domingo, 6 de setembro de 2009

Colombo ou Colon, Seria Português?



Na obra 'Grandes Enigmas da História de Portugal - Volume 1'  são várias as curiosidades Históricas e teorias alternativas abordadas, muitas delas até se opõem, parcialmente ou totalmente, às correntes académicas mais convencionais e ao imaginário colectivo sobre a História de Portugal.  Uma dessas teorias, apesar de não ser uma teoria completamente nova, despertou mais a minha atenção devido à sua fundamentação. Poderia ter escolhido um outro exemplo do livro,  mas os indícios e provas referentes ao assunto que irei abordar pareceram-me tão surpreendentes e relevantes que não as poderia ignorar.  A Teoria teoria que me saltou a vista foi aquela que defende a tese de um Cristóvão Colombo  Português, de um espião ao serviço da Coroa Portuguesa, mais concretamente, servindo os planos do Príncipe Perfeito (D. João II). A sua missão seria afastar os Espanhóis da verdadeira rota das Índias, desviando a sua atenção para um novo mundo já conhecido dos Portugueses e que não representava uma mais-valia económica para Portugal face às divisas que um potencial monopólio com o comércio do Oriente poderia trazer. No entanto, e apesar desta oferta estratégica a Espanha, devido à assinatura do Tratado de Tordesilhas ficariam asseguradas para Portugal a posse das terras de Vera Cruz, ou seja o Brasil.

Algumas dos indícios e provas apresentadas são as seguintes:

- Cristóvão Colombo nunca escreveu em Genovês, e depois de terem sido analisados os seus escritos chegou-se à conclusão que o Castelhano usado não era a sua língua nativa (excluindo a tese de origem Espanhola). A construção frásica e gramatical não se adequava, sendo mais semelhante ao modo Português da altura;
- Não poderia ser autodidacta, pois para navegar era necessário ter acesso às mais modernas e secretas técnicas de navegação marítimas oceânicas, baseadas na astronomia, matemática, correntes, ventos e climatologia. Algo que somente os Portugueses dominavam na Europa da época;
- Casou com uma Portuguesa da alta nobreza (oriunda de uma família de descobridores), algo vedado aos das classes mais baixas. Logo não poderia ser um tecelão genovês;
- Foi recebido várias vezes oficialmente pelo Rei D. João II (um dos monarcas mais importantes e poderosos da Europa da época), tendo-lhe inclusivamente comunicado primeiro as suas descobertas (pois à vinda aportou primeiro em Lisboa) do que aos Reis católicos Espanhóis que eram seus patrocinadores;
- Existem documentos que comprovam que a família da sua esposa tinha empreendido expedições de exploração para ocidente dos Açores e que tinham descoberto novas terras;
- Detinha já um escudo de armas, algo somente possível para alguém da classe nobre;
- Aquando da assinatura do tratado de Tordesilhas, o Rei D. João II sabia claramente da existência de terras a Ocidente, pois exigiu que a linha de divisão avançasse o suficiente para garantir para Portugal o Brasil, que até à data da assinatura do tratado era ainda supostamente desconhecido..

Tudo isto faz sentido, especialmente se pensarmos que os nosso soberanos da altura praticavam uma política de sigilo, pois as informações que detinham era valiosíssimas, e caso mais algumas das nações europeias as possuísse todos os esforços para estabelecer o comércio directo com a Índia seriam postos em causa.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O filme: Aquele querido mês de Agosto


Ficou recentemente disponível em DVD o filme: 'Aquele querido mês de Agosto'. Este filme Português é sem dúvida único, cheio de originalidade e onde se fundem vários géneros cinematográficos, incluindo o género documental
Esta película justifica plenamente aquele slogan: "O que é Nacional é Bom". Pois, até a banda sonora à base de "Música Pimba" - género musical que não aprecio especialmente - cai bem, ajuda à acção e a descrição dos lugares e personagens. Não fossem as personagens principais um agrupamento musical de festas de aldeia. Os actores aqui são amadores, na sua maioria gentes dos lugares onde a equipa de produção decidiu filmar. As paisagens nacionais e o ambiente social e humano, muito natural, ilustram bem o modo de vida das aldeias de Portugal, dos seus habitantes e costumes, especialmente o fenómeno da emigração (algo ainda muito marcado no modo de vida de muitos Portugueses por esse mundo fora que se deslocam a Portugal no Verão). É aqui que o lado documental do filme se revela mais vincadamente.
Aconselho este filme agora que se aproxima o fim do verão e das férias.   Ver este e mais filmes como este é apostar na Arte produzida por Portugueses. É valorizar o trabalho daqueles que fazem e divulgam a cultura nacional por carolice.
O único senão deste filme é a duração, pois ronda as 3 horas.  
Vejam que vale a pena, vão ficar surpreendidos. E a avaliar pelas pessoas que estavam à data a assistir no cinema - apenas 4 pessoas -, este filme passou ao lado dos Portugueses.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um termo sobejamente usado mas com significado desconhecido: Demagogia

Ainda no seguimento da leitura do livro "Filosofia Pré-Socrática" queria acrescentar mais uma curiosidade. Dado que se trata de uma obra onde são apresentados textos e escritos alguns dos primeiros filósofos ocidentais, são nesta obra também explicados alguns conceitos. Um deles é o conceito de demagogia.
A palavra Demagogia, analisando o significado da construção da palavra, foi constituída pela junção de duas palavras gregas conhecidas, algo que traduzido para Português soaria a "ensino do povo", ou "ensino para o povo".

O povo guiado pela liberdade - Delacroix
Fiquei especialmente surpreendido com esta minha descoberta pessoal pois é comum na actualidade esta palavra ser usada com conotação depreciativa, até mesmo acusatório, especialmente nas elites políticas. No mínimo estranho, ou talvez não!
Hoje em dia, fazer Demagogia é entendido como referir ou defender falsidades, destinadas a adoçar e convencer quem as ouve (sem qualquer associação com a realidade e verdade), especialmente quando se trata de "falar ao povo".

A Demagogia adquiriu um novo significado, não tendo surgido uma outra para realmente descrever a actividade de ensinar o povo - talvez por não existir e se partir do principio que o povo não precisa de ser "ensinado" -, sendo, por isso ou tendo contribuído para isso, compreensível o actual estado de descrédito dos nossos políticos e governantes actuais. Pois, mesmo que sejam competentes, mesmo que fosse importante fazer chegar informação sobre o seu mérito e trabalho, o facto é que o descrédito em que se encontram - o mesmo que inverteu o sentido da palavra Demagogia -, não o permite.

Há que voltar a redefinir o significado original da palavra e ensinar com verdade, redescobrindo a palavra Demagogia como algo de essencial numa Democracia Participativa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A melhor piada do mundo

Dos intemporais, e para mim, maiores humoristas de sempre, gostava de mostrar para quem não conhece um dos melhores sketchs de Monty Phyton. Não é um tipo de humor para rir à gargalhada mas um que nos pode fazer rir a pensar. De notar que em Portugal na época em que foram visionadas pela primeira vez estas imagens estávamos em pleno Estado Novo e Marcelo Caetano era o ditador de serviço. Isto dá que pensar. Como nos poderemos comparar às sociedades do centro e norte da Europa que há tantos anos vivem em Democracia, habituados a este, e outros tipos de humor vanguardistas e certamente ofensivos e incompreensíveis para quem não  está a isso habituado. Certamente o tipo e género de Humor não explica nem reflecte todas as diferenças culturais, de organização e funcionamento das próprias sociedades, mas é inegável a sua influência e relação.

Aqui fica o link para a rábula (sketch) em causa: Monty Phyton - Série "Flying Circus": A melhor piada do mundo (legendada)

Análise da leitura do livro: "Filosofia Pré-socrática


Recentemente terminei de ler mais um livro. Por sinal não foi um livro qualquer, nem sequer apenas mais um livro de filosofia. Foi um livro sobre a génese da filosofia grega. Eu diria que a génese da filosofia ocidental. Nem mais nem menos que: "Filosofia Pré-Socrática" da Guimarães Editores. Mesmo para um leigo como eu na arte e conhecimento da Filosofia, pareceu-me muito revelador. Dada a organização cronológica dos vários autores podemos fazer também uma análise cronológica do que foi sendo o conceito a que hoje chamamos de filosofia ou de filosofar.

Os primeiros autores baseiam-se na mitologia e nas tradições orais que ao aliarem ao senso comum e ao raciocínio produzem, aos olhos de hoje, uma pré-filosofia. Criam modelos de explicação do universo mais aprofundados do que a simples mitologia. Posteriormente as teses de explicação e organização do mundo vão se fundindo com a religião grega instituída, até que posteriormente começam a separar-se dela elegendo um ser supremo como o criador e o motor de toda a ordem e harmonia existente. Ao pensarem e questionarem o porquê das coisas do mundo que os envolvem, os primeiros filósofos vão-se afastando da religião instituída e desenvolvendo algo de novo. O culto pelo conhecimento. Mas muitas vezes traduzido e associado a um só Deus que simboliza a sabedoria e conhecimento. Curiosamente estas ideias foram reformuladas e recicladas por alguns judeus e posteriormente pelos primeiros Cristãos. Mesmo antes de Cristo, já os pitagóricos e outros filósofos posteriores defendiam a ética e a conduta exemplar, a preferência pelas coisas da alma, associada ao conhecimento, em detrimento dos vícios e prazeres carnais. Assim se explicam também as grandes diferenças entre o antigo e o novo testamento, pois o mais recente tem claramente uma influência helénica. Também se compreende a facilidade com que o cristianismo se espalhou pela Grécia e posteriormente pela península itálica, origem de alguns dos mais ilustres pitagóricos.

Esta foi a minha principal conclusão a que cheguei depois desta leitura.

Gostaria de saber se mais alguém leu este livro, e mesmo se nunca o tenha lido que opinasse sobre estas conclusões.


Sei que é um assunto um pouco pesado para começar, mas eu sou mesmo assim, chato e maçador.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa