terça-feira, 13 de março de 2018

Ser de Direita ou de Esquerda dependeu da forma de sentar

Pensando nos textos aqui no blogue sobre política, foram sendo abordadas as diferenças entre esquerda e direita por diversas vezes, mas nunca de uma forma em que isso constituísse o tema principal de um texto. Chegou então a hora de fazer esse texto, muito por causa de um livro da autora de Diogo Freitas do Amaral que recentemente li. No seu livro, “Uma Introdução à Política”, o conhecido político e professor universitário, resume, de forma simples a génese dessa distinção [1].
A diferença entre esquerda e direita surgiu da Revolução Francesa, mais concretamente dos Estados Gerais, que foram as assembleias representativas da população francesa que quebraram com décadas de absolutismos, justificadas pelas crises financeiras do Estado francês e domínio filosófico do iluminismo entre as elites intelectuais. Os Estados Gerais desempenharam um importante papel na fase inicial do processo revolucionário. Os Estados Gerais iriam transforma-se em Assembleia Nacional [2].

Abertura dos Estados Gerais em Versalhes - Auguste Couder

Os termos distintivos surgiram por razões de posicionamento na assembleia. Observando pelos olhos do presidente da assembleia, os que se sentavam à sua direita ficaram apelidados de partidários de direita e os restantes de esquerda. Mas esta forma de sentar, segundo Diogo Freitas do Amaral, não surgiu do acaso. Essa disposição foi influenciada pela tradição greco-romana e cristã de que “os melhores ou mais qualificados se sentavam à direita do magistrado ou de Deus, ao passo que os piores ou menos qualificados estavam do lado esquerdo”. O autor refere também a origem latina da palavra esquerda, que, ainda hoje em italiano, se diz “sinistra”.  Também em português antigo “filho da mão esquerda” significava filho ilegítimo [1].

Resumidamente, as classes privilegiadas que pretendiam conservar os seus privilégios, passaram a ser apelidados de partidários de Direita, ou conservadores. Os que queriam conquistar mais direitos e melhorar a sua condição económica e social, passaram a constituir os partidários de esquerda. De notar que o autor deixa transparecer aqui a sua opinião, referindo que no primeiro caso a designação foi pejorativa enquanto que na segunda foi elogiosa [1].

Para Diogo Freitas do Amaral, foi somente no século XX, com a modernidade das ideologias extremistas, do comunismo e do fascismo, que se separaram as esquerdas e as direitas entre moderados e extremistas. No entanto, os extremismos políticos são mais antigos, sugiram na própria revolução francesa, sendo famoso o caso dos jacobinos. Posteriormente FORAM VÁRIOS os episódios políticos desencadeados pelos defensores do retorno do absolutismo monárquico, tal como dos anarquistas entre os vários movimentos socialistas e libertários [3]. Seja como for, o objetivo do livro é uma introdução, pelo que se trata de uma simplificação perfeitamente adequada.

Assim, da próxima vez em que se sentarem numa assembleia pensem bem em que ala querem ser vistos.

Referências bibliográficas:
[1] Amaral, Diogo Freitas do (2014). Uma Introdução à Política. Lisboa: Bertrand.
[2] Vovelle, Michel (2007). A revolução Francesa 1789-1799. Lisboa: Edições 70.
[3] Fernandes, António José (2008). Introdução à Ciência Política: teorias, métodos e temáticas. Porto: Porto Editora.

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