quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um termo sobejamente usado mas com significado desconhecido: Demagogia

Ainda no seguimento da leitura do livro "Filosofia Pré-Socrática" queria acrescentar mais uma curiosidade. Dado que se trata de uma obra onde são apresentados textos e escritos alguns dos primeiros filósofos ocidentais, são nesta obra também explicados alguns conceitos. Um deles é o conceito de demagogia.
A palavra Demagogia, analisando o significado da construção da palavra, foi constituída pela junção de duas palavras gregas conhecidas, algo que traduzido para Português soaria a "ensino do povo", ou "ensino para o povo".

O povo guiado pela liberdade - Delacroix
Fiquei especialmente surpreendido com esta minha descoberta pessoal pois é comum na actualidade esta palavra ser usada com conotação depreciativa, até mesmo acusatório, especialmente nas elites políticas. No mínimo estranho, ou talvez não!
Hoje em dia, fazer Demagogia é entendido como referir ou defender falsidades, destinadas a adoçar e convencer quem as ouve (sem qualquer associação com a realidade e verdade), especialmente quando se trata de "falar ao povo".

A Demagogia adquiriu um novo significado, não tendo surgido uma outra para realmente descrever a actividade de ensinar o povo - talvez por não existir e se partir do principio que o povo não precisa de ser "ensinado" -, sendo, por isso ou tendo contribuído para isso, compreensível o actual estado de descrédito dos nossos políticos e governantes actuais. Pois, mesmo que sejam competentes, mesmo que fosse importante fazer chegar informação sobre o seu mérito e trabalho, o facto é que o descrédito em que se encontram - o mesmo que inverteu o sentido da palavra Demagogia -, não o permite.

Há que voltar a redefinir o significado original da palavra e ensinar com verdade, redescobrindo a palavra Demagogia como algo de essencial numa Democracia Participativa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A melhor piada do mundo

Dos intemporais, e para mim, maiores humoristas de sempre, gostava de mostrar para quem não conhece um dos melhores sketchs de Monty Phyton. Não é um tipo de humor para rir à gargalhada mas um que nos pode fazer rir a pensar. De notar que em Portugal na época em que foram visionadas pela primeira vez estas imagens estávamos em pleno Estado Novo e Marcelo Caetano era o ditador de serviço. Isto dá que pensar. Como nos poderemos comparar às sociedades do centro e norte da Europa que há tantos anos vivem em Democracia, habituados a este, e outros tipos de humor vanguardistas e certamente ofensivos e incompreensíveis para quem não  está a isso habituado. Certamente o tipo e género de Humor não explica nem reflecte todas as diferenças culturais, de organização e funcionamento das próprias sociedades, mas é inegável a sua influência e relação.

Aqui fica o link para a rábula (sketch) em causa: Monty Phyton - Série "Flying Circus": A melhor piada do mundo (legendada)

Análise da leitura do livro: "Filosofia Pré-socrática


Recentemente terminei de ler mais um livro. Por sinal não foi um livro qualquer, nem sequer apenas mais um livro de filosofia. Foi um livro sobre a génese da filosofia grega. Eu diria que a génese da filosofia ocidental. Nem mais nem menos que: "Filosofia Pré-Socrática" da Guimarães Editores. Mesmo para um leigo como eu na arte e conhecimento da Filosofia, pareceu-me muito revelador. Dada a organização cronológica dos vários autores podemos fazer também uma análise cronológica do que foi sendo o conceito a que hoje chamamos de filosofia ou de filosofar.

Os primeiros autores baseiam-se na mitologia e nas tradições orais que ao aliarem ao senso comum e ao raciocínio produzem, aos olhos de hoje, uma pré-filosofia. Criam modelos de explicação do universo mais aprofundados do que a simples mitologia. Posteriormente as teses de explicação e organização do mundo vão se fundindo com a religião grega instituída, até que posteriormente começam a separar-se dela elegendo um ser supremo como o criador e o motor de toda a ordem e harmonia existente. Ao pensarem e questionarem o porquê das coisas do mundo que os envolvem, os primeiros filósofos vão-se afastando da religião instituída e desenvolvendo algo de novo. O culto pelo conhecimento. Mas muitas vezes traduzido e associado a um só Deus que simboliza a sabedoria e conhecimento. Curiosamente estas ideias foram reformuladas e recicladas por alguns judeus e posteriormente pelos primeiros Cristãos. Mesmo antes de Cristo, já os pitagóricos e outros filósofos posteriores defendiam a ética e a conduta exemplar, a preferência pelas coisas da alma, associada ao conhecimento, em detrimento dos vícios e prazeres carnais. Assim se explicam também as grandes diferenças entre o antigo e o novo testamento, pois o mais recente tem claramente uma influência helénica. Também se compreende a facilidade com que o cristianismo se espalhou pela Grécia e posteriormente pela península itálica, origem de alguns dos mais ilustres pitagóricos.

Esta foi a minha principal conclusão a que cheguei depois desta leitura.

Gostaria de saber se mais alguém leu este livro, e mesmo se nunca o tenha lido que opinasse sobre estas conclusões.


Sei que é um assunto um pouco pesado para começar, mas eu sou mesmo assim, chato e maçador.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa



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