quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Modigliani – O pintor de esculturas

Amedeo Clemente Modigliani foi um pintor italiano que se inseriu no movimento modernista da arte europeia no início do século XX. Trabalhou em Paris e pertenceu à comunidade de artistas que fez nascer a multiplicidade de vertentes das artes plásticas que tornaram a cidade das luzes a verdadeira capital da arte moderna. Foram tantos os artistas a coexistirem e a produzirem trabalhos arrojados em Paris nessa altura que dificilmente se poderá repetir tal singularidade geográfica na história da criatividade artística como nas primeiras décadas do seculo XX em Paris. A cidade atraia artistas de todos os países e nacionalidades, ainda que as condições de vida e oportunidades fossem desiguais.
 
A mulher com fita de veludo - Amedeo Modigliani

Modigliani foi um desses artistas emigrantes, proveniente de Itália, que contribui para a glória das criações artísticas na cidade, ainda que disso pouco se tenha gozado. Morreu jovem, na miséria e vítima dos excessos da vida boémia e de uma meningite tuberculosa. Apesar de o podermos considerar como modernista, o seu estilo de pintura apresenta características muito próprias. Talvez a paixão pela escultura, talvez mais que pela pintura, o tenha feito destacar entre os restantes pintores.

 A sua saúde frágil e escassez de recursos materiais impediram que se dedicasse totalmente à escultura. Assim, o pintor, que havia abandonado os pinceis depois do escultor Constantin Brancusi lhe ter revelado o interesse pelo trabalhar da pedra, viu-se forçado a desistir da escultura para voltar à pintura. As partículas libertadas nos trabalhos escultórios e a exigência de esforço físico devastavam Modigliani, que também não dispunha dos recursos materiais necessários para o desenvolvimento dessa arte, mesmo tendo ensaiado trabalhos em madeira. Assim, Modigliani abandonou definitivamente a escultura e dedicou-se novamente à pintura em 1914, seis anos antes da sua morte aos 35 anos.

Modigliani terá transportado para a tela a arte escultória. Tal como Picasso, era fascinado pela arte africana, especialmente pelas máscaras, das quais retirou influências. Criou assim uma nova forma de fazer retratos. Poderíamos dizer que era capaz de transformar os seus modelos em estátuas virtuais que depois pintava na tela. A sua obra gráfica fala por si.

O fatalismo que marcou a vida e morte de Modigliani, tal como a intensa paixão pela sua amante, terá influenciado seguramente as suas singulares pinturas.

Algumas referências:

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