domingo, 24 de janeiro de 2010

Música de Intervenção do Século XXI

Numa época de crise - ou numa onde nos fazem crer que seja - parece-me importante podermos efectivamente analisar os reais efeitos dessa “crise”. Estarmos dispostos a isso obriga-nos a uma grande variedade de leituras e modos de apreender o real, neste caso, a crise propriamente dita.
 Uma dessas formas, agora reinventadas, são as músicas ou canções de "intervenção", que, ao contrário do que se possa pensar, não morreram com José Afonso (Zeca Afonso) e outros.  Muitas letras de intervenção têm, desde os anos 90 em Portugal, vindo a ser utilizadas por diversos autores e em diversos géneros musicais, especialmente no Rap e Hip-Hop.

Recentemente, um novo grupo sobejamente conhecido, os Deolinda, através da sua música com inspirações tradicionais e acústicas, criaram a sua própria versão de uma verdadeira canção de intervenção do século XXI, uma que toca especialmente aos Portugueses e descreve na perfeição o nosso comportamento. Falo da música Movimento Perpétuo Associativo, que faz parte do primeiro álbum da banda Canção ao Lado.

Para os que não ouviram, recomenda-se que ouçam. Para os que já ouviram, peço que voltem a ouvir e a analisar a lírica utilizada, e que com isso possam meditar
sobre a nossa sociedade e sobre o seu próprio comportamento enquanto actores sociais e individuais. Pois, ao nosso jeito, teremos sempre culpa, pelo menos, um pouco de culpa e de vitimização.

Fica aqui o link para o site oficial das Deolinda, basta escolher a música Movimento Perpétuo Associativohttp://www.deolinda.com.pt/


Vamos fazer mais do que exaltar palavras inférteis. Vamos actuar, independentemente das adversidades.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Judeus, os eternos financiadores de grandes empresas

Os judeus, como é sabido, nunca formaram um grande império territorial, um grande exército (apesar da conquista de canaã, dada a pequena dimensão dos combates ocorridos) ou sequer foram grandes construtores (à excepção do Templo de Salomão, várias vezes reconstruído, e do qual hoje apenas resta um muro, o “Muro das Lamentações”).
No entanto, as comunidades judaicas sempre foram prósperas, até mesmo ricas depois de se afirmarem como especialistas no comércio e nos trabalhos com metais e pedras preciosas.  Apesar das conquistas que sofreram, dos êxodos forçados e das perseguições e extermínios que foram alvo 
Conseguiram sempre manter alguns dos seus valores, costumes e tradições, e, directa e indirectamente, influenciar toda a sociedade ocidental.

O caso do ouro nazi é sobejamente conhecido, no entanto, não foi o primeiro roubo da história judaica  Hitler não foi o primeiro governante a apropriar-se do ouro e riquezas dos judeus, muitos outros o tinham já feito antes dele. Ao logo da história as perseguições e roubos às comunidades judaicas, na sua terra de origem ou fora dela, foram muitos. O primeiro que há registo aconteceu durante a conquista de Jerusalém pelos Babilónios, da qual resultou a primeira destruição do Templo de Salomão e o desaparecimento das riquezas que ele continha.
O Templo, reconstruido e destruído várias vezes, viria a sofre a última e derradeira  destruição durante uma insurreição judaica contra o domínio Romano. Tito, em 70 d.C., a mando de seu pai
 - imperador Vespasiano - e à frente do exército romano, conquistou a cidade rebelde, destruiu o Templo, saqueou a cidade e as suas riquezas, e obrigou os Judeus a uma nova vaga de êxodos (uma das primeiras migrações judaicas pelo então Império Romano, que daria origem a  muitas desse povo por toda a Europa, Norte de África e Médio-Oriente).
Destruição do Templo de Jerusalém - Poussain
Com o saque de Jerusalém em 70 D.C. o Imperador Flavio Vespasiano pode construir uma das obras mais conhecidas da Humanidade, de modo a fortalecer o seu poder e evitar revoltas do seu próprio povo. Construiu o Anfiteatro Flaviano, mais tarde conhecido por Coliseum (em latim tardio) por se situar perto de uma estátua colossal de Nero.
Há quem diga que a História se repete. Apesar de não concordar  com esta afirmação, tenho de admitir que podemos encontrar semelhanças no comportamento, consciente ou inconscientemente, de diversos povos e indivíduos ao longo dos tempos, embora ela nunca se repita de facto, pois cada tempo originará sempre momentos históricos diferentes, ou não tivesse sempre o passado influência no presente. 

Assim, os Judeus, com as suas riquezas, ao longo da história têm contribuído, directa ou indirectamente, para o crescimento e magnificência de alguns dos grandes Impérios, sem que tivessem um seu na verdadeira acepção do termo. Vejam-se alguns exemplos disso: o contributo para a riqueza do império Neo-babilónico, a construção do Coliseu; o contributo para o esforço de Guerra de Hitler; e até o seu papel enquanto pilar do Império económico dos Estados Unidos da América, onde muito contribuíram, voluntariamente e por interesse próprio, para o desenvolvimento do capitalismo e da economia de mercado actual (concordando-se ou não com esse modelo). 

Bibliografia:
Generais Romanos - Adrian Golsworth
Uma História da Guerra - John Keegan
Grande Enciclopédia da História - editora Civilização
A queda de Roma e o fim da civilização - Bryan Ward-Perkin

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que significa(va) ser candidato?

A partir de meados de 2009 todos nós fomos participámos, mais ou menos, nas várias campanhas eleitorais, nem que fosse enquanto eleitores e alvos do marketing eleitoral dessas mesmas campanhas. Muitos foram os candidatos; houve de tudo, para todos os gostos e feitios, de todas as ideologias, partidos e movimentos possíveis, até mesmo um grande número de independentes. Havia altos e baixos, feios e bonitos, bons e maus - tudo isso muito subjectivamente, é claro. Muitas possibilidades de escolha tivemos, muitas comparações e decisões a tomar, qual mercado, onde cada um tentava “vender” os seus pontos fortes e ocultar os fracos na ânsia de captar votos. Foi assim em 2009 e continuará a ser assim no futuro, pelo menos enquanto persistir o modelo político vigente.
Cícero acusando Catilina no senado - Cesare Maccari
O anterior parágrafo - desculpem-me o alongamento - serve para introduzir a análise de mais um conceito, no caso, uma palavra muito utilizada em qualquer período e eleitoral. Falo do termo Candidato, que deriva do latim,  mais concretamente do termo candidatum, que por sua vez deriva de candidus. Esse conceito proveniente do latim, tal como o nosso cândido (sendo o relacionamento evidente com candidus),  era sinónimo de pureza, honestidade e integridade. Na antiga Roma, sempre que alguém se assumia como candidato a um cargo público passava a desfilar pela cidade usando uma toga branca, o mais imaculada e limpa possível. Essa distinta peça de vestuário, pois na altura era difícil manter algo branco por muito tempo, pretendia fazer jus ao nome pelo qual passaria a ser designado o cidadão: o «candidus», ou seja, o cândido, aquele que anda de branco e deverá ser imaculado tal como a veste que enverga. Esta associação mais tarde estaria na origem da palavra canditaum (candidato).
Antigamente, apesar da sociedade romana ser conhecida por um grande clientelismo e corrupção em determinados momentos da sua história, era dado um simbolismo quase sagrado ao papel que deveriam ter os candidatos, reforçando-se, de vários modos - sendo um deles o vestuário -, as almejadas características de integridade e honradez.
Hoje em dia, apesar da toga ser uma peça de vestuário mais que ultrapassada, os candidatos a cargos públicos continuam a querer vestir o melhor possível, mas apesar dos fatos e gravata simbolizarem estatuto e importância social, estão longe de simbolizar, infelizmente, honradez e incorruptibilidade. Mesmo na antiga Roma, vestir bem nunca foi garantia de nada.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Avatar: uma inovação por um lado, mas por outro não

O há muito aguardado novo filme de James Cameron, Avatar, já está nas salas de cinema ao nosso dispor. Podendo ser visionado em versão tradicional ou na sua versão 3D, num formato que se começa a generalizar e dá uma nova vida aos cinemas, apesar do preço mais alto do respectivo bilhete.

Um filme que demorou tanto tempo e custou tanto dinheiro merece, mesmo que consciente das minhas limitações e não sendo eu um crítico de cinema, pelo menos algumas palavras.
Para mim este filme tem uma leitura dualista: é inovador, uma verdadeira obra de arte criativa e visual, mas, ao mesmo tempo, uma parte significativa do argumento é inspirado nos típicos moldes de Hollywood, dando origem a uma história que é empobrecida com clichés e lugares-comuns, um típico blockbuster, igual a tantos outros.
Como afirmei anteriormente, ao nível da estrutura, da acção propriamente dita e da originalidade das personagens, não há nada de realmente muito criativo. Existem vários ingredientes comuns a tantos outros sucessos de bilheteira, que nem sempre são sinónimo de filmes de qualidade. Por exemplo, há o típico anti-herói que, à medida que o filme se desenrola, vai atingindo a redenção até se tornar num improvável “salvador do dia”. Está presente a típica história de amor, que começa com rejeição e estranheza, que se desenvolve, que sofre peripécias e que depois termina em "bem". Há lugar para os típicos cientistas que acabam por ser caracterizados como fracos e um pouco desmiolados. Os indígenas são completamente estereotipados também.
No entanto, nem tudo é mau ou redundante. Muito pelo contrário, tal como disse no inicio do texto, este filme é uma obra de arte visual e um hino à capacidade criativa e imaginativa de criar mundos e ambientes. A fotografia é muito boa, mas o que impressiona é o cuidado tido em criar um novo e diferente universo, coerente consigo próprio, e, apesar de extravagante, credível. Para mim, valeu mais por isso, se bem que a história que serve de pano de fundo até tem alguma qualidade - enquanto ficção cientifica - e  levanta uma série de questões - para quem sobre elas queira reflectir, é claro. No entanto, não havia necessidade de incorporar, na minha opinião, os vários clichés que podemos ver num qualquer filme de sábado à tarde, num qualquer canal público de televisão, enquanto somos constantemente interrompidos pelos infindáveis intervalos comerciais. A não ser que esteja mesmo só mais um  "filme de sábado à tarde", um entre tantos nos tantos sábados do ano.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A "má-educação" das vacas e o efeito de estufa

Foi me dada a conhecer, recentemente, uma revista, que apesar de já a conhecer de vista nas várias bancas de venda,  nunca a tinha analisado e lido aprofundadamente. Depois de ter comprado e lido o meu primeiro exemplar, não consegui evitar de comprar o segundo e de estar agora a ponderar em assinar a revista. Falo da Courrier Internacional, na versão portuguesa.
Vaca amarela - Franz Marc
Um dos artigos, da edição de Dezembro, relacionado com o ambiente e os recursos naturais - temas actualmente bastante em voga, quer seja pela sua importância, quer pela recente conferência de Copenhaga - suscitou este texto aqui no blogue.
O artigo em causa, da autoria de Weronika Zarachowicz, publicado originalmente na revista Télérama, intitula-se de “Vacas pioram o efeito de estufa”. Neste artigo a autora refere os efeitos perniciosos que a criação intensiva de animais para produção de carne tem no ambiente, tal como os efeitos negativos na saúde humana devido ao excesso de consumo de carne.
Citarei agora parte do artigo original: “A produção de carne é o segundo maior emissor mundial de gases com o efeito de estufa, logo atrás da produção de energia. Provêm desse sector 18 por cento daqueles gases, ou seja, mais do que todos os transportes planetários reunidos (14 por cento)!
São 18 por cento, emitidos ao longo de toda a cadeia de fabrico dos nossos bifes: desde os adubos para as forragens até ao azoto do estrume, passando pelos gases e, sobretudo, os arrotos das vacas, carregados de metano, um gás com efeito de estufa 25 vezes maior do que o dióxido de carbono

Estas informações à primeira vista podem até parecer engraçadas, mas para além de nos  poderem fazerem rir, os gases e arrotos das vacas, devia-nos fazer repensar na repercussão que os nossos hábitos alimentares têm no ambiente.
Na produção intensiva de criação de animais é comum cometerem-se atrocidades contra os próprios animais, dadas as poucas condições de higiene e saúde em alguns casos, da falta de espaço e mesmo algumas de mutilações a que esses animais são submetidos nos centros de produção, autenticas fábricas de produzir carne barata e rápida.

Assim, uma reformulação dos nossos hábitos alimentares, especialmente das populações ocidentais é urgente a médio e longo prazo, tendo em vista a saúde futura do planeta, a nossa e a dos próprios animais explorados. Estas flatulências e arrotos excessivos das "vacas" são verdadeiras faltas de respeito para com o ambiente, como se tem comprovado.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Janeiro - um mês em honra de um deus

Agora que começou mais um ano, não poderia evitar de fazer um pequeno texto sobre as festividades e celebrações associadas à mudança de  ano. Hoje estas comemorações estão, tendencialmente, desligadas de qualquer religiosidade ou sentimento espiritual, sendo para a maioria uma comemoração laica relacionada com a organização o calendário civil.  É um  marco, um modo de nos organizarmos social e pessoalmente, servindo também para celebrar o facto de estarmos bem e de saúde ou para concretizar o depositar esperanças para um bom ano - ou um ano melhor!

Três músicos - Picasso
No entanto, a génese  da festa é de cariz místico/religioso. Estas celebrações tinham uma função religiosa, mas numa vertente muito pragmática. No fundo, celebrações e cultos desta natureza - como na maioria dos casos - , apesar de baseadas em histórias inverossímeis ou mitologias, cumpriam o seu papel de organização social e davam resposta às necessidades pessoais dos indivíduos que as praticavam. Felizmente hoje  temos opção, podemos retirar o que é acessório e simplesmente usufruir dos benefícios mais agradáveis destas tradições antiquíssimas: as festas. Podemos fazê-lo sem com isso sermos obrigados a acreditar em acontecimentos mitológicos ou seguir ritos e rituais desprovidos de sentido, no fundo uma aculturação estritamente relacionada com a liberdade individual.
É pela convicção
da extrema utilidade social das celebrações da passagem de ano”, tanto  para ateus como para religiosos, considerando ou não a sua génese religiosa, que dedico algumas palavras a este tema, apresentando aqui o motivo para o nome do primeiro mês do ano e a origem  de algumas das primeiras celebrações conhecidas desta data.
Uma possível origem destas celebrações ocidentais está relacionada com o deus romano Jano - deus das passagens, das portas, dos cruzamentos, aberturas, das transições, dos inícios e dos viajantes que atravessavam fronteiras. Jano era representado numa forma humana mas com duas caras numa mesma cabeça, dispostas em sentidos opostos. Em algumas representações uma face era jovem - associação ao futuro -  e a outra idosa - associação ao passado. Esta disposição de faces simbolizava a mudança do antigo para o novo e a estrita relação entre o que passou e o que virá. Outras representações de Jano não distinguem as duas faces, ambas podiam ser perfeitamente iguais e simétricas (provavelmente por questões estéticas). Jano podia ser também representado por objectos, mais concretamente duas chaves - um símbolo hoje patente no brasão do Vaticano, modificado e associado a S. Pedro e às portas do Paraíso.
Escultura do deus Jano
Os antigos romanos contavam com a bênção de Jano no inicio de cada dia, mês e ano, sendo que a maior das festividades era no primeiro dia do novo ano, dia esse que foi sendo alterado conforme se iam mudando também os calendários. 
O dia 1 de Janeiro, enquanto consagração a Jano e mesmo quando esse não era o primeiro mês do calendário vigente, era dia de pedir um novo começo, de desejar algo de melhor e fazer planos para o futuro. Tudo isto em clima de festejos. Assim se explica a origem onomástica do mês Janeiro, o seu significado, motivo de festejos e relação com o deus Jano dos romanos.

Fonte: “Mitologia, mitos e lendas de todo o mundo” – Editora Lisma

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

25 de Dezembro - um dia muito apetecivel!

O dia 25 de Dezembro desde há séculos que se assumiu como um dia de festejos. Muitos foram os pretextos e razões que tornaram deste um dos dias mais importantes dos calendários ocidentais ao longo da historia, mesmo que os motivos dos festejos  nem sempre fossem os mesmos - variando conforme as necessidades e vontades políticas, religiosas, ou até mesmo comerciais.
(desconhecido) - Dali
Inicialmente, o dia 25 de Dezembro era dedicado a uma festa pagã (cultos campestres), entre muitas outras que aconteciam ao longo de todo o ano pela Europa, Mediterrâneo ou Médio Oriente. No entanto, em 274 d.C., foi institucionalizado pelos Romanos que o dia 25 de Dezembro seria dedicado ao culto do Sol (Invictus Dominus Imperii Romani) e as celebrações financiadas por conquistas militares. Esse novo culto serviu para concretizar a devoção institucional - implementada com fins vários - que obrigava todos os cidadãos do Império a prestar culto ao seu Imperador. Mas, acima de tudo,  essa nova prática devia-se ao culto de várias divindades politeístas relacionadas com o Sol (praticamente todas as civilização tinham uma divindade associada ao Sol), tais como: Apolo para os Gregos, Serápio para os Egípcios, Baal para os Semitas e Mitra para os Persas. Esta foi uma forma engenhosa de agregar festividades e cultos diferentes - mas no fundo semelhantes - condensando-os num só dia e de os associar à figura Imperador Romano, que seria a entidade representante dessas divindades na Terra. Isto teria uma função mais política que Religiosa, pois nesta época o Império começava a entrar em declínio e fragmentação, o que despoletou a necessidade de fomentar a união interna - cultural, política e religiosa -, e fortalecer a imagem de um Imperador incontestável.
Posteriormente, quando o cristianismo se assumiu como religião oficial do Império, este dia - que detinha uma grande popularidade na altura - foi convertido no dia do nascimento do novo Deus (quer se considere como divindade ou mortal). A transição que ocorreu, muito provavelmente até foi suave, isto se considerarmos que o anterior culto do sol - possível origem da aureola divina - já assumia tendências proto-monoteístas.
Posteriormente, na época pós-industrial, com o capitalismo bem instalado e o consumismo a assumir-se como um movimento sociocultural próprio, criaram-se personagens como o Pai Natal e instituiu-se a troca de presentes como um hábito social. Hoje em dia são, em parte, os padrões de consumo que ditam o modo como vivemos o Natal. No entanto, há quem se ponha à margem destas influências mais materialistas e consiga fazer desta data um dia dedicado à família e amigos, tal como a acções de voluntariado e solidariedade.

Pode-se então dizer que, ao longo da História Ocidental, este dia foi, tendencialmente, utilizado pelo Poder instituído, segundo seus valores, para os seus próprios desígnios e vontades. Contudo, a sociedade mudou, os poderes instituídos também, mas o dia 25 de Dezembro manteve-se sempre como um dos dias mais importantes do nosso calendário, - sobrevivendo ao próprio calendário ocidental que já foi alterado (Calendário Juliano e Gregoriano). 
Resta saber a que será dedicado no futuro o dia 25 de Dezembro
Espero que cada vez mais ao social e menos à economia.

Fontes:

  • Mitologia, da editora Lisma; História da Humanidade, do Circulo de Leitores; 
  • entre outras obras de História Universal diversas.
    Documentários vídeo: “Império Romano”, produção do Canal de História do ano de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Educação Sexual, para quando em Portugal?

(desconhecido) - Miró
Há uns meses tinha voltado à ribalta a discussão sobre a necessidade de existirem aulas de educação sexual nas escolas Portuguesas, no entanto este assunto voltou a cair no esquecimento.
A meu ver, é uma grave lacuna do sistema educacional a inexistência dessas aulas ou acções de esclarecimento, pois se o mistério se intitula de “da Educação” tem então como objectivo educar e não simplesmente formar os nossos jovens - sendo que a temática do sexo é uma vertente muito importante da vida de todos nós (nem que seja pela abstinência e tudo o que dai advém).
Preconceitos e desinformações à parte, a educação sexual é um tema sério, podendo ser abordado em acções de formação próprias que sirvam para informar os nossos jovens sobre o funcionamento do sistema reprodutor,  dos comportamentos de risco associados, do planeamento familiar e muitos outros assuntos relacionados, mas, mais que isso, da importância do sexo como algo normal que contribui para a realização do individuo, para a sua saúde física e mental. De um ponto de vista mais Humano, trata-se também de ensinar os jovens a lidar com a sua própria sexualidade, enquanto indivíduos felizes e realizados. Ou seja, a pertinência destas aulas deve-se a questões de saúde pública, de integração social e da própria psicologia, já que trata da boa saúde mental e felicidade das pessoas que está em causa. 

Apesar da educação sexual ser um assunto sério, e de extrema importância para uma sociedade moderna feliz e informada, gostava de partilhar aqui mais um vídeo dos geniais Monty Phyton que, sempre visionários, abordaram este assunto sarcasticamente. Um vídeo que serve para nos fazer rir e pensar.
Aconselho a ver a partir do minuto 1:10, que é quando começa efectivamente a aula. Este sketch é um excerto do filme “O sentido da Vida”, um filme de 1983, vanguardista (mesmo para a Inglaterra), surrealista e pejado de humor nonsense, mas intelectualmente superior.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os Muçulmanos como defensores da cultura Ocidental

Nos dias que correm somos constantemente “bombardeados” com notícias de actos violentos de terrorismos, na sua maioria actos de atentados extremistas religiosos, sendo muitos deles levados a cabo por facções mais radicais de movimentos islâmicos. Estas calamidades são, infelizmente, algo de vulgar, sobretudo em países islamizados onde não existam governos "fortes" ou democráticos. Comprovou-se também que alguns dos atentados terroristas que ocorreram no Ocidente tiveram origem em determinadas células terrorista, apoiadas por alguns crentes mais fanáticos e violentos que vivem nos países ditos ocidentalizados (Europa, América do Norte, entre outros). Mas, felizmente para nós e para o nosso modo de vida, que assenta nos valores do respeito das liberdades individuais, reflectindo-se também na religiosa, as comunidades muçulmanas que mais perto de nós vivem não têm esta propensão para o radicalismo violento. Isto terá certamente muitas razões para assim ser, mas por questões de complexidade, da minha própria incapacidade de as abordar de um modo simplista, e mesmo por alguma falta de conhecimento de tudo o que envolve estas intrincadas questões, me absterei de fazer mais considerações sobre elas. 
Apesar de pouco se falar nisso, as primeiros estados Muçulmanos eram caracterizados pela tolerância e defesa do saber, algo que alguns radicais hoje renegam. Temos de fazer justiça aos primeiros estados islâmicos, pois sem os papéis que desempenharam como guardiões dos saberes Greco-latinos, provavelmente nunca teríamos tido o nosso “Renascimento”. Foram os Muçulmanos, através dos seus filósofos, médicos, entre muitos outros intelectuais, que após a queda do Império Romano do Ocidente e do seu desmembramento pelos vários reinos bárbaros (Visigodos, Francos, Lombardos, etc.), que guardaram, traduziram e interpretaram muitos dos saberes dos antigos Gregos e Romanos. Numa Europa Medieval onde apenas o clero, mas nem todo, dominava a arte da escrita, eram os pensadores islâmicos que iam na vanguarda da ciência, conhecedores das obras de Aristóteles (filosofia) e Galeno (Medicina), só para citar alguns exemplos.Somente através do intercâmbio cultural entre Cristão e Muçulmanos, quer através do comércio (Génova, Veneza, Florença, Antuérpia) quer das campanhas de conquista (Reconquista Ibérica e Cruzadas 1089), é que no Ocidente se começou a redescobrir a sabedoria do passado, tal como aquela que os próprios Muçulmanos foram desenvolvendo. Não é por acaso que o Renascimento se deu em Itália, potenciado pelas inúmeras cidades-estado mercantis que enriqueceram monetariamente e culturalmente com as trocas com os estados Islâmicos. Há que deixar aqui uma referência ao intercâmbio cultural com o Império Bizantino, o verdadeiro herdeiro da cultura Greco-Latina, que desapareceu em 1453 com a queda de Constantinopla às mãos dos Otomanos. Com isso muitas foram as riquezas e saberes que se transferiram para Itália (recursos humanos, monetários e culturais), algo que tinha começado já anteriormente, aquando da conquista efémera de Constantinopla pelos cruzados em 1204.

Deixo aqui pelo menos a referência a um nome, o de um dos muitos sábios islâmicos a quem muito devemos. Falo de Averróis, um filósofo do séc. XII de origem Ibérica, , que se dedicou a muitas áreas do saber humano, mas destacando-se por uma série de comentários aos textos de Aristóteles, um contributo para a redescoberta deste autor Grego. 
Referências Bibliográficas: 
  • “Grande Enciclopédia da História”, da editora Civilização
  • “A queda de Roma e o fim da civilização” de Bryan Ward-Perkins, da editora Aletheia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quando Surgiram as primeiras questões sobre a necessidade de acção social actuais?

Hanibal e seus homens atravessando os Alpes - William Turner
Depois de várias leituras e investigações ocasionais que fui fazendo, responderia a esta questão - a do título deste texto - do seguinte modo: muito provavelmente durante os finais do séc. XVIII e por ai em diante, conhecidos que são os vários pensadores, ideologias e revoluções que surgiram e ocorreram a partir de então. Tudo isso despontado por um capitalismo selvagem que, inicialmente, com promessas de auto-regulação e criação de riqueza para todos, muito contribuiu para que no séc. XIX as sociedades ocidentais, nomeadamente as classes mais baixas, tenham atingido um estado de vivência quase sub-humano. Todos nós recordados, mesmo os que apenas estudaram História até ao 9º de escolaridade - como eu -, as condições de trabalho dos primeiros trabalhadores industriais e as de todas as restantes profissões ligadas às primeiras industrias. Há que recordar as 16 horas de trabalho diárias, os salários miseráveis que obrigavam pais a abandonar filhos em orfanatos, as fábricas repletas de crianças que executavam as trabalhos mais perigosos (por exemplo nas minas), os bairros de lata onde viviam pessoas amontoadas sem o mínimo de condições de saúde e higiene, e a ausência de assistência médica generalizada. Apesar de hoje, infelizmente, casos destes ainda ocorrerem, já não é a norma como foi no passado - mesmo que alguns tentem diminuir a importância do Estado Social. São desta altura as grandes epidemias associadas às péssimas condições sanitárias e de higiene, tais como a cólera e a tuberculose, entre outras.
De tudo isto resultaram reacções, muitas delas violentas (que aqui não abordarei) como seria de esperar. Vários pensadores de então analisaram os flagelos da sua época e criaram novas teorias para explicar o que se passava na sua sociedade. Alguns deles tentaram também  encontrar soluções para o presente e o futuro - o nascimento das utopias sociais (anarquismo, comunismo, etc.). Mas as primeiras destas ditas teorias e utopias sociais não eram somente políticas, apesar de a política ter andado sempre intrinsecamente ligada a elas, ou sendo delas um subproduto. Através da leitura da obra «A grande história da cidade», do urbanista francês Charles Delfante, na secção dedicada ao urbanismo do séc. XIX, fica evidente o papel dos primeiros urbanistas ou industriais com consciência social na execução das novas teorias sociais. Numa época em que a desregulamentação imperava, em que o Estado, regra geral, não intervinha, nem existia o conceito generalizado de "preocupações sociais", apesar da disseminação da miséria, da ignorância e da doença entre as classes mais baixas da sociedade, foram alguns Homens mais esclarecidos - alguns filantropos - que tentaram construir e disseminar a ideia da necessidade de criar novos espaços urbanos para os trabalhadores. De lhes proporcionar condições básicas de vida, de terem habitações condignas, de terem condições sanitárias e de higiene, de terem acesso a cuidados médicos e educação e até mesmo de lazer. Alguns desses esclarecidos pensadores, que eram também pessoas com capital, elaboraram os primeiros planos e disseminaram essas primeiras ideias (muitos deles ficaram arruinados com a aplicação destes primeiros planos, um deles foi Robert Owen), que mais tarde seriam algumas das bandeiras da "acção social". Alguns destes planos eram pura utopia, pois partiam do princípio que se poderia mudar, através do urbanismo, repentinamente toda uma sociedade segundo os ideais da partilha, do colectivismo e da fraternidade. A sociedade e o Estado teriam de evoluir para que as realizações palpáveis resultantes dessas primeiras preocupações sociais se pudessem implantar, o que foi acontecendo gradualmente ao longo dos anos, das lutas, das revoluções e à custa de cada conquista social que se ia acumulando.
Estes filantropos do séc. XIX, através da defesa dos seus modelos sociais e urbanos, contribuíram para a génese de algumas das bases ideológicas das políticas de esquerda (Comunismo, Socialismo, Social-Democracia, etc.).

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