sábado, 16 de abril de 2011

O mais famoso de David Linch - Veludo Azul

David Linch dificilmente deixa alguém indiferente com os seus filmes. Dificilmente também se tem uma só leitura e "exegese" das suas obras - se é que há duas pessoas com iguais interpretações sequer. Sempre que vejo um dos seus filmes pela primeira vez sinto, assim que termina a sessão, que muito ficou por explicar, que muitas "pontas ficaram soltas" - muito disso seguramente devido à grande carga simbólica e acção "desordenada", isto segundo os padrões do cinema mais "mainstrem".
Recentemente tive oportunidade de ver o Veludo Azul, que é talvez a obra mais aclamada de Linch. Como só vi uma, e tendo em conta o que referi anteriormente, vez muito escapou, muito ficou por explicar, especialmente o significado e a simbologia de determinados trechos que pareciam, aparentemente, completamente desconexos com a restante desenrolar acção.
Veludo Azul é, muito resumidamente, um policial com um história típica de suspense, acção, crime e uma(s) história(s) de amor(es)/sexo de fundo.  Mas são os planos de filmagem, a sonoplastia, os filtros, os ambiente personagens supra-realista que o elevam a um patamar de originalidade muito próprio - a marca do autor. Sem isso, seria apenas mais um filme entre tantos outros.
Provavelmente nada desses pequenos pormenores carregados de simbolismo têm um sentido orientado. Mas, mesmo se não tiverem de facto, pelo menos essas inclusões estimulam a imaginação e a reflexão de quem vê um qualquer filme desta natureza. Só por isso penso que vale a pena ver e dar o mérito e louvor aos autores desse tipo de cinema, neste caso a David Linch.
Como já referi, os excelentes planos de filmagem aliam-se a sons para criar uma atmosfera desconcertante, pausas especificamente propositadas e ambiente que, apesar de banais sem este tratamento, extravasam a realidade dão um toque de sinistro e grotesco ao filme. A prestação do actores, na minha opinião, é bem conseguida, nomeadamente a de Dennis Hoope e Isabella Rossellini. A banda sonora é divinal, especialmente as várias versões de blue Velvet que ouvimos - provavelmente uma das razões para o nome do filme.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa