terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

100.000 visitas no blogue!

Hoje o blogue A Busca pela Sabedoria, projeto que iniciei há quase 3 anos, que conta com mais de 200 textos com mais de 600 comentários, registou 100.000 visitas! Acima de tudo, apesar de poder parecer trabalhosa - que de facto é -, esta história do blogue é sem dúvida um repositório de prazer intelectual pessoal. Visitar os textos que fui acumulando é como que visitar um museu onde se catalogam e arrumam, para exposição, artefactos vários e variados, sendo que aqui o valor é muito relativo e discutível - se é que tem algum para mais alguém do mim próprio.
Uma visita ao Museu - Edgar Degas
Gastando mais uma palavras sobre o blogue. Tentei diversificar - o mais possível - os temas e assuntos, tentando registar as curiosidades com que me vou deparando no dia-a-dia. Nos vários textos, como neste mesmo, tentei também utilizar pinturas e obras de arte como ilustrações, de modo a poder divulga-las e aos autores.
Não me vou alongar mais. Só posso agradecer a todas e todos os que deram a oportunidade de leitura aos textos aqui expostos. Muito obrigado por todas as visitas! Espero poder celebrar o próximo acrescento de digito no futuro! 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Influências para as unidades e divisões dos países e nações da América Latina

Ao fazer alguns estudos sobre o livro do registo do II Congresso do Distrito de Leiria e Alta Estremadura deparei-me com um precioso texto de Joaquim Romero de Magalhães, intitulado de "Os espaços da administração portuguesa do século XVI". O autor, nesse texto, defende a tese de que em portugal sempre se organizou o seu território de modo a que fosse sempre fortalecida a unidade nacional, mesmo ainda em tempos anteriores  à invenção do próprio nacionalismo - aquele que hoje conhecemos e se associa à ascensão dos Estados-Nação do século XIX. Em Portugal, por várias razões, entre elas a necessidade de unidade para fins militares relacionadas com o receio permanente de invasões do vizinha Espanha, nunca se pretendeu reforçar o poder regional, nem pela criação de novas fronteiras regionais com poder efectivo, nem pela união dos concelhos em regiões, isto já em pleno século XVI. Não é então de estranhar, ainda que as muitas razões de antigamente pouco sentido talvez ainda façam, que ainda hoje seja difícil discutir o tema da regionalização, quanto mais proceder à discussão dos modelos de aplicação a Portugal.
Paineis "Guerra e Paz" - Candido Portinari
Para Joaquim Romero Magalhães foram a característica unidade portuguesa e o separatismo de Espanha (com as suas regiões com fortes tendências nacionalistas que acentuam a distinção e separação, por exemplo são notórios os casos do País Basco e da Catalunha) que condicionaram a história e geopolítica dos países da América Latina. Teriam sido então as características de unidade interna e nacional dos países colonizadores a influenciar os países que nasceram das antigas colónias. Daí termos apenas um país falante do Português nas Américas e uma imensidão de outros falantes de Castelhano.  Claro que as influências das metrópoles europeias não foram as únicas razões para as fronteiras e existências dos vários países, até porque as culturas e sociedades pré-colombianas existentes contribuíram também indiscutivelmente para isso (a civilização Azteca influenciou muito o México, tal como a Inca o Peru).
Os países da América Latina, ainda que muitos habitantes desses países não hesitem em dizer que prefeririam ter sido originalmente colónias de países anglo-saxónicos, herdaram muita da genética a cultura dos países Ibéricos - para o bem e para o mal. Fica a questão: qual terá sido o melhor modelo herdado afinal afinal?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Orgasmo masculino sem ejaculação - uma lição de Quintino Aires

Mais uma vez lembro um excerto do programa “A Hora do Sexo”, da Antena 3, onde Quintino Aires – Psicólogo, professor e especialista em sexologia – partilha mais algumas dicas para uma sexualidade mais realizada.
O golpe - Fragonard
Desta vez o assunto é o orgasmo masculino, e mais concretamente a ejaculação. Segundo Quintino Aires, os homens podem experimentar o orgasmo sem ejaculação, o caso não será o mesmo dos orgasmos múltiplos das mulheres, mas poderá ser algo semelhante e que poderá levar a que em cada ato sexual os homens possam experimentar também vários orgasmos. Para isso a técnica em causa, que nada tem que ver com sexo tântrico – onde a experiência dos orgasmos contínuos e múltiplos para os homens parece ser possível por outros meios -, tem um pendor verdadeiramente físico. Segundo o sexólogo, o homem pode atingir o orgasmo e evitar e ejaculação se, no momento oportuno – algo que cada um terá de treinar por si – pressionar com a devida força – algo a saber também com a experiencia – a zona entre os testículos e o ânus. Deste modo, recorrendo a esta técnica, num mesmo ato, o homem poderá então experimentar vários orgasmos e controlar a ejaculação para quando pretender. Sem ejaculação é possível prolongar o ato sexual pois é com a ejaculação que as energias masculinas se esgotam e não tanto com o exercício sexual anterior.
Temos de admitir que a técnica em causa exige bastante autocontrolo e conhecimento do próprio corpo e seu “funcionamento”. No entanto, qualquer que seja a atividade física que se pratique, ela só se aproxima da perfeição e performance superior se de fato o individuo treinar/conhecer o seu organismo, sendo aqui o mesmo válido para o sexo.
Fica mais uma dica deste serviço público da Antena 3 que tem tratado e cuidado da saúde e felicidade sexual dos portugueses.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Guerra dos sexos na pré-história e megalitismo


  Numa altura em que sociedades pré-históricas – aquelas que desconheciam a escrita – entravam em processo de sedentarização, passavam do período do mesolítico para o neolítico, numa altura em que as atividades recolectoras, como forma de subsistência, começavam a ser substituídas pelas agro-pastoris é momento em que surgem as primeiras construções megalíticas – construções de grandes pedaços líticos, ou seja, grandes rochas e pedras.
  Das mais importantes estruuras megalíticas destacam-se os dólmens (ou antas) - para fins funerários (com a devida importância social e demarcação no território envolvente) - e os menires - para fins que relacionados com atividades ligadas à cultura dos vivos (possivelmente o assinalar de algo importante para as comunidades que os ergueram: símbolos de pertença, domínio territorial, culto ou outros culturais/utilitários). Segundo alguns especialistas, estes primeiros monumentos, que até podem ser considerados os primeiros “edifícios públicos”, serviam, para além dos propósitos religiosos, de âncora a comunidades errantes em processo de sedentarização, que dependiam cada vez mais do território que escolhiam e da dinâmica e funcionamento e coesão do próprio grupo.
Menir de Croisac - autor desconhecido datado de 1893
  Feita esta primeira introdução ao megalitismo há que justificar então o título do presente texto. As relações das estruturas megalíticas com a religiosidade e cultos pré-históricos são evidentes, e aos cultos estava sempre associada, ou era mermo o centro do próprio culto, a fertilidade. Curiosamente parece que os dois grandes tipos de construções [menires e antas] se associavam a cultos de fertilidade por género/sexo. Ou seja, pelas suas formas de acentuada verticalidade, os menires associavam-se ao sexo masculino e as antas ao feminino. Em Portugal, no menir de Outeiro, em Reguengos de Monsaraz, foi mesmo detetado a abertura na rocha do meato uretral. Outros menires do barlavento Algarvio estão decorados com linhas onduladas – provavelmente associadas às veias e artérias –, igualmente associadas à fertilidade masculina. Por outro lado, pela sua configuração em planta, e por originalmente serem câmaras interiores onde se acedia por uma estreita entrada (podendo incluir corredor), as antas ou dólmens facilmente se podem também associar ao sistema reprodutivo feminino, e assim ao culto da fertilidade feminina.
Dolmen - John Costello
  Os dados arqueológicos indiciam que o erguer dos primeiros menires possa ter ocorrido antes da construção das antas, e que as antas de construção mais recente e evoluída são aquelas onde a câmara interior é mais definida e existe corredor de acesso ao exterior. Estes indícios podem levar a crer que na pré-história os cultos de fertilidade estavam diretamente relacionados diretamente com os aparelhos reprodutivos masculinos e femininos. Podemos, para além disso, especular que até pode ter ocorrido uma “guerra dos sexos”, pois em alguns menires existem algumas gravações póstumas de símbolos que sugerem vulvas. Tal acontecimento, considerando também as ocorrências de transformações de antigos menires em antas, pode significar que o culto da fertilidade masculina poderá ter sido suplantado, posteriormente, pelo do sexo oposto, ou então terem coexistido em parceria. 
  Apesar de todas as especulações, ainda que com bases em dados e provas arqueológicas, essa aparente suposição de “guerra dos sexos” pré-história poderá ter sido apenas uma aparência, tal como aquele que supostamente se vive hoje. Afinal, para uma grande percentagem da população, de um ponto de vista sexual, um sexo não vive sem o outro, independente dessa relação ser tensa e de aparente conflito.

Referências Bibliográficas:
"História da Humanidade - Pré História". David Solar e Javier Villalba. Circulo de Leitores, Lisboa 2007.
"Pré-História de Portugal". José Luís Cardoso. Universidade Aberta, Lisboa 2007.

Artigos relacionados

Related Posts with Thumbnails


A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa