sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

25 de Dezembro - um dia muito apetecivel!

O dia 25 de Dezembro desde há séculos que se assumiu como um dia de festejos. Muitos foram os pretextos e razões que tornaram deste um dos dias mais importantes dos calendários ocidentais ao longo da historia, mesmo que os motivos dos festejos  nem sempre fossem os mesmos - variando conforme as necessidades e vontades políticas, religiosas, ou até mesmo comerciais.
(desconhecido) - Dali
Inicialmente, o dia 25 de Dezembro era dedicado a uma festa pagã (cultos campestres), entre muitas outras que aconteciam ao longo de todo o ano pela Europa, Mediterrâneo ou Médio Oriente. No entanto, em 274 d.C., foi institucionalizado pelos Romanos que o dia 25 de Dezembro seria dedicado ao culto do Sol (Invictus Dominus Imperii Romani) e as celebrações financiadas por conquistas militares. Esse novo culto serviu para concretizar a devoção institucional - implementada com fins vários - que obrigava todos os cidadãos do Império a prestar culto ao seu Imperador. Mas, acima de tudo,  essa nova prática devia-se ao culto de várias divindades politeístas relacionadas com o Sol (praticamente todas as civilização tinham uma divindade associada ao Sol), tais como: Apolo para os Gregos, Serápio para os Egípcios, Baal para os Semitas e Mitra para os Persas. Esta foi uma forma engenhosa de agregar festividades e cultos diferentes - mas no fundo semelhantes - condensando-os num só dia e de os associar à figura Imperador Romano, que seria a entidade representante dessas divindades na Terra. Isto teria uma função mais política que Religiosa, pois nesta época o Império começava a entrar em declínio e fragmentação, o que despoletou a necessidade de fomentar a união interna - cultural, política e religiosa -, e fortalecer a imagem de um Imperador incontestável.
Posteriormente, quando o cristianismo se assumiu como religião oficial do Império, este dia - que detinha uma grande popularidade na altura - foi convertido no dia do nascimento do novo Deus (quer se considere como divindade ou mortal). A transição que ocorreu, muito provavelmente até foi suave, isto se considerarmos que o anterior culto do sol - possível origem da aureola divina - já assumia tendências proto-monoteístas.
Posteriormente, na época pós-industrial, com o capitalismo bem instalado e o consumismo a assumir-se como um movimento sociocultural próprio, criaram-se personagens como o Pai Natal e instituiu-se a troca de presentes como um hábito social. Hoje em dia são, em parte, os padrões de consumo que ditam o modo como vivemos o Natal. No entanto, há quem se ponha à margem destas influências mais materialistas e consiga fazer desta data um dia dedicado à família e amigos, tal como a acções de voluntariado e solidariedade.

Pode-se então dizer que, ao longo da História Ocidental, este dia foi, tendencialmente, utilizado pelo Poder instituído, segundo seus valores, para os seus próprios desígnios e vontades. Contudo, a sociedade mudou, os poderes instituídos também, mas o dia 25 de Dezembro manteve-se sempre como um dos dias mais importantes do nosso calendário, - sobrevivendo ao próprio calendário ocidental que já foi alterado (Calendário Juliano e Gregoriano). 
Resta saber a que será dedicado no futuro o dia 25 de Dezembro
Espero que cada vez mais ao social e menos à economia.

Fontes:

  • Mitologia, da editora Lisma; História da Humanidade, do Circulo de Leitores; 
  • entre outras obras de História Universal diversas.
    Documentários vídeo: “Império Romano”, produção do Canal de História do ano de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Educação Sexual, para quando em Portugal?

(desconhecido) - Miró
Há uns meses tinha voltado à ribalta a discussão sobre a necessidade de existirem aulas de educação sexual nas escolas Portuguesas, no entanto este assunto voltou a cair no esquecimento.
A meu ver, é uma grave lacuna do sistema educacional a inexistência dessas aulas ou acções de esclarecimento, pois se o mistério se intitula de “da Educação” tem então como objectivo educar e não simplesmente formar os nossos jovens - sendo que a temática do sexo é uma vertente muito importante da vida de todos nós (nem que seja pela abstinência e tudo o que dai advém).
Preconceitos e desinformações à parte, a educação sexual é um tema sério, podendo ser abordado em acções de formação próprias que sirvam para informar os nossos jovens sobre o funcionamento do sistema reprodutor,  dos comportamentos de risco associados, do planeamento familiar e muitos outros assuntos relacionados, mas, mais que isso, da importância do sexo como algo normal que contribui para a realização do individuo, para a sua saúde física e mental. De um ponto de vista mais Humano, trata-se também de ensinar os jovens a lidar com a sua própria sexualidade, enquanto indivíduos felizes e realizados. Ou seja, a pertinência destas aulas deve-se a questões de saúde pública, de integração social e da própria psicologia, já que trata da boa saúde mental e felicidade das pessoas que está em causa. 

Apesar da educação sexual ser um assunto sério, e de extrema importância para uma sociedade moderna feliz e informada, gostava de partilhar aqui mais um vídeo dos geniais Monty Phyton que, sempre visionários, abordaram este assunto sarcasticamente. Um vídeo que serve para nos fazer rir e pensar.
Aconselho a ver a partir do minuto 1:10, que é quando começa efectivamente a aula. Este sketch é um excerto do filme “O sentido da Vida”, um filme de 1983, vanguardista (mesmo para a Inglaterra), surrealista e pejado de humor nonsense, mas intelectualmente superior.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os Muçulmanos como defensores da cultura Ocidental

Nos dias que correm somos constantemente “bombardeados” com notícias de actos violentos de terrorismos, na sua maioria actos de atentados extremistas religiosos, sendo muitos deles levados a cabo por facções mais radicais de movimentos islâmicos. Estas calamidades são, infelizmente, algo de vulgar, sobretudo em países islamizados onde não existam governos "fortes" ou democráticos. Comprovou-se também que alguns dos atentados terroristas que ocorreram no Ocidente tiveram origem em determinadas células terrorista, apoiadas por alguns crentes mais fanáticos e violentos que vivem nos países ditos ocidentalizados (Europa, América do Norte, entre outros). Mas, felizmente para nós e para o nosso modo de vida, que assenta nos valores do respeito das liberdades individuais, reflectindo-se também na religiosa, as comunidades muçulmanas que mais perto de nós vivem não têm esta propensão para o radicalismo violento. Isto terá certamente muitas razões para assim ser, mas por questões de complexidade, da minha própria incapacidade de as abordar de um modo simplista, e mesmo por alguma falta de conhecimento de tudo o que envolve estas intrincadas questões, me absterei de fazer mais considerações sobre elas. 
Apesar de pouco se falar nisso, as primeiros estados Muçulmanos eram caracterizados pela tolerância e defesa do saber, algo que alguns radicais hoje renegam. Temos de fazer justiça aos primeiros estados islâmicos, pois sem os papéis que desempenharam como guardiões dos saberes Greco-latinos, provavelmente nunca teríamos tido o nosso “Renascimento”. Foram os Muçulmanos, através dos seus filósofos, médicos, entre muitos outros intelectuais, que após a queda do Império Romano do Ocidente e do seu desmembramento pelos vários reinos bárbaros (Visigodos, Francos, Lombardos, etc.), que guardaram, traduziram e interpretaram muitos dos saberes dos antigos Gregos e Romanos. Numa Europa Medieval onde apenas o clero, mas nem todo, dominava a arte da escrita, eram os pensadores islâmicos que iam na vanguarda da ciência, conhecedores das obras de Aristóteles (filosofia) e Galeno (Medicina), só para citar alguns exemplos.Somente através do intercâmbio cultural entre Cristão e Muçulmanos, quer através do comércio (Génova, Veneza, Florença, Antuérpia) quer das campanhas de conquista (Reconquista Ibérica e Cruzadas 1089), é que no Ocidente se começou a redescobrir a sabedoria do passado, tal como aquela que os próprios Muçulmanos foram desenvolvendo. Não é por acaso que o Renascimento se deu em Itália, potenciado pelas inúmeras cidades-estado mercantis que enriqueceram monetariamente e culturalmente com as trocas com os estados Islâmicos. Há que deixar aqui uma referência ao intercâmbio cultural com o Império Bizantino, o verdadeiro herdeiro da cultura Greco-Latina, que desapareceu em 1453 com a queda de Constantinopla às mãos dos Otomanos. Com isso muitas foram as riquezas e saberes que se transferiram para Itália (recursos humanos, monetários e culturais), algo que tinha começado já anteriormente, aquando da conquista efémera de Constantinopla pelos cruzados em 1204.

Deixo aqui pelo menos a referência a um nome, o de um dos muitos sábios islâmicos a quem muito devemos. Falo de Averróis, um filósofo do séc. XII de origem Ibérica, , que se dedicou a muitas áreas do saber humano, mas destacando-se por uma série de comentários aos textos de Aristóteles, um contributo para a redescoberta deste autor Grego. 
Referências Bibliográficas: 
  • “Grande Enciclopédia da História”, da editora Civilização
  • “A queda de Roma e o fim da civilização” de Bryan Ward-Perkins, da editora Aletheia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quando Surgiram as primeiras questões sobre a necessidade de acção social actuais?

Hanibal e seus homens atravessando os Alpes - William Turner
Depois de várias leituras e investigações ocasionais que fui fazendo, responderia a esta questão - a do título deste texto - do seguinte modo: muito provavelmente durante os finais do séc. XVIII e por ai em diante, conhecidos que são os vários pensadores, ideologias e revoluções que surgiram e ocorreram a partir de então. Tudo isso despontado por um capitalismo selvagem que, inicialmente, com promessas de auto-regulação e criação de riqueza para todos, muito contribuiu para que no séc. XIX as sociedades ocidentais, nomeadamente as classes mais baixas, tenham atingido um estado de vivência quase sub-humano. Todos nós recordados, mesmo os que apenas estudaram História até ao 9º de escolaridade - como eu -, as condições de trabalho dos primeiros trabalhadores industriais e as de todas as restantes profissões ligadas às primeiras industrias. Há que recordar as 16 horas de trabalho diárias, os salários miseráveis que obrigavam pais a abandonar filhos em orfanatos, as fábricas repletas de crianças que executavam as trabalhos mais perigosos (por exemplo nas minas), os bairros de lata onde viviam pessoas amontoadas sem o mínimo de condições de saúde e higiene, e a ausência de assistência médica generalizada. Apesar de hoje, infelizmente, casos destes ainda ocorrerem, já não é a norma como foi no passado - mesmo que alguns tentem diminuir a importância do Estado Social. São desta altura as grandes epidemias associadas às péssimas condições sanitárias e de higiene, tais como a cólera e a tuberculose, entre outras.
De tudo isto resultaram reacções, muitas delas violentas (que aqui não abordarei) como seria de esperar. Vários pensadores de então analisaram os flagelos da sua época e criaram novas teorias para explicar o que se passava na sua sociedade. Alguns deles tentaram também  encontrar soluções para o presente e o futuro - o nascimento das utopias sociais (anarquismo, comunismo, etc.). Mas as primeiras destas ditas teorias e utopias sociais não eram somente políticas, apesar de a política ter andado sempre intrinsecamente ligada a elas, ou sendo delas um subproduto. Através da leitura da obra «A grande história da cidade», do urbanista francês Charles Delfante, na secção dedicada ao urbanismo do séc. XIX, fica evidente o papel dos primeiros urbanistas ou industriais com consciência social na execução das novas teorias sociais. Numa época em que a desregulamentação imperava, em que o Estado, regra geral, não intervinha, nem existia o conceito generalizado de "preocupações sociais", apesar da disseminação da miséria, da ignorância e da doença entre as classes mais baixas da sociedade, foram alguns Homens mais esclarecidos - alguns filantropos - que tentaram construir e disseminar a ideia da necessidade de criar novos espaços urbanos para os trabalhadores. De lhes proporcionar condições básicas de vida, de terem habitações condignas, de terem condições sanitárias e de higiene, de terem acesso a cuidados médicos e educação e até mesmo de lazer. Alguns desses esclarecidos pensadores, que eram também pessoas com capital, elaboraram os primeiros planos e disseminaram essas primeiras ideias (muitos deles ficaram arruinados com a aplicação destes primeiros planos, um deles foi Robert Owen), que mais tarde seriam algumas das bandeiras da "acção social". Alguns destes planos eram pura utopia, pois partiam do princípio que se poderia mudar, através do urbanismo, repentinamente toda uma sociedade segundo os ideais da partilha, do colectivismo e da fraternidade. A sociedade e o Estado teriam de evoluir para que as realizações palpáveis resultantes dessas primeiras preocupações sociais se pudessem implantar, o que foi acontecendo gradualmente ao longo dos anos, das lutas, das revoluções e à custa de cada conquista social que se ia acumulando.
Estes filantropos do séc. XIX, através da defesa dos seus modelos sociais e urbanos, contribuíram para a génese de algumas das bases ideológicas das políticas de esquerda (Comunismo, Socialismo, Social-Democracia, etc.).

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Os Mosqueteiros tinham mosquetes?

A rendição de Breda - Velasquez
Um mosquete é uma arma de fogo, uma das primeiras portáteis a terem sido usadas em larga escala nos campos de batalha europeus pela infantaria. Os primeiros mosquetes surgiram durante o séc. XVI, mas só começaram a ser preponderantes nas operações militares a partir do séc. XVII e XVIII, tendo sido depois gradualmente substituídos pela espingarda de pederneira (apesar de alguns autores continuarem a chamar a estas espingardas mosquetes). Devido ao seu peso, os primeiros mosquetes, eram disparados sobre varas com forquilhas, de modo a equilibrar e reduzir o esforço necessário para os manusear. O carregamento da arma fazia-se pela boca, despejando primeiro a pólvora pelo cano e depois introduzindo a esfera de metal, que seria o projéctil. O disparo acontecia premindo um gatilho que, mecanicamente, punha em contacto o rastilho (tinha de haver um rastilho sempre acesso) com a pólvora no interior do cano, provocando uma explosão que resultava na expulsão da esfera, dando origem ao tiro propriamente dito. Demora cerca de 3 minutos cada ciclo de disparo – algo muito moroso até para a época, o que obrigou a que fossem tomadas algumas medidas de minimização desta grande condicionante. Apesar disto era uma arma versátil, pois qualquer soldado com o mínimo de treino o poderia disparar.

Os primeiros mosqueteiros estavam armados também com espadas, mas eram  principalmente apoiados no campo de batalha por lanceiros, que os protegiam da cavalaria inimiga ou de outras unidades militares capazes da lutar corpo-a-corpo com armas brancas. Só posteriormente se optou por organizar os batalhões de mosqueteiros em linhas de disparo, que se revezavam durante os ciclos de disparo. O uso das baionetas é ainda posterior a isto, somente nos finais do séc. XVIII, quando as espingardas de pederneira são já de uso generalizado, é que a possibilidade de acrescentar estas lâminas à exterminada das armas de fogo permitiu dispensar o apoio dos lanceiros, pois as próprias espingardas podiam ser usadas como lanças.

Agora que, tendo recorrido aos meus
parcos conhecimentos na área, fiz esta introdução explicativa,  sobre o que é um mosquete e quais as suas implicações e funcionamento, gostaria de levantar a questão que me propus no título e apresentar algumas possíveis respostas.
Então, porque associamos um mosqueteiro a alguém que combate de espada? Não deveria ser então intitulado de espadachim ou “rapieristas”, pois usavam espadas do tipo “Rapier”?


Existem várias razões e explicações que podem servir satisfatoriamente para explicar este fenómeno. Algumas delas fui encontrando em bibliografia e documentários diversos, dos quais destaco o livro: “Uma história da Guerra” de John Keagen, onde também podem ser encontradas informações mais especificas e bem estruturadas das informação que usei como introdução desta questão.
Provavelmente a principal razão se deva à popularidade do romance “Os três Mosqueteiros” de Alexamdre Dumas, escrito em pleno séc. XIX. Obra esta repleta de ficção e influenciada pela corrente literária da época - o Romantismo. No entanto, apesar da ficção e tendências estilísticas literárias a acção é baseada em alguns acontecimentos históricos autênticos.
O Romance de Alexandre Dumas relata as aventuras de D´Artagnan e seus companheiros (Athos, Porthos e Aramis) membros da “Guarda dos Mosqueteiros do Rei”, neste caso do rei de França, Luís XIII. Nesse romance literário os heróis vivem aventuras repletas de duelos e combates de média e grande escala de espadas em riste, assumindo-se o mosquete como uma arma marginal. Provavelmente os verdadeiros mosqueteiros combatiam também de espada, dadas as limitações dos seus mosquetes, mas de qualquer dos modos a sua arma principal seria sempre a dita arma de fogo. Dumas deixou-nos este legado que ficou gravado na memória colectiva muito provavelmente por ter considerado o mosquete uma arma pouco nobre e digna de um verdadeiro herói (um pensamento comum na época em que viveram os mosqueteiros e posteriormente). Isto porque, lutar com uma espada era visto como algo sublime e digno, uma arte acessível apenas aos mais dotados e que possibilitava duelos e combates regidos pela conduta do cavalheirismo e nobreza de ser. Por outro lado, o mosquete era a arma do soldado comum e do povo. Pois, disparar um mosquete, era algo que até o menos sofisticado e mais tosco dos camponeses poderia fazer (pensamento da época), a custos mínimos, quer de tempo quer de dinheiro, o que assumia um potencial bélico notável. Até havia quem considerasse cobardia combater com armas de fogo, pois, com elas, era possível abater o mais ilustre dos cavaleiros com o mais miserável dos disparos.
O povo guiado pela liberdade - Delacroix
As primeiras armas de fogo tiveram também o impacto de democratizar a sociedade, pois a partir de então o povo pode pegar em armas e desafiar os exércitos  dos grandes senhores e monarcas (absolutistas), especialmente a cavalaria (combater a cavalo era apenas reservado à nobreza e seus partidários). Não foi por acaso que a revolução francesa se fez de mosquetes, espingardas e pistolas em punho. sendo esta apenas um exemplo das revoluções que puderam acontecer dai em diante. 

(repito aqui obra: "Povo Guiada pela Liberdade " do pintor francês Delacroix ,pois ilustra na perfeição este último paragrafo)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O que é um Googol?

O que é um Googol? Estava eu a responder a um questionário sobre cultura geral e deparei-me com esta questão. Admito que não fazia a mínima ideia do que se tratava, estava longe de imaginar que esta estranha palavra fosse um número, mais concretamente 1x10^100, ou seja, um 1 com 100 zeros. Um número inimaginávelmente grande.

Composição linear nº II - Mondrian
Aquando da minha pesquisa, na demanda do Googol, descobri também que este foi o nome a partir do qual surgiu a designação para um dos maiores motores de busca da Internet, o “Google”. Só depois desta pesquisa, descobri que afinal esta era uma informação bastante disseminada e fácil de obter pois constava em muitos lugares, até na versão portuguesa da Wikipédia - algo de fiar se não nos preocuparmos com o facto de que qualquer pessoa pode acrescentar conteúdos nessa plataforma. Sarcasmos à parte, segundo várias fontes, o nome da afamada empresa foi escolhido para simbolizar a dimensão quase infinita da Internet, e a capacidade para o seu motor de busca, rapidamente, a analisar e filtrar.

Até a ferramenta mais comum, neste caso uma informática, tem as suas curiosidades e é capaz de despertar surpresa. Pelo menos para mim, neste caso, foi assim.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Filme: "The Hangover" ou "A ressaca"

Finalmente está disponível em DVD e em Blu-ray o filme 'The Hangover', ou, segundo a tradução nacional, 'A Ressaca'. De notar a qualidade e fidedignidade da tradução, algo que por vezes, quando descurado, em certos casos dá origem a títulos no mínimo originais, tornado o acto de traduzir um processo criativo ímpar. Mas nem era disso que pretendia falar,  era sim da sua originalidade enquanto obra cinematográfica, não pelo seu enredo e profundidade das personagens, mas sim pelo humor que lhe é intrínseca. É um filme que nos faz libertar gargalhadas em todos os tons possíveis, que nos faz sorrir por nos identificarmos com algumas das cenas  rocambolescas (nem que seja com a ideia em causa, pois alguma são extremas) - quem não tem pelo menos uma história engraçada, partilhada com amigos, resultante uma noite mais bem regada? E mesmo tendo sido divertida, ou por vezes até dramática, serão lembranças que contribuem e enriquecem a nossa experiência de vida e "sabedoria".

Para mim, sem dúvida um bom filme de humor, um dos melhores que se fizeram nos últimos anos. Há que ter em conta as cenas menos próprias para os mais jovens e susceptíveis, mas isso é uma das características que dá alma e identidade, pois trata-se de um filme de humor para adultos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O sector privado é o melhor gestor?

Desta vez venho falar de um artigo da edição de Novembro do Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) intitulado de “A Economia dos Bens Comuns”, texto de José Castro Caldas baseado em excertos do mesmo autor e de Francisco Louçã, que aborda as teorias desenvolvidas pela vencedora do Prémio Nobel da Economia Elinor Ostrom. Neste artigo são reveladas algumas das razões que contribuíram para a atribuição do prémio de 2009 a Elinor Ostrom, que se distinguiu por advogar uma visão alternativa para o modo como é vista a administração e gestão de propriedades comuns. Ostrom defende assim que determinadas comunidades, populações ou grupos conseguem ter um bom desempenho económico na administração de recursos e na maximização dos proveitos dai obtidos, sem uma aparente organização externa e apenas através da partilha comum entre os indivíduos do grupo. 

A sesta - Van Gogh
No artigo é apresentado também um exemplo de Garrett Hardin que contrapõe o aparente melhor desempenho económico do sector privado em oposição à administração colectiva. Hardin usa como exemplo uma pastagem comunitária onde vários proprietários criam os próprio seus animais, tendo em conta que essa pastagem tem um limite de animais a suster: “Tomemos X como o benefício de criar um novo animal para o seu dono e Y como o custo de o fazer para a sociedade. O beneficio, X, é o valor de mercado do animal no momento de ser vendido. O custo, Y, consequência do sobre-pasto, é a perda de peso de todos os outros animais que se alimentam da pastagem comum decorrente da presença de mais um animal. Para o conjunto dos criadores, o custo de um novo animal é pois Y (custo social), mas do ponto de vista de quem decide se deve ou não cria-lo é apenas uma parte de Y, chamemos-lhe Z (custo privado). A análise custo-beneficio privada pode então aconselhar o que é contrário ao interesse da sociedade – a criação de mais um animal na pastagem comum. O indivíduo supostamente motivado pela maximização do ganho pessoal adoptará o ponto de vista individual. Conclui Hardin: mesmo quando a capacidade da pastagem foi ultrapassada e casa novo animal origina perdas colectivas que ultrapassam os benefícios, os criadores individuais insistirão em sobrecarregá-las mais e mais”.
Com este exemplo Garrett Hardin comprova que, em certos casos, para que o sector privado tenha lucros outro privado ou até toda a comunidade deixa de ganhar o que por administração colectiva e sustentável poderia conseguir.

Numa altura em que os modelos económicos vigentes foram seriamente afectados pela última grande crise financeira, a qual ainda que estamos a vivenciar, há que voltar a analisar os conceitos de custo e beneficio, e averiguar se efectivamente não haverá outra forma de organizar a economia, de um modo mais justo e mais a favor do bem-estar das comunidades.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Livro: "O Banqueiro Anarquista"

Fernando Pessoa é conhecido pela sua poesia, pelos seus heterónimos, pelos seus “vícios”, e pela sua morte sem o devido reconhecimento em vida, entre outras facetas universalmente divulgadas. No entanto é pouco conhecida, ou se calhar pouco divulgada, a sua escrita em prosa, especialmente aquela com tendências filosóficas e políticas. Daí a minha surpresa quando encontrei um pequeno livro classificado como de filosofia/política deste conhecido autor. Falo da obra O Banqueiro Anarquista. Só o nome é paradoxal e estranho. Como pode um Banqueiro, esse arauto do capitalismo, ser um anarquista? Não é nenhum jogo de palavras, a genialidade de Pessoa consegue justificar esta aparente contradição através de uma cuidada e profunda fundamentação. A obra consiste numa conversa entre duas personagens: um interlocutor que questiona o Banqueiro e ouve atentamente as suas respostas, tentando descortinar e compreender como pode ele intitular-se de anarquista; e claro o próprio Banqueiro. Os argumentos e justificações para tal posição controversa vão fluindo à medida que o diálogo entre as duas personagens se vai concretizando.
Frenando Pessoa - Almada Negreiros
Deixo apenas um pequeno desvendar do conteúdo da obra para que quem não a conheça possa ter uma ideia do que trata. 
Durante o diálogo o Banqueiro justifica-se como um verdadeiro anarquista porque, somente com o seu estatuto, através dos princípios capitalistas e da posse de muito dinheiro, se sentiu plenamente livre, ou seja, um verdadeiro anarquista.
Concordando-se ou não com os argumentos apresentados pelo banqueiro para sustentar o modo como ele próprio se intitula, o livro faz-nos questionar sobre o verdadeiro significado dos conceitos “Anarquista”, “Liberdade”, “Capitalismo” e muitos outros associados a estas dicotomias.
Em suma, ler esta obra, e meditar sobre o que Fernando Pessoa pretende transmitir, é sem dúvida enveredar por um exercício mental proveitoso porque contribui, nem que seja só um pouco, para vermos de outro modo a sociedade em que nos inserimos, o nosso comportamento e as opções que vamos tomando ao longo da vida.

O Significado da palavra Matemática

À medida que vou lendo, a um ritmo calmo e despreocupado, o livro “Grande Enciclopédia da História”, da editora DK, vou-me deparando com um continuar de revelações e curiosidades - novidades pelo menos para mim - que me fazem levantar uma série de questões, muitas delas talvez sem explicações automáticas e simplistas. Exemplo disto é a explicação para a origem do termo Matemática, que no dito atlas versa o seguinte: Matemática deriva do termo "Mathema" que em Grego antigo significava “estudo” ou “aprendizagem”.
Composição com vermelho, amarelo, azul e preto - Mondrian
Esta explicação - na minha opinião -, à luz dos nossos dias, continua a fazer todo o sentido. Pois o comum dos mortais só domina esta área do saber através de dedicação, muito “estudo” e mediante uma “aprendizagem” contínua e sequencial. Esta minha análise faz-me pensar no caso Português, havendo muitas explicações e causas para o panorama actual particular em torno desta ciência. Mas, arriscando uma análise superficial e cingindo-me aos termos gregos que deram origem à palavra, farei algumas correlações que deixo à consideração de quem ler estas palavras. Assim, é usual os alunos portugueses advogarem em sua defesa, como justificação para o insucesso na disciplina de matemática, a falta de bases, o que, na minha opinião, pode comprovar a razão de ser de um dos significados da palavra original: a aprendizagem - neste caso falta de aprendizagem continuada. Por outro lado, também sem estudo, por parte do próprio aluno – isto comprovamos todos os que de nós estudaram matemática -, o sucesso nesta áreas, como em quase todas, torna-se seguramente uma demanda académica difícil de alcançar, indo-se assim ao encontro da outra interpretação do termo original que resultou na palavra matemática: o estudo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Filme: Bonecas Russas

A metragem Bonecas Russas é a sequela do conhecido filme: Residencial Espanhola. Mas por ser uma sequela não significa que se trate de outro filme sobres estudantes em Erasmus
Parece-me importante falar primeiro um pouco sobre o seu precursor. Residencial Espanhola é um bom exemplo de um filme europeu de sucesso, capaz de agradar ao espectador habituado ao cinema tendencialmente mais comercial e "americanizado". Filmes como este muito contribuem para a desmistificação do cinema europeu e sua divulgação, acabando com a ideia de que as rodagens europeias são invariavelmente lentas, aborrecidas e incompreensíveis. Este preconceito é contrariado magistralmente em Residencial Espanhola devido ao tema do filme, do local , ambiente e modo como se desenrola a acção. A obra aborda o fenómeno Erasmus e expõe a cultura de vários países através das várias personagens que preenchem o elenco, retratando as vidas e relações de jovens deslocados noutro país e que habitam uma mesma casa. Barcelona é o pano de fundo perfeito para a acção principal. O ambiente mediterrâneo, os tons quentes, a arquitectura e a arte que caracteriza esta cidade dão a cor e cheiro que nos embebe e faz querer viajar para experimentar tudo o que esta cidade tem para oferecer.

 Por outro lado, a sequela Bonecas Russas trata da vida pós experiência Erasmus das mesmas personagens de Residencial Espanhola, sendo novamente focada a perspectiva e experiências da personagem principal - o francês Xavier. Todas as experiências que vão sendo relatadas por Xavier durante os dois filmes, mas mais em Bonecas Russas vão moldando-o, tornando-o um cidadão do mundo. A par disto o romance está sempre presente, seja qual for o local onde se desenrole a acção (enquadrada em várias cidades europeias tais como Londres, Paris, São Petersburgo, entre outras). 
O título da obra advém de uma comparação que origina uma série de questões colocadas pela personagem principal: os amores são como as bonecas russas, dentro de uma pode sempre existir uma outra mais bela, mas só o saberemos se tivermos a coragem de abrirmos a que temos, correndo o risco de, irremediavelmente, a desmontar ou até mesmo de a destruir apenas para encontrarmos uma pior ou que nos desagrade. Mas como sabemos quando parar? Como sabemos qual a nossa boneca, aquela onde devemos parar?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um pedófilo é um pederasta e vice-versa?

Segundo a Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pedófilo é a “pessoa que se sente sexualmente atraída por crianças”. No entanto existe um outro termo, menos conhecido, mas com um significado muito semelhante. Segundo o mesmo dicionário, um “homem que pratica sexo com rapaz jovem” é um pederasta. Fazendo alguns paralelismos, o significado atribuído à palavra pedofilia faz-me questionar a origem etimológica de outras palavras com terminação semelhante, notemos então que: “filia” ou “filo” significa em Grego antigo algo semelhante a “alguém que gosta” ou “alguém com especial simpatia” ou “amor por”.
Se fizermos o paralelismo com palavras como filantropo (gosto pela humanidade), columbófilo (gosto por pombos), filosofia (gosto pela sabedoria), entre muitas outras, concluímos que pedófilo poderá ser, pelo menos na acepção primordial da palavra, alguém quem nutra um amor por crianças, sem que com isso seja associada qualquer conotação sexual.
O grito - Much
Apesar disto, as palavras vão evoluindo e ganhando vida própria no seio das próprias línguas, sendo esta palavra [pedofilia] é apenas mais um exemplo disso. Provavelmente alguém cometeu um erro na escolha do termo para definir os vergonhosos casos de abusos sexuais a crianças. Provavelmente o termo mais correcto para identificar esses comportamentos repugnantes e desviantes deveria ter sido pederasta. Isso, provavelmente, explica porque é ofensivo chamar pedófilo a alguém que lute pelos direitos das crianças, e perfeitamente aceitável chamar antropofilo (pessoa com dedicação ou simpatia pelos seres Humanos) a um activista dos direitos Humanos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O livro: A Desilusão de Deus

O livro A desilusão de Deus, do conhecido biólogo evolucionista Richard Dawkins, merecia há algum tempo aqui uma referência. Para isso tive de voltar a reler a obra na transversal para evitar erros e gafes que em nada fariam jus ao autor e à obra.
Nesta obra, o autor questiona o porquê do fortalecimento de algumas correntes religiosas mais dogmáticas e extremistas, especialmente naquelas que apresentam explicações para o surgimento e funcionamento do universo opostas à ciência empírica, isto apesar dos avanços da ciência rumo a uma cada vez maior compreensão do universo e da vida.
Em a Desilusão de Deus, Dawkins distingue os diferentes modos como se considera Deus . De um modo resumido, segundo as suas crenças, agrupa as pessoas classificando-as como: Teístas, Deístas, Agnósticos e Ateístas.
Segundo a análise que fiz das palavras do autor, teístas são aqueles que acreditam num Deus omnipotente e omnipresente que tudo criou, tudo controla e opera (incluindo-se a humanidade também).
Os deístas acreditam que Deus criou o universo e as suas leis mas que depois não mais interveio. Dawkins refere que Einstein seria um Deísta, pois via em Deus a origem das leis da física. Isto não significa que esse Deus fosse o deus das três grandes religiões monoteísta (judaísmo, cristianismo e Islamismo), trata-se mais de um nome para uma entidade que deu origem ao que chamamos de leis da física pelas quais se rege o nosso Universo. 
Dawkins define agnosticismo como sendo a doutrina que admite a existência de uma entidade com as características atribuídas a Deus. Admite apenas, devido à falta de provas irrefutáveis não refuta nem valida a existência de Deus.
Finalmente, Ateus serão aqueles que, pela força da alta improbabilidade da existência de uma entidade com as características de Deus, negam a sua existência.

Sendo Dawkins um acérrimo defensor do evolucionismo de do ateísmo como modo de vida, ao longo desta obra vai apresentando diversas teorias no intuito de defender a sua posição. Irei de seguida apresentar uma dessas teses. Trata-se do paradoxo do bule, do conhecido filosofo inglês Bertrand Russell, que diz mais ou menos o seguinte: Se nos disserem que existe um bule a orbitar em torno do planeta Marte, quase que de imediato dizemos que não acreditamos. Qualquer pessoa diria que tal não será possível pois a Humanidade nunca viajou até Marte, logo não poderá existir lá esse objecto. No entanto, não conseguimos comprovar a sua inexistência, mas não hesitamos em admitir que tal é impossível, devido à grande improbabilidade desse fenómeno ocorrer.
Com esta referência ao paradoxo de Russell, Dawkins deixa-nos as seguintes questões no seu manuscrito: Porque não utilizamos o mesmo encadeamento lógico para validarmos a inexistência de Deus, dadas as elevadas improbabilidades? Porque deixam as Crianças de acreditar no Pai Natal e não em Deus?

Fica aqui também o link para a página do autor: http://richarddawkins.net/

Bem, deixo-vos estas questões. Eu procurei as minhas respostas. Façam o mesmo se assim o entenderem. 


O Filme: Barton Fink

No passado domingo tive um tempinho – coisa rara – ,o que me permitiu dedicar algum desse precioso bem à sétima arte. Fui à minha prateleira de DVD e peguei num ainda por abrir, decidi ver 'Barton Fink'. O filme à partida nada me dizia, apenas mais um que comprei numa qualquer promoção de filmes de autor. Depois de analisar melhor a caixa, descubro que se trata de uma obra dos “irmãos Coen”, e pensei logo – Isto promete.
Em Barton Fink é explorada a pressão que a indústria cinematográfica exerce sobre os autores e argumentistas: forçando-os a criarem argumentos comerciais e apelativos às grandes massas; obrigando-os a condicionarem a sua própria criatividade para moldes já pré-definidos e assim fazendo-os perder a verdadeira essência da sua arte, quer literárias quer cinematográfica. 

Quantos de nós não somos condicionados na nossa criatividade e opinião

Sendo que se trata de uma obra dos “Irmão Coen”, será de esperar um argumento original e repleto de particularidades originais. A isso acrescento a mestria do simbolismo presente em toda a obra e o facto de permitir uma grande possibilidade de interpretações ao verdadeiro significado que se deve extrair do acção, das personagens e dos ambientes físicos. Este filme divide-se em dois ritmos bem diferentes, sendo o inicial bastante lento e cheio de contemplações, terminando o segundo num ritmo frenético e desconcertante difícil de prever. 

domingo, 15 de novembro de 2009

Ig Nobel, os outros Prémios Nobel

Da minha habitual leitura da revista “Super Interessante”, onde mensalmente encontro artigos bem recheados de informação - mesmo que por vezes o modo como são apresentados nos leve a esperar mais -, com base no que se vai descobrindo nas várias áreas do conhecimento científico (apesar de não ser uma revista cientifica formal), fiquei surpreendido com um dos artigos da edição do mês de Novembro. Isto porque não fazia ideia que existisse uma gala anual para a entrega de prémios que distinguissem as investigações científicas mais humorísticas. Algo semelhante aos “Prémios Nobel”, mas repletos de humor e premiando as investigações mais originais e bizarras, mas todas elas ciência rigorosa e metódica (como é suposto). Estou a falar dos prémios “Ig Nobel”, um jogo de palavras que lido de enfiada soa a “ignóbil”. 

Deixo aqui alguns exemplo das investigações e cientistas premiadas com os ditos prémios, que, estranhamente ou não, muito apreciados pelos cientistas mais bem humorados
 Estes prémios provam que a ciência e a investigação cientifica podem ser divertidas e o acto de aprender um grande prazer recheado de boa disposição.

Passo a citar parte do artigo da Super Interessante “Ciência para rir”, do autor que assina como R.L.:


Alguns dos melhores de sempre:


Química 2008: Exequo para a equipa de cientistas que descobriu que a coca-cola era um espermicida eficaz… e para a que demonstrou que não o era.

Linguística 2007: Uma equipa da Universidade de Barcelona, por provar que os ratos nem sempre distinguem uma pessoa que fala japonês ao contrário de outra que fale holandês ao contrário.

Ornitologia 2006: Dois californianos por explicarem porque é que os picapaus não sofrem de dor de cabeça.

Medicina 2006: Dois trabalhos, um do Tennesse e outro de Israel , intitulados “Terminação dos soluços intratáveis através de massagem rectal digital”.

Química 2005: Uma experiência destinada a responder à eterna pergunta sobre se as pessoas nadam mais depressa em água ou xarope.

Fluidos Dinâmicos 2005: Um cientista alemão e outro húngaro, pelo estudo “Pressões produzidas quando um pinguim defeca: cálculos de excreções de aves”

Medicina 2004:Um estudo norte-americano sobre o efeito da música country nos suicídios.
Biologia 2004: Uma investigação sueca, dinamarquesa e canadiana que demonstrou que os arenques comunicam entre si, aparentemente, através de gases intestinais.

Biologia 2003: Atribuído ao holandês C.W. Moeliker por documentar o primeiro caso de necrofilia homossexual em patos.


Vencedores 2009:

Veterinária: A equipa da Universidade de Newcastle Demonstrou que as vacas cujos donos lhe atribuem nomes dão mais leite.

Paz: Cientistas Suíços testaram experimentalmente se é melhor que nos batam na cabeça com uma garrafa de cerveja cheia ou com uma vazia.

Economia: Administradores de bancos islandeses demonstraram que quatro bancos pequenos podem transformar-se em grandes, e vice-versa, e que isso pode ser aplicado à economia de um país.

Química: Um grupo de professores mexicanos criaram diamantes a partir de um líquido, concretamente, a tequila.

Física: Investigadores norte-americanos determinaram por que motivo as grávidas não caem para a frente, no estudo “Carga fetal e a Evolução da Lordose Lombar em Hominídeos Bípedes”

Saúde Pública: Investigadores de Chicago inventaram um soutien que se pode transformar, em caso de emergência, num par de máscaras anti-gás, uma para a mulher que o usa e outra para alguém próximo.

Matemática: O Banco central do Zimbabwe, criou um método simples para lidar com uma grande quantidade de números, emitindo notas que vão de um cêntimo a cem biliões de dólares.

Biologia: Um estudo nipónico demonstrou que a massa de resíduos produzidos nas cozinhas pode ser reduzido em 90% com recurso a bactérias das fezes de pandas gigantes.

sábado, 14 de novembro de 2009

Porque atravessou o frango a rua?

Neste texto vou revelar uma preciosidade que um amigo me fez chegar por correio electrónico. Assim que terminei de ler o conteúdo, ainda a rir e a pensar nas mensagens subliminares de cada frase, decidi que tinha de revelar não podia deixar de revelar aqui essas palavras. Lamento só não poder referir o autor desta criação, alguém que tem de ter uma considerável cultura geral  e um grande sentido de humor. Fica aqui o um tributo à sua criação.

Passo agora a citar a problemática em causa, tal como as respostas dadas para resolver esta pergunta intrincada e aparentemente sem explicação (Sem dúvida um trabalha de grande investigação filosófica e jornalística):

"O PROBLEMA DO FRANGO ATRAVESSAR A RUA, SEGUNDO A OPINIÃO DE ILUSTRES PENSADORES DO PASSADO E DO PRESENTE"

O frango atravessou a rua. Porquê?

Professora Primária"Porque o frango queria chegar ao outro lado da rua."

Criança
"Porque sim."

Platão
"Porque queria alcançar o Bem."

Aristóteles
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."

Descartes
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."

Rousseau
"O frango por natureza é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva atravessar a rua."

Freud
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua é um sintoma de insegurança sexual."

Darwin
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los dotados da capacidade de cruzar a rua."

Einstein
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."

Martin Luther King
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango sonhou."

George W. Bush
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu arsenal de armas de destruição maciça. Por isso tivemos de eliminar o frango."

Cavaco Silva
"Porque é que atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."

José Sócrates
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos. Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua para os frangos não terem de a atravessar. Cada frango terá um documento único de identificação e será avaliado e tributado de acordo com a sua falta de capacidade para atravessar a rua."

Mário Soares
"Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que eu atravesse outra vez a rua!!!"

Manuel Alegre
"O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!"

Jerónimo de Sousa
"A culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo socialista melhor e mais justo!"

Francisco Louçã
"Porque é preciso dizer olhos nos olhos que só por uma questão racista o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É uma mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"

Valentim Loureiro
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É mentira...!!! É tudo mentira!!!"

Paulo Bento
"O frango atravessou a rua com naturalidade... Era isso que esperávamos e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com naturalidade!!!"

Zézé Camarinha
"Porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do outro lado da rua e já se sabe, não perdoou!!!"

Lili Caneças
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-Feira dia 13, um dia de azar político

Superstições à parte, o dia de hoje tornou-se conhecido como um dia de azar devido a uma decisão régia de um antigo monarca de França, tomada há mais de 700 anos, que nada tem a ver com misticismo
No dia 13 de Outubro de 1307, que por caso era uma sexta-feira, Filipe IV (o belo), rei de França, com autorização do Papa Clemente V, manda prender todos membros da Ordem dos Templários em território francês, incluindo Jacques de Molay - o Grão-Mestre da Ordem Templária (que mais tarde seria condenado à fogueira). Sob falsas acusações de heresia e traição, "comprovadas" por confissões arrancadas por tortura, os monges-guerreiros acabaram por ser condenados com sentenças de prisão ou morte. No entanto,  muitos historiadores e investigadores defendem que as verdadeiras razões para estas perseguições, condenações e posterior desmembramento da ordem, se deveram ao perigoso poder que a Ordem detinha na época, sendo já credores das maiores casas reais da Europa da cristandade. Dai se ter tornado extremamente útil a sua extinção, de modo a garantir a supremacia do poder dos monarcas. Estas teorias podem ser encontradas no livro: Portugal Cristianíssimo, de Rainer Daehnhardt; Grandes Enigmas da História de Portugal – vol.1, obra da responsabilidade de Paulo Alexandre Loução e Miguel Sanches de Baena.

O sabbath das bruxas - Goya
Mas há muitas mais justificações para se associar ao número 13 o infortúnio, desde a mitologia Nórdica (o Banquete de Loki) ao Novo Testamento (Última Ceia). Em oposição a isto, o número 12 é considerado como número completo e harmonioso, note-se o exemplo do termo “dúzia” e de várias referências históricas, religiosas e mitológicas a ele associado (Doze tribos de Israel, Os doze signos do Zodíaco, os Doze apóstolos, etc.)

Há também uma história conhecida no Norte da Europa, que passou por transmissão oral de geração em geração, de uma Bruxa, de seu nome Friga, que após a conversão dos povos Germânicos ao Cristianismo passou a reunir com o Diabo e outras 11 Bruxas às Sextas-feiras. Nesses encontros a 13, conjuravam, rogavam pragas e distribuíam infortúnios por toda a Humanidade. Estes e outros mitos podem ser encontrados no livro: Mitologia - mitos e lendas de todo o mundo, da editora Lisma.

Assim se demonstram algumas das possibilidades para a origem dos mitos em volta da Sexta-feira dia 13 como sendo um dia de azar. Sendo que umas das maiores razões para isso  até passa por um acto político, apesar das influências mitológicas místicas e supersticiosas.
 
Boa sorte para este dia!


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Concerto de Nimes dos Rammstein, em Portugal seria possivel?

Há cerca de uns meses, penso que no Primavera de 2009, aproveitando uma promoção de uma conhecida discoteca de Leiria, comprei o álbum Volkerball dos Rammstein. Quando comprei, pensava estar a adquirir apenas mais um CD da conhecida banda Alemã de Metal Industrial. No entanto, para além do comum CD, com faixas audíveis em qualquer leitor de música, a edição em causa trazia um DVD com alguns dos espectáculos ao vivo da banda. Após visualizar o DVD fiquei surpreendido com os espectáculos, especialmente o realizado na Anfiteatro de Nimes, antiga cidade do Sul da Gália Romana, hoje Sul de França.
Anfiteatro de Nimes em França
Aconselho todas a verem os vídeos e imagens captadas, muitas delas estão disponíveis  a qualquer curioso na Internet. Mesmo para quem não aprecie a música dos Germânicos Rammnstein, é impossível ficar indiferente aos espectáculos que proporcionam. No caso particular de Nimes, toda a actuação atinge um outro patamar devido à moldura arquitectónica, carregada de história e beleza.

Em Portugal, que eu tenha conhecimento, não existe nenhum anfiteatro com as características do de Nimes, mas temos outras estruturas históricas, que salvaguardando a sua integridade, poderiam albergar este tipo de espectáculos ímpares. Penso que Óbidos tem sido um dos poucos exemplos em Portugal a conseguir algo semelhante no que toca à realização de eventos em locais históricos, com concertos de música clássica e ópera, apesar de não se conhecer por lá actuações de bandas com o peso e energia de palco dos Rammstein.

Deixo aqui algumas ligações da actuação a que me refiro, nada como cada um ver por si para ter plena consciência do evento em causa.


Estes são apenas alguns exemplo, para mais vídeos basta procurar no Youtube.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quem quer ser um mau Gestor, Patrão ou Chefe?

Como em Portugal está em vias de extinção o mau Gestor/Empresário, decidi fazer aqui um breve resumo e exposição de algumas orientações para que esta espécie de líder não se perca. Isto Porque, como ouvi alguém dizer: “Em Portugal existem Patrões e não Empresários”. Ironias à parte, serviu-me de guia para esta demanda, de grande utilidade pública, o livro 'Ética para Engenheiros – Desafiando o síndroma do vaivém Challenger' da autoria de Arménio Rego e Jorge Braga.

Colosso - Goya
Assim, aqui ficam as orientações de como se deve comportar um mau gestor, e com isso diminuir a confiança, motivação e produtividade da empresa ou projecto que lidera:
•    Tratar as pessoas sem dignidade e respeito, lidar elas como se elas fossem irresponsáveis, incapazes, incompetentes, e meros instrumentos e objectos;
•    Guardar a informação de que dispõe, mesmo a que poderia ajudar os colaboradores a tomar melhores decisões e executar melhor as funções;
•    Medir e controlar em excesso desempenhos, relações, atitudes e comportamentos (guardas, relógios de ponto, câmaras ocultas, sistemas de GPS, visitas-surpresa, entre outras);
•    Reagir agressivamente perante pessoas que tragam as informações e notícias desfavoráveis ou desagradáveis;
•    Estruturar as funções dos colaboradores de tal modo que restringir a iniciativa;
•    Centralizar a tomada de decisão. Não promover a participação. Não delegar;
•    Actuar de modo incongruente com aquilo que diz. “Pregar” uma determinada orientação, mas actuar de modo inconsistente com ela.
•     Fazer promessas que sabem que não se pode cumprir;
•    Adoptar procedimentos distintos para diferentes pessoas e consoante as “circunstâncias”;
•    Não comunicar claramente aos seus colaboradores o que deles esperar, não valorizar os seus desempenhos, não determinar claramente os padrões de avaliação, etc. Ser ambíguo, com intuitos manipuladores, chegando mesmo a induzir os colaboradores a actuarem de uma determinada maneira para que os possa acusar posteriormente;
•    Distribuir os sacrifícios, mas remeter para si próprio todos os dividendos alcançados com esses sacrifícios, abandonando os colaboradores que se tenham sacrificado pela emprega em épocas mais favoráveis;
•    Subornar e praticar outros actos ilícitos;
•    Incrementar os salários dos gestores de topo ao mesmo tempo que fazem despedimentos em massa e de modo injusto;
•    Não se preocupar com a segurança dos seus produtos ou colaboradores, encarado os acidentes de trabalho como uma mera fatalidade;
•    Não valorizar devidamente as vidas pessoais e familiares dos seus colaboradores;
•    Repreender em público e não em privado, humilhar as pessoa;
•    Fornecer apenas feedback negativo e só estar presente quando é necessário repreender, mas nunca elogiar comportamentos meritórios. Não ser consistentes, ora um mesmo comportamento é elogiado ora é repreendido;
•    Não ser competente no exercício das suas funções. Não procurar o auto-desenvolvimento, melhor e mais formação para si e para os seus funcionário e colaboradores

Provavelmente muitos mais seriam os exemplos de má conduta empresarial e profissional. - e pessoal. Fica convite os que entendem que faltam. Parece importante lembrar estes maus exemplo, pois no futuro, alguns dos que hoje são meros funcionários também serão gestores de empresas ou chefes de secção ou departamento e poderão cair nestes erros.
É bom não esquecer saber estar e compreender a posição alheia, atendendo às suas necessidades e dificuldades.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O que era ser um Gladiador?

São inúmeros os mitos relacionados com os Gladiadores, muitos por culpa de filmes e outras expressões artísticas. Com base em informações que fui recolhendo em vários documentários (muitos deles exibidos no Canal de História) e em bibliografia especializada (essa sim a fonte mais fidedigna) decidi fazer aqui uma pequena exposição do que fui recolhendo sobre  estes "entertainers" da antiguidade.
Polegar para baixo - Jean Leon Gerome
Os Gladiadores profissionais, na antiga Roma, eram normalmente escravos adquiridos para o efeito, sobre os quais recaia um treino intenso, preparando-os para os combates. Existiam várias escolas, que treinavam esses escravos para lutarem de acordo com os tipos pré-definidos de gladiador: Trácios, Murmilos, Retiários e Secutores. Estava bem definido o tipo de armamento e técnicas de combate para cada tipo.  Por exemplo, todos conhecemos o armamento dos Retiários, equipados com tridente e rede. Então, assim sendo, é inverosímil que um gladiador pudesse escolher livremente o equipamento que iria utilizar em combate, pois tudo estava previamente definido e estipulado. Os combates profissionais eram quase sempre de um para um, numa disputa entre gladiadores de diferentes estilos e escolas - usualmente antagónicos e incompatíveis -, de modo a aumentar a carga dramática, pois no fundo era um espectáculo para as massas.
Os combates raramente eram até à morte de um dos combatentes. Isto porque treinar um e manter um gladiador era muito dispendioso, e se em cada combate morresse um deles não haveria gladiadores de qualidade suficientes para todos os eventos. Somente em casos especiais o público ou o organizador dos espectáculos condenavam um gladiador derrotado à morte, principalmente nos casos de deslealdade e falta de coragem durante o combate. Esta decisão era demonstrada através da posição do polegar de quem sentenciava (público ou responsável pelo evento). Erradamente se associou o gesto do polegar para cima como aprovação (vida para o derrotado) e do polegar para baixo (morte para o derrotado). Estudos recentes revelaram que apontar o polegar para baixo significava baixar as armas (vida para o derrotado), por outro lado colocar o polegar para cima apontando-o para o pescoço era sinal de execução (morte para o derrotado).
 Apesar de serem escravos dos donos das escolas que os treinavam, os gladiadores eram vistos como super-estrelas do "desporto" da altura, sendo-lhes proporcionados grandes banquetes, bens materiais e todos os luxos possíveis, alguns deles atingiram tal fama  e prestigio de combate que os seus nomes ainda hoje se conhecem. Dizem alguns autores que muitos cidadãos se voluntariavam como gladiadores, ambicionando a fama e a riqueza, e que era comum as damas das classes altas da sociedade romana (Patrícios) pagarem avultadas somas em dinheiro em troca dos favores sexuais dos mais prestigiados gladiadores.

Temos de admitir que há algumas semelhanças com os actuais desportistas de alta competição, especialmente com os mais mediáticos, e os gladiadores da Roma antiga, tirando claro a natureza das lesões.

domingo, 1 de novembro de 2009

Moral vs. Ética

Há duas semanas participei numa acção de formação sobre ética. Apesar de ser vocacionada para a ética profissional, um dos pontos principais da formação era a distinção entre moral e ética.
Carnaval de Arlequim - Miró
É comum ética e moral serem utilizados como sinónimos, o que não podia ser mais errado.  
Moral é um ou mais conjuntos de códigos e regras que devem ser seguidas pelos indivíduos de um determinado grupo ou sociedade, tendo como objectivo o bem comum e uma sociedade organizada nesse ou noutro sentido - dependendo isso da sociedade em causa. Ou seja, ter moral, significa respeitar e seguir uma determinada conduta de comportamento previamente estipulada e definida. A própria palavra é uma herança Romana - apesar de traduzida directamente do Grego -, relacionada com a forte componente legal e legisladora que o Império deixou à civilização Ocidental.
Por outro lado, ética significa analisar e questionar os modelos e regras que regem o comportamento humano, especialmente o Homem como ser social e responsável em sociedade pelos seus actos, mas também para consigo próprio. Ou seja, enquanto a Moral define, a ética questiona para compreender e saber como actuar e proceder sem seguir cegamente os códigos legais e de conduta previamente estabelecidos.

Associar então moral à Religião e aos dogmas, do meu ponto de vista, é perfeitamente defensável, pois a grande maioria das religiões têm uma moral própria já estabelecida com base em verdades inquestionáveis - dogmas - quem devem ser seguidas e não questionadas.  
Já associar ética à filosofia é quase imperativo, pois, na sua busca e amor pela sabedoria, a filosofia questiona e analisa para melhor compreender.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

História, qual o significado e importância?

Escola de Atenas - Rafael
Desde há algum tempo que me questionava sobre o significado da palavra “História”, mas nunca tinha pensado seriamente nisso ao ponto de fazer uma pesquisa nesse sentido. Enquanto estava a folhear um atlas de História bem simpático e muito bem ilustrado, o livro “Grande Enciclopédia da História” da editora Livraria Civilização Editora, deparei-me com a explicação que sempre me suscitou curiosidade. Numa dessas páginas perdidas estava escrito que História em Grego arcaico significava “Investigação Racional”, significado que dá uma dimensão muito mais abrangente ao que hoje se entende por estudo da História. Eu diria que o conceito original é quase semelhante ao da “Ciência” actual. Terá sido então a História a precursora da ciência e não a Filosofia? Será por isso que existe uma Musa para a História (Clio) e não uma para a Filosofia (entendia-se que somente as grandes artes e ciências tinham uma musa em sua consagração)?
Na minha opinião, a ausência de musa para a Filosofia talvez tenha acontecido pelo simples facto de a filosofia só se ter definido como “o gosto pela sabedoria” posteriormente à criação das 9 musas, não se devendo tirar dai grandes ilações. Diria que a “Ciência” nasceu de uma série de conhecimentos e vontades humanas e não apenas de uma suposta área do saber. Esta explicação que apresento é apenas uma especulação, sem grande investigação ou comprovação que a sustente. O principal objectivo aqui, aquele que considero mesmo pertinente, é mesmo levantar questões.
Com este texto pretendia também tentar reforçar a importância da História, quer pela influência que teve na génese do saber Ocidental quer pela sua importância actual, embora por vezes imperceptível. Isto porque, sempre que fazemos uma qualquer investigação sobre um qualquer assunto ou tema, acabamos sempre por recorrer à Historia para a aquisição dos conhecimento base necessários para esse próprio estudo. Ou seja, quando queremos aprender a somar temos, à partida, de ter o conhecimento da existência dos números, conhecimento este exclusivamente adquirido através do estudo da História da Matemática. Pois a invenção ou descoberta deles faz parte da História dessa Ciência, embora não o aprendamos conscientes de que estamos a recorrer da História. História não é só História Social, essa é simplesmente a mais famosa devido a muitos factores, por exemplo, devido às grandes individualidades e acontecimentos que ainda hoje influenciam e definem o modo como vivemos e nos comportamos.
Com isto, a História é ou não importante? Mesmo esquecendo aqueles chavões: “sem conhecer o Passado não podemos compreender o Presente e planear o Futuro”.

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A Busca pela sabedoria - criado em Agosto de 2009 por Micael Sousa