terça-feira, 13 de abril de 2010

A manipulação Histórica como arma de propaganda política no Estado Novo

As minhas mais recentes leituras têm incidido numa obra singular sobre História Nacional. Essa obra, há poucos anos reeditada (2008), é por si só parte da História do século XX Português, especialmente no que toca à comprovação da acção de apropriação e manipulação da História para fins de propaganda Política durante o Estado Novo.
Refiro-me à obra «Expansão Quatrocentista Portuguesa», do historiador Vitorino Magalhães Godinho. Esse livro foi fruto de um estudo originalmente encomendado a esse Historiador em 1960, no âmbito das homenagens comemorativas dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, através da, especialmente criada para o efeito, “Comissão Henriquina”. O estudo em causa foi recusado pela comissão, pois, apesar de lhe atribuir mérito académico, considerava-o demasiado economicista, até mesmo marxista. Esta censura impediu que a primeira edição circulasse livremente, pois nela os Descobrimentos Portugueses não coincidiam com a visão que o Estado Novo queria transmitir. A obra atribui ao mercantilismo e busca por novas riquezas e territórios como sendo as principais razões para a expansão nacional, ao contrário prescrito pelo regime de Salazar: sentido de cruzada, de expansão da fé e da curiosidade científica (algo que colocava os Portugueses na vanguarda da ciência na época).
Painéis de S. Vicente - Nuno Gonçalves
Este acontecimento, que passou facilmente despercebido nos anos 60 do anterior século, é só mais uma da prova de como a História tem vindo a ser manipulada e alterada de acordo com o poder instituído da época em que é escrita, daí hoje em dia ser de tão difícil a compreensão fidedigna de alguns dos acontecimentos do passado (mesmo do mais recente). Hoje em dia os investigadores e historiadores, de modo a evitarem o uso exclusivo de fontes escritas que podem ser erróneas, trabalharem em equipas pluridisciplinares (com geólogos, arqueólogos, antropólogos, biólogos, climatologistas, entre muitos outros) e a recorrem a diferentes áreas do saber e formas de investigar,de modo a enriquecer os seus estudos. Só assim os estudiosos da História se poderão aproximar, o mais possível, recorrendo a métodos e técnicas científicas, dos eventos tal qual aconteceram.
Estas formas de trabalhar e investigar têm especial interesse para todos nós, pois podemos, à medida que os estudos vão dando os seus frutos, compreender melhor o nosso Passado, afastando fabricações e propagandas mascaradas de factos Históricos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Português, uma obra de arte cubista

Ao desfolhar uma das minhas últimas aquisições livrescas, neste caso uma recente e muito bem ilustrada enciclopédia sobre arte (Arte – Grande enciclopédia, da editora civilização), deparei-me com uma pintura curiosa que me despertou a atenção. O que mais me surpreendeu foi o seu título. Essa pintura tem o nome de “Le Portugais (Emigrant)”, da autoria de George Braque, contemporâneo e companheiro de artes de Picasso. Braque pintou esta obra em 1911 recorrendo ao estilo cubista (movimento artístico e estético vanguardista na época, que ele próprio contribuiu para implementar e desenvolver) que retrata um Emigrante Português em Paris, notando-se na pintura os traços de uma guitarra.

O Português (emigrante) - Braque
Podemos concluir que no inicio do século XX já os Portugueses, ao seu jeito, faziam parte da cosmopolita Paris, por essa altura ainda a cidade mais importante mundial no que toca às artes e cultura.

Esta obra, de um grande pintor como Braque, é Sinal de que os nossos compatriotas eram reconhecidos e estavam entre os artistas vanguardistas da época.

domingo, 4 de abril de 2010

Porque temos ovos e coelhos na Páscoa?

A Páscoa é actualmente uma das mais importantes celebrações do calendário Cristão, tendo a sua génese uma indiscutível relação com as festividades Judaicas. No entanto, não se trata somente de uma festividade Judaico-cristã, basta recordamo-nos e tentarmos encaixar os Ovos e Coelho da Páscoa nestas festividades religiosas que dificilmente encontramos uma relação.

O termo “Páscoa” deriva do hebraico “Pessach”, sendo que no Pessach se celebra a libertação da escravidão dos Judeus sob o poder Egípcio, tendo Moisés liderado a revolta essa fuga por volta do XIII séc. a.C., pelo menos assim reza o Tora e o Antigo Testamento. Por coincidência, ou não, a Pascoa Cristã celebra a morte e ressurreição de Jesus, que, segundo o Novo Testamento, foi crucificado durante as celebrações da Pessach Hebraica, isto quando o próprio Jesus a celebrava em Jerusalém, ou não fosse ele um Judeu devoto.

A metamorfose de narciso - Dalí

Mas existem também inegáveis influências da mitologia nórdica no modo como se festeja actualmente a Páscoa no Ocidente. São de origem Saxónica a introdução do coelho e ovos da Páscoa. Esses objectos faziam parte da iconografia associada à Deusa Saxónica da FertilidadeEastre” ou “Eostre”, coincidindo as celebrações primaveris em sua honra com as festividades judaico-cristãs - o que afinal até pode ter sido algo adaptado por razões de assimilação de diferentes crenças. Quando os Saxões invadiram a Bretanha romana (Grã-Bretanha actual) no séc. V d.C. difundiram esses cultos. Posteriormente, da fusão Cristã e Pagã surgiu a Páscoa Anglo-saxónica intitulada de “Easter”, de onde se destacam os coelhos felpudos e os ovos coloridos.

Na obra “the complete encyclopedia of signs & simbols”, da autoria de Mark O´connell e Raje Airey, consta uma teoria para a associação entre os ovos e o coelho da tradição saxónica. Segundo estes autores essa associação resulta de uma lenda antiga: A Deusa Eastre num certo Inverno resolveu transformar uma das aves que normalmente migravam para Sul num coelho, para assim poder sobreviver ao Inverno, evitando a migração. A ave, que agora tinha a forma de coelho, em sinal de agradecimento continuou todas as Primaveras a pôr ovos. Este acto, símbolo máximo da fertilidade, constituía a maior honra que se poderia fazer a uma Deusa da fertilidade, nesta caso uma honra a Eastre. 

Há algumas décadas estas tradições pascais do norte da Europa tinham pouca implementação em Portugal, mas quando o país se abriu à influência estrangeira, especialmente à Anglo-saxónica, os coelhos e ovos de Páscoa invadiram a tradicional Páscoa Portuguesa com belas cores e formas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Humor na religião, um modo de estar em liberdade

Há quem afirme a plenos pulmões, para certos temas: "Com isso não se brinca". Essas posições defendem que se deve manter uma barreira, que jamais deve ser ultrapassada, entre o que realmente é sério e o que é humorismo.
Por outro lado há quem defenda que qualquer tema ou assunto é passível de ser parodiado. Mas a prudência pode sugerir que se definam limites, ainda que seja difícil saber onde os traçar. Ficamos sempre sujeitos à subjectividade pessoal, tal como de outras influências externas de vária ordem e natureza. Assim sendo, tal como deve haver respeito por quem não se quer envolver em paródias, também devem haver o respeito por aqueles que apreciam paródias mais vanguardistas. No fundo, uma separação onde se evite o choque de valores, mas que permita a interacção voluntária não agressiva a quem queira conhecer pontos de vista e ideias distintas. Tudo isto tendo em vista as liberdades individuais (crenças, expressão, associativismo, etc.).

A dança - Matisse
Em alguns casos, uma abordagem baseada no humor pode ser a mais frutuosa, especialmente quando se pretende passar uma mensagem ou despertar consciências. No entanto, o uso ou não do humor para tratar temas ditos ‘sérios’, controversos ou sensíveis (de acordo com as susceptibilidades de cada um), pode contribuir para uma mistura explosiva, resultando invariavelmente em intolerância e até mesmo em violência. Esse potencial negativo tende a ser agravado sempre que não se consideram, de um modo conjunto, os vários factores que influenciam o modo como se faz humor: meios e modo de transmissão; público-alvo; envolvente e contexto; bom senso e inteligência (intelectual, emocional, etc.) dos humoristas.
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Este texto, um pouco vago, tem como objectivo tentar desmistificar o humor quando usado para abordar temáticas mais delicadas, neste caso: Religiões. Na revista “Courrier Internacional” do mês de Março surge um artigo, publicado originalmente no “El País”, da autoria de Juan G. Bedoya, intitulado de “Santa Gargalhada”, sobre uma obra lançada em Espanha que trata o humor e a religião. Nesta obra, crentes de várias religiões, e até mesmo ateus, contam anedotas sobre si próprios, sobre as suas tradições, valores, comportamentos e crenças. Deste modo é possível fazer humor com a religião, evitando a ofensa e cultivando um verdadeiro espírito de tolerância.
De seguida, alguns exemplos das anedotas que constam do artigo original, organizadas por grupos, religiões, movimentos ou filosofias de vida.

Judeus
“Um filho pergunta ao pai:
- Pai o que é a ética?
O pai, comerciante, responde:
A ética é o seguinte: Imagina que entra uma cliente na loja, compra umas calças de ganga que custam 50 €, engana-se, dá-me uma nota de 100 € e vai-se embora. A ética é: conto ao meu sócio ou não?”

Cristãos
“Três padres conversam sobre os problemas que têm com os morcegos nas suas respectivas igrejas e as maneiras de os afugentarem.
O primeiro diz:
- Peguei numa espingarda e crivei-os de tiros, mas a única coisa que consegui foi encher as paredes de buracos.
O segundo diz:
- Eu pus veneno e desapareceram, mas depois voltaram.
O terceiro, a sorrir, diz:
- Eu tenho a solução. Baptizei-os, fi-los membros da igreja e falei-lhes da dízima. Nunca mais voltaram.”

“Uma senhora de muita fé estava a ler o jornal e diz:
- Este conflito na Palestina! Estes Judeus e Muçulmanos…! Porque não resolvem as coisas como bons cristãos?”

Zen
“Perguntaram a um monge zen:
- Mestre, diga-me: o que há depois da morte?
- Não sei. Responde o sábio.
Pensámos que o senhor era sábio…
Sábio talvez, mas morto não.”

Ateus
“Dois ateus encontram-se. Diz um deles:
- Estive um dia destes na biblioteca e li um livro intitulado A Bíblia.
- Ah sim? E é sobre o quê?
- Pois olha, é sobre um tal Jesus que tinha um amigo chamado Lázaro. Um dia, estava ele a viajar, o tal amigo morre. E quando Jesus voltou à aldeia, o ta Lázaro estava enterrado há três dias. Vai daí, Jesus abre o sepulcro toma-lhe o pulso, procura respiração, faz-lhe massagem casdíaca, experimenta um desfibrilhador, chama a ambulância, leva-o rapidamente para um hospital, põe-no a soro e.. amigo ressuscita!
Diz o outro:
- Não acredito!
Caramba! Estou-te a explicar tal qual está no livro…”

“O bispo chama um padre de aldeia e repreende-o:
- Celebrares missa com calças de ganga em vez de sotaia… não faz mal! Que uses camisas havaianas… passa! Que prendas o cabelo num rabo-de-cavalo… não comento! Que uses brinco… consigo suportar! Que uses um piercing no umbigo… fecho os olhos! Mas esta agora não tolero. Não estou disposto a que, durante a Semana Santa, vás de férias e pendures um cartaz na porta do igreja a dizer ‘Fechado por morte do filho do chefe’. Isso não aceito!

Muçulmanos
“Um dia um mulá vai passear no seu burro, por quem tinha grande estima. Parou para descansar e adormeceu. Quando acordou, viu que o asno tinha desaparecido, mas em vez do ir procurar, voltou gritando euforicamente.
- Louvado seja Deus, louvado seja Deus!
As pessoas aproximaram-se, admiradas.
- O que é que aconteceu? Porque estás tão contente? Perguntavam as pessoas.
- Porque o meu burro se perdeu.
- Oh homem… mas tu gostas tanto do burro, devias estar triste!
O mulá respondeu:
- Não percebem nada, ignorantes. Dou graças a Deus porque o burro se perdeu quando eu não estava em cima dele!”

sexta-feira, 26 de março de 2010

Polacos - Os Escravos dos Nazis

É lugar-comum, apesar de extremamente importe e de não dever nunca ser esquecido, falar-se sobre o modo como regime de Adolf Hitler lidou com os Judeus alemães e dos demais países que invadiu durante o 3º Reich. No entanto os Judeus não foram as únicas vítimas do governo nazi da Alemanha, pois quem se opusesse ou fosse diferente do prescrito pelo modelo nazi, a nível racial e não só, sofriam na pele. Quem desalinhasse, fosse por natureza ou opção, dos cânones da ideologia nazi era  silenciado, roubado, humilhado, escravizado ou até mesmo eliminado. Hitler e os demais dirigentes nazis foram responsáveis pela prisão, tortura e massacre de várias minorias e etnias (ciganos, homossexuais, etc.) e também de intelectuais e pensadores que se opunham, directa ou indirectamente, ao regime e seus ideais.

Fogo na Noite - Goya
Os polacos sofreram muito sob a ocupação nazi por várias razões. Tal como os judeus, foram obrigados a usar um distintivo nas suas roupas que os identificava prontamente. Enquanto os Judeus eram forçados a usar a famosa estrela de 6 pontas, também conhecida como a estrela de David, os Polacos tinham de ostentar a letra “P” em todas as suas indumentárias. Apesar de não existirem provas de campos de concentração e extermínio para Polacos, não significa que tenham tido um tratamento muito melhor. Muitos dos Polacos tornaram-se mão-de-obra escrava sob o jugo nazi, podendo um industrial ou proprietários agrícola Alemão requisitar polacos ao ministério do trabalho nazi para trabalharem gratuitamente nas suas terras.
Este tratamento para com os polacos tem motivos raciais (segundo a ideologia fascista nazi), históricos e geopolíticos. Os modernos polacos são descendentes dos antigos povos Eslavos, e que segundo os nazis eram inferiores por não serem considerado de origem germânica e ariana (nas línguas românicas há uma semelhança muito estreita entre o termo “escravo” e “eslavo”, podendo isso ter alguma relação histórica também, mas tratando-se apenas de mera especulação). As razões históricas e geopolíticas devem-se à derrota Alemã durante a 1ª Guerra mundial, da qual resultou a assinatura do tratado de Versalhes (1919), onde a Alemanha teve de ceder uma parte significativa do seu território para o recém-criado estado da Polónia. Assim, Hitler via o Tratado de Versalhes de 1919 como uma humilhação para a nação alemã, devendo a Polónia desaparecer do mapa e os polacos também por isso ser castigados.

Estes episódios fazem-me lembrar um dos ensinamentos que Sun Tzu prescreve na obra “A arte da Guerra”. Segundo Sun Tzu nem todas as vitórias são boas. Se com uma vitória humilharmos excessivamente os derrotados só iremos alimentar ódios e futuras guerras e insurreições contra o domínio ou paz imposta pela vitória em causa. 
Apesar disto, nada desculpa a acção nazi.

Fontes:
Documentário: A Prússia Oriental de Hitler
Livros: A arte da Guerra - Sun Tzu

sábado, 20 de março de 2010

O Neocolonialismo agrícola

Para quem pensa que o colonialismo é coisa do passado, que findou, quase na sua totalidade, durante o século XX, mantendo-se apenas resquícios de uma soberania meramente protocolar (Commonwealth, por exemplo), que se prepare para ser surpreendido. É sabido que, apesar das potências colónias terem abandonado o governo efectivo das suas colónias, mediante a globalização do capitalismo ocidental, a sua presença manteve-se através de ligações comercias, dívidas externas e a presença de empresas que continuam a operar e explorar os recursos das antigas colónias em proveitos das antigas metrópoles, embora que de uma forma mais benéfica para os países que nasceram das antigas colónias - pelo menos assim se diz nesses países.
Guardando porcos - Gauguin
No entanto, algo de novo começa a ganhar forma: uma espécie de neocolonialismo orientado para as reservas de terrenos férteis. Muitos são os países africanos que, devido à sua falta de meios, infra-estruturas organização interna e cultura para o aproveitamento, em benefício próprio, dos seus recursos naturais, enveredam vela venda e pela cedência dos seus melhores solos agrícolas a agricultores e empresas estrangeiras. Isto, mais que tudo, prejudica as economias locais desses mesmos países africanos e torna-os, inevitavelmente, dependentes das potências estrangeiras, tal como permite ao países compradores e investidores suprir as suas necessidades actuais e as futuras, inerentes ao seu crescimento (demográfico e económico).
Podemos dividir os países investidores no setor agrícola em dois tipos distintos, tendo em conta a sua situação actual e a futura: alguns  as chamadas potências emergentes apresentando elevadas taxas de crescimento demográfico (Índia, China, etc.), algo que não poderá ser sustentável pois num futuro próximo tenderão a exaurir os seus próprios recursos; outros são alguns países desenvolvidos, que actualmente estão já em défice de produção alimentar e completamente dependentes da produção externa para poderem crescer (Japão, Coreia do Sul, etc.).
Continuando este estado de coisas, no futuro, as potências compradoras e arrendatárias poderão continuar a crescer, economicamente e demograficamente à custa de recursos alheios (algo que a Europa já fez), desequilibrando e controlando grande parte dos recursos alimentares mundiais.

A meu ver, esses países africanos que têm vindo a ceder grande parte dos seus terrenos agrícolas em troca de ajudas externas, na forma de fundos, infra-estruturas e tecnologia, deveriam poder ter opção de escolha. Deviam ser devidamente informados das consequências destes acordos (embora acredito estarem conscientes, pelo menos os seus governantes) e ajudados pelas actuais Nações desenvolvidas, de modo a que possam, por si só, gerir convenientemente os seus recursos, evitando que apenas um punhado de países detenham o monopólio dos recursos alimentares mundiais. Pode estar em causa a estabilidade internacional.

Referências:

Segundo o artigo “A grande corrida aos solos agrícolas”, publicado em Dezembro de 2009 na “Courrier Internacional” (texto original de: Fernando Peinado Alcaraz, do El País), "o Congo cedeu cerca de 1/3 do seu território para utilização por parte de agricultores estrangeiros".
Também na edição portuguesa do "Le monde diplomatique" de Janeiro de 2010, segundo o texto “Corrida às terras africanas cultiváveis” da autoria de Joan Baxter, se refere a tendência para a procura de terras férteis agrícolas por parte das grandes potencias, algo que aconteceu no passado quando o petróleo se assumiu com um dos recursos mais importantes da economia mundial.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A origem Romana do nome dos Meses do Calendário.

Tenho de admitir que este texto estava na gaveta há algum tempo. Há muito que queria falar sobre a possível origem dos nomes que usamos para diferenciar os vários Meses do Ano. Existem muitas teorias sobre a origem e significado de cada um desses nomes. Podemos afirmar que a influência Romana é incontornável, mesmo que outras culturas e povos possam ter alterado e modificado, à sua maneira, de acordo com os seus costumes e tradições, os nomes dos meses que actualmente usamos.

O acordar do alvorecer - Miró
Apesar dos Romanos, enquanto cidade-estado, republica e Império, já façam parte da História, a sua influência permaneceu. À semelhança de outros episódios do passado, ao longo da História e um pouco por todo o mundo, muitos povos conquistadores acabavam por ser aculturados pelos conquistados, o que ocorria quase invariavelmente quando a cultura dos dominados era mais sofisticada e desenvolvida que a dos novos senhores. Isto aconteceu aos povos nórdicos invasores, quando formaram novos reinos a partir da imensidão do antigo Império Romano. Essa influência foi contínua ao longo dos séculos, sobrevivendo mesmo à queda de muitos desses reinos, também muito devido à influência da Igreja católica Romana (resquício do poder e organização política romana numa Europa fragmentada), que preservou alguns das características e legado cultural dos antigos romanos (O latim foi a língua oficial da diplomacia e dos tratados internacionais durante muitos séculos).
 
Então, cumprindo o propósito a que me predispus, aqui ficam algumas das possíveis origens para os actuais nomes dos meses do nosso calendário, tendo em conta uma génese romana:
 
Janeiro – Deriva do deus jano, o qual era representado com duas caras olhando o ani que se acaba e outra o que principia.
 
Fevereiro – de «februare», que significa purificar, por ser o mês durante o qual se celebram os sacrifícios expiatórios. O nome deste mês, antes do calendário de Júlio César (calendário juliano) era atribuído ao último mês do ano, e os sacrifícios realizados para pedir um bom ano. Foi também Júlio César que retirou o primeiro dia a Fevereiro, tendo-o acrescentado ao mês em sua honra (Julho). Augusto fez o mesmo, acrescentando também um dia ao seu mês (Agosto). Dai o mês de Fevereiro ter, à excepção dos anos bissextos, 28 dias.
 
Março – do Nome do Deus Marte, deus da Guerra. Era nesta altura que se iniciavam as campanhas militares, pois era pouco usual combater no Inverno, dadas as limitações de manter e manobrar exércitos da antiguidade nessa época do ano (dificuldades de deslocação e de obtenção de víveres e forragens).
 
Abril – De «aperire», por ser a época em que a terra se abre para produzir seus frutos.
 
Maio – que vem de «Majore», nome dos senadores romanos, que neste mês começavam as suas sessões. Uma outra origem poderá ser a homenagem à Deusa Maia, uma antiga divindade da Primavera, de origem Itálica.
 
Junho – Nome da Deusa Juno /Hera), filha de Cronos (Saturno) e Gaia (Terra) e esposa de Júpiter (Zeus).
 
Julho – Do nome Julio César.
 
Agosto – do nome de César augusto.
 
Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro – querem dizer, respectivamente, sétimo, oitavo, nono e décimo, números de ordem que lhes correspondiam no calendário romano, o qual antes de Numa Pompílio, começava em Março e só se compunha de dez meses.

Bibliografia:
Livro de curiosidades, da colecção retalhos, da editora Menabel

quinta-feira, 11 de março de 2010

Jesus existiu realmente enquanto pessoa ou foi uma mera ideia?

Cada vez mais se questiona o que outrora era considerado factual. Informações que se davam como dados adquiridos são agora perscrutadas e investigadas pelas mais recentes tecnologias e formas de saber. À semelhança de outras áreas de interesse e actividade Humana, algumas perspectivas sobre as várias Religiões são também analisadas, especialmente naquelas que tiveram implicações Históricas.
O Cristo de S. João da Cruz - Dalí
 O livro “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray, questiona um desses temas que levantam polémica. Citarei então agora aqui um excerto dessa obra, para que posteriormente se possa analisar o conteúdo: “A existência de Jesus não está historicamente. Não se conhece nenhum documento contemporâneo do acontecimento, nenhuma prova arqueológica, nada de certo que nos permita concluir, hoje, pela verdade de uma presença efectiva na passagem entre dois mundos, abolindo um e instituindo outro.
Nada de túmulo, nada de sudário, nada de arquivos, a não ser um sepulcro inventado em 325 por Santa Helena, a mãe de Constantino, muito dotada, e a quem se deve também a descoberta do Calvário e a titulus, o pedaço de madeira que suporta o motivo da condenação. Uma peça de madeira que o método do carbono 14 data do século XIII (…). Enfim, três ou quatro referências vagas, muito imprecisas, nos textos antigos – Flávio Josefo, Suetónio e Tácito -, mas em forma de cópias efectuadas alguns séculos depois da pretensa crucifixão de Jesus e, sobretudo, muito depois do sucesso dos seus turifetários… (…) Ainda hoje, lemos os escritores da Antiguidade a partir de manuscritos, vários séculos posteriores aos seus conteúdos rearranjando-os de modo a validarem o sentido da História (…)”.

Independentemente da existência de um Jesus histórico, de um ponto de vista conceptual ele de facto existiu e continua a existir. Pois, sejam ou não as palavras que são atribuídas a Jesus no Novo Testamento de uma homem de carne e osso, poderemos sempre, de um modo conceptual, construir essa personagem através dos valores e ideias que transmite. Apesar de poder ser uma engenhosa invenção com o intuito de cumprir vários fins, e de nem toda essa filosofia prescrita por Jesus ser tão imaculada, altruísta e pacífica como alguns nos querem fazer acreditar, de certo que Jesus, enquanto pensador e activista social, com preocupações éticas e morais, nos pode sempre ensinar alguns conhecimentos e pontos de vista alternativos valiosos. Tentemos apreciar as boas ideias e a sabedoria pelo que valem, e não por qualquer necessidade ou crença mitológica.

Jesus é importante, nem que seja pela influência que teve na História da Humanidade, dai valer a pena saber mais sobre ele, nem que seja simplesmente analisado como uma ideia ou corrente filosófica.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Será que conhecemos Van Gogh?

Será que conhecemos mesmo Van Gogh, o famoso pintor Holandês expressionista, com fama de miserável e louco? Num texto da edição portuguesa da Courrier Internacional, intitulado de “O pintor que também era escritor”, da autoria de Hans Masselink, somos confrontados de uma recente investigação sobre a correspondência saída da mesma mão com que Van Gogh pintava.

Auto-retrato - Van Gogh
Muitos escreveu Van Gogh, especialmente correspondência para o seu irmão Theo e também entre outros pintores conhecidos dessa mesma época - por exemplo Gauguin, um grande amigo de Van Gogh. Essas cartas foram recentemente alvo de um estudo levado a cabo pelo Museu Van Gogh e pelo Instituto Huygens-KNAW, tendo dessa investigação resultando informações preciosas sobre a personalidade de Van Gogh:
Não era maníaco-depressivo, como se diz muitas vezes. (…) Ele era extremamente fanático, apaixonado, de uma energia fervilhante, incansável”; “Van Gogh não tinha nada de miserável, mesmo se muitas vezes lhe era difícil fazer face às despesas, apesar do seu irmão Theo lhe dar dinheiro suficiente”; “Não era um pintor incompreendido. O mercado não estava preparado para a sua obra. Os quadros do seu amigo Gauguin praticamente não se vendiam, e os dele tão pouco. Mas dentro do círculo de conhecedores foi, porém, bastante apreciado
As razões para os mitos criados em torno de Van Gogh podem ter sido muitas, provavelmente algumas delas passam por simples questões de marketing e publicidade para fazer crescer o valor de mercado das suas obras. Independentemente disso trata-se de um grande pintor, dos melhores e mais originais que a História registou. 

Se há uma coisa que investigação História demonstra é que o conhecimento histórico está em constante construção, e em certos casos desconstrução para nova e revolucionária edificação. Se é mesmo assim, e se tudo isto é mesmo factual para o caso da história de Van Gogh, imagine-se como poderá ser para os grandes momentos da história da humanidade, daqueles que influenciaram e continuam a influenciar a vida de milhões de pessoas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Análise do livro "Tratado de Ateologia": A organização social pode existir sem o recurso à moral proveniente da religião?

Analisar e investigar as várias religiões, enveredando por uma busca o mais imparcial possível e abnegada de qualquer crença, é sempre uma missão difícil e, como não podia deixar de ser, potencialmente polémica.
O baile no moulin de la galette - Renoir
Enquanto céptico, e tentando ser sempre o mais racional possível, de acordo com o que as minhas emoções me permitem nestes assuntos, inevitavelmente tendo a ler e investigar as origens, evolução e implicações actuais da religiosidade na Humanidade. Desta vez foi o momento de ler uma obra de um filosofo contemporâneo vincadamente ateu. Na Obra “Tratado de Ateologia”, Michel Onfray tenta desmistificar o negativismo associado ao ateísmo e aos ateus, esforçando-se por defender que poder existir uma moral e uma organização social puramente laica, ou seja, verdadeiramente ateia. O autor defende que as crenças religiosas contemporâneas são desnecessárias para a existência de uma sociedade organizada, solidária e justa. Pois, num estado de consciencialização e informação mais elevado por parte dos actores sociais, a necessidade de um Deus (ou Deuses legisladores), definidor das regras de conduta e moral, tendo à sua disposição um paraíso para compensar os justos e um inferno para os injustos, os mecanismos de controlo social religiosos tornam-se vazios de qualquer utilidade pragmática ou tangível, restando apenas a tradição obsoleta e  ingénua.
 
Concorde-se ou não com Michel Onfray, esta é mais uma obra a ter em conta por quem quer, de um ponto de vista ateísta, compreender o nosso mundo. A organização da sociedade actual é apenas um dos muitos temas abordados pelo autor nesta obra. Mais haverá de interesse para citar e referir do livro em causa, pelo que o deixo para a leitura de ateus e crentes, pois certo contribuir positivamente para o enriquecimento de todos o que o lerem de mente aberta, nem que seja para discordar.

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