quinta-feira, 18 de março de 2010

A origem Romana do nome dos Meses do Calendário.

Tenho de admitir que este texto estava na gaveta há algum tempo. Há muito que queria falar sobre a possível origem dos nomes que usamos para diferenciar os vários Meses do Ano. Existem muitas teorias sobre a origem e significado de cada um desses nomes. Podemos afirmar que a influência Romana é incontornável, mesmo que outras culturas e povos possam ter alterado e modificado, à sua maneira, de acordo com os seus costumes e tradições, os nomes dos meses que actualmente usamos.

O acordar do alvorecer - Miró
Apesar dos Romanos, enquanto cidade-estado, republica e Império, já façam parte da História, a sua influência permaneceu. À semelhança de outros episódios do passado, ao longo da História e um pouco por todo o mundo, muitos povos conquistadores acabavam por ser aculturados pelos conquistados, o que ocorria quase invariavelmente quando a cultura dos dominados era mais sofisticada e desenvolvida que a dos novos senhores. Isto aconteceu aos povos nórdicos invasores, quando formaram novos reinos a partir da imensidão do antigo Império Romano. Essa influência foi contínua ao longo dos séculos, sobrevivendo mesmo à queda de muitos desses reinos, também muito devido à influência da Igreja católica Romana (resquício do poder e organização política romana numa Europa fragmentada), que preservou alguns das características e legado cultural dos antigos romanos (O latim foi a língua oficial da diplomacia e dos tratados internacionais durante muitos séculos).
 
Então, cumprindo o propósito a que me predispus, aqui ficam algumas das possíveis origens para os actuais nomes dos meses do nosso calendário, tendo em conta uma génese romana:
 
Janeiro – Deriva do deus jano, o qual era representado com duas caras olhando o ani que se acaba e outra o que principia.
 
Fevereiro – de «februare», que significa purificar, por ser o mês durante o qual se celebram os sacrifícios expiatórios. O nome deste mês, antes do calendário de Júlio César (calendário juliano) era atribuído ao último mês do ano, e os sacrifícios realizados para pedir um bom ano. Foi também Júlio César que retirou o primeiro dia a Fevereiro, tendo-o acrescentado ao mês em sua honra (Julho). Augusto fez o mesmo, acrescentando também um dia ao seu mês (Agosto). Dai o mês de Fevereiro ter, à excepção dos anos bissextos, 28 dias.
 
Março – do Nome do Deus Marte, deus da Guerra. Era nesta altura que se iniciavam as campanhas militares, pois era pouco usual combater no Inverno, dadas as limitações de manter e manobrar exércitos da antiguidade nessa época do ano (dificuldades de deslocação e de obtenção de víveres e forragens).
 
Abril – De «aperire», por ser a época em que a terra se abre para produzir seus frutos.
 
Maio – que vem de «Majore», nome dos senadores romanos, que neste mês começavam as suas sessões. Uma outra origem poderá ser a homenagem à Deusa Maia, uma antiga divindade da Primavera, de origem Itálica.
 
Junho – Nome da Deusa Juno /Hera), filha de Cronos (Saturno) e Gaia (Terra) e esposa de Júpiter (Zeus).
 
Julho – Do nome Julio César.
 
Agosto – do nome de César augusto.
 
Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro – querem dizer, respectivamente, sétimo, oitavo, nono e décimo, números de ordem que lhes correspondiam no calendário romano, o qual antes de Numa Pompílio, começava em Março e só se compunha de dez meses.

Bibliografia:
Livro de curiosidades, da colecção retalhos, da editora Menabel

quinta-feira, 11 de março de 2010

Jesus existiu realmente enquanto pessoa ou foi uma mera ideia?

Cada vez mais se questiona o que outrora era considerado factual. Informações que se davam como dados adquiridos são agora perscrutadas e investigadas pelas mais recentes tecnologias e formas de saber. À semelhança de outras áreas de interesse e actividade Humana, algumas perspectivas sobre as várias Religiões são também analisadas, especialmente naquelas que tiveram implicações Históricas.
O Cristo de S. João da Cruz - Dalí
 O livro “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray, questiona um desses temas que levantam polémica. Citarei então agora aqui um excerto dessa obra, para que posteriormente se possa analisar o conteúdo: “A existência de Jesus não está historicamente. Não se conhece nenhum documento contemporâneo do acontecimento, nenhuma prova arqueológica, nada de certo que nos permita concluir, hoje, pela verdade de uma presença efectiva na passagem entre dois mundos, abolindo um e instituindo outro.
Nada de túmulo, nada de sudário, nada de arquivos, a não ser um sepulcro inventado em 325 por Santa Helena, a mãe de Constantino, muito dotada, e a quem se deve também a descoberta do Calvário e a titulus, o pedaço de madeira que suporta o motivo da condenação. Uma peça de madeira que o método do carbono 14 data do século XIII (…). Enfim, três ou quatro referências vagas, muito imprecisas, nos textos antigos – Flávio Josefo, Suetónio e Tácito -, mas em forma de cópias efectuadas alguns séculos depois da pretensa crucifixão de Jesus e, sobretudo, muito depois do sucesso dos seus turifetários… (…) Ainda hoje, lemos os escritores da Antiguidade a partir de manuscritos, vários séculos posteriores aos seus conteúdos rearranjando-os de modo a validarem o sentido da História (…)”.

Independentemente da existência de um Jesus histórico, de um ponto de vista conceptual ele de facto existiu e continua a existir. Pois, sejam ou não as palavras que são atribuídas a Jesus no Novo Testamento de uma homem de carne e osso, poderemos sempre, de um modo conceptual, construir essa personagem através dos valores e ideias que transmite. Apesar de poder ser uma engenhosa invenção com o intuito de cumprir vários fins, e de nem toda essa filosofia prescrita por Jesus ser tão imaculada, altruísta e pacífica como alguns nos querem fazer acreditar, de certo que Jesus, enquanto pensador e activista social, com preocupações éticas e morais, nos pode sempre ensinar alguns conhecimentos e pontos de vista alternativos valiosos. Tentemos apreciar as boas ideias e a sabedoria pelo que valem, e não por qualquer necessidade ou crença mitológica.

Jesus é importante, nem que seja pela influência que teve na História da Humanidade, dai valer a pena saber mais sobre ele, nem que seja simplesmente analisado como uma ideia ou corrente filosófica.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Será que conhecemos Van Gogh?

Será que conhecemos mesmo Van Gogh, o famoso pintor Holandês expressionista, com fama de miserável e louco? Num texto da edição portuguesa da Courrier Internacional, intitulado de “O pintor que também era escritor”, da autoria de Hans Masselink, somos confrontados de uma recente investigação sobre a correspondência saída da mesma mão com que Van Gogh pintava.

Auto-retrato - Van Gogh
Muitos escreveu Van Gogh, especialmente correspondência para o seu irmão Theo e também entre outros pintores conhecidos dessa mesma época - por exemplo Gauguin, um grande amigo de Van Gogh. Essas cartas foram recentemente alvo de um estudo levado a cabo pelo Museu Van Gogh e pelo Instituto Huygens-KNAW, tendo dessa investigação resultando informações preciosas sobre a personalidade de Van Gogh:
Não era maníaco-depressivo, como se diz muitas vezes. (…) Ele era extremamente fanático, apaixonado, de uma energia fervilhante, incansável”; “Van Gogh não tinha nada de miserável, mesmo se muitas vezes lhe era difícil fazer face às despesas, apesar do seu irmão Theo lhe dar dinheiro suficiente”; “Não era um pintor incompreendido. O mercado não estava preparado para a sua obra. Os quadros do seu amigo Gauguin praticamente não se vendiam, e os dele tão pouco. Mas dentro do círculo de conhecedores foi, porém, bastante apreciado
As razões para os mitos criados em torno de Van Gogh podem ter sido muitas, provavelmente algumas delas passam por simples questões de marketing e publicidade para fazer crescer o valor de mercado das suas obras. Independentemente disso trata-se de um grande pintor, dos melhores e mais originais que a História registou. 

Se há uma coisa que investigação História demonstra é que o conhecimento histórico está em constante construção, e em certos casos desconstrução para nova e revolucionária edificação. Se é mesmo assim, e se tudo isto é mesmo factual para o caso da história de Van Gogh, imagine-se como poderá ser para os grandes momentos da história da humanidade, daqueles que influenciaram e continuam a influenciar a vida de milhões de pessoas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Análise do livro "Tratado de Ateologia": A organização social pode existir sem o recurso à moral proveniente da religião?

Analisar e investigar as várias religiões, enveredando por uma busca o mais imparcial possível e abnegada de qualquer crença, é sempre uma missão difícil e, como não podia deixar de ser, potencialmente polémica.
O baile no moulin de la galette - Renoir
Enquanto céptico, e tentando ser sempre o mais racional possível, de acordo com o que as minhas emoções me permitem nestes assuntos, inevitavelmente tendo a ler e investigar as origens, evolução e implicações actuais da religiosidade na Humanidade. Desta vez foi o momento de ler uma obra de um filosofo contemporâneo vincadamente ateu. Na Obra “Tratado de Ateologia”, Michel Onfray tenta desmistificar o negativismo associado ao ateísmo e aos ateus, esforçando-se por defender que poder existir uma moral e uma organização social puramente laica, ou seja, verdadeiramente ateia. O autor defende que as crenças religiosas contemporâneas são desnecessárias para a existência de uma sociedade organizada, solidária e justa. Pois, num estado de consciencialização e informação mais elevado por parte dos actores sociais, a necessidade de um Deus (ou Deuses legisladores), definidor das regras de conduta e moral, tendo à sua disposição um paraíso para compensar os justos e um inferno para os injustos, os mecanismos de controlo social religiosos tornam-se vazios de qualquer utilidade pragmática ou tangível, restando apenas a tradição obsoleta e  ingénua.
 
Concorde-se ou não com Michel Onfray, esta é mais uma obra a ter em conta por quem quer, de um ponto de vista ateísta, compreender o nosso mundo. A organização da sociedade actual é apenas um dos muitos temas abordados pelo autor nesta obra. Mais haverá de interesse para citar e referir do livro em causa, pelo que o deixo para a leitura de ateus e crentes, pois certo contribuir positivamente para o enriquecimento de todos o que o lerem de mente aberta, nem que seja para discordar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Karaté - uma riqueza cultural e de valores

Muitos mitos prosperaram em volta das artes marciais, muitos por culpa do cinema e da televisão - tendo sido o Karaté uma das artes marciais mais em foco. Enquanto antigo praticante desta arte marcial gostava de poder contribuir para desmistificar e expor alguns dos seus saberes ancestrais. Karaté significa “Mão vazia”, numa alusão de que não é permitido o uso de qualquer armamento, mas também porque se depreende que a mão do praticante deve ser  “vazia de qualquer má intenção”.

O karaté tem a sua origem na ilha de Okinawa. Derivou inicialmente do Kung Fu chinês, já que a ilha até ao século XVI esteve sob a influência dessa potência por ai ser um importante entreposto comercial. Aquando da ocupação da ilha pelo império japonês, todo o uso de armas foi proibido aos  naturais da ilha foi. Assim, a primitiva arte marcial de Okinawa desenvolveu-se no sentido da defesa pessoal sem o recurso a qualquer armamento, restringindo-se ao uso exclusivo do corpo como arma. À medida que a cultura nipónica conquistava e aculturava a ilha, e os autotenes se começavam a considerar japoneses de pleno direito, a sua arte marcial foi, progressivamente, assumindo traços mais nipónicos - adoptaram o tradicional Kimono japonês e o actual nome de Karaté.
 Esta, como tantas artes marciais, é mais que um conjunto de técnicas de combate, mais que ferramentas de ataque e defesa pessoal. O facto destas actividades serem conhecidas como "artes", e não somente técnicas marciais, está relacionado com a própria filosofia que lhe é intrinseca, com o rigor, a etiqueta, o respeito pelos membros mais  experientes, o culto pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal e regras de conduta que são incutidas a todos os praticantes.
A meu ver, o karaté, tal como muitas outras artes marciais orientais, deve, sem qualquer dúvida, ser considerado uma riqueza cultural,  um excelente produto de troca e intercâmbio humanístico à escala global. O facto do ocidente ter acedido a estas milenares formas de saber do oriente é um sinal de que nem toda a globalização é negativa.

Consultas bibliográficas:
Karaté – guia essencial para dominar a arte – editorial estampa

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um exemplo de opção pelo optimismo - Monty Phyton e A vida de Brian

Podemos facilmente cair na melancolia, ficar inertes na tristeza e irremediavelmente influenciados pelas tristes notícias com nos tentam constantemente alvejar - fruto dos dias que correm -, quer sejam desastres naturais, crises económicas, crises de valores ou os simples dissabores do dia-a-dia. Mas temos sempre outra opção, podemos sempre tentar encarar a vida com optimismo e tentar ver o lado menos negro dos acontecimentos que nos frustram ou entristecem. 

Muitos autores e “especialistas” iluminados têm tentado revelar as vantagens do optimismo através de uma infindável panóplia de obras literárias. No entanto essas obras, por norma, não acrescentam nada que saibamos já à partida, apesar de nos tentarem passar a ideia que grandes descoberta.

Gostaria de deixar aqui uma referência a mais uma obra-prima dos Monty Phyton, neste caso uma canção, que provavelmente muitos já conhecem, e que, recorrendo ao humor irreverente e monsense, apela às vantagens de ver a vida pelo lado positivo da vida.

Aqui fica o excerto do filme “A vida de Brian”, com a música 
Monty Phyton - Always Look the Bright Side of Life - Legendado, de 1979. Recomendo a todos que vejam este filme, no entanto preparem-se para um humor muito mordaz e capaz de criar um colapso nervoso aos mais religiosos e tradicionalistas. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Quando se fez o primeiro gesto de V de vitória?

Na Idade Média os Ingleses eram conhecidos pela sua mestria no domínio do arco nos campos de batalha de então. Desenvolveram um tipo de arco de maior envergadura (1,80m), grande poder (900N) e distância de disparo (220m), podendo perfurar armaduras a distâncias consideráveis. Esse tipo de arco era conhecido como o longbow, ou em Português, arco longo, também designado como arco Galês. No entanto, para disparar e utilizar todo o potencial desse arco era necessário um arqueiro especializado. Só os mais fortes e robustos poderiam disparar essa arma mortífera, e mesmo esses tinham de treinar toda uma vida para aperfeiçoar a técnica de disparo e desenvolver particularmente os músculos necessários para tal esforço tão peculiar.

Batalha de poitiers
A famosa Guerra dos 100 anos opôs a Inglaterra à França por disputas territoriais e direitos de vassalagem, questões de conflito típicas da Idade Média. Nalgumas das principais batalhas desta guerra (Crecy 1346,  Poitiers 1356 e Agincourt 1415) os Ingleses obtiveram vantagens e até vitorias decisivas por utilizarem os seus arqueiros dotados com seus arcos “especiais” contra a cavalaria pesada francesa, atingindo-a à distância, perfurando as suas armaduras e abatendo-a antes que pudesse executar as suas temíveis cargas (os tanques da idade média). Os arqueiros ingleses, por dispensarem armaduras, tinham grande mobilidade no campo de batalha e podiam atingir a cavalaria pesada (a arma mais poderosa dos exércitos medievais) de longe, tornando-a impotente. Tudo isso, aliado às defesas que os arqueiros construíram no campo de batalha (fossos, paliçadas, morros, etc.), protegia-os de ataques frontais, especialmente das cargas de cavalaria. Na Batalha de Aljubarrota, (1385) as tropas de D. Nuno Alvares Pereira usaram semelhantes estratagemas, abatendo os cavaleiros Espanhóis (e aliados Franceses) que iam sendo alvejados enquanto eram também vítimas dos fossos e armadilhas ocultas no campo de batalha, aquando das cargas frontais que efectuaram contra o diminuto exército nacional. Nessa, como em outras batalhas, os portugueses tiveram o auxilio dos arqueiros ingleses.
Batalha de Aljubarrota - crónica de Jean Wavrin
Toda esta longa introdução para revelar a origem de um gesto que faz hoje parte do nosso quotidiano. Falo de um gesto de mão que consiste em erguer os dois dedos de uma mão fechada, formando um simbólico V - sinal de vitória. Esse gesto, segundo algumas fontes, começou a ser usado durante a Guerra dos 100 anos pelos Ingleses. Inicialmente era um gesto de desdém, mas que foi sendo associado ao símbolo da vitória, uma vez que o formato do V era mais que evidente. Os Ingleses faziam questão de fazer este gesto, mostrando aos Franceses que tinham os dois dedos intactos e que com eles poderiam disparar os seus mortíferos arcos. Isto porque tornou-se habitual entre os Franceses cortar os dois dedos aos arqueiros ingleses capturados, impedindo-os de voltar a disparar qualquer arco.

Quando actualmente fazemos este gesto, devemos lembrar-nos que, tal como os arqueiros ingleses, ainda detemos os nossos valiosos dedos e que com eles podemos fazer grandes actos, esquecendo o mortandade do passado e pensando nas benesses que com eles podemos fazer para o bem comum

Bibliografia:

  • Uma história da Guerra - John Keegan - Tinta da China
  • História da Guerra - autores vários - Esfera dos Livros
  • Aljubarrota crónica dos anos de brasa - 1383/1389 - Luís Miguel Duarte - Quidnovi

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sobre o Livro: O livro da Ignorância Geral

Agora que tive uma semana mais desafogada, finalmente consegui reunir umas quantas ideias de um livro que esperava por cá dar uma visita. Não se trata de uma grande obra científica, de nenhum cânone  de um qualquer conhecimento específico. Trata-se apenas de um livro bem-humorado que pretende questionar, de um modo simplista e leve, conhecimentos que dávamos por adquiridos. Apesar de não ser um escrito da cientifico, de não ter quaisquer pretensões epistemológicas ou de explicação do saber, transmite, recorrendo a curiosidades mais ou menos irrelevantes, a abertura de espírito que é inerente ao espírito científico. Um estado de espírito que passa pela abertura a novas ideias e nunca, em momento algum, partir do princípio que detemos o conhecimento total ou a verdade absoluta, pois uma das grandes mais-valias da ciência é a sua capacidade reformista, às vezes até revolucionária, de se regenerar e assim evoluir na busca de novos conhecimentos (devendo-se sempre rever o conhecimento que se tem como dado adquirido).
A obra em causa intitula-se de “Livro da Ignorância Geral”, da autoria de John Lloyd e John Mitchinson, e editada em Português pela Porto Editora. Logo na capa o marketing não engana: “Surpreenda-se! Afinal, nem tudo o que julgava saber é verdade
.
Nas suas quase 300 páginas são referidas curiosidades capazes de nos deixar surpreendidos e quase perplexos. Dessas, devido ao grande rol de temas e assuntos abordados, irei revelar aqui apenas alguns curtos excertos (sendo meras citações sem qualquer juízo de valor). Aconselho todos os que se sentiram cativados por estes "aperitivo" a adquirirem a obra podem irão desfrutar de momentos de boa disposição e aquisição de cultura geral - quase sem notarem.

Quantos prisioneiros foram libertados durante a tomada da Bastilha?
“Sete. (…) Pelas inflamadas pinturas dos acontecimentos, poderia pensar-se que centenas de revolucionários orgulhosos inundaram as ruas, empunhando bandeiras tricolores. Na realidade, à altura do cerco, havia pouco mais de meia dúzia de prisioneiros (…)”

O que é três vezes mais perigoso que a guerra?

“O trabalho mata mais gente que a bebida, as drogas ou a guerra. Cerca de dois milhões de pessoas morrem todos os anos devido a acidentes de trabalho e doenças profissionais, enquanto que a guerra mata uns meros 650 000 indivíduos por ano. (…)”

Qual o número da besta?
“616. Durante 2000 anos, o 666 foi o símbolo do temido anticristo, que irá governar o mundo antes do Juízo final. Para muito é um número de azar (…) Em 2005, uma nova tradução da cópia anteriormente conhecida do Livro da Revelação mostrou claramente que é 616 e não 666. (…)”

De que cor é a água?
(…) Na verdade a água é azul. É um tom incrivelmente ténue, mas é azul. Isto pode verificar-se na natureza, quando se olha para dentro de um buraco profundo na neve, ou através do gelo espesso de uma queda de água congelada. (…)
A cor reflectida pelo céu tem, obviamente, um importante papel. O mar não tem um aspecto particularmente azul num dia nublado. (…)”

Qual a maior estrutura artificial da Terra?
“A nossa resposta é Fresh Kills (…), uma lixeira em Staten Island, Nova Iorque, apesar de gostarmos bastante da sugestão alternativa de Jimmy Carr – a Holanda. (…)”

Quem enterra a cabeça na areia?
(…) Nunca Ninguém viu uma avestruz a enterrar a cabeça na areia. Se o fizesse, sufocaria. Quando se sentem ameaçadas, as avestruzes fogem como qualquer outro animal sensato. (…)”

Qual foi o primeiro animal a ir ao espaço?
“A mosca da fruta. Os minúsculos astronautas embarcaram num foguetão americano v2 juntamente com algumas sementes de cereais, e partiram em direcção ao espaço em Julho de 1946. Foram usadas para testar os efeitos da exposição à radiação a elevadas altitudes. (…)”

Que percentagem do nosso cérebro usamos?
(…) Diz-se que apenas usamos 10% do nosso cérebro. Isto geralmente leva a discussões acerca do que conseguimos fazer se soubéssemos aproveitar os restantes 90%.
Na verdade todo o cérebro humano é utilizado, numa altura ou noutra. (…) O cérebro não devia, em condições ideias, ter mais de 3% dos seus neurónios a funcionar ao mesmo tempo, caso contrário a energia necessária “pôr de novo em funcionamento” cada neurónio após este ter disparado torna-se demasiada para o cérebro conseguir lidar com ela. (…)”

domingo, 31 de janeiro de 2010

A crise e os ataques ao Estado-providência

Na edição Portuguesa do “Le Monde Diplomatique” de Dezembro de 2009, provavelmente pela actual conjuntura mundial, momento em que se questionam os modelos económicos e de gestão pública (ou falta dela), foi publicada uma série de textos sobre o papel do Estado, -incidindo na Justiça fiscal, na corrupção e no papel e história do Estado-providência (ou Social).

Torre de Babel - Pieter Bruegel
No texto de Serge Halimi, “Uma dívida providencial”, o autor explora um termo sobejamente divulgado pelo Media Portugueses. Falo do défice das contas públicas, um “problema” nacional dado o compromisso em cumprir o pacto de estabilidade europeu. Segundo Halimini, os conservadores e os neo-liberais a partir da década de 1970 (Tatcher,     Reagen, etc.), optaram pela criação consciente dos défices públicos, tornando assim possível o corte de despesas e a amputação de meios dos Estados-providência (especialmente os Europeus): [a criação consciente dos défices públicos] ”…É uma prática laxista que amputa as receitas e que é reforçada por um discurso catastrofista, para fazer recuar despesas do Estado-providência...“

Gostaria de referir também o texto de Eduardo Paz Ferreira, “Justiça e fiscal e boa sociedade”, onde esse autor salienta a importância da cobrança de impostos. Somente por uma política justa fiscal, onde todos contribuam de acordo com as suas possibilidades (pagando impostos) se pode tentar almejar um Estado que promova a igualdade de oportunidades, ou seja, um dos pilares dos Estados-providência democráticos. Paz Ferreira cita as reveladoras, e cheias de significado, palavras de Oliver Wendel Holmes: “…Gosto de pagar impostos. Com eles compro civilização…”, acrescentando que pagar impostos é a garantia da existência de bens públicos fundamentais.

Actualmente há um ressurgimento neo-liberal, ou até mesmo neo-neo-liberal - dado que, na minha opinião, a crise mundial de 2008-2009 despoletou um novo tipo de neo-liberalismo. Será essa uma nova corrente política e económica pseudo-ideológica, que não hesita em recorrer ajuda dos Estados para manter a economia em funcionamento, mas que ao mesmo tempo exige Estados menos pesados? É, no mínimo, paradoxal, tal como a anúncio da necessidade da diminuição das cargas fiscais, apesar da necessidade de manter em funcionamento serviços públicos essenciais, de extrema importância para os menos favorecidos. Sendo que os tais menos favorecidos contribuem sempre, indiretamente, para a manutenção dos mais favorecidos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Andar a olhar mal o mau-olhado

Quem não ouviu já, especialmente nos meios mais rurais, falar do “mau-olhado”? Muitas pessoas ainda se predispõem a acreditar no mau-olhado, nos males de inveja ou do efeito nefasto da intromissão de estranhos na sua vida – sendo que esta última parte é ainda hoje perfeitamente defensável.
Recorrendo mais uma vez à excelente obra: Mitologia, mitos e lendas de todo o mundo; faço aqui uma breve referência à origem desta crença. 
Rapariga com brinco de pérola - Vermeer
“Tanto os gregos como os romanos (e muitos outros povos do Médio Oriente) acreditavam no mau-olhado, um poder mágico que era suposto algumas pessoas terem, normalmente sem saberem. Quem detinha este poder, ao olhar com demasiada atenção, sem intenção, ficava demasiado ligado ao que via e isso trazia má sorte.”
 
"O mau Olhado" é pura mitologia que, apesar das religiões pagãs greco-latinas serem domínio da mitologia e do cristianismo ser ter instituído na Europa há séculos, ainda hoje persiste na memória do colectivo de muitos Portugueses.

Em jeito de brincadeira - pois aliar o bom humor ao saber e à cultura torna-as mais atractivas e acessíveis - deixo aqui um pequeno pensamento: No fundo, o que um bom aluno necessita é de uma espécie de mau-olhado, o mau-olhado escolar, para se concentrar e ficar ligado na matéria de estudo. No entanto, e em clara oposição ao antiquíssimo “mau-olhado” original e mitológico, quanto mais ligado ficar o aluno à matéria estudada menos má sorte terá na altura em que os seus conhecimentos forem postos à prova. Apesar de poder ser uma constatação trivial, mesmo de uma crença infundada como o mau-olhado, podemos sempre retirar alguma moralidade - neste caso talvez foi mais correcto seria dizer alguma ética -, nem que seja de um modo completamente desvirtuado como a associação que acabei por fazer. 

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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