral que estas explicações passam parecer, tal não justifica a sua veracidade.
Pequenos prazeres - Kandinsky
 Segundo as fontes consultadas [1][2] esta palavra é muito antiga, mais antiga que a própria língua Inglesa. A origem mais provável para a palavra está relacionada com os termos Germânicos e Escandinavos, sendo a relação linguística com as línguas mediterrânicas menos provável mas possível, pois foneticamente existem palavras semelhantes. Das línguas Indo-Europeias, que originaram o Germânico, vem o “fuk” que pode significar golpear ou atacar [1]. Também do Indo-Europeu vem o termo "peuk"que significa picar [2]. Sendo estas duas palavras as origens mais prováveis para a palavra aqui estudada. No entanto, quase todas as palavras associadas a fornicação, um pouco por todo Centro e Norte da Europa, apresentam grandes semelhanças entre si e com a palavra FUCK. Talvez seja essa a razão para a origem Indo-Europeia do termo. No entanto não há certezas absolutas da sua origem precisa, mas podemos, à partida, excluir o significado da palavra enquanto sigla, pois não há qualquer sustentação para tal.

Podemos concluir que a formação de mitos não é própria apenas do passado e de tempos onde grassava a ignorância e o reino do fantástico, mesmo actualmente muitos mitos se vão criando. A Internet vai criando e disseminando muitos desses mitos. Hoje, se queremos tentar chegar ao facto - um saber o mais próximos possíveis da verdade - temos de nos munir do entendimento e ferramentas de investigação que dissipem estes entraves mitológicos, quer sejam contemporâneos ou não.

Fontes bibliográficas:
[1] - http://en.wikipedia.org/wiki/Fuck
[2] - http://www.snopes.com/language/acronyms/fuck.asp

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Guerra das Estrelas ou Novela das Estrelas?

Tanto já se disse, escreveu sobre Star Wars. Mas que mais haverá para falar sobre estes épicos espaciais, tão importantes na história do cinema e da cultura pop? Talvez pouco, mas gostaria de deixar aqui uma opinião pessoal. Neste caso não tenho bibliografia, ou outra evidência, que a suporte.

George Lucas, quando criou e desenvolveu a sua obra-prima (STAR WARS) mudou o cinema e deu uma dignidade, seriedade e dignidade ao género da Ficção Cientifica. O trabalho de criação é imenso. O universo criado é complexo e coerente, uma verdadeira obra épica. Nesse esforço de criação houve a atenção e cuidado em tentar definir todos os aspectos da vida nesse novo universo, os ambientes, a tecnologia, as culturas, as línguas, e tudo o mais que se possa imaginar. Só por isso merece um enorme respeito, mesmo que não se apreciem os filmes em si.

Paródia à Guerra das Estrelas ao estilo surrealista de Dalí - Autor desconhecido
No entanto, se se analisar o enredo objectivamente, deixando de lado a especial simpatia e afeição pela obra - da qual compartilho -, facilmente se pode admitir que é um pouco simplista. Apesar do Universo em que se insere ser bastante complexo e desenvolvido, a  acção principal assemelha-se a uma “telenovela”. Para isso contribuem: a simplicidade e superficialidade de algumas personagens, tal como as relações entre elas; os arquétipos bem definidos entre “bons” e “maus”; a necessidade de um romance de fundo; as tensões entre pais e filhos; a paternidade e a fratria desconhecida, reveladas para espanto de todos; alguns momentos em que a acção roça o infantil (especialmente no filme “Ameaça Fantasma), de modo a ser apreciado por um publico de idade mais vasto; entre outros que não refiro. Daí haver quem apelide esta saga cinematográfica de “telenovela espacial”. Apesar disto considero que o argumento no geral, pelo seu todo, está bem razoavelmente conseguido, salvo algumas pequenas incongruências pontuais para além das que anteriormente referi, especialmente no filme “A vingança dos Sith” (episodio 3).

Muito mais haveria para analisar sobre esta epopeia espacial, muitas falhas técnicas e pontuais a apontar, algumas relevantes lacunas do argumento, e até alguns lugares-comuns que a tornam muito comercial. Não obstante tudo isto,  penso que continuam a ser bons filmes e imprescindíveis para compreender o Cinema e a sociedade contemporânea, pois, quer queiramos quer não, estes filmes acabaram por influenciar e gravar imagens e sons no imaginário colectivo actual. Já para não falar de que proporcionam efectivamente  horas de entretenimento e a possibilidade de sonharmos com universos múltiplos e diferentes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Portugal tem História de inovação tecnológica e científica! Será que tem futuro?

Dos feitos Portugueses levados a cabo durante a expansão ultramarina nacional normalmente pouco se destacada a vertente de tecnológica e de procura e aquisição de saber que lhe esteve forçosamente associada. Para além do comércio e das conquistas militares, que na altura fizeram de Portugal uma potência Europeia, deve ser realçado o espírito da busca pelo saber que também esteve associado a essa grande empresa nacional (do Estado e de acções privados). Na altura, o nascimento de um espírito proto-cientifico colocou Portugal à dianteira dos países que avançavam para a modernidade.
A chegada de Vasco da Gama a Calicute em 1498 - Alfredo Roque Gameiro
 Para que o plano de alcançar as Índias (no século XV as índias eram todo o Oriente) se realizasse foi necessária uma grande mobilização nacional, um grande planeamento estratégico e uma bagagem de conhecimentos teóricos e práticos de ponta. No Portugal do século XV desenvolveram-me embarcações especificamente preparadas para a descoberta e aquisição de conhecimentos durante as viagens de exploração, as caravelas. Eram embarcações apropriadas para sulcar o Oceano com facilidade e manobrabilidade, mais do que propriamente para transporte de exércitos ou mercadorias. Barcos que permitiam “bolinar” (navegar contra o sentido do vento), algo essencial para a exploração Atlântica. Nas caravelas seguiam marinheiros instruídos, munidos de utensílios e dispositivos dos mais modernos que existiam para a navegação e observação (astrolábios, sextantes, bússolas, cartas de marear, etc.). Foram as décadas de viagens constantes por todo o oceano Atlântico que permitiram aos portugueses, numa espécie de antecipação ao futuro espírito científico e vontade de saber, realizar: a cartografia das novas terras; o estudo as correntes oceânicas e os ventos; a recolha de amostras e estudar a fauna e a flora das novas terras; e travar relações diplomáticas com os nativos das terras onde aportavam. Foram estas recolhas de informação e conhecimentos concretos e comprováveis que permitiram definir rotas de navegação seguras e rápidas pelos mares, explorar devidamente os recursos das novas terras, estabelecer contactos comerciais vantajosos, fundar colónias estratégicas e conquistar algumas praças-fortes igualmente importantes.
Vale a pena salientar que, quando na maior parte das Universidades Europeias a experimentação ainda era vista com desconfiança, os Portugueses já investigavam no terreno e exploravam um mundo desconhecido. Através dos investimentos e esforços direccionados para a investigação e descoberta, foi possível a um pequenos pais como Portugal entrar na cena mundial e durante algumas décadas, garantindo depois para si algumas das rotas comerciais mais proveitosas do mundo. Tal como criar um império imensuravelmente grande comparativamente com o território da metrópole antes da expansão.
 
Se no passado Portugal demonstrou que sabia planear e traçar objectivos a longo prazo, socorrendo-se de conhecimentos “proto-científicos” e inovações tecnológicas de ponta, muitas desenvolvidas pelos próprios, para atingir um fim grandioso, como podemos então hoje andar aparentemente à deriva?
 
Penso que, neste caso específico, podemos aprender com o passado, restando-nos assumir que o futuro do País passa pela aposta no conhecimento, da cultura, na investigação e no desenvolvimento tecnológico

(Fonte. Expansão Portuguesa Quatrocentista)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Faz parte da natureza das sociedades Humanas atentar contra o Ambiente?

As alterações climáticas estão na ordem do dia. Apesar de ser quase consensual que a humanidade tem impacto nas alterações climáticas, há quem defenda que essas alterações são apenas resultado dos normais ciclos climáticos da Terra. No entanto, na pequena escala, é indiscutível que as actividades Humanas afectam de algum modo o equilíbrio Ambiental, e esse tipo de impactos não são exclusivos apenas das sociedades contemporâneas. Durante toda a História da Humanidade, as várias comunidades adaptaram e modificaram o quanto podiam o  ambiente envolvente de acordo com as suas necessidades. Nem mesmo as sociedades menos industrializadas estiveram imunes de causar impactes ambientais negativos.Os Polinésios ficaram conhecidos por terem colonizado uma grande parte das ilhas do Pacífico, navegando em canoas e enveredando em viagens épicas. Fizeram tudo isso recorrendo a tecnologias rudimentares da idade da pedra, navegando milhares de quilómetros em mar aberto. Um feito notável e que ainda levemente compreendemos.
O dia dos Deuses - Gauguin
 Os Polinésios, durante o processo de povoamento do Pacífico, à medida que avançavam de ilha em ilha, foram levando à extinção grande parte das espécies autóctones dos locais colonizados, através do esgotamento dos recursos existentes e da substituição das espécies existentes por outras que transportavam consigo a bordo das suas canoas, aquando da colonização inicial. Um método de analisar a sua expansão pelo Pacífico é estudar as extinções massivas que ocorreram ao longo das várias ilhas por eles povoadas.O caso mais dramático das alterações provocadas pela presença dos colonos Polinésios aconteceu na conhecida Ilha da Pascoa (Rapa Nuí). Entre 1000 e 1200 d.C. as árvores da ilha começaram a desaparecer. Isso, muito provavelmente, pela excessiva construção das conhecidas estátuas Moai, que para serem transportadas e erguidas precisavam de grandes quantidades de madeira (estruturas de suporte e troncos para as fazer movimentar e elevar). Com o desaparecimento das árvores, os solos tornaram-se instáveis e deslizavam livremente para o mar. Deu-se uma grave fenómeno de erosão dos solos. Sem árvores as aves e muitas outras espécies desapareceram. Um verdadeiro desastre ambiental local. A ilha tornou-se desolada e incapaz de suster a população residente. Posto isto os habitantes da ilha começaram a destruir as estátuas, consideradas responsáveis pela sua desgraça. Em desespero chegaram mesmo a recorrer ao canibalismo.
Esperemos que a História não se repita a uma escala global. Sendo ou não inevitáveis as alterações climáticas, podemos sempre diminuir o nosso impacto ao mínimo no meio ambiente. Nada teremos a perder com isso, muito pelo contrário.

Referências bibliográficas:
Adam Hart-Davis, Grande Enciclopédia da História, Civilização Editora, 2009

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma aula de Educação Sexual ao estilo "nonsense"

Em Portugal há alguns temas e assuntos que são recorrentes, cíclicos ou mesmo sazonais. Um deles é a educação sexual nas escolas. Para este tipo de discussões é arrastada a sociedade civil, com intervenientes tais como pedagogos, profissionais da área da saúde, pais, alunos, associações cívicas, o próprio Estado e até entidades religiosas, entre outras. 
Quanto a mim a discussão deve acontecer envolvendo toda a sociedade civil e o Estado de modo a que se possa chegar a uma solução que melhor sirva os interesses dos jovens, preparando-os para a vida sexual informada, consciente e responsável, eliminado preconceitos, tabus e tudo o que possa causar ou levar à desinformação, comportamentos de risco e infelicidade.
Amarelo, magenta e azul - kandinsky
 Mesmo sendo um assunto sério e de grande importância, pois é da saúde pública e da garantia de condições de vida, dignidade e felicidade dos cidadãos que se trata, gostaria de dar um toque de humor a este tema através de mais uma invocação de Monty Phyton.
Em 1983 os Monty Phyton incluíam no filme “O Sentido da Vida” uma rábula sobre uma aula de educação sexual. Óbvio que se trata de um episódio completamente "nonsense" como era apanágio do sexteto, mas que ao seu estilo acaba por nos fazer reflectir sobre o assunto, especialmente sobre os preconceitos e tabus que envolvem o tema das aulas de educação sexual. Este “sketch” é mais uma preciosidade de um Humor sem igual - que me arrisco a adjectivar de “intelectual” e “livre”. Provavelmente exageros de um admirador. 
Deixo ao vosso critério após a visualização do link para o vídeo que aqui se encontra divido em dois:



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cristo era XPTO?

Mas afinal que tem Cristo que ver com o termo XPTO? Como a maioria de nós sabe, por ouvir ou por usar correntemente, o termo XPTO serve para caracterizar ou adjectivar uma coisa, usualmente ligada à tecnologia, como sendo: avançada, evoluída, complexa, entre outras características similares. Mas também se utiliza a palavra XPTO para omitir ou fazer uma designação de algo genérico ou que se desconhece o nome naquela altura. 
Mas a origem do termo XPTO?

Cristo amarelo - Gauguin

Então, XPTO é nada mais que a abreviatura de Cristo. Tem origem na palavra grega “Χριστός” que nosso alfabeto romano se escreve como “Khristós”, ou seja, Cristo. Por sua vez, Cristo (Khristós) em Grego significa “Ungido” ou “Messias”. Mesmo hoje na Igreja Católica Romana ainda restam influências linguísticas dos primeiros cristão Gregos, apelidados de Ortodoxos
Por falar no termo “Católica” acho que é devido também uma explicação sobre o significado desse termo. “Católica” significa “Universal”. Possivelmente esta designação foi adoptada de modo a que, numa fase inicial do cristianismo, esta Igreja de Roma abrangesse todos os movimentos cristãos de então, que por sinal eram muitos. No entanto esta possibilidade para a adopção do nome é uma mera especulação pessoal, não tendo à disposição qualquer fonte que o comprove. Com isto afastei-me do tema inicial, mas volto já ao propósito inicial deste texto.
Mas qual a razão para a palavra XPTO ter sido adoptado com o actual significado que tem hoje?
Tendo Jesus sido uma personagem histórica ou não, a sua mensagem e filosofia de vida, pelo menos na zona geográfica e época onde inicialmente se desenvolveu e a disseminou, foi com certeza uma inovação, um modo de pensar e viver revolucionário e vanguardista. Não sei se será esta a razão, pois estou novamente a especular, mas é no mínimo plausível.

domingo, 9 de maio de 2010

Nomes de Bandas e Títulos de músicas estrangeiras, vai uma tradução?

Sempre que presto atenção aos nomes e letras de conhecidas bandas e artistas ligados ao mundo da música, especialmente aos anglo-saxónicos, dou por mim, mesmo que inconscientemente, a fazer traduções dos títulos e das letras das canções. Estou consciente de que deste modo posso estar a desvirtuar o conceito de arte que lhes está associado, ou que pelo menos deveria estar. Mas não consigo deixar de fazer essa transposição para a Língua Portuguesa e questionar se, porventura, essas mesmas letras fossem traduzidas e cantadas em Português se o sucesso em Portugal seria o mesmo. 
Vou utilizar aqui um exemplo para demonstrar esta "teoria", não por qualquer desprimor pelo conjunto em causa, mas porque é um conhecido grupo musical internacional e que provavelmente todos conhecerão. Tal como disse, é apenas um exemplo sem querer fazer qualquer juízo de valor relativamente à sua qualidade musical do grupo. Falo dos “Black Eyed Peas” ou em Português os “Feijões Frades”.
Verão - Arcimboldo

Será que se uma banda Portuguesa adoptasse este nome, utilizasse exactamente a mesma sonoridade, o mesmo “look” e as mesmas letras musicais devidamente traduzidas, teria sucesso?

Penso que não. Penso também que somos tendencialmente mais exigentes quando avaliamos algo nacional comparativamente com o equivalente produzido no estrangeiro, pelo menos a nível musical é um pouco assim pelo nosso Portugal.

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