domingo, 27 de fevereiro de 2011

Uma lição sobre o Mundo nos últimos 200 anos em 4 minutos

Nem sempre se está pronto ou predisposto para aprender. Na sociedade do instantâneo - a nossa - somos impelidos a consumir no momento, a aceder à informação tão depressa como formulamos uma opinião ou posição. Tais celeridades podem levar a precipitações e ao erro por falta de profundidade no analisar da informação. 
Mas trago aqui um exemplo de um vídeo em que se transmite, num ápice, uma quantidade impressionante de dados e informações sobre áreas como a: Geográfica; Demografia; Sociologia; História; Economia; e etc. 
Este vídeo que conta, de um modo incrivelmente resumido e rápido em 4 minutos, a história da evolução da qualidade de vida e do poder económico de todos os países do mundo nos último 200 anos não é obviamente suficiente para nos informarmos sobre os temas tratados, mas, mesmo assim, é um excelente modo de captar a atenção e de nos levar a querer saber mais sobre o que se apresenta. Muitas vezes só precisamos de um estímulo para querer aprender!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os Testemunhos e os Testículos - algumas visões etimológicas

Hoje, pelo menos em Portugal, devido ao pretenso laicismo das nossas instituições públicas,  para validar um testemunho não precisamos de jurar sobre ou por algo - um objecto por exemplo. No entanto, em alguns países ainda se jura, por exemplo, sobre um livro sagrado.
Composição nº61 - Alexander Rodchenko
 Esquecendo para já este primeiro parágrafo, este texto pretende fazer uma pequena incursão sobre a etimologia dos termos relacionados com a acção de testemunhar. Existem várias teorias - um pouco para todos os gostos - sobre a origem desta acção. Helder Guégués (1) afirma que  a palavra "testemunha" provém do latim, de "testis" que significa algo semelhante a "teste", refere também, indo linguisticamente ainda mais ao passado, que este termo latino deriva por sua vez do termo Indo-europeu "tris", que se relaciona, por exemplo, com o "tree" do inglês actual, ou seja árvore - uma acepção com alguém de conduta sólida, com os "pés bem assentes na terra", imparcial e justo. Mas Helder Guégués vai ainda mais longe, afirma também que "testis" está na origem da palavra "testículo", e remete a origem do nome para o facto desse órgão atestar a masculinidade de um individuo - algo de extrema importância na antiguidade pelo facto das sociedades serem profundamente patriarcais.
Reinaldo Pimenta (2), no livro "A Casa da Mãe Joana" - uma obra sobre curiosidades etimológicas, afirma que o termo latino "testis" originou os termos "testimoniu" e "testiculu". Refere o autor (2) que a palavra "testis", formada de uma variação de "tri" (três) + "sto" (estou), significa algo como: “que está ou assiste como terceiro”.  Diz (2) também que a terminação "culu" era usada para fazer diminutivos.  Assim, a palavra "testiculu" teria sido formada  para significar "pequena testemunha". 
Círculo Branco - Alexander Rodchenko
Também o sitio da Internet "Ciberdúvidas" (3), citando o "Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa", de José Pedro Machado, refere que o termo testemunhar advém  do termo latino "testemoniare", que derivou de "testemoniu" (testemunho, depoimento ou prova). Mas, por outro lado, esta fonte não segue pelas mesmas constatações que as anteriormente citadas, diz até que nada se pode concluir sobre a relação ente testemunha e testículo, limitado-se a referir que  o termo latino "testiculu" significa: testículo; orquídea;  planta. 
Apesar das palavras testemunho e testículo terem cada uma a sua raiz latina, isso não exclui que ambas as raízes etimológicas dessas mesmas palavras se relacionem.
Ainda no "Ciberdúvidas" (3) a explicação continua através do recurso a outro autor, o brasileiro Deoníso da Silva que escreveu a obra "A Vida íntima das Palavras - Origens e Curiosidades da Língua Portuguesa".  Novamente se volta à origem da palavra "testis" - "que está ou assiste como terceiro"(2)- e da palavra "testiculu" - "pequena testemunha" (2).  Deoníso da Silva (3), para explicar a relação que temos tentado analisar, relembra o modo como se davam os nascimentos na antiga Roma. Nessa altura, segundo este autor, um nascimento era sempre um acto presenciado por testemunhas, que serviam para atestar o sexo da criança. Esta necessidade de certificação era de extrema importância, pois se o sexo da criança fosse masculino significaria que a família teria continuidade - ainda hoje em alguns países as crianças herdam apenas o nome do pai. Assim, essa acto social surge como mais uma possível explicação para o modo como esses distintos órgãos sexuais [os testículos] podem ter ganho tal nome, por "assistirem o pénis" e por "atestarem" a masculinidade.
Aqui fica mais uma curiosidade etimológica sem conclusões absolutas. Podemos apenas afirmar que pode existir uma relação directa entre testemunho e testículo, mal tal não é garantido.
Amarelo e Vermelho - Alexander Rodchenko
Acabo este texto sem resistir a fazer aqui uma observação que se relaciona com o primeiro parágrafo: seria engraçado ver alguém, especialmente num tribunal, a jurar pelos seus testículos - numa relação com o próprio acto de testemunhar -, mas será que hoje - para o bem e para o mal - os testículos valerão tanto como antigamente?

Fontes
1 - http://letratura.blogspot.com/2006/10/etimologia-testemunha.html
2 - http://www.thalesc.com/blog/2007/12/etimologia_das_palavras.html
3 - http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=12151

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Novo cabeçalho e logótipo do "A Busca pela Sabedoria"

Parece que Heraclito disse um dia: "Nada é permanente, salvo a mudança"
Novo logótipo do blogue
Parece-me também que aqui o blogue, por já ir persistindo permanentemente com as suas próprias dinâmicas, ao longo do tempo também tem sofrido as suas próprias mudanças. Chegou agora a hora de deixar de "usurpar" uma das mais belas pinturas de Van Gogh - A Noite Estrelada -, embora em nada tenha diminuído a admiração e paixão que tenho por essa obra. Chegou a altura de usar dos próprios meios gráficos para dar moldura e formar uma imagem para este projecto. Por isso, criei então esta bússola como símbolo da busca. Já o sabedoria, como ainda não a alcancei e espero nunca alcançar pois assim se perderia o gosto pela viagem intelectual, não a sei como representar.  Portanto, a dita bússola terá de servir.

Boas Buscas pela Sabedoria pois este é também o vosso espaço, criado para divulgar ideias e saberes avulsos, mas também para que esses mesmos retalhos possam ser discutidos e debatidos.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Veículos Eléctricos em Rede (V2G) - armazenar energia e potenciar as Energias Renováveis

Começam a chegar ao consumidor os primeiros veículos automóveis eléctricos verdadeiramente funcionais. Neste aspecto Portugal é pioneiro e já temos alguns  postos de abastecimento adaptados aos novos veículos eléctricos - através de readaptações nos postos tradicionais de abastecimento de combustíveis fósseis ou em locais propositadamente preparados para o efeito.
Pininfarina Sintesi
Já num anterior texto fiz referência aqui no blogue a algumas das limitações do veículos eléctricos, sendo uma das principais a dificuldade em armazenar a energia. Referi também que uma das possibilidades seria construir e adaptar as infra-estruturas rodoviárias para o carregamento em estrada. No entanto, com o continuar do desenvolvimento das baterias - aumento da capacidade de armazenamento, diminuição do tempo de carga e disponibilização de energia de pico instantânea (através dos supercondutores) - provavelmente esse cenário, um tanto ou quanto de ficção cientifica, provavelmente pode nunca vir a acontecer. Nesse mesmo sentido, do aperfeiçoamento das baterias, já se conjecturam outras possibilidades, ideias e projectos que podem transformar os automóveis eléctricos num modo de solucionar em simultâneo um importante problema das rede eléctricas convencionais - o armazenamento da energia na própria rede.
Os sistemas de produção e distribuição de energia que hoje usamos têm grandes dificuldades em armazenar quantidades significativas de energia durante grandes intervalos de tempos. Isto afecta especialmente os modos de produção renoveis - as famosas energias renováveis - pois são aquelas que funcionam de um modo contínuo ou apenas quando determinadas condições estão reunidas (caudais de água, vento, exposição solar, etc.). Ou seja, elas efectivamente produzem energia mas nem sempre quando mais precisamos dela, o que obriga a existir um modo de poder armazenar essa energia para quando for efectivamente necessário. Construir grandes sistemas de baterias ou outras formas de acumuladores é economicamente inviável - pelo menos actualmente - mas também ecologicamente, pois teria custos enormes e impactes ambientais dificilmente recuperáveis (impactes na construção, na manutenção e fim de vida dos materiais e das próprias infra-estruturas).
Com o advento dos veículos rodoviários eléctricos, que não vivem sem as suas baterias, surge uma oportunidade de armazenar energia adicional proveniente da rede. Quer isto dizer que já se perspectiva um sistema em que os automóveis eléctricos possam acumular no período nocturno energia da rede. Durante o dia, quando o veiculo estivesse parado, essa energia acumulada, uma quantidade que não fosse necessárias para utilizar nos trajectos a realizar nesse dia, poderia ser transferida novamente para a rede. Isto poderia até ser proveitoso economicamente para os proprietários dos veículos pois estariam a vender de novo energia à rede ou então seriam ressarcidos pelo "aluguer" das suas baterias. Tal como permitiria acumular a energia não utilizável em períodos de fraca procura, relacionando-se isso, já dito anteriormente, com um importante apoio ao desenvolvimento das energias renováveis.

Esta proto-projecto já tem nome, chama-se Vehicle to Grid e até já tem a sua própria sigla: V2G. Apesar do V2G ainda não estar minimamente implantado, já se pensam noutros projectos que o integram e readaptam. Exemplo disso é o conceito de garagens inteligentes que pretendem, através da instalação de modo próprios de produção de energias renováveis   recarregar as baterias do veículos automóveis.
Esquema de integração e utilização de uma Garagem Inteligente (Smart Garage)
Tudo isto não passam de ideias ainda impossíveis de pôr em prática,  quer por dificuldades tecnológicas, quer por imprevisibilidade do mercado da energia e dos próprios transportes. Apesar de ser difícil prever o futuro, trata-se de um possibilidade a deixar em aberto e um possível  modo de colmatar uma deficiência - a acumulação - dos modos de produção associados às energias renováveis e, claro, de fomentar o uso dos automóveis eléctricos, com todas as vantagens ambientais que também daí advém (neste caso também económicas para os próprios proprietários).
Fontes:
  • http://www.udel.edu/V2G/
  • http://move.rmi.org/move-news/what-is-the-smart-garage.html

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conferência-debate com Carvalho da Silva em Alqueidão da Serra- algumas notas

No sábado dia 29 de Janeiro de 2011 participei, enquanto moderador, numa conferência-debate em Alqueidão da Serra - freguesia do concelho de Porto de Mós do distrito de Leiria - que tinha como orador o Doutor Carvalho da Silva - um dos mais importantes sindicalistas portugueses da actualidade e também investigador da área das ciências sociais, mais concretamente do CES. Foi a minha primeira experiência nestas andanças mas, atrapalhações e nervosismos à parte, senti que foi deveras enriquecedora - para mim e para todos os presentes -, quer pela experiência, quer pela partilha de saber por parte do orador. 
Lendo o jornal - José Malhoa
Pareceu-me tão interessante o que foi dito em Alqueidão da Serra naquela noite, que não podia deixar de trazer e registar aqui no blogue alguns dos conteúdos tratados.
Deixava então aqui, em honra ao orador e a sua disponibilidade, algumas das ideias que fixei das suas várias intervenções (lembro que estas foram as minhas interpretações das suas palavras e não a reportagem objectiva do que se passou): 
  • Os políticos não são todos maus na medida em que num qualquer grupo de executantes, praticantes, profissionais ou outros, também nunca todos podem ser maus - resposta a um dos presentes que da plateia disse: "os políticos são todos maus, são todos iguais"; 
  • Cuidado com as generalizações, pois através delas podem ser cometidas as mais grandes injustiças - uma clara referência a perda de direitos e ajudas sociais; 
  • Os cidadãos só acedem realmente à informação se a discutirem, se discutirem o que ouvem e vêm através dos Media - referindo-se que aceder à Internet, ver televisão, ouvir rádio, não é suficiente para estarmos informados, temos de discutir e colocar em causa toda essa informação .  
  • Os cidadãos devem ser os motores da mudança social através da participação cívica - comentário ao estado da nossa democracia que só se pode concretizar pela participação politica e cívica de todos os cidadãos. 
  • A vida sempre foi altamente instável, não podemos dizer aos nossos jovens que, só por a sua o ser também, que não devem ter esperança de um futuro melhor - referiu que há umas décadas a vida era muito mais instável e não era por isso que a esperança morria, todas as sociedades devem cultivar a esperança de que se irá viver melhor, caso contrário o próprio sentido de ser da sociedade deixa de fazer sentido. 
  • Temos de debater os sistemas vigentes e procurar a sustentabilidade a todos os níveis - uma clara alusão à necessidade de encontrar soluções, entre todos os parceiros sociais, para a estabilidade e sustentabilidade do Estado Social. 
  • Devido aumento da esperança média de vida temos de dar ocupação aos nossos idosos, pois podem ainda ser ainda muito úteis à sociedade - uma chamada de atenção para o papel dos idosos na sociedade contemporânea e para a necessidade de os valorizar por todo o potencial social que têm, tal como por razões económicas. 
  • O cortar no custo de produção não deve passar imediatamente cortar nos salários, até porque os custos com os salários representam, em média e regra geral, menos de 15% dos custos reais de produção - apontou para a necessidade de focar os cortes em todos os outros custos e não nos salários, pois será voltar aos salários de subsistência, com todos os malefícios que dai advêm. 
  • O crescimento tem de ser assente no trabalho e não no consumo - critica à sociedade consumista esvaziada de valores. 
  • O individualismo sempre existiu, simplesmente hoje torna-se um valor em si e  prejudica  as dinâmicas sociais que estão ligadas à necessidade de trabalhar em conjunto por causas e melhorias colectivas - crítica ao individualismo contemporâneo, especialmente ao culto do individual em detrimento do colectivo nos dias que correm. 
  • Não deve existir a culpabilização pessoal sobre o desempregado, pois essa situação não depende só dele, mas sim de muitos factores externos a ele - a responsabilização deve ser distribuída por todos, especialmente pelo Estado e outras instituições de grande abrangência social. 
  • Em Portugal não trabalhamos menos que nos outros países, a nossa falta de produtividade está relacionada com a falta de organização do próprio trabalho - crítica ao aumento dos horários de trabalho e defesa da necessidade de reestruturar dos modelos e organização do trabalho em Portugal. 
  • A falta de ética e consciencialização é um facto, especialmente em algumas figuras que deveriam ser exemplos - todos se devem guiar por padrões elevados de ética e moral, mas do topo da sociedade, e de que tem responsabilidade sobre o colectivo, deve sempre vir o exemplo. 
  • Portugal tem muitas lacunas, especialmente na educação, situação que ainda não recuperamos do antigamente - referência a uma das maiores lacunas  da sociedade portuguesa que ainda tem baixos níveis de educação, qualificação e formação, apesar de ter havido uma grande evolução.

Nestes breve resumo por tópicos, apesar de ter sido a minha percepção a compilar as palavras que aqui deixo, tentei usar do máximo de objectividade e tocar, o quanto possível, no que Carvalho da Silva transmitiu, tentando evitar a minha própria opinião ou juízos de valor sobre o que foi transmitido - o que por vezes, apesar da vontade, se torna impossível.

Aproveito também para agradecer o convite ao professor Jorge Pereira e à Associação Coral Calçada Romana pelo convite que me fizeram para participar nesta iniciativa.

Artigos relacionados

Related Posts with Thumbnails


A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa