quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quando a homossexualidade era vista como uma vantagem militar

Actualmente os homossexuais assumidos ainda não têm completa aceitação social, sendo isso ainda mais marcado nas Forças Armadas. Mas os valores de hoje nem sempre foram os do passado. Da antiguidade clássica, vem um caso que comprova isto mesmo. A conhecida e poderosa Cidade-Estado Grega de Tebas tinha uma força de elite no seu exercito muito peculiar. Em 378 a.C. Gógidas criou o ‘Batalhão Sagrado’ Tebano, uma força de elite composta por 500 soldados organizados em pares por idade. Mas que tinha esta força de diferente? Bem, esses pares eram amantes. É lendária a capacidade, coragem e eficiência militar deste batalhão, sendo a homossexualidade dos seus integrantes algo que assumia nisso extrema importância. 
Leónidas nas Termópilas - Jacques-Louis David
 Defendia-se na altura a ideia de que dois soldados com relacionamento amoroso e afectivo poderiam combater com maior proximidade e confiança, e que tudo fariam par zelar pela segurança do seu par, dando a própria vida se necessário. O grupo pela sua proximidade e cumplicidade afectiva trabalharia mais facilmente em uníssono e como um bloco bem organizado. Sabemos da existência deste batalhão pela pena do historiador Plutarco (reputado historiador Grego que viveu entre 46 d.C. e 126 d.C.), pois em 335 a.C. Tebas foi arrasada pelo Macedónios e os sobreviventes vendidos como escravos, tendo se perdido a tradição e organização militar que deu origem a esse singular batalhão.
Há quem atribua a ideia e a inspiração da criação de tal batalhão à influência intelectual e filosófica da obra ‘O Simpósio’ de Platão.
Já que referi um caso concreto do modo diferente como era vista a homossexualidade na antiguidade, parece-me ser importante referir diferenças marcantes no modo como ela era abordada pelos Gregos. Segundo Kenneth Dover e David Halperin as sociedades Gregas antigas viam a sexualidade como uma forma de demonstrar poder e estatuto social, independentemente do género, ou orientação sexual como hoje lhes chamamos. Kenneth e Haperin defendem que o princípio e a distinção se dava pelos papéis desempenhados na relação e no acto sexual propriamente dito (independentemente do sexo): "activo" ou "passivo". Sendo socialmente aceitável a um cidadão grego ‘penetrar’ desde que esse alguém lhe fosse inferior na hierarquia social. Seria aceitável ser o elemento “activo” com alguém mais jovem, com uma mulher ou um escravo, independentemente do género, mas nunca ser o elemento “passivo” da relação sexual perante os seus inferiores aos olhos da sociedade Grega (os jovens, as mulheres e os escravos eram vistos na sociedade Grega como inferiores quando comparados com um cidadão mais velho, homem ou não escravo).

Como vemos, desde a Grécia antiga para cá os valores e a organização social e direitos individuais mudaram, retrocedendo nuns aspectos e avançando noutros.

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