quinta-feira, 11 de março de 2010

Jesus existiu realmente enquanto pessoa ou foi uma mera ideia?

Cada vez mais se questiona o que outrora era considerado factual. Informações que se davam como dados adquiridos são agora perscrutadas e investigadas pelas mais recentes tecnologias e formas de saber. À semelhança de outras áreas de interesse e actividade Humana, algumas perspectivas sobre as várias Religiões são também analisadas, especialmente naquelas que tiveram implicações Históricas.
O Cristo de S. João da Cruz - Dalí
 O livro “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray, questiona um desses temas que levantam polémica. Citarei então agora aqui um excerto dessa obra, para que posteriormente se possa analisar o conteúdo: “A existência de Jesus não está historicamente. Não se conhece nenhum documento contemporâneo do acontecimento, nenhuma prova arqueológica, nada de certo que nos permita concluir, hoje, pela verdade de uma presença efectiva na passagem entre dois mundos, abolindo um e instituindo outro.
Nada de túmulo, nada de sudário, nada de arquivos, a não ser um sepulcro inventado em 325 por Santa Helena, a mãe de Constantino, muito dotada, e a quem se deve também a descoberta do Calvário e a titulus, o pedaço de madeira que suporta o motivo da condenação. Uma peça de madeira que o método do carbono 14 data do século XIII (…). Enfim, três ou quatro referências vagas, muito imprecisas, nos textos antigos – Flávio Josefo, Suetónio e Tácito -, mas em forma de cópias efectuadas alguns séculos depois da pretensa crucifixão de Jesus e, sobretudo, muito depois do sucesso dos seus turifetários… (…) Ainda hoje, lemos os escritores da Antiguidade a partir de manuscritos, vários séculos posteriores aos seus conteúdos rearranjando-os de modo a validarem o sentido da História (…)”.

Independentemente da existência de um Jesus histórico, de um ponto de vista conceptual ele de facto existiu e continua a existir. Pois, sejam ou não as palavras que são atribuídas a Jesus no Novo Testamento de uma homem de carne e osso, poderemos sempre, de um modo conceptual, construir essa personagem através dos valores e ideias que transmite. Apesar de poder ser uma engenhosa invenção com o intuito de cumprir vários fins, e de nem toda essa filosofia prescrita por Jesus ser tão imaculada, altruísta e pacífica como alguns nos querem fazer acreditar, de certo que Jesus, enquanto pensador e activista social, com preocupações éticas e morais, nos pode sempre ensinar alguns conhecimentos e pontos de vista alternativos valiosos. Tentemos apreciar as boas ideias e a sabedoria pelo que valem, e não por qualquer necessidade ou crença mitológica.

Jesus é importante, nem que seja pela influência que teve na História da Humanidade, dai valer a pena saber mais sobre ele, nem que seja simplesmente analisado como uma ideia ou corrente filosófica.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa