terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A origem dos proto-museus: dos tesouros da Idade Média aos Gabinetes de Curiosidades da Idade Moderna

Se os "Schatzmmern" (ou tesouros) se associavam às coleções privadas dos grandes senhores e monarcas, contendo todo o tipo de objetos a que fosse atribuída uma conotação de valor, no sentido de tesouro, na mesma medida estavam relacionados com a itinerância das cortes medievais. Ou seja, a própria coleção teria de ser transportável, uma vez que a corte e governo feudal/senhorial não era permanente (Nicholas, 1999).

Canto de um Gabinete de Curiosidades - Frans Francken II

Por outro lado, os conceitos de "Kunstkammern/Wuderkammern" (gabinetes de curiosidades) ligam-se aos novos poderes instituídos a partir daquilo que é a génese dos primeiros Estados Modernos (Delumeau, 2011), com as cortes permanentes, corpos de funcionários e serventes públicos, exércitos permanentes e capitais formais (Chueca Goitia, 1989; Mumford, 1998).
 Com essa estabilização e sedimentação do poder, que mais tarde dará origem ao absolutismo, facilmente se encontra um a justificação política e social para a estabilização das coleções privadas reais, para o seu desenvolvimento permanente no que seriam os proto-museus, ainda que nessa altura as suas funções ainda estivessem associadas a fins de promoção do poder e prestígio dos seus detentores (Gschwend, 1993).


Referências bibliográficas
  • Delumeau, Jean. “A Civilização do Renascimento”. Lisboa: Edições 70, 2011.
  • Chueca Goitia, Fernando. "Breve História do urbanismo”. Lisboa: Editorial Presença, 1989.
  • Gschwend, Jordan Annemarie. “Catarina de Áustria: Coleção e Kunstkammer de Uma Princesa Renascentista”. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1993.
  • Mumford, Lewis. "A Cidade na História". São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • Nicholas, David. “A Evolução do Mundo Medieval”. Lisboa: Publicações Eurapa-América, 1999.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa