quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O sector privado é o melhor gestor?

Desta vez venho falar de um artigo da edição de Novembro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) intitulado de “A Economia dos Bens Comuns”, texto de José Castro Caldas baseado em excertos do mesmo autor e de Francisco Louçã, que aborda as teorias desenvolvidas pela vencedora do Prémio Nobel da Economia Elinor Ostrom. Neste artigo são reveladas algumas das razões que contribuíram para a atribuição do prémio de 2009 a Elinor Ostrom, que se distinguiu por advogar uma visão alternativa para o modo como é vista a administração e gestão de propriedades comuns. Ostrom defende assim que determinadas comunidades, populações ou grupos conseguem ter um bom desempenho económico na administração de recursos e na maximização dos proveitos dai obtidos, sem uma aparente organização externa e apenas através da partilha comum entre os indivíduos do grupo. 

A sesta - Van Gogh
No artigo é apresentado também um exemplo de Garrett Hardin que contrapõe o aparente melhor desempenho económico do sector privado em oposição à administração colectiva. Hardin usa como exemplo uma pastagem comunitária onde vários proprietários criam os próprio seus animais, tendo em conta que essa pastagem tem um limite de animais a suster: “Tomemos X como o benefício de criar um novo animal para o seu dono e Y como o custo de o fazer para a sociedade. O beneficio, X, é o valor de mercado do animal no momento de ser vendido. O custo, Y, consequência do sobre-pasto, é a perda de peso de todos os outros animais que se alimentam da pastagem comum decorrente da presença de mais um animal. Para o conjunto dos criadores, o custo de um novo animal é pois Y (custo social), mas do ponto de vista de quem decide se deve ou não cria-lo é apenas uma parte de Y, chamemos-lhe Z (custo privado). A análise custo-beneficio privada pode então aconselhar o que é contrário ao interesse da sociedade – a criação de mais um animal na pastagem comum. O indivíduo supostamente motivado pela maximização do ganho pessoal adoptará o ponto de vista individual. Conclui Hardin: mesmo quando a capacidade da pastagem foi ultrapassada e casa novo animal origina perdas colectivas que ultrapassam os benefícios, os criadores individuais insistirão em sobrecarregá-las mais e mais”.
Com este exemplo Garrett Hardin comprova que, em certos casos, para que o sector privado tenha lucros outro privado ou até toda a comunidade deixa de ganhar o que por administração colectiva e sustentável poderia conseguir.

Numa altura em que os modelos económicos vigentes foram seriamente afectados pela última grande crise financeira, a qual ainda que estamos a vivenciar, há que voltar a analisar os conceitos de custo e beneficio, e averiguar se efectivamente não haverá outra forma de organizar a economia, de um modo mais justo e mais a favor do bem-estar das comunidades.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Livro: "O Banqueiro Anarquista"

Fernando Pessoa é conhecido pela sua poesia, pelos seus heterónimos, pelos seus “vícios”, e pela sua morte sem o devido reconhecimento em vida, entre outras facetas universalmente divulgadas. No entanto é pouco conhecida, ou se calhar pouco divulgada, a sua escrita em prosa, especialmente aquela com tendências filosóficas e políticas. Daí a minha surpresa quando encontrei um pequeno livro classificado como de filosofia/política deste conhecido autor. Falo da obra O Banqueiro Anarquista. Só o nome é paradoxal e estranho. Como pode um Banqueiro, esse arauto do capitalismo, ser um anarquista? Não é nenhum jogo de palavras, a genialidade de Pessoa consegue justificar esta aparente contradição através de uma cuidada e profunda fundamentação. A obra consiste numa conversa entre duas personagens: um interlocutor que questiona o Banqueiro e ouve atentamente as suas respostas, tentando descortinar e compreender como pode ele intitular-se de anarquista; e claro o próprio Banqueiro. Os argumentos e justificações para tal posição controversa vão fluindo à medida que o diálogo entre as duas personagens se vai concretizando.
Frenando Pessoa - Almada Negreiros
Deixo apenas um pequeno desvendar do conteúdo da obra para que quem não a conheça possa ter uma ideia do que trata. 
Durante o diálogo o Banqueiro justifica-se como um verdadeiro anarquista porque, somente com o seu estatuto, através dos princípios capitalistas e da posse de muito dinheiro, se sentiu plenamente livre, ou seja, um verdadeiro anarquista.
Concordando-se ou não com os argumentos apresentados pelo banqueiro para sustentar o modo como ele próprio se intitula, o livro faz-nos questionar sobre o verdadeiro significado dos conceitos “Anarquista”, “Liberdade”, “Capitalismo” e muitos outros associados a estas dicotomias.
Em suma, ler esta obra, e meditar sobre o que Fernando Pessoa pretende transmitir, é sem dúvida enveredar por um exercício mental proveitoso porque contribui, nem que seja só um pouco, para vermos de outro modo a sociedade em que nos inserimos, o nosso comportamento e as opções que vamos tomando ao longo da vida.

O Significado da palavra Matemática

À medida que vou lendo, a um ritmo calmo e despreocupado, o livro “Grande Enciclopédia da História”, da editora DK, vou-me deparando com um continuar de revelações e curiosidades - novidades pelo menos para mim - que me fazem levantar uma série de questões, muitas delas talvez sem explicações automáticas e simplistas. Exemplo disto é a explicação para a origem do termo Matemática, que no dito atlas versa o seguinte: Matemática deriva do termo "Mathema" que em Grego antigo significava “estudo” ou “aprendizagem”.
Composição com vermelho, amarelo, azul e preto - Mondrian
Esta explicação - na minha opinião -, à luz dos nossos dias, continua a fazer todo o sentido. Pois o comum dos mortais só domina esta área do saber através de dedicação, muito “estudo” e mediante uma “aprendizagem” contínua e sequencial. Esta minha análise faz-me pensar no caso Português, havendo muitas explicações e causas para o panorama actual particular em torno desta ciência. Mas, arriscando uma análise superficial e cingindo-me aos termos gregos que deram origem à palavra, farei algumas correlações que deixo à consideração de quem ler estas palavras. Assim, é usual os alunos portugueses advogarem em sua defesa, como justificação para o insucesso na disciplina de matemática, a falta de bases, o que, na minha opinião, pode comprovar a razão de ser de um dos significados da palavra original: a aprendizagem - neste caso falta de aprendizagem continuada. Por outro lado, também sem estudo, por parte do próprio aluno – isto comprovamos todos os que de nós estudaram matemática -, o sucesso nesta áreas, como em quase todas, torna-se seguramente uma demanda académica difícil de alcançar, indo-se assim ao encontro da outra interpretação do termo original que resultou na palavra matemática: o estudo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Filme: Bonecas Russas

A metragem Bonecas Russas é a sequela do conhecido filme: Residencial Espanhola. Mas por ser uma sequela não significa que se trate de outro filme sobres estudantes em Erasmus
Parece-me importante falar primeiro um pouco sobre o seu precursor. Residencial Espanhola é um bom exemplo de um filme europeu de sucesso, capaz de agradar ao espectador habituado ao cinema tendencialmente mais comercial e "americanizado". Filmes como este muito contribuem para a desmistificação do cinema europeu e sua divulgação, acabando com a ideia de que as rodagens europeias são invariavelmente lentas, aborrecidas e incompreensíveis. Este preconceito é contrariado magistralmente em Residencial Espanhola devido ao tema do filme, do local , ambiente e modo como se desenrola a acção. A obra aborda o fenómeno Erasmus e expõe a cultura de vários países através das várias personagens que preenchem o elenco, retratando as vidas e relações de jovens deslocados noutro país e que habitam uma mesma casa. Barcelona é o pano de fundo perfeito para a acção principal. O ambiente mediterrâneo, os tons quentes, a arquitectura e a arte que caracteriza esta cidade dão a cor e cheiro que nos embebe e faz querer viajar para experimentar tudo o que esta cidade tem para oferecer.

 Por outro lado, a sequela Bonecas Russas trata da vida pós experiência Erasmus das mesmas personagens de Residencial Espanhola, sendo novamente focada a perspectiva e experiências da personagem principal - o francês Xavier. Todas as experiências que vão sendo relatadas por Xavier durante os dois filmes, mas mais em Bonecas Russas vão moldando-o, tornando-o um cidadão do mundo. A par disto o romance está sempre presente, seja qual for o local onde se desenrole a acção (enquadrada em várias cidades europeias tais como Londres, Paris, São Petersburgo, entre outras). 
O título da obra advém de uma comparação que origina uma série de questões colocadas pela personagem principal: os amores são como as bonecas russas, dentro de uma pode sempre existir uma outra mais bela, mas só o saberemos se tivermos a coragem de abrirmos a que temos, correndo o risco de, irremediavelmente, a desmontar ou até mesmo de a destruir apenas para encontrarmos uma pior ou que nos desagrade. Mas como sabemos quando parar? Como sabemos qual a nossa boneca, aquela onde devemos parar?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um pedófilo é um pederasta e vice-versa?

Segundo a Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pedófilo é a “pessoa que se sente sexualmente atraída por crianças”. No entanto existe um outro termo, menos conhecido, mas com um significado muito semelhante. Segundo o mesmo dicionário, um “homem que pratica sexo com rapaz jovem” é um pederasta. Fazendo alguns paralelismos, o significado atribuído à palavra pedofilia faz-me questionar a origem etimológica de outras palavras com terminação semelhante, notemos então que: “filia” ou “filo” significa em Grego antigo algo semelhante a “alguém que gosta” ou “alguém com especial simpatia” ou “amor por”.
Se fizermos o paralelismo com palavras como filantropo (gosto pela humanidade), columbófilo (gosto por pombos), filosofia (gosto pela sabedoria), entre muitas outras, concluímos que pedófilo poderá ser, pelo menos na acepção primordial da palavra, alguém quem nutra um amor por crianças, sem que com isso seja associada qualquer conotação sexual.
O grito - Much
Apesar disto, as palavras vão evoluindo e ganhando vida própria no seio das próprias línguas, sendo esta palavra [pedofilia] é apenas mais um exemplo disso. Provavelmente alguém cometeu um erro na escolha do termo para definir os vergonhosos casos de abusos sexuais a crianças. Provavelmente o termo mais correcto para identificar esses comportamentos repugnantes e desviantes deveria ter sido pederasta. Isso, provavelmente, explica porque é ofensivo chamar pedófilo a alguém que lute pelos direitos das crianças, e perfeitamente aceitável chamar antropofilo (pessoa com dedicação ou simpatia pelos seres Humanos) a um activista dos direitos Humanos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O livro: A Desilusão de Deus

O livro A desilusão de Deus, do conhecido biólogo evolucionista Richard Dawkins, merecia há algum tempo aqui uma referência. Para isso tive de voltar a reler a obra na transversal para evitar erros e gafes que em nada fariam jus ao autor e à obra.
Nesta obra, o autor questiona o porquê do fortalecimento de algumas correntes religiosas mais dogmáticas e extremistas, especialmente naquelas que apresentam explicações para o surgimento e funcionamento do universo opostas à ciência empírica, isto apesar dos avanços da ciência rumo a uma cada vez maior compreensão do universo e da vida.
Em a Desilusão de Deus, Dawkins distingue os diferentes modos como se considera Deus . De um modo resumido, segundo as suas crenças, agrupa as pessoas classificando-as como: Teístas, Deístas, Agnósticos e Ateístas.
Segundo a análise que fiz das palavras do autor, teístas são aqueles que acreditam num Deus omnipotente e omnipresente que tudo criou, tudo controla e opera (incluindo-se a humanidade também).
Os deístas acreditam que Deus criou o universo e as suas leis mas que depois não mais interveio. Dawkins refere que Einstein seria um Deísta, pois via em Deus a origem das leis da física. Isto não significa que esse Deus fosse o deus das três grandes religiões monoteísta (judaísmo, cristianismo e Islamismo), trata-se mais de um nome para uma entidade que deu origem ao que chamamos de leis da física pelas quais se rege o nosso Universo. 
Dawkins define agnosticismo como sendo a doutrina que admite a existência de uma entidade com as características atribuídas a Deus. Admite apenas, devido à falta de provas irrefutáveis não refuta nem valida a existência de Deus.
Finalmente, Ateus serão aqueles que, pela força da alta improbabilidade da existência de uma entidade com as características de Deus, negam a sua existência.

Sendo Dawkins um acérrimo defensor do evolucionismo de do ateísmo como modo de vida, ao longo desta obra vai apresentando diversas teorias no intuito de defender a sua posição. Irei de seguida apresentar uma dessas teses. Trata-se do paradoxo do bule, do conhecido filosofo inglês Bertrand Russell, que diz mais ou menos o seguinte: Se nos disserem que existe um bule a orbitar em torno do planeta Marte, quase que de imediato dizemos que não acreditamos. Qualquer pessoa diria que tal não será possível pois a Humanidade nunca viajou até Marte, logo não poderá existir lá esse objecto. No entanto, não conseguimos comprovar a sua inexistência, mas não hesitamos em admitir que tal é impossível, devido à grande improbabilidade desse fenómeno ocorrer.
Com esta referência ao paradoxo de Russell, Dawkins deixa-nos as seguintes questões no seu manuscrito: Porque não utilizamos o mesmo encadeamento lógico para validarmos a inexistência de Deus, dadas as elevadas improbabilidades? Porque deixam as Crianças de acreditar no Pai Natal e não em Deus?

Fica aqui também o link para a página do autor: http://richarddawkins.net/

Bem, deixo-vos estas questões. Eu procurei as minhas respostas. Façam o mesmo se assim o entenderem. 


O Filme: Barton Fink

No passado domingo tive um tempinho – coisa rara – ,o que me permitiu dedicar algum desse precioso bem à sétima arte. Fui à minha prateleira de DVD e peguei num ainda por abrir, decidi ver 'Barton Fink'. O filme à partida nada me dizia, apenas mais um que comprei numa qualquer promoção de filmes de autor. Depois de analisar melhor a caixa, descubro que se trata de uma obra dos “irmãos Coen”, e pensei logo – Isto promete.
Em Barton Fink é explorada a pressão que a indústria cinematográfica exerce sobre os autores e argumentistas: forçando-os a criarem argumentos comerciais e apelativos às grandes massas; obrigando-os a condicionarem a sua própria criatividade para moldes já pré-definidos e assim fazendo-os perder a verdadeira essência da sua arte, quer literárias quer cinematográfica. 

Quantos de nós não somos condicionados na nossa criatividade e opinião

Sendo que se trata de uma obra dos “Irmão Coen”, será de esperar um argumento original e repleto de particularidades originais. A isso acrescento a mestria do simbolismo presente em toda a obra e o facto de permitir uma grande possibilidade de interpretações ao verdadeiro significado que se deve extrair do acção, das personagens e dos ambientes físicos. Este filme divide-se em dois ritmos bem diferentes, sendo o inicial bastante lento e cheio de contemplações, terminando o segundo num ritmo frenético e desconcertante difícil de prever. 

domingo, 15 de novembro de 2009

Ig Nobel, os outros Prémios Nobel

Da minha habitual leitura da revista “Super Interessante”, onde mensalmente encontro artigos bem recheados de informação - mesmo que por vezes o modo como são apresentados nos leve a esperar mais -, com base no que se vai descobrindo nas várias áreas do conhecimento científico (apesar de não ser uma revista cientifica formal), fiquei surpreendido com um dos artigos da edição do mês de Novembro. Isto porque não fazia ideia que existisse uma gala anual para a entrega de prémios que distinguissem as investigações científicas mais humorísticas. Algo semelhante aos “Prémios Nobel”, mas repletos de humor e premiando as investigações mais originais e bizarras, mas todas elas ciência rigorosa e metódica (como é suposto). Estou a falar dos prémios “Ig Nobel”, um jogo de palavras que lido de enfiada soa a “ignóbil”. 

Deixo aqui alguns exemplo das investigações e cientistas premiadas com os ditos prémios, que, estranhamente ou não, muito apreciados pelos cientistas mais bem humorados
 Estes prémios provam que a ciência e a investigação cientifica podem ser divertidas e o acto de aprender um grande prazer recheado de boa disposição.

Passo a citar parte do artigo da Super Interessante “Ciência para rir”, do autor que assina como R.L.:


Alguns dos melhores de sempre:


Química 2008: Exequo para a equipa de cientistas que descobriu que a coca-cola era um espermicida eficaz… e para a que demonstrou que não o era.

Linguística 2007: Uma equipa da Universidade de Barcelona, por provar que os ratos nem sempre distinguem uma pessoa que fala japonês ao contrário de outra que fale holandês ao contrário.

Ornitologia 2006: Dois californianos por explicarem porque é que os picapaus não sofrem de dor de cabeça.

Medicina 2006: Dois trabalhos, um do Tennesse e outro de Israel , intitulados “Terminação dos soluços intratáveis através de massagem rectal digital”.

Química 2005: Uma experiência destinada a responder à eterna pergunta sobre se as pessoas nadam mais depressa em água ou xarope.

Fluidos Dinâmicos 2005: Um cientista alemão e outro húngaro, pelo estudo “Pressões produzidas quando um pinguim defeca: cálculos de excreções de aves”

Medicina 2004:Um estudo norte-americano sobre o efeito da música country nos suicídios.
Biologia 2004: Uma investigação sueca, dinamarquesa e canadiana que demonstrou que os arenques comunicam entre si, aparentemente, através de gases intestinais.

Biologia 2003: Atribuído ao holandês C.W. Moeliker por documentar o primeiro caso de necrofilia homossexual em patos.


Vencedores 2009:

Veterinária: A equipa da Universidade de Newcastle Demonstrou que as vacas cujos donos lhe atribuem nomes dão mais leite.

Paz: Cientistas Suíços testaram experimentalmente se é melhor que nos batam na cabeça com uma garrafa de cerveja cheia ou com uma vazia.

Economia: Administradores de bancos islandeses demonstraram que quatro bancos pequenos podem transformar-se em grandes, e vice-versa, e que isso pode ser aplicado à economia de um país.

Química: Um grupo de professores mexicanos criaram diamantes a partir de um líquido, concretamente, a tequila.

Física: Investigadores norte-americanos determinaram por que motivo as grávidas não caem para a frente, no estudo “Carga fetal e a Evolução da Lordose Lombar em Hominídeos Bípedes”

Saúde Pública: Investigadores de Chicago inventaram um soutien que se pode transformar, em caso de emergência, num par de máscaras anti-gás, uma para a mulher que o usa e outra para alguém próximo.

Matemática: O Banco central do Zimbabwe, criou um método simples para lidar com uma grande quantidade de números, emitindo notas que vão de um cêntimo a cem biliões de dólares.

Biologia: Um estudo nipónico demonstrou que a massa de resíduos produzidos nas cozinhas pode ser reduzido em 90% com recurso a bactérias das fezes de pandas gigantes.

sábado, 14 de novembro de 2009

Porque atravessou o frango a rua?

Neste texto vou revelar uma preciosidade que um amigo me fez chegar por correio electrónico. Assim que terminei de ler o conteúdo, ainda a rir e a pensar nas mensagens subliminares de cada frase, decidi que tinha de revelar não podia deixar de revelar aqui essas palavras. Lamento só não poder referir o autor desta criação, alguém que tem de ter uma considerável cultura geral  e um grande sentido de humor. Fica aqui o um tributo à sua criação.

Passo agora a citar a problemática em causa, tal como as respostas dadas para resolver esta pergunta intrincada e aparentemente sem explicação (Sem dúvida um trabalha de grande investigação filosófica e jornalística):

"O PROBLEMA DO FRANGO ATRAVESSAR A RUA, SEGUNDO A OPINIÃO DE ILUSTRES PENSADORES DO PASSADO E DO PRESENTE"

O frango atravessou a rua. Porquê?

Professora Primária"Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua."

Criança
"Porque sim."

Platão
"Porque queria alcançar o Bem."

Aristóteles
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."

Descartes
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."

Rousseau
"O frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva atravessar a rua."

Freud
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua é um sintoma de insegurança sexual."

Darwin
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los dotados da capacidade de cruzar a rua."

Einstein
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."

Martin Luther King
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango sonhou."

George W. Bush
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu arsenal de armas de destruição maciça. Por isso tivemos de eliminar o frango."

Cavaco Silva
"Porque é que atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."

José Sócrates
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos. Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua para os frangos não terem de a atravessar. Cada frango terá um documento único de identificação e será avaliado e tributado de acordo com a sua falta de capacidade para atravessar a rua."

Mário Soares
"Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que eu atravesse outra vez a rua!!!"

Manuel Alegre
"O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!"

Jerónimo de Sousa
"A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo socialista melhor e mais justo!"

Francisco Louçã
"Porque é preciso dizer olhos nos olhos que só por uma questão racista o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É uma mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"

Valentim Loureiro
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É mentira...!!! É tudo mentira!!!"

Paulo Bento
"O frango atravessou a rua com naturalidade... Era isso que esperávamos e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com naturalidade!!!"

Zézé Camarinha
"Porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do outro lado da rua e já se sabe, não perdoou!!!"

Lili Caneças
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-Feira dia 13, um dia de azar político

Superstições à parte, o dia de hoje tornou-se conhecido como um dia de azar devido a uma decisão régia de um antigo monarca de França, tomada há mais de 700 anos, que nada tem a ver com misticismo

No dia 13 de Outubro de 1307, que por caso era uma sexta-feira, Filipe IV (o belo), rei de França, com autorização do Papa Clemente V, manda prender todos membros da Ordem dos Templários em território francês, incluindo Jacques de Molay - o Grão-Mestre da Ordem Templária (que mais tarde seria condenado à fogueira). Sob falsas acusações de heresia e traição, "comprovadas" por confissões arrancadas por tortura, os monges-guerreiros acabaram por ser condenados com sentenças de prisão ou morte. No entanto,  muitos historiadores e investigadores defendem que as verdadeiras razões para estas perseguições, condenações e posterior desmembramento da ordem, se deveram ao perigoso poder que a Ordem detinha na época, sendo já credores das maiores casas reais da Europa da cristandade. Dai se ter tornado extremamente útil a sua extinção, de modo a garantir a supremacia do poder dos monarcas. Estas teorias podem ser encontradas no livro: Portugal Cristianíssimo, de Rainer Daehnhardt; Grandes Enigmas da História de Portugal – vol.1, obra da responsabilidade de Paulo Alexandre Loução e Miguel Sanches de Baena.

O sabbath das bruxas - Goya
Mas há muitas mais justificações para se associar ao número 13 o infortúnio, desde a mitologia Nórdica (o Banquete de Loki) ao Novo Testamento (Última Ceia). Em oposição a isto, o número 12 é considerado como número completo e harmonioso, note-se o exemplo do termo “dúzia” e de várias referências históricas, religiosas e mitológicas a ele associado (Doze tribos de Israel, Os doze signos do Zodíaco, os Doze apóstolos, etc.)

Há também uma história conhecida no Norte da Europa, que passou por transmissão oral de geração em geração, de uma Bruxa, de seu nome Friga, que após a conversão dos povos Germânicos ao Cristianismo passou a reunir com o Diabo e outras 11 Bruxas às Sextas-feiras. Nesses encontros a 13, conjuravam, rogavam pragas e distribuíam infortúnios por toda a Humanidade. Estes e outros mitos podem ser encontrados no livro: Mitologia - mitos e lendas de todo o mundo, da editora Lisma.

Assim se demonstram algumas das possibilidades para a origem dos mitos em volta da Sexta-feira dia 13 como sendo um dia de azar. Sendo que umas das maiores razões para isso  até passa por um acto político, apesar das influências mitológicas místicas e supersticiosas.
 
Boa sorte para este dia!


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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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