quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Como identificar o fascismo?

Tal como dizia Zygmunt Bauman, estamos numa época de transição, num impasse sem conseguirmos perceber qual o futuro. Esta impressão pode ser comum a todos os tempos, tendo a em conta a incerteza do futuro aos olhos de quem vive esse determinado tempo como contemporâneo. Há registos disso em textos de todos os tempos e de todas as sociedades, especialmente em épocas de crise ou de final de ciclo. Será o nosso caso? Talvez.
 
Síntese Fascista - Alessandro Bruschetti
Neste momento parecem estar a ressurgir alguns movimentos que se reinventam numa adaptação aos tempos contemporâneos, aliás, como também é comum acontecer ao longo da história, dos múltiplos processos de reciclagem e reinvenção de ideias e valores mais antigos. Não faltam exemplos de casos da ascensão de movimento sociais e políticos que muitos caracterizam como sendo “fascistas” ou “neofascistas”. Algumas dessas tendências, mais intensamente nuns casos que noutros, podem ser sentidas em alguns governos e líderes nacionais. Mas como aferi e distinguir o fascismo?
 
Proponho recorrer a William Ebenstein, professor de ciências políticas, que definiu, nos anos 40 do século XX, em alguns tópicos, as características do fascismo. São elas, nas palavras de António José Fernandes:
  • Falta de confiança na razão;
  • Negação da igualdade humana fundamental;
  • Código de conduta baseado em mentiras e violência;
  • Governo da Elite;
  • Totalitarismo;
  • Racismo e Imperialismo;
  • Oposição às leis e regras internacionais.

Estes tópicos podem ser excelentes pontos de partida, mas são fruto de uma metodologia que se baseia em casos historicamente situados. Dificilmente haverá outro modo de analisar uma realidade social como os contextos políticos, pois são sempre e forçosamente historicamente situado. Para podermos fazer alguma análise comparativa com os políticos e as políticas da actualidade temos de fazer inúmeras adaptações. O facto das sociedades se terem aberto, criando redes sobrepostas e concorrentes, e das novas tecnologias de informação e comunicação massificarem o poder da comunicação interativa mudou muito o nosso mundo. Estamos numa fase em que vemos os princípios orientadores dos fascismos a procurarem uma adaptação a estas novas realidades. Vamos ver novidades com certeza num futuro próximo. E isto é apenas uma actualização no nesta pequena dimensão. Muitas outras mudaram. Fiquemos com este ponto de partida.

Referências
Fernandes, António José – Introdução à ciência política. Lisboa: Porto Editora, 2015.

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