terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Marketing Territorial é diferente do Marketing Empresarial ou Institucional

O Marketing territorial tem vindo a crescer enquanto subdomínio do marketing, sendo utilizado na gestão de territórios. Mas este tipo de marketing difere do marketing empresarial ou institucional. Os territórios, pelas suas características, são muito diferentes das empresas e instituições,  exigindo abordagens diferentes.
 
As grandes banhistas - Cezanne

Se numa empresa pode facilmente existir uma estratégia bem definida, assumida por uma liderança forte, com capacidade de decisão e operacionalização em todos os domínios da empresa, nos territórios tal é praticamente impossível de acontecer. Os territórios são sistemas iterativos complexos, de múltiplos atores e recursos, onde uma determinada liderança tem cariz político democrático. Aas próprias empresas e isntituições são atores importantes dos territórios.

 A gestão dos territórios está muito mais condicionada do que a gestão de uma empresa, pois, no segundo caso, não existe obrigação do estabelecimento de modelos democráticos. Apesar de tudo, nas sociedades que vivem em regimes democráticos, empresas, famílias e órgãos colegiais de especialistas técnicos, a título de exemplo, tendem a ser pouco democráticos nas suas práticas e organização perante o peso da propriedade, da tradição e do conhecimento.

Para as empresas será possível criar missões e culturas comuns. Mas nos territórios existem vários atores com diferentes interesses, por vezes contraditórios. Sobre os territórios podem coexistir várias culturas e subculturas, com os seus múltiplos interesses e valores, mesmo nas zonas menos cosmopolitas. É necessário um esforço adicional, respeitador da cidadania e igualdade de diretos, para além dos requisitos legais exigidos às empresas quando se gere um território.

Os territórios podem ser muito variados e heterogéneos, dificultando a identificação dos recursos e produtos a potenciar. Sempre que se pretende seguir uma determinada estratégia é necessário o envolvimento e aceitação da população para determinado objectivo de desenvolvimento territorial. Para além dos indivíduos, existem sobre os territórios outras entidades colectivas, capazes de mobilização e influência. Estas entidades podem ser também muito diversas: políticas; cívicas; técnicas; etc.

O facto dos territórios serem geridos pelo poder político, tendo em conta que este assenta num modelo democrático, surgem fortes probabilidades de mudanças imprevissíveis nas lideranças territoriais, inviabilizando a implementação de estratégias e planeamento a longo prazo.

Assim, os processos de marketing territorial, com o objectivo de potenciar o desenvolvimento de determinados territórios, independentemente da área de actividade ou objectivo final definido, têm sempre de nascer de processos inclusivos de cidadania, assentes em sólidas práticas democráticas. Caso contrário será impossível definir uma estratégia de atuação sólida e muito menos aplica-la a médio e longo prazo.

 
Referências bibliográficas:
 
FIGUEIRA, Ana Paula - Marketing territorial - uma nova dimensão do marketing. Estarreja, Mel Editores, 2011.
 
GINSBORG, Paul - A democracia que não há - que fazer para proteger o bem político mais precioso de todos os tempos. Lisboa: Editorial Teorema, 2008.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Depois de Hitler (After Hitler) - um documentário sobre o lado negro do pós-guerra

No documentário "After Hitler" de David Korn-Brzoza e Olivier Wieviorka, de 2016, recuperam-se imagens e registos pouco conhecidos do pós 2.ª Guerra Mundial. É muito comum, quando se estuda a história do século XX ignorar o modo como se reorganizou a europa e se deu a "desnazificação". Habitualmente, até nos livros de história do ensino secundário para os alunos de humanaidades, a sequência é direta. Depois da Guerra Mundial, numa descrição genralista e pouco pormenorizada das desnazificação, surgem as tensões entre aliados e soviéticos, manifestadas por discursos de Churchill, Estaline e Truman que, depois levariam à Guerra Fria.
 
Fonte da imagem: https://www.zed.fr/en/tv/distribution/catalogue/programme/after-hitler
Mas existe um período negro que parece querer ser escondido, talvez por ser incómodo para os vencedores aliados. Com a derrota alemã a europa ficou profundamente desorganizada. Respondeu-se com violência às violências da guerra. Judeus continuaram a morrer nos campos de concentração, enquanto outros continuavam a ser chassinados por populações claramente instrumentadas por ódios antigos e antisemitismo, mesmo do lado "aliado". Deu-se uma caça às bruxas com execuções sumárias e populares dos antigos colaboracionistas nazis. Comunidades germânicas em paises do centro da europa, que residiam nesses territórios há séculos, foram expulsas e massacradas. Muitos alemães comuns e seus descendentes foram executados em grupo, à semelhança do que faziam os nazis na suas limpezas etnicas. Foi permitida a escravatura da população alemã por parte dos aliados como modo de castigo e recuperação dos destroços de guerra causados. Deu-se um exodo massivo na europa com milhões depessoas em movimento em todos os sentidos, pois as delimitações feiteiriças nunca tinha sido capazes de delimitar e definir no território a diversidade das comunidades etnicas e nacionais Mesmo entre os aliados deram-se violências e exenofobias várias.
 
A guerra fria haveria de transformar os inimigos em aliados e os aliados em inimigos. Tudo mudou rapidamente e a memória do passado parecia ser apagada ou relembrada sempre com violência.
 
"After Hitler" é um daqueles documentários importantes para conhecer a história recente da Europa e refletir sobre o seu futuro.
 
 


 

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