sexta-feira, 28 de maio de 2010

Guerra das Estrelas ou Novela das Estrelas?

Tanto já se disse, escreveu sobre Star Wars. Mas que mais haverá para falar sobre estes épicos espaciais, tão importantes na história do cinema e da cultura pop? Talvez pouco, mas gostaria de deixar aqui uma opinião pessoal. Neste caso não tenho bibliografia, ou outra evidência, que a suporte.

George Lucas, quando criou e desenvolveu a sua obra-prima (STAR WARS) mudou o cinema e deu uma dignidade, seriedade e dignidade ao género da Ficção Cientifica. O trabalho de criação é imenso. O universo criado é complexo e coerente, uma verdadeira obra épica. Nesse esforço de criação houve a atenção e cuidado em tentar definir todos os aspectos da vida nesse novo universo, os ambientes, a tecnologia, as culturas, as línguas, e tudo o mais que se possa imaginar. Só por isso merece um enorme respeito, mesmo que não se apreciem os filmes em si.

Paródia à Guerra das Estrelas ao estilo surrealista de Dalí - Autor desconhecido
No entanto, se se analisar o enredo objectivamente, deixando de lado a especial simpatia e afeição pela obra - da qual compartilho -, facilmente se pode admitir que é um pouco simplista. Apesar do Universo em que se insere ser bastante complexo e desenvolvido, a  acção principal assemelha-se a uma “telenovela”. Para isso contribuem: a simplicidade e superficialidade de algumas personagens, tal como as relações entre elas; os arquétipos bem definidos entre “bons” e “maus”; a necessidade de um romance de fundo; as tensões entre pais e filhos; a paternidade e a fratria desconhecida, reveladas para espanto de todos; alguns momentos em que a acção roça o infantil (especialmente no filme “Ameaça Fantasma), de modo a ser apreciado por um publico de idade mais vasto; entre outros que não refiro. Daí haver quem apelide esta saga cinematográfica de “telenovela espacial”. Apesar disto considero que o argumento no geral, pelo seu todo, está bem razoavelmente conseguido, salvo algumas pequenas incongruências pontuais para além das que anteriormente referi, especialmente no filme “A vingança dos Sith” (episodio 3).

Muito mais haveria para analisar sobre esta epopeia espacial, muitas falhas técnicas e pontuais a apontar, algumas relevantes lacunas do argumento, e até alguns lugares-comuns que a tornam muito comercial. Não obstante tudo isto,  penso que continuam a ser bons filmes e imprescindíveis para compreender o Cinema e a sociedade contemporânea, pois, quer queiramos quer não, estes filmes acabaram por influenciar e gravar imagens e sons no imaginário colectivo actual. Já para não falar de que proporcionam efectivamente  horas de entretenimento e a possibilidade de sonharmos com universos múltiplos e diferentes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Portugal tem História de inovação tecnológica e científica! Será que tem futuro?

Dos feitos Portugueses levados a cabo durante a expansão ultramarina nacional normalmente pouco se destacada a vertente de tecnológica e de procura e aquisição de saber que lhe esteve forçosamente associada. Para além do comércio e das conquistas militares, que na altura fizeram de Portugal uma potência Europeia, deve ser realçado o espírito da busca pelo saber que também esteve associado a essa grande empresa nacional (do Estado e de acções privados). Na altura, o nascimento de um espírito proto-cientifico colocou Portugal à dianteira dos países que avançavam para a modernidade.
A chegada de Vasco da Gama a Calicute em 1498 - Alfredo Roque Gameiro
 Para que o plano de alcançar as Índias (no século XV as índias eram todo o Oriente) se realizasse foi necessária uma grande mobilização nacional, um grande planeamento estratégico e uma bagagem de conhecimentos teóricos e práticos de ponta. No Portugal do século XV desenvolveram-me embarcações especificamente preparadas para a descoberta e aquisição de conhecimentos durante as viagens de exploração, as caravelas. Eram embarcações apropriadas para sulcar o Oceano com facilidade e manobrabilidade, mais do que propriamente para transporte de exércitos ou mercadorias. Barcos que permitiam “bolinar” (navegar contra o sentido do vento), algo essencial para a exploração Atlântica. Nas caravelas seguiam marinheiros instruídos, munidos de utensílios e dispositivos dos mais modernos que existiam para a navegação e observação (astrolábios, sextantes, bússolas, cartas de marear, etc.). Foram as décadas de viagens constantes por todo o oceano Atlântico que permitiram aos portugueses, numa espécie de antecipação ao futuro espírito científico e vontade de saber, realizar: a cartografia das novas terras; o estudo as correntes oceânicas e os ventos; a recolha de amostras e estudar a fauna e a flora das novas terras; e travar relações diplomáticas com os nativos das terras onde aportavam. Foram estas recolhas de informação e conhecimentos concretos e comprováveis que permitiram definir rotas de navegação seguras e rápidas pelos mares, explorar devidamente os recursos das novas terras, estabelecer contactos comerciais vantajosos, fundar colónias estratégicas e conquistar algumas praças-fortes igualmente importantes.
Vale a pena salientar que, quando na maior parte das Universidades Europeias a experimentação ainda era vista com desconfiança, os Portugueses já investigavam no terreno e exploravam um mundo desconhecido. Através dos investimentos e esforços direccionados para a investigação e descoberta, foi possível a um pequenos pais como Portugal entrar na cena mundial e durante algumas décadas, garantindo depois para si algumas das rotas comerciais mais proveitosas do mundo. Tal como criar um império imensuravelmente grande comparativamente com o território da metrópole antes da expansão.
 
Se no passado Portugal demonstrou que sabia planear e traçar objectivos a longo prazo, socorrendo-se de conhecimentos “proto-científicos” e inovações tecnológicas de ponta, muitas desenvolvidas pelos próprios, para atingir um fim grandioso, como podemos então hoje andar aparentemente à deriva?
 
Penso que, neste caso específico, podemos aprender com o passado, restando-nos assumir que o futuro do País passa pela aposta no conhecimento, da cultura, na investigação e no desenvolvimento tecnológico

(Fonte. Expansão Portuguesa Quatrocentista)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Faz parte da natureza das sociedades Humanas atentar contra o Ambiente?

As alterações climáticas estão na ordem do dia. Apesar de ser quase consensual que a humanidade tem impacto nas alterações climáticas, há quem defenda que essas alterações são apenas resultado dos normais ciclos climáticos da Terra. No entanto, na pequena escala, é indiscutível que as actividades Humanas afectam de algum modo o equilíbrio Ambiental, e esse tipo de impactos não são exclusivos apenas das sociedades contemporâneas. Durante toda a História da Humanidade, as várias comunidades adaptaram e modificaram o quanto podiam o  ambiente envolvente de acordo com as suas necessidades. Nem mesmo as sociedades menos industrializadas estiveram imunes de causar impactes ambientais negativos.Os Polinésios ficaram conhecidos por terem colonizado uma grande parte das ilhas do Pacífico, navegando em canoas e enveredando em viagens épicas. Fizeram tudo isso recorrendo a tecnologias rudimentares da idade da pedra, navegando milhares de quilómetros em mar aberto. Um feito notável e que ainda levemente compreendemos.
O dia dos Deuses - Gauguin
 Os Polinésios, durante o processo de povoamento do Pacífico, à medida que avançavam de ilha em ilha, foram levando à extinção grande parte das espécies autóctones dos locais colonizados, através do esgotamento dos recursos existentes e da substituição das espécies existentes por outras que transportavam consigo a bordo das suas canoas, aquando da colonização inicial. Um método de analisar a sua expansão pelo Pacífico é estudar as extinções massivas que ocorreram ao longo das várias ilhas por eles povoadas.O caso mais dramático das alterações provocadas pela presença dos colonos Polinésios aconteceu na conhecida Ilha da Pascoa (Rapa Nuí). Entre 1000 e 1200 d.C. as árvores da ilha começaram a desaparecer. Isso, muito provavelmente, pela excessiva construção das conhecidas estátuas Moai, que para serem transportadas e erguidas precisavam de grandes quantidades de madeira (estruturas de suporte e troncos para as fazer movimentar e elevar). Com o desaparecimento das árvores, os solos tornaram-se instáveis e deslizavam livremente para o mar. Deu-se uma grave fenómeno de erosão dos solos. Sem árvores as aves e muitas outras espécies desapareceram. Um verdadeiro desastre ambiental local. A ilha tornou-se desolada e incapaz de suster a população residente. Posto isto os habitantes da ilha começaram a destruir as estátuas, consideradas responsáveis pela sua desgraça. Em desespero chegaram mesmo a recorrer ao canibalismo.
Esperemos que a História não se repita a uma escala global. Sendo ou não inevitáveis as alterações climáticas, podemos sempre diminuir o nosso impacto ao mínimo no meio ambiente. Nada teremos a perder com isso, muito pelo contrário.

Referências bibliográficas:
Adam Hart-Davis, Grande Enciclopédia da História, Civilização Editora, 2009

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Uma aula de Educação Sexual ao estilo "nonsense"

Em Portugal há alguns temas e assuntos que são recorrentes, cíclicos ou mesmo sazonais. Um deles é a educação sexual nas escolas. Para este tipo de discussões é arrastada a sociedade civil, com intervenientes tais como pedagogos, profissionais da área da saúde, pais, alunos, associações cívicas, o próprio Estado e até entidades religiosas, entre outras. 
Quanto a mim a discussão deve acontecer envolvendo toda a sociedade civil e o Estado de modo a que se possa chegar a uma solução que melhor sirva os interesses dos jovens, preparando-os para a vida sexual informada, consciente e responsável, eliminado preconceitos, tabus e tudo o que possa causar ou levar à desinformação, comportamentos de risco e infelicidade.
Amarelo, magenta e azul - kandinsky
 Mesmo sendo um assunto sério e de grande importância, pois é da saúde pública e da garantia de condições de vida, dignidade e felicidade dos cidadãos que se trata, gostaria de dar um toque de humor a este tema através de mais uma invocação de Monty Phyton.
Em 1983 os Monty Phyton incluíam no filme “O Sentido da Vida” uma rábula sobre uma aula de educação sexual. Óbvio que se trata de um episódio completamente "nonsense" como era apanágio do sexteto, mas que ao seu estilo acaba por nos fazer reflectir sobre o assunto, especialmente sobre os preconceitos e tabus que envolvem o tema das aulas de educação sexual. Este “sketch” é mais uma preciosidade de um Humor sem igual - que me arrisco a adjectivar de “intelectual” e “livre”. Provavelmente exageros de um admirador. 
Deixo ao vosso critério após a visualização do link para o vídeo que aqui se encontra divido em dois:



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cristo era XPTO?

Mas afinal que tem Cristo que ver com o termo XPTO? Como a maioria de nós sabe, por ouvir ou por usar correntemente, o termo XPTO serve para caracterizar ou adjectivar uma coisa, usualmente ligada à tecnologia, como sendo: avançada, evoluída, complexa, entre outras características similares. Mas também se utiliza a palavra XPTO para omitir ou fazer uma designação de algo genérico ou que se desconhece o nome naquela altura. 
Mas a origem do termo XPTO?

Cristo amarelo - Gauguin

Então, XPTO é nada mais que a abreviatura de Cristo. Tem origem na palavra grega “Χριστός” que nosso alfabeto romano se escreve como “Khristós”, ou seja, Cristo. Por sua vez, Cristo (Khristós) em Grego significa “Ungido” ou “Messias”. Mesmo hoje na Igreja Católica Romana ainda restam influências linguísticas dos primeiros cristão Gregos, apelidados de Ortodoxos
Por falar no termo “Católica” acho que é devido também uma explicação sobre o significado desse termo. “Católica” significa “Universal”. Possivelmente esta designação foi adoptada de modo a que, numa fase inicial do cristianismo, esta Igreja de Roma abrangesse todos os movimentos cristãos de então, que por sinal eram muitos. No entanto esta possibilidade para a adopção do nome é uma mera especulação pessoal, não tendo à disposição qualquer fonte que o comprove. Com isto afastei-me do tema inicial, mas volto já ao propósito inicial deste texto.
Mas qual a razão para a palavra XPTO ter sido adoptado com o actual significado que tem hoje?
Tendo Jesus sido uma personagem histórica ou não, a sua mensagem e filosofia de vida, pelo menos na zona geográfica e época onde inicialmente se desenvolveu e a disseminou, foi com certeza uma inovação, um modo de pensar e viver revolucionário e vanguardista. Não sei se será esta a razão, pois estou novamente a especular, mas é no mínimo plausível.

domingo, 9 de maio de 2010

Nomes de Bandas e Títulos de músicas estrangeiras, vai uma tradução?

Sempre que presto atenção aos nomes e letras de conhecidas bandas e artistas ligados ao mundo da música, especialmente aos anglo-saxónicos, dou por mim, mesmo que inconscientemente, a fazer traduções dos títulos e das letras das canções. Estou consciente de que deste modo posso estar a desvirtuar o conceito de arte que lhes está associado, ou que pelo menos deveria estar. Mas não consigo deixar de fazer essa transposição para a Língua Portuguesa e questionar se, porventura, essas mesmas letras fossem traduzidas e cantadas em Português se o sucesso em Portugal seria o mesmo. 
Vou utilizar aqui um exemplo para demonstrar esta "teoria", não por qualquer desprimor pelo conjunto em causa, mas porque é um conhecido grupo musical internacional e que provavelmente todos conhecerão. Tal como disse, é apenas um exemplo sem querer fazer qualquer juízo de valor relativamente à sua qualidade musical do grupo. Falo dos “Black Eyed Peas” ou em Português os “Feijões Frades”.
Verão - Arcimboldo

Será que se uma banda Portuguesa adoptasse este nome, utilizasse exactamente a mesma sonoridade, o mesmo “look” e as mesmas letras musicais devidamente traduzidas, teria sucesso?

Penso que não. Penso também que somos tendencialmente mais exigentes quando avaliamos algo nacional comparativamente com o equivalente produzido no estrangeiro, pelo menos a nível musical é um pouco assim pelo nosso Portugal.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Hipocrisia dos Discurso Políticos de um “Grande Português”


Penso que todos estamos conscientes do ponto a que os discursos políticos podem chegar em hipocrisia e  demagogia (no mau sentido).Mas só quando analisamos algumas palavras proferidas por alguns dos políticos mais conhecidos, de hoje e do passado, é que constatamos até que ponto chegaram.
Numa recente conferência, à medida que o orador ia lendo excertos de textos de discursos de um político do passado nacional, eu e a maioria dos espectadores íamos acenando com a cabeça em sinal de concordância sobre aquilo que íamos ouvindo. Mas ,assim que soubemos qual o autor dessas palavras inflamadas e inspiradoras – pensava eu - caiu sobre todos um misto de terror e espanto. O autor era nada mais, nada menos, que Oliveira Salazar

O orador, o Professor Doutor Luís Reis Torgal, conseguiu plenamente atingir o seu fim: fazer-nos reflectir sobre a capacidade de engano e dissimulação que pode ter um discurso.
Salazar a vomitar a pátria - Paula Rego
Esta história serve para alertar para a necessidade de nos acautelarmos perante palavras bem articuladas e inteligentemente conjugadas, mas que podem servir apenas para iludir e cativar. Quando assim é - e será sempre difícil de prever - não devemos ser demasiado crédulos, caso contrário podemos estar próximos de apoiar outros futuros “Salvadores da Pátria”. 

O Estado Novo ficou conhecido por ser uma ditadura onde se limitavam as liberdades individuais e a livre associação (sindicalismo por exemplo), entre outras. Bem conhecido era também o nível de vida de extrema pobreza a que a população estava sujeita, da falta de um sistema de acção social e a inexistência de salário mínimo nacional, já para não falar na falta de muitas outras coisas.

Ficam então aqui excertos de discursos de Oliveira Salazar para análise e reflexão. Analise-se o que foi o Estado Novo na prática e realidade com o que defendia  publicamente o futuro Presidente do Conselho de Ministros: 
“O salário, por consequência, não tem que ter limite superior, mas pode ser-lhe fixado o limite mínimo, para que não desça além do que é imposto pelas exigências duma vida suficiente e digna.” 
“No campo da actividade profissional não deve também o trabalhador estar só.
Naturalmente ele terá tendência para se associar com outros a fim de defender melhor os interesses materiais e morais da profissão. Ora o sindicato profissional é, pela homogeneidade de interesses dentro da produção, a melhor base de organização do trabalho, e o ponto de apoio, o fulcro das instituições que tendem a elevá-lo, a cultivá-lo, a defendê-lo da injustiça e da adversidade.” 
“Quando pelos seus órgãos a sua acção tem decisiva influência económica, o Estado ameaça corromper-se. Há perigo para a independência do Poder, para a justiça, para a liberdade e igualdade dos cidadãos, para o interesse geral em que da vontade do estado dependa a organização da produção e a repartição das riquezas, como o há em que ele se tenha constituído presa da plutocracia dum país. O Estado não deve ser o senhor da riqueza nacional nem colocar-se em condições de ser corrompido por ela. Para ser árbitro superior entre todos os interesses é preciso não estar manietado por alguns.”

Oliveira Salazar, excertos de discursos entre 1928 e 1934

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Idade Média: O berço do Capitalismo

Quase sempre se apelida a “Idade Média” na Europa - período entre a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e a Queda de Constantinopla (1453 d.C.) - de a “Idade das Trevas”, possivelmente em oposição à posterior suposta "Época das Luzes". No entanto, se estudarmos minimamente a Idade Média, podemos concluir que não foi assim tão negra e que o Renascimento não foi assim tão revolucionário, mas mais uma evolução gradual, possível à medida que na Europa se iam pacificando os povos, estruturando as sociedades, e estabelecendo Estados mais fortes e organizados. Tendo também contribuído o fim do Império Bizantino (queda de Constantinopla às mão dos Turcos Otomanos) para um afluxo de gentes de saber e ciência à Europa ocidental.
 As cruzadas, apesar de inaceitáveis do ponto de vista moral contemporâneo, fizeram abrir a Europa Medieval ao mundo, fomentando as trocas culturais e comerciais com o Levante e Oriente, nesta altura muito mais ricos e cultos que a Europa de então.

O Casal Arnolfini - Jan van Eyck
Uma das mudanças mais importantes que se deram na Europa entre o século XII e XIV foi a mutação do sistema feudal, assente num sistema hierárquico de senhores e vassalos, para um sistema proto-capitalista, baseado na moeda e capital.
Na obra “Expansão Portuguesa Quatrocentista”, do professor Vitorino Magalhães Godinho, é apresentada uma explicação, das mais concisas e perceptíveis que já li, mesmo para leigos como eu nestas matérias, sobre a mudança económica ocorrida na Europa Medieval. Passo a citar. “[…]Quando o aumento das populações urbanas solicitou maior produção agrícola, os senhores apreenderam o arroteamento das terras, incitaram a intensificação da cultura e para isso viram-se forçados a transformar o trabalho servil, pouco produtivo, em trabalho livre, e a substituir, pelo menos parcialmente, as entregas em géneros e as prestações de serviços por rendas em dinheiro. Mas, deste modo, conquando não estejam mais dependentes directamente da abundância ou escassez das colheitas, ficam sujeitos às flutuações dos preços, salários e poder de compra da moeda[…]”.

São desta época invenção de produtos financeiros tão conhecidos como: Seguros, Créditos, Hipotecas, Letras, Fundos de Investimento, Sociedades por cotas, entre outras.

A idade Média pode ter sido rica em superstições e intolerâncias, ignorância, medos e misticismos, mas por outro lado, foi dela que surgiu a génese dos sistemas socioeconómicos em que hoje vivemos, incluindo muitos dos Estados Europeus actuais.

Dum ponto de vista conceptual político - que arrisco apresentar em jeito humurado -, pode-se considerar “Idade das Trevas”, principalmente para quem defender as teses e ideologias Socialistas extremas e o próprio Comunismo, uma vez que foi nesta altura que surgiu o Capitalismo.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril: uma revolução mais militar que política

No dia em que se celebra o 25 de Abril, o acontecimento que tornou possível a Portugal integrar o grupo de países democráticos, pondo assim fim a uma ditadura totalitarista e fascista de mais de 40 anos, há que tentar analisar a natureza do acontecimento e a revolução em causa, sem tentar entrar em lugares comuns e redundâncias - o que não é fácil.
Há quem afirme que neste dia se fez uma revolução com fins puramente políticos. Esta ideia pode não ser completamente verdadeira, pois sabe-se que a revolução foi, acima de tudo e sem margem para qualquer dúvida, uma revolução militar. Sabe-se que foi uma revolta encetada e comandada por oficiais do exército (capitães), isto porque discordavam das políticas militares que o governo de então tomava. Sendo uma dos principais motivos de discórdia o modo como se ascendia  às patentes intermédias e superiores de oficiais nas forças armadas.
Independentemente disso, estes corajosos homens, os chamados “Capitães de Abril”, levaram a cabo uma revolução e mudança de governo em 1974, algo que uma grande parte da população já desejava. A nossa gratidão para com eles deve ser grande e sincera. No entanto foram as conturbações “pós 25 de Abril”, os tumultos, a instabilidade política, a luta pelos ideias democráticos e da liberdade que permitiram verdadeiramente a implementação da democracia em Portugal.
Cravo, lírio, lírio e rosa - John Singer Sargent
Em suma, o 25 de Abril foi uma revolução militar, mas que trouxe consequências políticas e que obrigaram o País a dar o salto em frente rumo à democracia.
O melhor modo de celebrar este marcante acontecimento, e a democracia que dele brotou ,é com acção no dia-a-dia e não só festejando um feriado nacional com saudosismo.

O bem precioso que é a democracia, metaforicamente falando, pode ser visto como um jardim sempre a necessitar de cuidados constantes, de jardineiros apetrechados das ferramentas do espírito cívico e da liberdade. Assim se deve festejar a democracia, que, afinal de contas, até se quer e deve ser participativa.
Viva o 25 de Abril e as oportunidades que dele resultaram!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O conceito paradoxal do automobilis (automovel)

Etimologicamente a palavra automóvel deriva da junção de duas distintas palavras: auto que significa por si próprio em Grego e mobilis que significa mobilidade em Latim. Assim sendo, automóvel significa mobilidade autónoma. Actualmente o uso excessivo da mobilidade autónoma (automóvel) causa-nos, por si só, problemas de mobilidade, sendo que em muitos casos quase nos aproxima do estatismo.
Mulheres a correr na praia - Picasso
  A incapacidade de deslocação através de meios próprios e veículos privados num sistema que é público deve suscitar-nos meditação, quer ao nível dos transportes quer ao nível da organização social. Tal como em outros assuntos que resultam da vivência em sociedade, o modo como nos deslocamos tem grande influência na organização social. Qualquer sociedade conhecida tem regras e esferas de valor (ou a ausência delas como regra própria) que são seguidas, parcial ou efectivamente, pelos seus membros. Assim como as sociedades ao longo da História se foram modificando e metamorfoseando, também o modo como nos deslocaremos no futuro irá forçosamente mudar. No passado o automóvel foi um agente democratizador e de liberdade, mas hoje o seu uso excessivo, com base no sentimento do direito pessoal à movimentação sem limitações, está a provocar um sem número novo de problemas que influenciam cada vez mais o domínio colectivo. Simplesmente não existe espaço suficiente para todos os veículos automóveis, combustível fóssil para queimarmos eternamente, nem um meio ambiente capaz de se regenerar à velocidade dos ataques que vai sofrendo por essa via. Nesta matéria teremos todos de abdicar um pouco do nosso suposto direito ao transporte privado, de recusarmos o uso insustentável e desmesurado do automóvel, em proveito de uma melhoria geral da eficiência e capacidade dos transportes no geral. Pois se assim não for os níveis de serviço e qualidade dos transportes continuarão a baixar, até um limite em que ninguém mais se conseguirá fazer transportar de um modo cómodo, rápido e ambientalmente sustentável. 
O sector dos transportes é o segundo mais poluidor a nível mundial, sendo que esses efeitos, para além de terem grandes impactes Ambientais (algo que qualquer leigo identifica), afectam também directamente a saúde dos seres Humanos e toda a fauna, através das emissões de combustão (Partículas, NOx, SO4, etc.), infra-estruturas necessárias (construção e manutenção de vias de comunicação), processos de fabrico e de fim de vida das viaturas (extracção de matérias primas, processos de produção, veículos e componentes enquanto resíduos), entre outros.
No futuro será imperativo optar pela mobilidade sustentável e não pela mobilidade assente simplesmente em critérios de “maior quantidade e maior velocidade”, advindo dai um futuro melhor do que o perspectivado se mantivermos os mesmos padrões de consumo e utilização dos transportes.
A mobilidade sustentável passa por uma alterações e aplicação de tecnologias e modos de organização que descobriremos no futuro, mas principalmente, a curto e médio prazo, por algumas soluções que já conhecemos, entre elas:
•    Uso de transportes públicos;
•    Car sharing e Car pulling (partilha de automóveis);
•    Uso de transportes alternativos, de acordo com o tipo e distância de viagem (bicicleta, deslocação pedestre);
•    Uso de veículos mais eficientes, de menores dimensões, e que recorram a combustíveis alternativos renováveis e menos poluentes (H2, Fuel-cell, Biocombustíveis, electricidade, etc.) .

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa